Arquivo do Autor: Ivana Moura

Em cena o pensamento preto, no festival Dona Ruth

Naruna Costa, no Dona Ruth Festival de Teatro Negro. Foto: José Holanda / Divulgação

Jhow Carvalho Foto: Minas Produções / 

Dona Ruth: Festival de Teatro Negro em São Paulo é uma festa cênica dedicada exclusivamente ao teatro negro produzido na capital paulista e celebra permanentemente a memória da atriz Ruth de Souza (1921-2019). A programação é online, em respeito às exigências de isolamento devido à pandemia do novo Coronavírus. Em atividade desde o último dia 7, a nova edição do festival segue até o dia 28 de novembro e conta com cerca de 25 atividades gratuitas, como giras de conversa em ações afirmativas, um quilombo artístico pedagógico, espetáculos, experimentos cênicos online, performances e shows.

Os trabalhos são transmitidos ao vivo pelo canal do Dona Ruth:FTNsp no Youtube, sempre às sextas e sábados, e com Reprises às segundas e quintas-feiras, diretamente do Centro de Culturas Negras do Jabaquara Mãe Sylvia de Oxalá e dos teatros Cacilda Becker e Alfredo Mesquita. Todas as atrações artísticas do festival tem recursos de acessibilidade com tradução e interpretação para libras.

A pulsação desta sexta-feira vibra com o espetáculo Canto ao Pé do Ouvido, concebido e com atuação da atriz e diretora Naruna Costa. É um experimento cênico com texto de Marcelino Freire. Apresenta uma mulher, cantora, compositora, preta, que sacoleja os sons de seus pensamentos-ventos-sopros. São ideias que exigem respeito. A direção musical/ sonoplastia é assinada por Dani Nega.

Os que vieram antes de nós são lembrados e saudados na Gira de Conversa Ruth de Souza: A Memória como Fundamento do Teatro, com Jhow Carvalho e Eliane Weinfurter. Nesse debate ao vivo, eles falam das inquietações que atravessam o tempo, inspirados em artistas negras e negros decisivos para o surgimento de espaços próprios de criação e de disputa de imaginários. Subjetividades, presenças e qualidades expressivas de pessoas negras nas artes cênicas, no cinema e na teledramaturgia instigam a discussão.  

Tem muita história instigante neste festival, como a Performance Retrospectiva Preta 2020, em que Grace Passô e Novíssimo Edgar acionam memórias pretas para narram “coisas” que aconteceram durante esse giro da Terra em torno do Sol. A dramaturgia é de Dione Carlos em parceria com os dois atores. Também na pauta o espetáculo Preta Rainha, escrito por Jé de Oliveira, dirigido por Flávio Rodrigues e protagonizada por Aysha Nascimento. A peça ataca a construção violenta das políticas de embranquecimento brasileiro, o epistemicídio através das políticas de miscigenação e a objetificação e coisificação do corpo da mulher negra.

O show Slam Blues – Vocigrafias da atriz-MC Roberta Estrela D’Alva junta a palavra, a música, o improviso e o “spoken-word”, numa viagem musical em que a poesia se abraça o teatro e o hip-hop e se une ao blues.

A Estrangeira, com dramaturgia, direção e sonoplastia de Daniel Veiga e atuação de Fabiana Neves, mostra a dificuldade de uma mulher que está soterrada numa terra estranha após um ataque aéreo. Com o marido soterrado sob ela, e grávida de oito meses, ela não sabe como pedir ajuda, pois não fala a língua do povo dessa terra.

O espetáculo Auto do Negrinho propõe uma reflexão sobre o genocídio da juventude negra nos tempos de hoje, misturando características da literatura de cordel com a sonoridade da congada. A peça conta a história de Negrinho do Pastoreio, uma criança escravizada no Sul do Brasil. Com os atores Cleydson Catarina, Augusto Iúna, Fábio Santos.

Mijiba, A boneca guerreira discute de forma lúdica os problemas enfrentados pelas mulheres negras na sociedade, a partir da encomenda encontrada por dois palhaços carteiros. Com Valmir Cruz e Dede Ferreira e a musicista Girlei Miranda e direção de Paula Klein. Outra para o público infantil apresenta três colhedores de contos que peregrinam pelo continente africano resgatando memórias e alegrando as pessoas no espetáculo Contando África em Contos. Eles narram histórias vividas na Etiópia, Gana e Angola e propõe uma reflexão do que foi e do que é a África e toda sua influência pelo mundo. Com Jefferson Brito e Rita Teles.

O papo é reto nas giras de conversa.

Em Tiranias da Subjetividade, Leda Maria Martins e Rosane Borges reforçam a criticidade para pensar e repensar formas, técnicas, conteúdos e referências para as criações artística das pessoas negras. Elas nos convidam a pensar sobre as armadilhas que, no contexto de uma sociedade racista e capitalista, atravessam os processos criativos.

Já Adriana Paixão e Deise de Brito investigam os problemas antigos e as novas problemáticas que tensionam as concepções histórico-político-conceituais do Teatro Negro, atravessados pelas lutas de raça, gênero, classe, território e as construções conceituais e as produções artísticas na gira de conversa Teatros Negros e as Presenças Negras na Cena.

Ellen de Paula e Gabriel Cândido, os idealizadores do  festival, convocam para uma experimentação coletiva nesse momento em que muitos paradigmas estão sendo questionados e inclusive os próprios fundamentos do teatro enquanto arte de presença e de encontro.

Com o festival eles buscam dar outras relevâncias ao pensamento preto sobre as complexidades em movimento, a intensa produção de imagens que se retroalimentam como construtora de narrativas e imaginários hegemônicos. É um reforço para valorizar imagem do corpo negro, ampliar os espaços de articulação artísticos, pedagógicos e políticos em que predomine a humanidade de uma mudo mais justo.

A programação começou com a performance em celebração aos 45 anos do Teatro Popular Solano Trindade e dos 20 anos da Invasores Cia Experimental de Teatro Negro de Elis Trindade e Dirce Thomaz, no dia 7 de novembro. E já teve conversa com Zezé Motta, no encontro inaugural do Quilombo Artístico Pedagógico – Poéticas Cênicas. E Linn da Quebrada com o show Acusticuzinho.

Dona Ruth: Festival de Teatro Negro de São Paulo
de 7 a 28 de novembro.
Edição online.  Pelo canal do Dona Ruth:FTNsp no Youtube
Informações @donaruth.ftnsp

13 de novembro:

    • 19h Gira Ruth de Souza: a memória como fundamento do Teatro, com Eliane Weinfurter e Jhow Carvalho. REPRISE: 16/11 às 14h.
      Transmissão do Teatro Cacilda Becker
      Classificação: Livre.
      90min.
    • 21h Canto ao pé do ouvido, com Naruna Costa. REPRISE: 19/11 às 20h.
      Transmissão direta do Teatro Cacilda Becker
      Classificação: Livre
      40min

 14 de novembro:

    • 10h Quilombo Artístico – Pedagógico módulo Direção, com Luh Maza.
    • 14h Espetáculo Infantil Mjiba, a boneca Guerreira, com Trupe Liuds. REPRISE: 19/11 às 10h.
      Local: Transmissão do Teatro Alfredo Mesquita pelo Youtube/Dona Ruth: Festival de Teatro Negro de São Paulo

      Classificação: Livre
      50min
    • 21h Experimento Cênico A estrangeira de Daniel Veiga e com Fabiana Neves. REPRISE: 16/11 às 20h.
      Local: Transmissão direta do Teatro Alfredo Mesquita pelo
      Youtube/Dona Ruth: Festival de Teatro Negro de São Paulo
      Classificação: 14 anos
      40min

20 de novembro:

    • 19h Gira de Conversa Tiranias da Subjetividade, com Leda Maria Martins e Rosane Borges. REPRISE: 23/11 às 14h.Local: Transmissão direta do Teatro Cacilda Becker
      Classificação: Livre.
      90min.
    • 21h Espetáculo Auto do Negrinho, com Terreiro Encantado. REPRISE: 23/11 às 20h.Local: Transmissão direta do Teatro Cacilda Becker
      Classificação: 12 anos
      60min

21 de novembro: 

    • 10h Quilombo Artístico – Pedagógico módulo Performance com Ana Musidora.
    • 21h Espetáculo Preta Rainha, com Aysha Nascimento. REPRISE: 26/11 às 20h.
      Local: Transmissão direta do Teatro Alfredo Mesquita
      Classificação: 14 anos
      40min

27 de novembro:

    • 19h Gira de Conversa Teatros Negros e as Presenças Negras na Cena, com Adriana Paixão e Deise Brito. REPRISE: 29/11 às14h.
      Local: Transmissão direta do Teatro Cacilda Becker
      Classificação: Livre.
      90min.
    • 21h Espetáculo Slam Blues – Vocigrafias, com Roberta Estrela D’Alva. REPRISE: 29/11 às 21h.
      Local: Transmissão direta do Teatro Cacilda Becker
      Classificação: Livre
      60min

28 de novembro

    • 10h Quilombo Artístico-Pedagógico módulo Dramaturgia com Dione Carlos.
    • 14h Espetáculo Infantil Contando África em Contos, com Cia Colhendo Contos e Diáspora Negra. REPRISE: 29/11 às 10h.
      Local: Transmissão direta do Teatro Alfredo Mesquita
      Classificação: Livre
      45min
    • 19h Encerramento Vídeo Aquariane + CultNe.
    • 21h Performance Retrospectiva Preta 2020, com Grace Passô e Novíssimo Edgar. REPRISE: 29/11 às 19hLocal: Transmissão direta do Teatro Alfredo Mesquita
      Classificação: 16 Anos
      60 minutos.
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Crise e Insurreição, uma mostra de experimentos cênicos do Grupo XIX de Teatro

Feminino Abjeto 1. Foto: Laio Rocha / Divulgação

Plantar Cavalos. Foto: Giorgio D’Onofrio / Divulgação

Memórias de Cabeceira. Foto: Eduardo Figueiredo / Divulgação

O Projeto XIX Ano 19: Crise e Insurreição é uma mostra com os experimentos cênicos criados nos núcleos de pesquisa do Grupo XIX de Teatro, de São Paulo, orientados por Janaina Leite, Juliana Sanches, Luiz Fernando Marques, Rodolfo Amorim e Ronaldo Serruya. A trupe completa 19 anos neste estranho ano de 2020. Com a pandemia da Covid-19, o coletivo comemora com apresentações online, grátis, entre os dias 12 e 22 de novembro, por meio da plataforma Zoom. Cada espetáculo faz duas apresentações.

Participam da mostra os espetáculos Acorda, Alice! Através Da Tela, com direção geral de Juliana Sanches; Memórias de Cabeceira, com direção de Rodolfo Amorim; Plantar Cavalos Para Colher Sementes, com direção, concepção e pesquisa de Ronaldo Serruya; Feminino Abjeto 1, com direção e concepção de Janaina Leite; Feminino Abjeto 2, também com direção de Janaina Leite. Além da Mostra Abjeta III, com vários trabalhos estreados em ou processo, entre eles Tudo é Lindo em Nome do Amor, de Bruna Betito e Debora Rebecchi, um percurso irônicopelo mito do amor romântico.

Desde sua criação, o Grupo XIX de Teatro faz investigações importantes e ousa avançar nas possibilidades da cena como exercício estético e micropolítico. O espaço histórico da cidade de São Paulo guiou algumas produções, como o premiado Hysteria, que explora as complexas relações sociais da mulher brasileira na virada do século XIX. Uma viagem no tempo para questionar os mecanismos do poder. Hygiene, que trata dos trabalhadores que habitavam os cortiços do Rio no século XIX segue a mesma pisada.

Outras peças que são resultado da pesquisa autoral do grupo são Arrufos, Marcha Para Zenturo (em parceria com o Grupo Espanca), Nada Aconteceu, Tudo Acontece e Tudo Está Acontecendo, Estrada do Sul (em parceria com o Teatro Dell’Argine) e Teorema 21.

Com a pesquisa sobre habitação e moradia no Brasil a turma chegou à Vila Operária Maria Zélia. Da primeira residência até hoje, foram muitas ações, uma troca permanente com a comunidade e a inserção definitiva da Vila Maria Zélia no mapa cultural da cidade de são Paulo.

A criação colaborativa, o uso de espaços não-convencionais e a relação próxima ao público são marcas dessa trajetória. A “Vila” é hoje um espaço de pesquisa, difusão e formação que abriga projetos como os Núcleos de Pesquisa que acolhem anualmente cerca de cem artistas, além de diversos espetáculos e oficinas.

MOSTRA DE EXPERIMENTOS CÊNICOS

De 12 e 22 de novembro, por meio da plataforma Zoom.
Ingressoshttps://www.sympla.com.br/grupoxixdeteatro

Acorda Alice. Foto Anoca Freitas / Divulgação

ACORDA, ALICE! ATAVÉS DA TELA!
Dias 12 e 14 de novembro – Quinta-feira, às 21h, e Sábado, às 19h

O tempo atravessa o encontro dessas mulheres, das que chegam e das que já estavam lá. A passagem das horas gera insegurança. Como o tempo marcou a carne de cada uma delas? O espetáculo percorre os ciclos femininos, da menina, adolescente, adulta e anciã. Com o apoio uma das outras, elas seguem fazendo perguntas, numa dança de cumplicidade e sororidade em que a experiência de estarem juntas, valorizando cada uma delas é o que mais importa.

Ficha Técnica
Dramaturgismo: Juliana Sanches.
Texto: Acorda Coletivo.
Montagem audiovisual, edição e finalização: Val Hidalgo.
Direção Geral: Juliana Sanches.
Assistência de Direção Audiovisual: Alice Stamato.
Figurino: Juliana Sanches e Acorda Coletivo.
Iluminação: Acorda Coletivo.
Elenco: Alice Stamato, Cacau Fonseca, Carol Andrade, Ericka Leal, Jaqueline Beatriz, Joice Tavares, Juliana Roberta, Larissa Alves, Leticia Stamatopoulos, Lídia Engelberg, Lidi Seabra, Ligia Fonseca, Mahê Machado, Mariela Lamberti, Priscilla Nina, Rebecca Leão, Renata Dalmora, Rita Damasceno, Samira Aguiar e Victória de Paula.
Atrizes que estiveram no processo: Lorena Barreto, Paloma Dantas e Vanusa Di Santi.
Produção: Acorda Coletivo.
Realização: Acorda Coletivo.
Fotos: Anoca Freitas, Gabriela Burdmann, Giorgio D’Onofrio e Marília Apolônio.
Classificação: 14 anos.
Duração: 50 minutos.

MEMÓRIAS DE CABECEIRA
Dias 13 e 15 de novembro – Sexta e domingo, às 20h

Memórias de Cabeceira. Foto: Jonatas Marques / Divulgação

A memória dos atores sobre seus avós conduz essa experiência cênica, que propõe vasculhar os espaços de saudade também do público. Os atores investigam suas lembranças preciosas dos avós, desses netos-atores que visitam arquivos de um passado que aciona espaço/tempo de afeto comum a muitos de nós.

Ficha Técnica:
Direção: Rodolfo Amorim.
Elenco: Bruno Canabarro, Cleuber Gonçalves, Natália Ribeiro e Vinícius Titae.
Dramaturgia, Figurinos e Cenografia: Coletivo Analógico de Teatro.
Duração: 50 minutos.
Classificação: Livre.

PLANTAR CAVALOS PARA COLHER SEMENTES
Dias 14 e 15 de outubro – Sábado, às 21h30, e Domingo, às 18h

Plantar Cavalos. Foto: Jonatas Marques / Divulgação

Plantar Cavalos Para Colher Sementes é uma peça-manifesto de caráter performativo livremente inspirada no manifesto Falo Por Minha Diferença, do ativista chileno Pedro Lemebel. É a denúncia de um corpo que está morrendo, e que precisa gritar para se manter vivo. O trabalho dirigido por Ronaldo Serruya promove uma espécie de confronto para abalar a perversa estrutura que engendra discursos e mecanismos racistas, homofóbicos, misóginos e transfóbicos, e tensionar em nós o que é reprodução da norma e incapacidade de desprogramar o previsto.

Ficha técnica:
Direção, concepção e pesquisa: Ronaldo Serruya.
Assistente de direção: Bruno Canabarro.
Manifestantes: Ailton Barros, Ana Vitória Prudente, Be Gonzales, Camila Couto, Carlos Jordão, Gabi Costa, Ericka Leal, Mateus Menezes, Patrícia Cretti, Tatiana Ribeiro.
Iluminação: Dimitri Luppi Slavov.
Fotos e vídeos: Jonatas Marques.
Produção: Gabi Costa, Mateus Menezes e Tatiana Ribeiro.
Realização: Grupo XIX de Teatro.
Agradecimento especial: Vana Medeiros.
Classificação: 16 anos.
Duração: 50 minutos.

FEMININO ABJETO 1 + bate-papo com diretora e performers
Dia 20 de novembro – Sexta-feira, às 20h

Feminino Abjeto. Foto Jonatas Marques / Divulgação

O conceito de “abjeção” proposto por Julia Kristeva para investigar as representações do feminino e a a obra da artista espanhola Angélica Liddell são as inspirações do trabalho, orientado por Janaina Leite. Performado por mulheres e duas pessoas não-binárias, o espetáculo, tomou por eixo principal a figura de uma mãe “mais arcaica que real”, como campo de recusa, mas também identificação em relação a certa “transmissão da feminidade”. O espetáculo estreou em 2017.

Ficha Técnica:
Direção e concepção: Janaina Leite.
Performers/autorXs: Bruna Betito, Cibele Bissoli, Débora Rebecchi, Emilene Gutierrez, Flo Rido, Gilka Verana, Juliana Piesco, Letícia Bassit, Maíra Maciel, Oli Lagua, Ramilla Souza e Sol Faganello.
Assistência de direção: Tatiana Caltabiano.
Dramaturgismo: Janaina Leite e Tatiana Ribeiro.
Preparação Stiletto: Kaval.
Preparação Haka: Allan Melo.
Iluminação: Afonso Alves Costa.
Operação de som: Marina Meyer.
Fotografia: Laio Rocha.
Câmera: Roberto Setton, Camila Couto e Vinicius Vitti.
Edição: Sol Faganello.
Classificação: 18 anos.
Duração: 90 minutos.

FEMININO ABJETO 2
Dia 22 de novembro – Domingo, às 19h

Feminino Abjeto 2. Foto: André Cherri / Divulgação

Em 2018, Janaina Leite propôs uma nova investigação a partir da figura da mãe, agora em um núcleo de pesquisa composto por 34 homens e duas pessoas não-binárias. Se o masculino se constrói como “reatividade ao feminino”, como propõe Safiotti, em Feminino Abjeto 2, analisou as relações com as figuras arcaicas de pai e mãe, a fim de encontrar a gênese de uma virilidade que se confunde com violência e autoritarismo. O espetáculo estreou em dezembro do mesmo ano, cumpriu duas temporadas na Vila Maria Zélia, no Teatro de Container da Cia Mungunzá́ (Luz/São Paulo) e se apresentou no Sesc Belenzinho na mostra Dramaturgias 2.

Ficha técnica:
Direção e dramaturgismo: Janaina Leite.
Performers/autores: Alexandre Lindo, André Medeiros Martins, Andrea Sá, Carlos Jordão, Chico Lima, Dante Paccola, Diego Araújo, Eduardo Joly, Filipe Rossato, Guilherme Reges, Gustavo Braunstein, Jeffe Grochovs, João Duarte, João Pedro Ribeiro, Leonardo Vasconcelos, Lucas Asseituno, Marco Barreto, Nuno Lima, Thompson Loiola.
Assistência de direção e dramaturgismo: Ramilla Souza.
Iluminação: Maíra do Nascimento e Marcus Garcia.
Criação e operação de som e trilhas: Eduardo Joly.
Fotografia: André Cherri, Michel Igielka, Liz Dórea, Flaviana Benjamin, Carol Rolim, Mateus Capelo.
Vídeos: André Cherri; Diego Araújo, Guilherme Dimov, Victor Rinaldi; Filipe Rossato, Gabriel Pessoto, Fernanda Wagner, Marina Rosa, Juba Bezerra (Poro Produções).
Arte original: Miguel Sanchez; Andrés Nigoul (Duo Dinâmico).
Núcleo de Comunicação: Thompson Loiola (99 Comunicação) e Alexandre Lindo.
Núcleo de Produção e Projetos: João Pedro Ribeiro, Thompson Loiola, Ramilla Souza, Lucas Asseituno, André Medeiros Martins.
Classificação: 18 anos.
Duração: 90 minutos.

MOSTRA ABJETA III
Dia 21 de novembro – Sábado, das 14h às 18h

Feminino Abjeto. Mostra Núcleos de Pesquisa 2017 Foto Jonatas Marques / Divulgação

Já realizada no Teatro de Contêiner e no Teatro Centro da Terra, a Mostra Abjeta junta cenas autorais desdobradas a partir ou em relação à experiência de Feminino Abjeto 1. Entre trabalhos em processo ou já estreados, essa mostra propõe uma versão on-line desses experimentos, revelando a apropriação singular de cada artista a partir das questões originais, mas desdobradas em trabalhos que exploram performance e gênero no teatro.

Ilariê, de Ramilla Souza: Ramilla tem um obsessão pela Xuxa dos anos 90. Ela revisita suas memórias de infância e a construção da própria subjetividade a partir dessa referência.
Duração: 20 minutos.

Chef Psi – Como Comer Como Como, de Maíra Maciel: Chef psi é uma estranha psiquiatra e chef de cozinha que tenta preparar o prato perfeito. Nessa preparação, ela traz memórias e pensamentos sobre o processo de transformação do animal na comida e da comida no corpo das pessoas.
Duração: 35 minutos.

Corpo Errado, de Florido Fogo: Abrir os buracos da corpa para negar a entrada das expectativas cisgêneras koloniais. Imagens de horror, deboches, delírios e monstruosidades para acessar dramaturgias da trans-fisicalidade ancestro/futura e eufórica.
Duração: 40 minutos

Não Ela: O Que é Bom Está Sempre Sendo Destruído, de Oliver Olívia e Lucas Miyazaki: Um retrato de um casal que começou a morar junto ao mesmo tempo em que um deles começou seu processo de transição de gênero: um homem cisgênero que percebe seu então companheiro trans masculino. É a exposição de um texto-depoimento-carta inteiro de autoria do dramaturgo cisgênero. Uma peça sobre transfobia, machismo, misoginia e amor.
Duração: 25 minutos.

Tudo é lindo em nome do amor, com Debora Rebecchi e Bruna Betito

Tudo é Lindo em Nome do Amor, de Bruna Betito e Debora Rebecchi: É uma travessia cênica através do mito do amor romântico. Para essa versão remota, duas atrizes invocam clichês do nosso imaginário amoroso e compartilham com o público uma festa de casamento virtual. A experiência pretende abrir caminhos para questionar papéis de gênero e os modos como fomos ensinados a amar.
Duração: 40 minutos

Salivas, de Emilene Gutierrez: O trabalho parte de uma escavação individual onde a carne-gordura-baba-vísceras tomam o espaço central, pornograficamente explícitos, do processo. É tentativa de tornar corpo uma espécie de subjetividade feminina, buscando encontrar possíveis caminhos/espaços entre a origem e o fim das coisas, dos desejos, dos abismos.
Duração: 35minutos

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Investigação da palestra-performance: interseção entre a criação artística e o pensamento crítico

Espetáculo Se eu Falo é Porque Você Está Aí, do Teatro do Concreto. Foto: Thiago-Sabino

Daniele Avila Small apresenta Palestra-performance Crítica de Artista nesta segunda-feira (09/11) às 17h, com  provocação da pesquisadora em dança Ivana Menna Barreto e mediação do produtor e curador Paulo Mattos

“A palestra-performance é uma forma híbrida em que os dispositivos de exposição não são concebidos como simples instrumentos subordinados à transmissão de certas ideias; seu efeito performativo é explorado cenicamente de diversas maneiras”, conceitua resumidamente o dramaturgo e pesquisador Marco Catalão, que trabalha o tema em seu pós-doutorado. O alcance, profundidade e variações da linguagem da palestra-performance são investigados na edição de 2020 do Complexo Sul, plataforma de intercâmbio internacional de artistas da cena teatral, que tem como proposta desenvolver o trabalho criativo, a partir da reunião de encenação, dramaturgia e pensamento crítico. A curadoria é assinada por Felipe Vidal e Daniele Avila Small, diretores artísticos do Complexo Duplo, associados ao curador e produtor Paulo Mattos.

A artista pesquisadora, crítica e curadora teatral Daniele Avila Small apresenta Palestra-performance, Crítica de Artista nesta segunda-feira (09/11) às 17h (horário de Brasília) no Palco Virtual do Itaú Cultural. Ela analisa a linguagem da palestra-performance como uma forma de crítica do artista, assim como um exercício prático de criatividade teórica para fomentar a reflexão crítica sobre as complexidades do mundo e da arte. Com mediação do produtor e curador Paulo Mattos, a mesa conta com provocação da criadora, professora e pesquisadora em dança e performance Ivana Menna Barreto.

A programação começou dia 2 com o artista plástico, músico e artista interdisciplinar paulista André Sztutman Integrante da plataforma Experimenta/Sur, da Colômbia, que tratou do Arquivo como Estratégia de Criação. O artista, diretor e pesquisador Francis Wilker, professor da Universidade Federal do Ceará foi o provocador convidado do encontro e a mediação foi feita por Daniele Avila Small.

A Palestra-performance na Dramaturgia Contemporânea é tema do terceiro encontro dessa edição, comandado pela romancista, dramaturga e diretora de teatro Cynthia Edul e pelo artista do teatro, literatura e música Ariel Farace, representantes da Panorama Sur, da Argentina. A mesa do dia 16/11 tem Felipe Vidal na mediação e provocações de Renan Ji, da revista eletrônica Questão de Crítica. Uma contextualização da palestra-performance a partir da virada performativa dos anos 1960 e uma análise do trabalho de artistas libaneses, como Walid Raad y Rabih Mroué, e do grupo mexicano Lagartijas al Sol estão na pauta de discussões.

Espetáculos

Uma mostra de espetáculos também faz parte da programação da 2ª edição da Complexo Sul. Artistas e grupos convidados apresentam palestras-performances criadas especialmente para estrear online no evento, seguida de debates.

Nesta terça-feira (10/11), às 20h, a peça Se eu Falo é Porque Você Está Aí, do grupo brasiliense Teatro do Concreto, cria um trajeto por obras que já não existem, na capital do país em constante transformação. O grupo reforça que “os espaços se lembram de tudo”. Da inauguração de Brasília, em 1960 aos momentos da história como os caras pintadas e impeachment de Fernando Collor, em 1992. Histórias do macro e do microcosmo se entrelaçam. Como o episódio de uma atriz que pediu um minuto de silêncio pelos meninos da Candelária durante espetáculo numa oficina mecânica, em 2006, e posteriormente decidiu não fazer mais teatro. Essa oficina foi destruída em 2015. Depois da apresentação tem bate-papo com o pesquisador, ator e crítico teatral mineiro Guilherme Diniz, mediado pelo diretor de teatro, ator, dramaturgo e tradutor Felipe Vidal.

SERVIÇO:
2ª edição da Complexo Sul
Mesa Palestra-performance, Crítica de Artista
9 de novembro (segundas-feiras), às 17h
retirar o convite até 30 minutos antes no link: https://www.sympla.com.br/complexo-sul-2020—mesa-2–palestra-performance-critica-de-artista__1026025

Espetáculo Se eu Falo é Porque Você Está Aí 
https://www.sympla.com.br/complexo-sul-2020—espetaculo–se-eu-falo-e-porque-voce-esta-ai__1025926
Dia 10 de novembro (terças-feiras), às 20h
Online e ao vivo via Zoom

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Grupo 3 de Teatro comemora 15 anos com reedição de repertório online

Peça Contrações inicia celebrações de aniversário. Foto: Guto Muniz / Divulgação

A Serpente, de Nelson Rodrigues, marcou o debut do Grupo 3 de Teatro, na Casa de Cultura Laura Alvim, no Rio de Janeiro, no  dia 7 de setembro de 2005. De lá para cá, a trinca Débora Falabella, Gabriel Fontes Paiva e Yara de Novaes ergueu seis montagens teatrais, com mais de mil apresentações pelo Brasil e exterior. E não menos importante na trajetória do trio renovam-se o envolvimento, a troca de afeto, a escolha de repertório que traduz os anseios desses artistas na luta e resistência por condições melhores para a arte e para a vida.

Contrações, de 2013, inicia as celebrações virtuais do Grupo 3 de Teatro, com transmissões ao vivo gratuitas pelo aplicativo Zoom através do site do Itaú Cultural. Para hoje, os ingressos estão esgotados. As outras sessões ocorrem nos dias 13 e 20 de outubro, sempre às 20h.

Débora Falabella e Yara de Novaes interpretam uma funcionária e uma gerente de uma corporação. O assédio emocional é violento. Ai que ódio que dá da amada Yara por essa personagem. Ela trabalha minúcias de crueldade para sabotar de todas as formas sua empregada. A situação é terrível, mas a peça é incrível num trabalho magnífico das duas atrizes e da direção de Grace Passô em alta voltagem. O mundo capitalista é absolutamente cruel, não nos esqueçamos.

Com um humor nonsense, o texto do inglês Mike Bartlet apresenta esse universo coorporativo que estrangula os direitos individuais da funcionária. A trabalhadora cede, para manter o próprio emprego, e é invadida cada vez mais na sua vida privada. Faz ainda mais sentido nestes tempos de pandemia e home office. A direção de Grace modula com primor as temperaturas dessa conexão abusiva e materializa o terror da situação. Nesse formato virtual, as atrizes atuam cada uma de sua casa, filmadas por diferentes ângulos. Elas estão num “escritório on-line” e se encontram em reuniões remotas. 

Love, love, love (2016) e Neste mundo louco, nesta noite brilhante (2019), também compõem a programação comemorativa. No dia 27, às 20h, uma gravação da peça Love, love, love ganha transmissão via Zoom. Neste mundo louco, nesta noite brilhante rendeu a websérie homônima, com direção de João Wainer, a partir do espetáculo escrito por Silvia Gomez. Será lançada pela plataforma do Itaú Cultural, com episódios semanais com cerca de 30 minutos, liberados de 16 de outubro a 13 de novembro (sextas-feiras, às 18h)

Publicação online

Ainda nesta terça (6), para marcar o início da “temporada”, será lançado o catálogo digital 15 anos do Grupo 3 de Teatro da trajetória do grupo, com texto do jornalista e crítico teatral Valmir Santos. O design é da artista visual Patrícia Cividanes.

O acervo da companhia (registros fotográficos, vídeos, entrevistas, programas, catálogos e apontamentos de processos) foram a base do catálogo, que traça uma linha do tempo atravessada por histórias e ilustrações.

A trupe encenou os espetáculos A Serpente (2005) e O Amor e Outros Estranhos Rumores (2011), ambos com direção de Yara de Novaes, além de O Continente Negro (2007), dirigida por Aderbal Freire Filho, Contrações (2013), por Grace Passô, Love Love Love (2017), por Eric Lenate, e Neste Mundo Louco, Nesta Noite Brilhante (2019), de Silvia Gomez, com direção de Gabriel Fontes Paiva.

Conflitos geracionais são explorados na peça Love Love Love 

Elenco é formado por Débora Falabella, Augusto Madeira, Alexandre Ciolleti, Mateus Monteiro e Yara de Novaes

Love, love, love

Libertárias na juventude, elas são seduzidas pelo capitalista quando chegam ao período produtivo ou alcançam postos de comando. Love, love, love, também de Mike Bartlet, mete o dedo nessa ferida. De novo as corporações a interferir e sufocar nossa vida. No projeto comemorativo, será exibida a versão gravada da encenação no teatro.

Com direção de Eric Lenate, Débora e Yara dividem o palco com Augusto Madeira, Alexandre Ciolleti e Mateus Monteiro. A peça acompanha as mudanças no núcleo familiar. A história começa na noite da primeira transmissão ao vivo de TV via satélite, em 1967. Sandra, caloura na universidade, tem um encontro com Henry, mas flerta com o irmão mais novo, Kenneth. Avanço temporal. Nos anos 1990, a família de classe média é descuidada com os filhos e nem sabe porque ainda insiste num casamento falido.

A geração de paz e amor foi uma derrota para os descendentes. E é isso que a filha do casal joga na cara dos pais em 2011. Com uma estrutura familiar frágil, a violonista, antes promissora, agora frustrada, avança na acusação: “Você não alterou o mundo, você o comprou”. É… para o capitalismo tudo é mercadoria.

Neste mundo louco, nesta noite brilhante fala de violência e solidariedade. Fotos:  Joao Caldas Fº

Yara de Novaes interpreta vigia do KM 23. Foto:  Joao Caldas Fº

Yara de Novaes e Débora Falabella, Foto: Joao Caldas Fº

Vítima de estupro coletivo, uma garota delira. Naquela noite estrelada, ela recebe a ajuda de uma anja, porque elas existem. É a vigia do KM 23 de uma rodovia abandonada, que acompanha o movimento dos aviões. Se lembrarmos, a terra também vem sendo violentada. O texto de Silvia Gomez se expande para outras preocupações urgentes, do feminicídio, no trato predador do homem com o Natureza, dos abusos de poder.

Neste mundo louco, nesta noite brilhante, a websérie, foi gravada em quatro dias, na mesma sala de ensaio em que o grupo montou o espetáculo. 

Dirigida pelo fotógrafo, cineasta e documentarista João Wainer em parceria com a companhia e com apoio do Itaú Cultural, Neste Mundo Louco, Nesta Noite Brilhante, conta com episódios de aproximadamente 30 minutos, compostos da apresentação da dramaturga Silvia Gomez, cenas de ensaio, discussões do processo de mesa, além do espetáculo filmado.

Ao final de cada episódio, ocorre Conversas com Heroínas do Mundo Real: uma mulher que faz a diferencia no contemporâneo dá seu testemunho das ações para melhorar o mundo, o seu entorno. A artista paraense Berna Reale, que realiza performances para refletir sobre a violência, é a primeira convidada.

RETROSPECTIVA 15 ANOS – Sessões virtuais do Grupo 3 de Teatro

CONTRAÇÕES
Texto de Mike Bartlett, direção de Grace Passô. O assédio moral no ambiente de trabalho é explorado na peça, a partir da relação entre a gerente de uma corporação e uma funcionária. Transmissões via Zoom. Bate-papo com o grupo após a sessão. Dias 6 (esgotado), 13 e 20 de outubro, às 20h. Gratuito. Capacidade: 270 pessoas.

LOVE, LOVE, LOVE
Texto de Mike Bartlett, direção de Eric Lenate. Peça segue quase 50 anos de uma família, focalizando o contexto político-social de cada momento e revelando o impacto de cada época na vida das pessoas. Exibição via Zoom. Após a sessão, haverá bate-papo com o grupo. Dia 27 de outubro, às 20h. Gratuito. Capacidade: 270 pessoas.

NESTE MUNDO LOUCO, NESTA NOITE BRILHANTE
Texto de Silvia Gomez, direção de Gabriel Fontes Paiva e João Wainer. Enquanto aviões decolam e aterrissam em várias partes do mundo, uma garota delira, em uma rodovia abandonada, após ser violentada. Websérie em cinco episódios. Após a exibição, haverá o encontro Conversas com heroínas do mundo real. Dias 16, 23 e 30 de outubro e 6 e 13 de novembro, às 18h, no Itaú Cultural. Os episódios ficarão disponíveis até 4 de dezembro.

15 anos Grupo 3 de Teatro

FICHA TÉCNICA
Idealização: Grupo 3 de Teatro
Diretor técnico: André Prado
Assistente Administrativo: Rogerio Prudêncio
Direção de Produção: Heloisa Andersen
Gestão de Projeto: Luana Gorayeb
Coordenação Geral: Gabriel Fontes Paiva
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Artes gráficas: Patrícia Cividanes
Grupo 3 de Teatro: Débora Falabella, Gabriel Fontes Paiva e Yara de Novaes

Informações e reservas de ingressos no site do Itaú Cultural: www.itaucultural.org.br

 

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Arte como Respiro prossegue nesta semana

Luta Live, com Teuda Bara. Foto Luiza Palhares

Esta quarentena mexeu com os movimentos, deslocamentos possíveis, perspectivas de vida e imprimiu novas buscas de energia para enfrentar o período. O isolamento social e suas circunstâncias estão na essência de alguns trabalhos produzidos para a programação do Festival Arte como Respiro – Edição Cênicas, do Itaú Cultural. Entre eles estão os espetáculos Luta, da atriz mineira Teuda Bara, e Gente de Classe –Transparente, do Grupo Carmin, do Rio Grande do Norte. Ao todo, nesta edição, são 18 projetos de 10 diferentes estados, exibidos de 7 a 11 de outubro (quarta-feira a domingo), sempre às 20h.

Compõem o quadro desse bloco criações em dança, teatro, performance e circo, de artistas da Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os trabalhos ficam disponíveis no site da instituição (www.itaucultural.org.br) por 24 horas para serem assistidos virtualmente.

Entre o fechar e o abrir dos olhos. Foto Drica Rocha / Divulgação

Mulher do Fim do Mundo, da Nau de Ícaros. Foto Ale Catan / Divulgação

Rede de Pulgas, das artistas cearenses Gabriela Jardim e Lívia Soares, atravessa o circo tradicional para mostrar como as artistas autônomas estão revivendo e recriando composições cênicas em casa. A moradia também está no centro da partitura da dança Menina em Casa, da carioca Amanda Gouveia, que encontra no autocuidado uma forma de reinventar o cotidiano. A performance Entre o Fechar e o Abrir dos Olhos, de Drica Rocha, da Bahia, vai buscar sustentação na poesia, no olhar e na janela. Mulher do Fim do Mundo: Manutenção e Criação em Cena, da Cia Nau de Ícaros, de São Paulo, é Inspirada pela música homônima de Elza Soares.

Cruz Credo. Foto Esteban Bisio / Divulgação

Filho Homem. Divulgação

As questões de gênero dominam a quinta-feira, dia 8. Esmea, dos paulistas Leonardo Cuspamos e Lucas Andrade, se agarra aos vestígios depois do fim de um romance. Filho Homem, do carioca Bernardo de Assis, situa as possíveis diferenças entre dois Irmãos, um criado para ser homem e outro criado para ser mulher. As fases do luto amoroso são exploradas em #ressignifiCASA – Cozinha, do multiartista Murilo Toledo, de São Paulo, que utiliza dança, acrobacia e interpretação para expor emoções do término de um casamento homoafetivo. Cruz Credo, do Coletivo Emaranhado, do Espírito Santo, expõe as marcas das retaliações sofridas pelo corpo-vivência de um humano negro, cisgênero e gay em espaços sociais. No monólogo O Hétero, do Rio de Janeiro, a figura Fulano de Tal, criado por Zé Wendell, é um nordestino, artista, homem comum, que sai em uma jornada de autoconhecimento e aceitação de si.

O Melhor Trapezista do Mundo. Foto Allan Lira / Divulgação

Ponto De Vista De Um Palhaço.Foto Wilian Aguiar / Divulgação

A linguagem circense norteia as produções de sexta-feira, dia 9. Chàrlá Táon – O Contorcionista, do palhaço, ator e bailarino paulista André Doriana, ensina um antídoto milenar contra a dor: o riso. O Melhor Trapezista de Todo o Mundo, da gaúcha Cia Fundo Mundo, faz uma sátira aos números clássicos de acrobacia aérea. O solo Pontos de Vista de Um Palhaço do ator Daniel Warren, de São Paulo, situa a busca da personagem por ajuda em uma sessão de terapia online.

Gente de Classe do Grupo Carmin. Divulgação

Projetos pensados e criados na quarentena, que refletem sobre o digital e os novos formatos seguem na pauta de sábado (10). Um Passinho de Cada Vez, de Marzia Zambianchi e Olivia Orthof, do Distrito Federal, realizada por alunos circenses, mostra uma videodança baseada na dança carioca do passinho. Gente de Classe: Transparentes, do Grupo Carmin, do Rio Grande do Norte, investe na comicidade para expor o quadro de mãe solteira e seus dois filhos que se falam apenas por videoconferência. Uma das fundadoras do grupo Galpão, a atriz mineira Teuda Bara, ficcionaliza sua trajetória, cria imagens, conta casos e elege a luta como alegoria para o teatro e a própria vida em Luta Live.

Maré. Foto Marcondes Filho / Divulgação

As relações criadas pelo indivíduo consigo, com o mundo e com os outros fazem os elos de reflexões dos projetos exibidos domingo, dia 11. Toque de Quarentena registra em vídeo uma cena performática do casal Livia Vilela e Cezar Siqueira, que expressa a experiência do isolamento e seus efeitos nos corpos. Já O Mundo Está ao Contrário e Ninguém Reparou, de Camila Cequinel, do Paraná, chama a atenção para a ideia de que mudar de ponto de vista pode ser a solução para os problemas. Maré, do Coletivo CIDA, do Rio Grande do Norte, é uma peça coreográfica sobre o amor.

O segundo bloco da edição Cênicas de outubro acontece entre os dias  21 e  25.

SERVIÇO:
Festival Arte como Respiro – Edição Cênicas
Quando: De 7 a 11 de outubro (quarta-feira a domingo), sempre a partir das 20h
Onde: No site do Itaú Cultural: www.itaucultural.org.br
Quanto: Gratuito

*Cada espetáculo fica disponível para visualização por 24h

PROGRAMAÇÃO, SINOPSES E SERVIÇO
SEMANA 5

7 de outubro, quarta-feira

Rede de Pulgas (CE), de Gabriela Jardim
Duração: 7 minutos
Composições cênicas carregadas de ações, lembranças, inquietude provocadas pelo isolamento.
Ficha técnica:
Direção: Gabriela Jardim e Lívia Soares
Intérprete criadora: Gabriela Jardim

Menina em Casa (RJ), de Amanda Gouveia
Duração: 5 minutos
Uma mulher aproveita a quarentena para eleger o autocuidado no seu cotidiano.
Ficha técnica:
Direção, roteiro, interpretação: Amanda Gouveia
Direção de fotografia: Klaus Schmaelter
Trilha sonora: Victor Ribeiro
Montagem: Rená Tardin

Entre o Fechar e o Abrir dos Olhos (BA), de Drica Rocha
Duração: 9 minutos
Alicerçado na poesia Não Basta Abrir a Janela, de Alberto Caeiro; no olhar e na janela.
Ficha técnica:
Intérprete-criadora: Drica Rocha
Orientação: Agatha Oliveira, Clara Trigo e Marta Bezerra
Filmagem: Alexandra Martins Costa, Eduardo Senna e Jota Júnior
Filmagem da investigação em casa: Eduardo Sena
Escultora sonora: Marion Monnot
Edição de vídeo: Alexandra Martins Costa
Gravado em dezembro de 2019 no Prédio Inacabado do IHAC
Universidade Federal da Bahia – Campus Ondina

Mulher do Fim do Mundo: Manutenção e Criação em Cena (SP), da Cia Nau de Ícaros
Duração: 65 minutos
Inspirado pela música de Elza Soares, espetáculo aponta para a criação de novos modos de existência.
Ficha técnica:
Criação e concepção: Erica Rodrigues e Letícia Olomidará Doretto
Cocriadoras: todas as mulheres visíveis e invisíveis que encontramos nesse processo
Direção colaborativa: Roberto Alencar, Dani Lima e Marco Vettore
Figurino: Chris Aizner
Trilha sonora: Simone Sou e Gustavo Souza
Cenografia: André Cortez
Iluminação: Wagner Freire
Fotos: Alexandre Catan
Design gráfico: Naná Mendes da Rocha e Maria Cau Levy
Vídeo: Bruta Flor Filmes
Preparação corporal (workshops): Vera Passos, Miriam Druwe, Henrique Lima, Roberto Alencar
Produção artística: Junior Guimarães
Operação de som: Celso Reeks
Operação de luz e direção geral: Marco Vettore
Administração: Álvaro Barcellos

8 de outubro, quinta-feira

Esmea (SP), de Lucas Andrade
Duração: 6 minutos
Em completo estado de solidão, personagem relembra momentos de amor ao reler cartas antigas.
Ficha técnica:
Com Leonardo Cuspamos e Lucas Andrade

Filho Homem (RJ), de Bernardo de Assis
Duração: 10 minutos
Sinopse:
Documentário ficcional investiga as repercussões entre dois irmãos: um criado para ser homem e outro para ser mulher.
Ficha técnica:
Concepção e atuação: Bernardo de Assis

#ressignifiCASA – Cozinha (SP), de Murilo Toledo
Duração: 11 minutos
Fim de um casamento homoafetivo, marcado por padrões heterocisnormativos e processo de cura.
Ficha técnica:
Com Murilo Toledo

Cruz Credo (ES), de Coletivo Emaranhado
Duração: 15 minutos
Sinopse:
O corpo-vivência de um humano negro, cisgênero, gay, que sofre retaliações dos espaços sociais.
Ficha técnica:
Direção de produção e Coreográfica: Maicom Souza
Intérprete-criador/Bailarino: Ricardo Reis
Arte gráfica: Wendel Alexandre
Iluminação: Léia Rodrigues
Organização: Coletivo Emaranhado e Bule

O Hétero (RJ), de Zé Wendell
Duração: 40 minutos
Monólogo que conta com humor a história de Fulano de Tal, nordestino, artista e sonhador.
Ficha técnica:
Da Filmagem:
Autoria, atuação, direção de produção e edição vídeo no celular: Zé Wendell
Filmagem e operação de trilha sonora: Andrea Menezes
Do Espetáculo:
Texto e atuação: Zé Wendell
Direção: Alice Steinbruck
Direção de produção: Zé Wendell
Produção executiva: Andrea Menezes
Iluminação: Ana Luzia de Simoni
Figurino: Ticiana Passos
Cenário: Mina Quental
Visagismo: Márcio Mello
Direção musical: Marcelo Alonso Neves
Programação visual: André Senna
Assessoria de imprensa: Marrom Glacê Assessoria – Gisele Machado & Bruno Morais

9 de outubro, sexta-feira

Chàrlá Táon – O Contorcionista (SP), de André Doriana
Duração: 6 minutos
O palhaço faquir Chàrlá procura a partir de seu corpo não-engenhoso, compreender as leis da natureza e o que são a pele, o medo, a carne, a alegria, as articulações, o encantamento e a respiração.
Ficha técnica:
Roteiro, direção e atuação: André Doriana
Fotografia e edição: Ana Tardivo Alves
Provocações: Fernando Borges

O Melhor Trapezista de Todo o Mundo (RS), de Cia Fundo Mundo
Duração: 7 minutos
As coisas não saem como planejado no show do autointitulado o melhor trapezista de todos os tempos.
Ficha técnica:
Elenco: Noam Scapin
Criação: Noam Scapin
Produção e assistência: Lui Castanho

Pontos de Vista de Um Palhaço (SP), de Daniel Warren
Duração: 45minutos
Um palhaço busca ajuda numa sessão de terapia online. Adaptação teatral do romance homônimo do alemão Heinrich Boll (1917-1985).
Ficha técnica:
Concepção artística: Maristela Chelala e Daniel Warren
Texto original: Ansichten Eines Clown, de Heinrich Boll
Dramaturgia e direção: Maristela Chelala
Elenco: Daniel Warren
Preparação e técnicas de Palhaço: Esio Magalhães
Iluminação e cenografia: Marisa Bentivegna
Figurino: Carol Badra
Trilha sonora: Frederico Vasconcelos
Operador som e luz: Andrea Dupré
Cenotécnico: Cesar Resende Santana
Assistente de cenografia: Amanda Vieira
Fotos: Ligia Jardim/Willian Aguiar
Assessoria de imprensa: Juliana Araújo e Ivan Marsiglia
Programação visual: Phillipe Marks
Produção: Fenetre Produções

10 de outubro, sábado

Um Passinho de Cada Vez (DF), de Marzia Zambianchi e Olivia Orthof
Duração: 2 minutos
Videodança realizada por alunos circenses a partir da dança carioca do passinho durante a pandemia.
Ficha técnica:
Produção e edição: Olivia Orthof
Dança: Marzia Zambianchi e Olivia Orthof
Participação especial: Davide Milani
Câmera: Fillipe Rufino
Trilha: Dj Seduty -Violão Dançante

Gente de Classe: Transparentes (RN), do Grupo Carmin
Duração: 19 minutos
Num condomínio de classe média, moram uma mãe solteira e seus dois filhos, que se falam apenas por videoconferência, ainda que estejam na mesma casa. A cena é um trecho cômico do futuro espetáculo do Grupo Carmin.
Ficha técnica:
Diretor: Pedro Fiuza
Texto: Henrique Fontes e Pablo Capistrano
Atores: Quitéria Kelly, Mateus Cardoso, Robson Medeiros
Editor de vídeo: Juliano Barreto
Produção: Mariana Hardi
Assistente de direção: Tereza Duarte

Luta Live (MG), de Teuda Bara
Duração: 57 minutos
Desenvolvido a partir do espetáculo Luta, criado com e para Teuda Bara e baseado em suas memórias e particularidades como atriz.
Ficha técnica:
Solo de Teuda Bara
Concepção e edição: João Santos
Comentários em vídeo: Teuda Bara, Cléo Magalhães, João Santos e Marina Viana
Direção e intervenções cênicas: Cléo Magalhães, João Santos e Marina Viana
Dramaturgia: Cléo Magalhães, João Santos e Marina Viana a partir de relatos de Teuda Bara
Colaboração Artística: Marta Aurélia
Iluminação: Marina Arthuzzi e Rodrigo Marçal
Cenografia: Taísa Campos
Figurino: Cléo Magalhães
Filmagem: Byron O’Neill
Vídeos: Pedro Estrada e Lucas Calixto
Vídeo mapping: Fabiano Lana
Trilha original: Barulhista
Fotos: Luiza Palhares
Produção executiva: Beatriz Radicchi

11 de outubro, domingo

Toque de Quarentena (SP), de Livia Vilela
Duração: 4 minutos
O casal Livia Vilela e Cezar Siqueira realizou e registrou em vídeo uma cena performática que expressa, através do movimento, a experiência do isolamento e seus efeitos sobre os corpos.
Ficha técnica:
Idealização, intérpretes, edição e trilha sonora: Livia Vilela e Cezar Siqueira

O Mundo Está ao Contrário e Ninguém Reparou (PR), de Camila Cequinel
Duração: 4 minutos
Criado e gravado em sua residência em um único dia, o trabalho é um possível embrião do seu novo espetáculo.
Ficha técnica:
Criação e elenco: Camila Cequinel
Filmagem e direção: João Ricardo Rocha
Contra-regra: Ravilson Cequinel

Maré (RN), de Coletivo CIDA
Duração: 40 minutos
Uma metáfora sobre a modificação, os vários níveis, as intensidades e profundidades do amor, esse sentimento tão complexo.
Ficha técnica:
Coreografia e direção: René Loui e Rozeane Oliveira
Artistas convidados: Álvaro Dantas, André Rosa, Gabriela Gorges
Produção geral: René Loui
Produção executiva: Arthur Moura
Assistente de produção: Raquel Lucena
Registro de vídeo: Eduardo Pinheiro / Estúdios Megafone
Sonorização: Paulo de Oliveira / Studio Pró Mídia
Imagens de divulgação: Marcondes Filho
Designer de iluminação: Priscila Araújo
Operação de iluminação: Anderson Galdino
Realização: CIDA – Coletivo Independente Dependente de Artistas.

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