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Fantásticas figuras de Osman Lins

Mistério das Figuras de Barro. Foto: Rodrigo Silva Santos

Mistério das Figuras de Barro. Foto: Rodrigo Silva Santos

O dramaturgo Osman Lins problematiza o papel do artista no mundo na peça Mistério das Figuras de Barro, que Cia Máscaras de Teatro apresenta nesta sexta-feira, às 20h, no Espaço Cultural O Poste, na Rua da Aurora, no Recife. A montagem, agora em formato solo com Sebastião Simão Filho, expõe uma fábula imaginosa, fantástica para criticar a realidade política nordestina.

O protagonista anuncia: “Sabem quem sou: O esposo de Jerônima. Pertence ao povo e trabalho em cerâmica. Faço bonecos de barro; gente, bichos, os mandões os governados que montam, os que sangram, os que são cavalgados e os sangrados. Certos acontecimentos na história que ireis assistir, ameaçaram a minha vida. Mas prestai atenção: Isto não é o mais grave – e sim o que está disperso, escondido nos fatos.”

Coronéis, jagunços de aluguel, beatos fraudulentos são alguns personagens que nosso herói enfrenta, enquanto não sabe da traição amorosa de Jerônima e Claraval.

Seguindo as orientações do autor, Simão Filho trabalha com manipulação de bonecos. O artista-atuante se veste de personagem-vendedor de artesanato em feira popular e, entre pregões e canções, narra/vivencia os acontecidos da fábula. A banca é o cenário que abriga dispositivos de iluminação e instrumentos sonoros manipulados ao vivo.

Sebastião Simão Filho mergulha na pesquisa de borramento de fronteiras

Sebastião Simão Filho mergulha na pesquisa de borramento de fronteiras

As cenas são rápidas, cinematográficas. A ação se passa numa cidade chamada Arcoverde e explora a religiosidade popular. O ator-manipulador-menestrel produz sons, ruídos e cantos de feiras populares e religiosos, entonações inusitadas, prolongamentos e onomatopeias vocais e o próprio texto falado/articulado.

“É um espetáculo em que estou levando às últimas consequências a dissolução da fronteira entre Teatro de Ator X Teatro de Bonecos. Não quer dizer: ator-boneco, boneco-ator, mistura. As especificidades desses dois tipos de teatros se mantém. Não é algo que já sei definir a priori. Não sou kantiano. Não acredito em ideias a priori. É algo mais prático do que teórico. Aqui a teoria vem depois”, pontua o intérprete-encenador.

SERVIÇO
Mistério das Figuras de Barro
Onde: Espaço Cultural O Poste – Rua da Aurora, 555 – Recife
Quando: Sexta-feira (02/06) às 20h
Quanto: R$ 10 (meia) 20 (inteira)

Autor: Osman Lins
Criação/atuação:Sebastião Simão Filho
Produção: Cia Máscaras de Teatro

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Em nome do condor

Tragédia no mar: o Navio Negreiro de Castro Alves. Foto: Ivana Moura

Senhor Deus dos desgraçados
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura… se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?…
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

O cantor e ator pernambucano Carlos Ferrera se aventura pelos versos mais emblemáticos do poeta baiano Castro Alves (1847-1871) para falar de liberdade no espetáculo Tragédia no mar: o Navio Negreiro de Castro Alves. Como se instaura a escravidão na contemporaneidade é o que martela essa performance cênico-musical.

A montagem celebra os 125 anos da abolição da escravidão no Brasil, com uma reflexão contundente sobre ter voz e vez, num momento em que outras vozes se fazem ouvir nas ruas por novos pleitos.

Alternando texto e canto, o artista destaca a fúria dos versos que conduz a plateia por variadas emoções. Com elegância, Ferrera constrói imagens poderosas e nos provoca ou acalanta com sua bela voz.

Tragédia no mar: o navio negreiro de Castro Alves faz temporada durante todas as quartas de outubro, no Teatro Arraial (Boa Vista), sempre às 19h30.

A direção é de Sebastião Simão Filho. A trilha sonora, executada ao vivo, foi composta por Ferrera, também diretor musical, em parceria com o compositor e violonista Leonnardo Melo, que atua ao lado dos músicos convidados Thiago Fournier (contrabaixo acústico) e Tomás Melo (percussão).

A subjugação de um ser humano por outro marca toda a história da humanidade. Normalmente esse domínio é através da violência física, mas atualmente os mecanismos são mais sofisticados.

Quando Castro Alves concluiu O Navio Negreiro, em São Paulo, em 1868, já valia no Brasil a Lei Eusébio de Queirós, aquela que proibia o tráfico de escravos e foi promulgada em 4 de setembro de 1850. Mas esse direito não funcionava completamente. E o poeta resolveu denunciar a desventura por que passavam os africanos que ainda eram trazidos como escravos. Nessa terrível travessia oceânica, muitos morriam pelo caminho.

Composto em seis partes, o poema alterna métricas variadas para obter um efeito rítmico que traduzam as situações apresentadas. Ferrera ocupa o palco nu e explora as sonoridades da obra mais conhecida de Castro Alves por meio da fala e do canto.

No espetáculo de 40 minutos, o ator conta com alguns objetos de cena, como um terço, um livro. Como um guardião de uma memória, ele narra essa história triste, mas que clama para um luta constante.

Serviço

Tragédia no mar – O Navio Negreiro de Castro Alves
Quando: Todas as quartas de outubro, às 19h30
Onde: Teatro Arraial (Rua da Aurora, s/n, Boa Vista)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia entrada)
Informações: 3184-3057

carlosferrera10

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Janeiro de Grandes Espetáculos divulga montagens locais

Viúva, porém honesta, do grupo Magiluth. Foto: Pollyanna Diniz

Saiu a lista dos espetáculos pernambucanos que vão participar do Janeiro de Grandes Espetáculos, que será de 9 a 27 de janeiro.

Dança:

ENCONTRO OPOSTO – TRÊS MOVIMENTOS EM UM ATO (IVALDO MENDONÇA EM GRUPO)
PARA JOSEFINA (GRUPO ACASO)
TU SOIS DE ONDE? (GRUPO PELEJA)

COMISSÃO DE SELEÇÃO: Anderson Henry, Rogério Alves, Saulo Uchôa e Will Robson.
REPRESENTANTE DO FESTIVAL: Paula de Renor

Teatro Adulto:

AUTO DO SALÃO DO AUTOMÓVEL (PAGINA 21)
AUTO DA COMPADECIDA (TEATRO EXPERIMENTAL- TEA)
A PENA E A LEI (TEATRO POPULAR DE ARTE- TPA)
CINEMA (CLARA MUDA- INTERCÂMBIO RECIFE/BH)
DAQUILO QUE MOVE O MUNDO (PEDRO DE CASTRO E VISÍVEL NÚCLEO DE CRIAÇÃO)

Daquilo que move o mundo traz no elenco Kleber Lourenço, Jorge de Paula e Tay Lopez. Foto: Ivana Moura

DUAS MULHERES EM PRETO E BRANCO (REMO PRODUÇÕES ARTISTICAS)
MARÉMUNDO (COLETIVO Á VIDA PRODUÇÕES)
OLIVIER E LILI: UMA HISTÓRIA DE AMOR EM 900 FRASES (TEATRO DE FRONTEIRA)
O BEIJO NO ASFALTO (ANDREZZA ALVES)
VIÚVA, PORÉM HONESTA (GRUPO MAGILUTH).
VESTÍGIOS (CARLOS LIRA)

Vestígios tem direção de Antonio Edson Cadengue. Foto: Pollyanna Diniz

COMISSÃO DE SELEÇÃO: Augusta Ferraz, Fábio Pascoal, Júnior Aguiar e Sebastião Simão Filho.
REPRESENTANTE DO FESTIVAL: Carla Valença

Teatro para Infância:

– PALHAÇADAS- HISTÓRIAS DE UM CIRCO SEM LONA (CIA. 2 EM CENA DE TEATRO, CIRCO E DANÇA).
CANTARIM DE CANTARÁ (GRUPO DRAMART PRODUÇÕES)
AS LEVIANINHAS EM POCKET SHOW PARA CRIANÇAS (CIA. ANIMÉE).

A Companhia Animée apresenta a versão infantil de As levianas. Foto: Luciana Dantas

COMISSÃO DE SELEÇÃO: André Filho, Carlos Amorim, Samuel Santos e Sandra Possani.
REPRESENTANTE DO FESTIVAL: Paulo de Castro

Carla Valença, Paulo de Castro e Paula de Renor, produtores do Janeiro de Grandes Espetáculos. Foto: Pollyanna Diniz

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Valentim e o boizinho de São João!

Montagem da Cia. Máscaras de Teatro. Foto: Lupércio Kalabar

Desta vez quem resolve invadir a história do Bumba-meu-boi é o mambembe Valentim. A trapalhada entre Mateus e Catirina já estava armada e o forasteiro se mete na confusão, na tentativa de desatar os nós. Mas o tumulto só aumenta e ele se envolve com Santo, Babau, Doutor e até a Dona Maria-da-ema.

A Cia. Máscaras de Teatro diz que Valentim e o boizinho de São João! é um metateatro com formas animadas, muita música ao vivo e efeitos especiais. A direção é de Sebastião Simão Filho. Temporada aos sábados e domingos, às16h30, Teatro Joaquim Cardozo, até 25 de setembro. Vamos lá conferir.

SERVIÇO
Espetáculo de bonecos Valentim e o boizinho de São João!
Quando: Sábados e domingos, às 16h (Temporada : 20/08 a 25/09/2011)
Onde: Teatro Joaquim Cardozo, Rua Benfica, 157 – Madalena, Recife
Quanto: Ingresso: R$ 10 (inteira) – R$ 5 (meia-entrada)

Texto: Ricardo Araujo
Direção: Sebastião Simão Filho
Produção: Cia Máscaras de Teatro
Confecção dos Bonecos: Cia Máscaras de Teatro
Pintura dos bonecos: Lupércio Calabar
Atores-Manipuladores:
Carlos
Diego Lucena
Hellen Lailla
Renata Alves
Sebastião Simão Filho
Sonoplastia: Luiz Manuel e Diana

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