{"id":10198,"date":"2013-06-09T12:57:10","date_gmt":"2013-06-09T15:57:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/?p=10198"},"modified":"2013-06-09T12:57:10","modified_gmt":"2013-06-09T15:57:10","slug":"cia-teatro-de-seraphim-estreia-as-confrarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/cia-teatro-de-seraphim-estreia-as-confrarias\/","title":{"rendered":"Cia Teatro de Seraphim estreia As Confrarias"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_10203\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/06\/09\/cia-teatro-de-seraphim-estreia-as-confrarias\/asconfrarias1-americonunes\/\" rel=\"attachment wp-att-10203\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-10203\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/Asconfrarias1.AmericoNunes.jpg\" alt=\"Antonio Cadengue assina dire\u00e7\u00e3o de As confrarias. Fotos: Am\u00e9rico Nunes\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-10203\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/Asconfrarias1.AmericoNunes.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/Asconfrarias1.AmericoNunes-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10203\" class=\"wp-caption-text\">Antonio Cadengue assina dire\u00e7\u00e3o de As confrarias. Fotos: Am\u00e9rico Nunes<\/p><\/div>\n<p>O decreto de Creonte era claro: dizia que o corpo de Polinice n\u00e3o deveria ser pranteado ou enterrado. Assim como Ant\u00edgona n\u00e3o deixou o irm\u00e3o insepulto, na trag\u00e9dia grega escrita por S\u00f3focles, no teatro moderno de Jorge Andrade (1922-1984), a personagem Marta tamb\u00e9m venceria qualquer obst\u00e1culo para conferir dignidade ao filho Jos\u00e9, depois da morte. O drama dessa m\u00e3e \u00e9 contado em <em>As confrarias<\/em>, texto que \u2013 apesar de escrito em 1969 \u2013 s\u00f3 estreia nacionalmente agora, em encena\u00e7\u00e3o pernambucana assinada por Antonio Cadengue. A montagem marca a retomada das atividades da Companhia Teatro de Seraphim, cuja \u00faltima produ\u00e7\u00e3o foi A filha do teatro, h\u00e1 seis anos. A pe\u00e7a entra em cartaz no dia 9 de junho, cumprindo temporada at\u00e9 o fim do m\u00eas, de quinta-feira a domingo (20h), no Teatro Barreto J\u00fanior.<\/p>\n<p>Em 1977, Jorge Andrade concedeu entrevista \u00e0 Folha de S. Paulo em que sentenciou: \u201cN\u00e3o h\u00e1 censura que acabe com o homem brasileiro. Ningu\u00e9m pode apagar a hist\u00f3ria. Uma hora ou outra ela vem \u00e0 tona. A minha obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 escrever, registrando o homem no tempo e no espa\u00e7o. Se a pe\u00e7a vai ser encenada agora, ou n\u00e3o, isso \u00e9 outro problema. Um dia ela ser\u00e1\u201d. A declara\u00e7\u00e3o evidenciava a no\u00e7\u00e3o do dramaturgo quanto \u00e0 dificuldade de se montar As confrarias \u00e0 \u00e9poca, oito anos depois de escrita. <\/p>\n<p>Aquele era um tempo de censura ferrenha \u2013 o primeiro ano de vigor do Ato Institucional n\u00ba 5, no governo do general Costa e Silva. Talvez por isso aspectos pr\u00e1ticos, como o n\u00famero de personagens do enredo, n\u00e3o importaram ao autor: s\u00e3o 43, se considerarmos todas as indica\u00e7\u00f5es. O desafio de transpor ao palco uma dramaturgia com tantos personagens n\u00e3o assustou a Seraphim que, em 1995, empreendeu outra estreia nacional \u2013 Os Biombos, de Jean Genet \u2013 com mais de cem deles. <\/p>\n<p>\u201cComo n\u00e3o houve montagem, Andrade n\u00e3o teve chance de ouvir o texto, de rev\u00ea-lo atrav\u00e9s do palco, como aconteceu com outras obras, principalmente com aquelas encenadas pelo Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia (TBC), como Pedreira das almas, A escada, Os ossos do Bar\u00e3o e Vereda da salva\u00e7\u00e3o\u201d, explica o diretor que, ao lado da atriz L\u00facia Machado e de Igor de Almeida Silva, doutorando em Artes C\u00eanicas, adaptaram a dramaturgia. Foram cerca de 15 vers\u00f5es testadas \u00e0 exaust\u00e3o durante os ensaios \u2013 14 atores se revezam na interpreta\u00e7\u00e3o dos personagens.<\/p>\n<div id=\"attachment_10204\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/06\/09\/cia-teatro-de-seraphim-estreia-as-confrarias\/asconfrarias-americonunes\/\" rel=\"attachment wp-att-10204\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-10204\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/asconfrarias.AmericoNunes.jpg\" alt=\"Pe\u00e7a de Jorge Andrade nunca havia sido montada\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-10204\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/asconfrarias.AmericoNunes.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/asconfrarias.AmericoNunes-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10204\" class=\"wp-caption-text\">Pe\u00e7a de Jorge Andrade nunca havia sido montada<\/p><\/div>\n<p>Jorge Andrade usa um pano de fundo hist\u00f3rico: ambienta a a\u00e7\u00e3o em Vila Rica, hoje Ouro Preto, \u00e0 \u00e9poca da Inconfid\u00eancia Mineira, no s\u00e9culo 18. Marta carrega o corpo do filho, na dif\u00edcil miss\u00e3o de enterr\u00e1-lo, j\u00e1 que n\u00e3o havia cemit\u00e9rios p\u00fablicos. Para ser sepultado, o morto deveria pertencer a uma confraria, s\u00f3 que o filho exercia uma profiss\u00e3o profana: ator de teatro. A m\u00e3e vai, ent\u00e3o, percorre quatro confrarias: a Irmandade do Carmo (confraria dos brancos), a Irmandade do Ros\u00e1rio (dos negros puros), a Irmandade de S\u00e3o Jos\u00e9 (dos pardos, que aceita artistas, pintores, escultores, trabalhadores) e a Ordem Terceira das Merc\u00eas (mistura de negros, brancos e mulatos). <\/p>\n<p>Essa jornada materna evidencia quest\u00f5es sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas \u2013 a desigualdade social, os preconceitos, as injusti\u00e7as. O autor vasculhou a hist\u00f3ria, mas para referir-se ao seu tempo, ao Regime Militar. Parece o mesmo intuito da montagem agora ao lan\u00e7ar discuss\u00f5es, por exemplo, sobre a intoler\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Teatro Pol\u00edtico &#8211;<\/strong> A pe\u00e7a utiliza ainda do recurso da metalinguagem e questiona as fun\u00e7\u00f5es do ator e do dramaturgo, da arte e do teatro na contemporaneidade, principalmente no que diz respeito ao car\u00e1ter de contesta\u00e7\u00e3o que podem assumir. Ao rememorar o passado, Marta resgata a figura do filho representando, por exemplo, a trag\u00e9dia Cat\u00e3o, de Almeida Garret, que tratava dos abusos de poder na Roma Antiga. \u201cTenho algumas m\u00e3es na minha carreira, como a de Bodas de sangue, de Federico Garcia Lorca, mas faltava Marta. \u00c9 muito forte perceber que ela praticamente leva o filho \u00e0 morte, porque o incitou a lutar atrav\u00e9s dos personagens que ele fazia\u201d, diz L\u00facia Machado.<\/p>\n<p>Desde 2007, a atriz estava longe dos palcos, exercendo fun\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 gest\u00e3o cultural, como a coordena\u00e7\u00e3o do Centro Apolo-Hermilo, ligado \u00e0 Prefeitura do Recife. O elenco conta com mais duas mulheres: Nilza Lisboa, que faz a Marta jovem; e Brenda L\u00edgia, interpretando Quit\u00e9ria, amante de Jos\u00e9. Completam o time de atores Rudimar Const\u00e2ncio, Alexsandro Marcos, Gilson Paz, Ivo Barreto, Marinho Falc\u00e3o, Mauro Monezi, Ricardo Angeiras, Taveira J\u00fanior, Carlos Lira, Marcelino Dias e Roberto Brand\u00e3o. Os tr\u00eas \u00faltimos estavam em <em>Vest\u00edgios<\/em>, montagem mais recente assinada por Cadengue. \u201c<em>As confrarias<\/em> \u00e9 uma pe\u00e7a em que a teatralidade est\u00e1 muito baseada na imagem, uma caracter\u00edstica, ali\u00e1s, dos trabalhos do diretor\u201d, comenta o ator Rudimar Const\u00e2ncio.<\/p>\n<p>Na encena\u00e7\u00e3o, Cadengue explora o \u201cestranhamento brechtiano\u201d \u2013 elementos que tiram por alguns instantes o espectador da f\u00e1bula e podem ser at\u00e9 bizarros. \u201cInicialmente, para resolver um problema da encena\u00e7\u00e3o, imaginei a figura de um anjo que vai aparecer em alguns momentos da pe\u00e7a. Como Jorge Andrade, gosto da metalinguagem e trago elementos intertextuais para a cena. Esse anjo tanto \u00e9 uma homenagem a Nelson Rodrigues e ao seu Anjo negro quanto \u00e0s refer\u00eancias inter\u00e9tnicas da obra do fot\u00f3grafo americano Robert Mapplethorpe e a pr\u00f3pria Seraphim, cujo \u00edcone \u00e9 um anjo de fogo\u201d, afirma. Outras influ\u00eancias para a cena tamb\u00e9m foram trazidas pelo diretor, como o filme <em>Terra em transe<\/em>, de Glauber Rocha.<\/p>\n<div id=\"attachment_10206\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/2013\/06\/09\/cia-teatro-de-seraphim-estreia-as-confrarias\/asconfrarias2-americonunes\/\" rel=\"attachment wp-att-10206\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-10206\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/Asconfrarias2.AmericoNunes.jpg\" alt=\"Montagem marca a retomada da Cia Teatro de Seraphim\" width=\"600\" height=\"400\" class=\"size-full wp-image-10206\" srcset=\"https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/Asconfrarias2.AmericoNunes.jpg 600w, https:\/\/www.satisfeitayolanda.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/Asconfrarias2.AmericoNunes-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10206\" class=\"wp-caption-text\">Montagem marca a retomada da Cia Teatro de Seraphim<\/p><\/div>\n<p>A ficha t\u00e9cnica da produ\u00e7\u00e3o, que conta com o apoio do Fundo Pernambucano de Incentivo \u00e0 Cultura (Funcultura), inclui a cen\u00f3grafa Doris Rollemberg, parceira da companhia desde Os biombos; figurinos, adere\u00e7os e maquiagem de An\u00edbal Santiago e Manuel Carlos; luz de Luciana Raposo; e trilha sonora de Eli-Eri Moura. Para o diretor, ainda que tenha um tra\u00e7o tr\u00e1gico, a pe\u00e7a carrega em si o valor da esperan\u00e7a. Numa das falas, Marta diz que gosta de plantar. \u201c\u00c9 uma montagem que trata deste pa\u00eds. De como ele \u00e9 complexo, dif\u00edcil, mas como pode ser lido atrav\u00e9s da poesia, pela lente do teatro.\u201d<\/p>\n<p><strong>* Esse texto foi originalmente publicado na edi\u00e7\u00e3o de junho da Revista Continente<\/strong><\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br \/>\n<em>As confrarias<\/em><br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> estreia neste domingo (9), somente para convidados<br \/>\n<strong>Temporada:<\/strong> de quinta a domingo (de 13 a 30 de junho), \u00e0s 20h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Teatro Barreto J\u00fanior (Rua Estudante Jeremias Bastos, s\/n, Pina)<br \/>\n<strong>Quanto:<\/strong> R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O decreto de Creonte era claro: dizia que o corpo de Polinice n\u00e3o deveria ser pranteado ou enterrado. 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