Arquivo da tag: Recife

Coragem de ser Terra para mãos, pés e vistas

 

Maria Paula Costa Rêgo no espetáculo Terra. Foto: Guto Muniz / Divulgação

Maria Paula Costa Rêgo no espetáculo Terra. Foto: Guto Muniz / Divulgação

terra1

As conquistas e perdas dos povos indígenas e a certeza de que a luta continua. Foto: Guto Muniz/ Divulgação

O quanto de índio há em você, cidadão brasileiro? questiona o espetáculo Terra, derradeira parte da trilogia Uma história, duas ou três, do Grupo Grial, concebido e dançado pela bailarina e coreógrafa Maria Paula Costa Rêgo. E se posiciona a favor dos povos primordiais, que historicamente foram ameaçados, subjugados e rebelados; que tiveram seus territórios confiscados por leis feitas pelos beneficiários. Resistiu, Resiste.

Terra condena nos passos da dança contemporânea o genocídio desses povos e o preconceito que persiste até hoje. No corpo da bailarina pulsa a identidade e os movimentos das manifestações populares indígenas do Nordeste brasileiro.

Diálogo com o presente e com a luta. A peça coreográfica tem direção assinada por Maria Paula Costa Rêgo e Erick Valença. A trilha sonora, criada pelo percussionista Naná Vasconcelos, está carregada de efeitos sonoros, com onomatopeias e sons da natureza. E o cenário é assinado pelo artista plástico Manuel Dantas Suassuna.

A temporada integra as comemorações de 20 anos do grupo Grial, criada por Ariano Suassuna e Maria Paula Costa Rêgo e vai de 2 a 4 e de 9 a 11 de fevereiro de 2017, na CAIXA Cultural Recife.

A encenação é uma das mais premiadas do grupo. Terra ganhou o Prêmio APCA de 2013, na categoria Intérprete-Criadora, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte. O solo também arrebatou cinco troféus do Prêmio Apacepe de Dança 2014, do Festival Janeiro de Grandes Espetáculos.

Entrevista: Maria Paula Costa Rêgo

 Bailarina e coreógrafa do Grupo Grial. Foto: Victor Muzzi

Bailarina e coreógrafa do Grupo Grial. Foto: Victor Muzzi

Ariano Suassuna criou junto com você o Grupo Grial em 1997. Que falta faz Ariano Suassuna para você?
Eu gostava de mostrar a obra finalizada para Ariano, e discutir aquele material. A conversa era sempre muito maior, ele mostrava vídeos e músicas e dava muitas voltas em torno da arte almejada por nós. Este PAR, está me fazendo muita falta.

Qual a importância do Balé Popular na sua vida?
Foi minha segunda grande vivência, e sem ter passado pelo Balé Popular do Recife, eu certamente não teria chegado ao Grupo Grial.

Prêmio é importante? Por quê e para quê?
Quando uma instituição de respeito reúne pessoas conceituadas na sua área, para decidirem quem deve ganhar um prêmio pela sua obra, este prêmio tem um valor imensurável. Abre portas, chama olhares, além de confirmar que as suas escolhas estéticas reverberam de alguma forma.

Como você ultrapassou os limites territoriais e venceu o Prêmio APCA de 2013?
Os limites territoriais são ultrapassados quando acreditamos que ele não existe. Existe a dificuldade financeira, mas criamos espetáculos pensando em alcançar o mundo, então estas dificuldades diminuem.

Qual o seu pensamento em dança e como ele foi construído?
A minha primeira experiência de dança foi com Improvisação, e com o aprimoramento desta técnica, eu tive conhecimento do meu corpo e da capacidade que este corpo tem de materializar sentimentos através da qualidade dos seus movimentos. Ao vivenciar o Balé Popular, eu me joguei naquilo que, para mim, era muito mais que o movimento da dança popular, era o jogo cênico da brincadeira. Estava largada a minha jornada no universo das tradições.
Quando viajei para a França, meus estudos giravam em torno desta questão, mas eram sempre na teoria que eu evoluía. A prática deste discurso veio a se concretizar com a criação do Grupo Grial em 1997. De lá para cá, são as criações que me dão as respostas para minhas questões de construção de uma dança onde o cerne é a tradição popular. Cada criação coreográfica, uma pergunta e, certamente, 2500 respostas!

Poderia elucidar a frase de que o Grupo Grial faz criações com temas e inspirações populares trabalhadas numa chave erudita, porque isso parece um bordão.
O Grupo Grial trabalha com o UNIVERSO DAS TRADIÇÕES festivas e sagradas brasileiras. Quando adentramos nestes universos, os percebemos pelos nossos “olhos” de estrangeiros. Vivenciamos de dentro, ao mesmo tempo que ligamos uma segunda intenção que fica no alerta, “à cata” de elementos de criação contemporânea, de composição coreográfica (e tudo que ela engloba). Essa percepção pode acontecer muito rápido, como pode durar anos! Esse material (imaterial) se amalgama com nosso fazer de dança diário (estudos técnicos e teóricos), e que, juntos, ficam à serviço das nossas criações coreográficas.

Terra é um solo da Maria Paula, criação do grupo Grial que leva para a cena uma discussão densa sobre as origens do Brasil, através da metáfora da terra, do chão que pisamos. O que você acrescenta para falar de Terra.
TERRA, é também uma metáfora do homem moderno que tem se deixado roubar seus espaços (a palavra espaço significa também conquistas sociais).

O tempo traz experiência, mas deixa suas marcas no corpo, na presteza do gesto. Como criadora o que significa dançar hoje? Quais as diferenças de 20 atrás?
TODAS AS DIFERENÇAS! Antes eu colocava o vigor à serviço do que eu estava interpretando, hoje eu coloco a minha dramaturgia corporal a serviço da história.

Sempre me parece muito estranho traduzir corpo em movimento, energia, desenho coreográfico, a dança contemporânea para texto. Colocações como “O trabalho aborda temáticas como memória, tempo e transformações da nossa história” me parecem muito vagas.
Então o que significaria: “As coreografias trazem referências das manifestações populares do Nordeste transformadas em DNA para os passos de Maria Paula Costa Rêgo”?

DNA é algo que nos pertence, do que somos feitos. O Brasil tem muita dificuldade de assumir sua descendência indígena ou africana. Para a maioria de nós, somos descendentes apenas dos povos europeus!! Quando falamos que trago nos meus movimentos este DNA é que assumo a minha herança e a do lugar em que vivo, e coloco minhas criações à serviço deste norte.

Ficha técnica:
Direção: Maria Paula Costa Rêgo e Eric Valença
Intérprete: Maria Paula
Trilha sonora: Naná Vasconcelos
Figurino: Gustavo Silvestre
Luz: Luciana Raposo
Pintura de cenário: Manuel Dantas Suassuna.

Serviço
Terra – Grupo Grial de Dança
Onde:CAIXA Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife, Recife/PE)
Quando: 2 a 4 e 9 a 11 de fevereiro de 2016, às 20h
Ingresso: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia)
Bilheteria: vendas a partir das 10h do dia 1/02 (para os dias 2 a 4) e do dia 8/02 (para os dias 9 a 11)
Informações:(81) 3425-1915
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 45 minutos

Postado com as tags: , , , ,

Oficinas da Mostra Brasileira de Dança

Kiran de Souza é o coordenador pedagógico da Mostra

Kiran de Souza é o coordenador pedagógico da Mostra

A Mostra Brasileira de Dança (MBD), chega a sua 11ª edição, com apresentações de 1º a 10 de agosto, de grupos profissionais, amadores e escolas de dança, nos mais diversos estilos (balé clássico, dança contemporânea, dança popular, dança de salão, dança de rua, dança árabe e outros). O programa é organizado por Iris Macedo e Paulo de Castro e conta com patrocínio dos Correios, Governo Federal, Funcultura/Governo do Estado de Pernambuco, programa O Boticário na Dança e Prefeitura do Recife. Este ano a homenageada é Mônica Japiassú.

Além da exibição de espetáculos completos e coreografias isoladas, a MBD oferece um série de oficinas de iniciação e reciclagem (no período de 28 de julho a 1º de agosto de 2014 -segunda a sexta-feira), seminários, exposições e exibição de vídeos sobre a arte do dançar.

As oficinas estão com inscrições abertas até sexta-feira, 25 de julho e podem ser feitas no próprio local das aulas ou pelo e-mail: pedagogico@mostrabrasileiradedanca.com.br (com dados e contatos do interessado). A coordenação pedagógica é Giorrdani de Souza – Kiran (PE). Outras informações: (81) 3421 8456 ou www.mostrabrasileiradedanca.com.br

OFICINAS DE INICIAÇÃO

Pele e Ossos – Corpos Fluidos, com José W. Júnior (PE). Número de vagas: 15. No Espaço Experimental (Rua Tomazina, 199, 1º andar, Recife Antigo. Fone: 3224 1482), das 19 às 21h. Gratuita.

Videodança: Contribuições Entre o Corpo e o Vídeo, com Marcelo Sena (PE). Número de vagas: 15. No Espaço Experimental (Rua Tomazina, 199, 1º andar, Recife Antigo. Fone: 3224 1482), das 15 às 17h. Gratuita.

Oficina Contemporânea de Dança Para Jovens Inspiradores, com André Aguiar (PE). Número de vagas: 25. Na sede da Umarle (Rua Deputado Luiz Dias Lins, s/n, Lagoa Encantada. Fone: 8768 5147), das 18 às 20h. Gratuita.

Iniciação à Dança em Cadeiras de Rodas, com Liliana Martins (PE). Número de vagas: 20, entre cadeirantes e andantes. Na Faculdade Uninassau (Rua Fernando Lopes, 778, sala 102, Bloco Capunga, Graças. Fone: 8867 5202), das 16 às 18h. Gratuita.

Andantes e cadeirantes podem participar da Oficina de Iniciação à Dança em Cadeiras de Rodas

Andantes e cadeirantes podem participar da Oficina de Iniciação à Dança em Cadeiras de Rodas

OFICINAS DE APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL (para artistas já experientes)

Técnica Clássica Como Processo de Autoconhecimento, com Valéria Mattos (SP). Número de vagas: 25. No Studio de Danças (Rua das Pernambucanas, 65, Graças. Fone: 3231 4884), das 9 às 12h. Valor: R$ 30,00.

Videodança (Movimentos Para a Câmera), com Sofía Orihuela (Bolívia). Número de vagas: 25. No Teatro Hermilo Borba Filho (Av. Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife. Fones 3355 3321 / 3320), das 14 às 17h. Valor: R$ 30,00.

Danças Entrelaçadas – Dança Moderna (técnica de José Limón) e Dança Contemporânea, com Airton Tenório (PE/RJ). Número de vagas: 25. No Teatro Hermilo Borba Filho (Av. Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife. Fones: 3355 3321 / 3320), das 9 às 12h. Valor: R$ 30,00.

Danças Urbanas, com Octávio Nassur (PR). Número de vagas: 20. Na Academia Fátima Freitas (Rua Desembargador João Paes, 214, Boa Viagem. Fone: 3467 1140), das 9 às 12h. Gratuita, com seleção por currículo. Realizada graças à parceria entre a MBD e o Programa de Oficinas de Capacitação Artística e Técnica em Dança da Funarte 2014.

Professor paranaense Octávio Nassur. Foto: Espelho de Papel.

Professor paranaense Octávio Nassur. Foto: Espelho de Papel.

Dança Contemporânea, com Mário Nascimento (MG). Número de vagas: 20. Na Academia Fátima Freitas (Rua Desembargador João Paes, 214, Boa Viagem. Tel: 3467 1140), das 14 às 17h. Gratuita, com seleção por currículo. Realizada graças à parceria entre a MBD e o Programa de Oficinas de Capacitação Artística e Técnica em Dança da Funarte 2014.

Postado com as tags: , , , ,

Retrato fiel

Atriz Beth Goulart como Clarice Lispector

Atriz Beth Goulart como Clarice Lispector

Quando publicou o romance Perto do Coração Selvagem, em 1943, Clarice Lispector (1920-1977) provocou um choque no meio literário. A partir daí, a ucraniana crescida no Brasil produziu muitos abalos sísmicos. E que bom que isso tenha acontecido e continue a arrebatar novos e velhos leitores.

A atriz Beth Goulart tomou para si o desafio de interpretar a escritora no palco, no espetáculo Simplesmente Eu – Clarice Lispector, que faz única apresentação no Recife, neste domingo, às 20h, no Teatro da UFPE. A peça estreou em julho de 2009 e ao longo de quase cinco anos de temporada já foi vista por mais de 700 mil pessoas. Passou inclusive pelo Recife, onde se apresentou no Teatro de Santa Isabel, na abertura do Festival Recife do Teatro Nacional em 2010. (A crítica da peça foi o primeiro post do Yolanda!)

É uma hora de mergulho na obra e no universo clariciano. São quatro personagens que saem dos livros e ocupam a cena. Eles surgem de momentos de suspensão para carregar de epifanias a vida que irrompe em instantes – plena em sua beleza, misteriosa e arriscada. Em estado de graça.

Mas a descoberta do mundo traz seus horrores. E seus inversos. E lá estão Joana, de Perto do Coração Selvagem, a mulher inquieta e de impulso criativo selvagem, Ana, do conto Amor, uma dona de casa que tem sua rotina quebrada pela magia que brota do olhar. A obra de Clarice é povoada de gente que busca o amor. E Lóri, de Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres é uma delas. A quarta personagem dessa galeria é uma figura sem nome, do conto Perdoando Deus, que experencia a liberdade durante um passeio por Copacabana.

Por Simplesmente Eu, Clarice Lispector Beth Goulart levou quatro Prêmios de melhor atriz: Shell 2009, APTR, Revista Contigo e Qualidade Brasil, que premiou também como melhor espetáculo. O espetáculo ainda foi indicado ao Prêmio Shell 2009 de melhor iluminação (criada por Maneco Quinderé) e melhor produção pelo Prêmio APTR.

Única apresentação no domingo

Única apresentação no domingo

Serviço
Simplesmente eu, Clarice
Quando: 21 de abril (domingo), às 20h
Onde: Teatro da UFPE (Centro de Convenções da UFPE – Campus Universitário)
Quanto: Plateia inferior R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia-entrada).  Balcão 2º Piso: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)
Venda de Ingressos: Bilheteria do Teatro, lojas Esposende (Shoppings Recife e Tacaruna) e site www.ingressorapido.com.br  
Duração: 60 minutos

Ficha ténica
Texto: Clarice Lispector
Adaptação, Interpretação e Direção: Beth Goulart
Supervisão: Amir Haddad
Gênero: Espetáculo Poema
Direção de Produção: Pierina Morais
Produção Executiva: Manoela Reis
Iluminadora/Operador de Luz: Diana Cruz
Operador de Som/Vídeo: Paulo Alves Mendes
Direção de Cena: Guaraci Ribeiro
Camareira: Eliane Silva

Postado com as tags: , ,

Geraldo Julio – Visitas e promessas

Geraldo Julio e Marcos Frota. Foto: Andrea Rêgo Barros

Geraldo Julio e Marcos Frota. Foto: Andrea Rêgo Barros

Uma visita do ator Marcos Frota ao prefeito do Recife rendeu a promessa da implantação do que seria o Núcleo Nordeste da Universidade Livre do Circo – Unicirco. “Ficamos muito felizes porque é um projeto que abre uma janela pra o jovem recifense viver sua realização profissional e pessoal através da arte e da cultura. Vamos nos mobilizar imediatamente para identificar uma área onde possa ser instalada a unidade do Unicirco no Recife e vamos apoiar institucionalmente também, ajudando a encontrar parceiros”, disse Geraldo Julio na notícia que foi divulgada pelo site da Prefeitura.

Os meios de comunicação simplesmente replicaram: “O prefeito do Recife, Geraldo Julio, se reuniu com o ator Marcos Frota nesta segunda-feira (11) e colocou em pauta um tema importante para o desenvolvimento da cultura no Estado: a implantação de um centro de formação circense na capital pernambucana. A proposta tem como principal objetivo tirar da violência e das drogas jovens em situação de risco”, diz a matéria do portal NE10.

Um adendo: lembro que, no começo do ano, quando o maestro Israel de França chegou ao Recife para participar do Janeiro de Grandes Espetáculos, depois da violência que sofreu na Espanha, ele também foi recebido por Geraldo Julio. E saiu de lá com a promessa de que, junto com a PCR, desenvolveriam um projeto para inclusão social de crianças carentes por meio da música. A nota do site da prefeitura ainda diz: “O formato será definido futuramente”. E o prefeito destacava: “O Maestro Israel já é o símbolo do potencial da cultura recifense que se espalha pelo Brasil e pelo mundo. Vamos difundir a vida, o exemplo, o símbolo que ele representa para todas as crianças da nossa cidade. Vamos exaltar a força da cultura; uma pessoa que tem a história de luta, de aprendizado”.

Precisa dizer mais algo? Precisa sim. Precisa de uma resposta. Foi o que fez Fátima Pontes, coordenadora executiva da Escola Pernambucana de Circo (EPC), que usou o Facebook para se manifestar. Embora não seja um posicionamento institucional da Escola, mas da coordenadora e de seus integrantes; e que eles reafirmem que não são contra o projeto capitaneado por Marcos Frota, o texto é um questionamento não só importante, mas necessário.

“Realmente, ser prefeito de uma cidade requer muito mais do que ser gestor. Requer conhecer o que a cidade produz em todos os âmbitos e principalmente no âmbito da Cultura, numa cidade como Recife e toda a sua riqueza cultural. O que mais nos impressiona na forma como são tratadas algumas questões de parcerias para implantação de projetos, sejam eles em que esfera forem, é a questão “amigos do rei”. Pois bem, respeito o trabalho realizado por Marcos Frota como ator, produtor, ou mesmo gestor de projeto social… Só que como é que um Prefeito diz que vai apoiar um projeto de circo numa cidade onde existem 02 projetos de circo social com mais de 15 anos cada e que lutam através de editais públicos para se manterem, sem nenhum apoio direto de nenhuma instância governamental? Há, na cidade de Recife, a Escola Pernambucana de Circo e o Arricirco, dois projetos com reconhecimento nacional e que atendem cada um em média 500 crianças, adolescentes e jovens por ano gratuitamente. Por que não apoiar esses projetos? Como é que se vai dar um terreno a Marcos Frota de graça, sem ele passar por nenhum edital público? Por que ele é amigo do rei? Que diferença tem o projeto do Marcos Frota dos dois citados acima? Como é que o Prefeito vai dar um terreno para Marcos Frota, quando até hoje a Escola Pernambucana de Circo luta para ter pelo menos condições de manter sua sede, toda equipada como é e que serve de exemplo nacional para os que de fora aqui chegam? O Arricirco está até hoje provisoriamente num prédio antigo da Sudene/UFPE, que o cedeu porque não consegue reformá-lo. A Escola Pernambucana de Circo está atrás de apoio para reformar e ampliar sua sede, mas nunca procuramos nenhum político para apoio a essa reforma. Estamos fazendo projetos para editais públicos e é assim que sempre procuramos recursos para nossa ações e também através dos serviços que prestamos com apresentações e oficinas e que, por sinal, quando somos contratados pela Prefeitura, aguardamos meses para receber o cachê. Isso é conosco, mas também com diversos grupos e trupes de artistas circenses na cidade. Isso sem falar nos circos tradicionais que não tem apoio da Prefeitura para se regularizarem, tirarem alvará, etc… Como nos sentimos quando fazemos projetos a todo tempo para nos manter e manter as atividades todas gratuitas e da melhor qualidade, quando nem o resultado do SIC saiu ainda, quando não se tem nenhuma resposta do Fundo de Incentivo às Artes Cênicas da cidade desde a gestão passada? Bom, isso só aumenta nossa indignação pela falta de respeito e compromisso desse Prefeito, que diz estar montando “uma nova prefeitura” quando na verdade está desmontando tudo que poderia ser aproveitado, que o diga a decisão sobre a Escola Municipal de Artes João Pernambuco, que o diga os teatros sem administração e tantas outras mancadas desse Prefeito na área da Cultura na cidade de Recife. Senhor Prefeito, cadê a igualdade de direitos? Para que são criados editais públicos se uma pessoa de fora da cidade tem acesso a coisas que ninguém da cidade nunca teve? Pergunte quantos grupos de teatro, dança, música precisam de espaços para pelo menos ensaiar e não encontram? Quantos grupos de teatro e dança nessa cidade não tem espaço para trabalhar? A prioridade é Marcos Frota, por que? Ressalto e deixo bem claro: NÃO queremos esse tratamento de “amigo do rei”. Queremos igualdade no tratamento a todo e qualquer produtor cultural, de toda e qualquer área da Arte e da Cultura que faz a história dessa cidade. Afinal, os editais públicos são uma conquista da classe artística no país, justamente para acabar com as políticas de balcão. Mas parece que elas estão de volta e com toda força!” (Fátima Pontes)

Na página de Geraldo Julio no Facebook, o post sobre a visita de Marcos Frota teve até esta manhã 165 compartilhamentos.

Ilusão - Um ensaio melodramático circense, espetáculo da Escola Pernambucana de Circo. Foto: Paulo Estevan

Ilusão-Um ensaio melodramático circense, espetáculo da Escola Pernambucana de Circo. Foto: Paulo Estevan

Postado com as tags: , , , , , , , , ,

Histórias bem contadas da realeza

Cena do espetáculo Seu Rei Mandou…, da Cia. Meias Palavras. Foto: Ivana Moura

O menino coisa linda gosta de teatro, mas naquele domingo estava abusado. Mesmo com tantas crianças sentadas no chão ele preferiu o colo da avó, que tem uma paciência de Jó e um amor infindo. Fez seu showzinho particular ao derrubar os meus óculos e insistiu em voltar para casa. Mas o encanto estava tão perto de começar que a avó aguentou a rara chatice daquele pequeno, que vai completar três anos mês que vem, e apresentava sinais de sono.

Entra em cena o ator, palhaço, bonequeiro e contador de histórias Luciano Pontes para narrar a trajetória de três reis. Ele é acompanhado pela flauta e tambor do músico Gustavo Vilar no espetáculo Seu Rei Mandou…, da Cia. Meias Palavras. E o domador de ferinhas hipnotiza a plateia do Teatro Marco Camarotti, no Sesc de Santo Amaro.

Luciano Pontes interage com o público

Tudo é muito simples na encenação. Palco limpo, com poucos objetos de cena, como uns paninhos que servem de tapetes e outras coisinhas, leques e umas pernas de bailarina. Mas repleto de poesia e humor. As três histórias vêm da tradição oral: A lavadeira real, O rato que roeu a roupa do rei e O rei chinês Reinaldo Reis. E são recontadas de forma deliciosa e magnética. A habilidade de Luciano em lidar com crianças é admirável.

Equaliza fluxos, destaca palavras, tira proveito de repetições de falas e movimentos e passeia com propriedade por vários personagens. Ainda sabe dar bronca em criança com tanta delicadeza que parece brincadeira.

Graça e leveza em montagem para encantar crianças e adultos

E esse ator com graça de palhaço conduz com sua voz e manobras do corpo e das mãos os miúdos e grandinhos por terras encantadas. É possível se compadecer da solidão do monarca sem herdeiros, com o destino trágico da princesa ou a felicidade óbvia que as pessoas só reconhecem depois de muitas reviravoltas.

Há punhados de inveja e tirania, bravura e bondade, astúcia e final feliz. É um exercício maravilhoso de ator, que faz rir e pensar e embala nosso coração nas cores de um mundo mais definido. É uma montagem leve e fácil de levar para qualquer lugar. Para alegrar adultos e crianças.

Durante a apresentação, o lindo de viver Rocco Wicks deixou a choradeira de lado. O sono deu lugar ao interesse. Do interesse ao envolvimento no espetáculo foi um pulo. Riu de gargalhar, repetiu palavras, interagiu e no final aplaudiu com entusiasmo. Conclusão: o bom teatro faz bem para o humor e afasta o pantim dos meninos. Recomendo sem moderação.

Postado com as tags: , , , , , , , , ,