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Arte para ficar atento e forte!

ALTÍSSIMO

Peça questiona a atuação dos fundamentalistas religiosos, que avançam como censores da arte e guardiões da moral e bons costumes. Foto: Flora Negri

Peça questiona a atuação dos fundamentalistas religiosos, que avançam como censores da arte. Foto: Flora Negri

Qual o poder das igrejas neopentecostais e o que elas fazem com a cabeça e o coração dos brasileiros nos domínios público e privado, político e social? Essa interrogação perpassa o solo Altíssimo, com Pedro Vilela, que estreia neste sábado (14), às 19h, no Teatro Arraial, onde fica em cartaz por mais três sessões, até o dia 22. É o primeiro espetáculo de Pedro Vilela desde que ele saiu em 2015 do grupo Magiluth, coletivo que integrou por sete anos. Desde então, ele comanda a Trema! Plataforma, que produz um festival e edita revista de artes cênicas.
A dramaturgia de Altíssimo é do paulista Alexandre Dal Farra, que investigou a religiosidade em Mateus, 10 e pesquisa temas incômodos, como a ascensão e queda da esquerda no país em Trilogia Abnegação e Branco, sobre o racismo institucionalizado. As monetizações da fé a a crença no divino são escavacadas de forma complexa. Pedro Vilela expõe camadas desse processo: como pastor em momento de reflexão e autoanálise, a projeção do processo que trilhou durante a pesquisa e os aspectos biográficos presentes na obra. A crítica de práticas comerciais de religiões neopentecostais vem carregada de autocritica da constituição do brasileiro.
Altíssimo
Quando: Sábados e domingos (14, 15, 21 e 22/10) às 19h.
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna. Rua da Aurora, 457, Boa Vista.
Ingressos: R$ 15 (meia) e R$ 30.

SOLO DE GUERRA

Clayton Cabral em seu primeiro solo

Cleyton Cabral em seu primeiro solo

Uma batalha por dia. Os inimigos podem estar em qualquer parte. Disfarçados. Para ser o que se é, o personagem de Solo de Guerra“abre fogo” contra seu passado e o mundo que o cerca. Entre desejos e gritos de amor, o ator e dramaturgo Cleyton Cabral explora esse combate entre soldadinhos verdes e Barbies. O primeiro monólogo de Cabral estreia neste sábado, no Outubro ou Nada – Mostra de Teatro Alternativo do Recife e tem direção de Luciana Pontual.
Solo de Guerra – Estreia na Mostra de Teatro Alternativo do Recife Outubro ou Nada (ingressos esgotados)
Quando: 14 de outubro (sábado), às 20h.
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Solo de Guerra – Curta Temporada
Quando: 04 e 11 de novembro (sábados), às 20h.
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Ingressos: R$ 30 e 15
Capacidade: 40 lugares
Classificação: 14 anos
Ingressos antecipadosbit.ly/solodeguerra-novembro

QUE MUITO AMOU

Três contos do livro Os Dragões Não Conhecem o Paraíso, de Caio Fernando Abreu são adaptados para a cena: Sapatinhos Vermelhos, Praiazinha e Dama da Noite. As histórias tratam dos amores exponenciais espalmados com a morte, saudade, ódio e de novo amor.
Quando: 14, 21 e 28 de outubro, às 20h. 
Onde: Espaço Cênicas (Avenida Marquês de Olinda, 199, Sala 201, 2° Andar (Entrada pela Vigário Tenório), Recife Antigo). 
Quanto: R$ 20, R$ 10 (meia).

RITMO KENTE – UM BREGA DE MUSICAL

Concurso vai eleger a dançarina para a equipe do famoso MC Kivara. Duas finalistas se enfrentam: Lady Gaga, a mocinha da história que acaba se apaixonado pelo popstar, é auxiliada por sua mãe, a extrovertida Cher; e Fabíola, a vilã que unirá forças com o também vilão Patrick para tentar ganhar a competição de qualquer forma. 
Quando: 13 e 14 de outubro (sextas e sábados), às 20h. 
Onde: Teatro Eva Herz Recife – Livraria Cultura do Shopping RioMar (Avenida República do Líbano, 251, Pina). 
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia). 
Informações: 2102-4033.

ANDANÇAS – LOUVAÇÃO A SÃO JOÃO

Montada originalmente como quadrilha junina, a peça foi adaptada para o palco

Montada originalmente como quadrilha junina, a peça foi adaptada para o palco

A quadrilha junina Raio de Sol migra dos arraiais e chega ao palco com Louvação a São João. A peça exalta São João menino, a chegada de um novo tempo e a cultura popular nordestina.
Quando: 18 de outubro, às 20h. 
Onde: Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, Pina). 
Quanto: R$ 20, R$ 10 (meia).

GANGA MEU GANGA, O REI

A influência africana em Pernambuco é mote do espetáculo do Grupo Teatral Ariano Suassuna, de Igarassu, que tem como meta desmistificar o preconceito religioso. Ao final de cada apresentação haverá um debate com a plateia sobre o assunto. 
Quando: 15 de outubro, às 19h,
Onde no Axé Layra Omim Kaia Lofim (Rua Transamazônica, 575, Abreu e Lima).
22 de outubro, às 19h, no Ilê Axé Omô Ogundê (Travessa Joaquim Távora, 794, Paulista).
29 de outubro, 05, 12 e 26 de novembro, locais e horários a definir. 
Quanto: Gratuito. 
Informações: 99592-2288, 98765-6633.

MÃEZONA: A COMÉDIA

Os tipos de mães e famílias são dissecadas na peça escrita e dirigida por Jeison Wallace (Cinderela). 
Quando: 15 de outubro, às 19h. 
Onde: Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, s/n, Pina). 
Quanto: R$ 40, R$ 20 (meia), R$ 20 + um livro ou um quilo de alimento (meia social). 
Informações: 99829-3797, 3355-6398.
 

CIRCO

É NÓIS NA XITA!

Grupo Namakaca, de São Paulo

Grupo Namakaca, de São Paulo

O espetáculo É Nóis na Xita, do grupo paulista Namakaca, promove 50 minutos de uma disputa incansável entre os palhaços DU CIRCO, Montanha e Cafi, que querem ganhar o público com improvisações e números circenses. Os três personagens apresentam números de acrobacias, equilibrismo e palhaçadas.
Quando: 14 de outubro, às 17h,
Onde: Parque Santana (Rua Jorge Gomes de Sá, Santana). 
Quanto: Gratuito.

FESTIVAL DE CIRCO – VARIETÉ

Com 13 anos de experiência, o Circo da Trindade (PE) apresenta números tradicionais com artistas locais.
Quando: 14 de outubro, às 17h.
Onde: Recanto de Aldeia.
Quanto: R$ 20, R$ 10 (meia).

FESTIVAL DE CIRCO – RÊVES D’ÉTÉ

Circo Pitanga

Circo Pitanga

O Circo Pitanga (BEL) combina proeza técnica dos dois artistas Loïse Haenni e Oren Schreiber e intensidade interpretativa. Isso faz de Rêves d’Été um espetáculo sensível que mescla circo, teatro com técnicas inovadoras e muita poesia. A grande bagagem de estilos e técnicas se reflete na habilidade dos artistas de manifestar emoções universais através da linguagem corporal de maneira divertida.
Quando: 13 de outubro, às 20h.
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio).
Quanto: R$ 20, R$ 10 (meia). 
Duração: 60min
Indicação: 7 anos
Informações: 3355-3322.

FESTIVAL DE CIRCO – THE LETTER

Espetáculo clássico de Paolo Nani

Espetáculo clássico de Paolo Nani

Paolo Nani se propõe a encenar a mesma história de 15 maneiras completamente diferentes nesse espetáculo de 1992 que não contém texto, apenas a linguagem universal da mímica e do clown. A Carta está recheada de piadas originais.
Quando: 14 de outubro, às 20h. 
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio). 
Quanto: R$ 20, R$ 10 (meia). 
Informações: 3355-3322.

FESTIVAL DE CIRCO – ANIMO FESTAS

O palhaço veterano Klaus narra suas memórias da época em que tinha como ganha-pão a participação como animador no “submundo” das festas infantis. O paulistano Marcio Douglas, criador da La Cascata Cia. Cômica, encarna o anti-herói da palhaçaria. Esse freak-show de humor ácido reflete sobre questões como o valor do trabalho artístico, a felicidade e a sobrevivência.
Quando: 14 de outubro, às 20h e 15 de outubro, às 19h. 
Onde: Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife). 
Quanto: R$ 20, R$ 10 (meia). 
Informações: 3355-3321 e 3355-3319.

O DESCOTIDIANO

Cia do Relativo

Cia do Relativo

Espetáculo da Cia do Relativo, de São Paulo.  Otavio Fantinato interpreta um ser excêntrico e solitário, que vive em uma casa de poucos móveis e escassos sentimentos na peça O Descotidiano. Entre os estados de estresse e fadiga, ele busca razão para sorrir. Manipulando objetos do cotidiano como colheres e livros, xícaras, vassouras e pás de lixo, até objetos clássicos do malabarismo, o personagem vive situações surreais.
Quando: Quinta e sexta, 12 e 13/10, 20h
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$20 e R$10
Duração: 45min
Indicação: Livre

FESTIVAL DE CIRCO – CONCERTO EM RI MAIOR

A Cia dos Palhaços, companhia de circo-teatro de Curitiba (PR), leva ao palco a brincadeira dos jogos de improvisação de palhaço com a música. O maestro e palhaço Wilson Chevchenco apresenta um concerto baseado em sua origem russa e conta com a ajuda de Sarrafo, seu fiel amigo, para executar as obras de sua família e ser compreendido pela plateia, já que não fala português.
Quando: 14 de outubro, às 16h30. 
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio). 
Quanto: R$ 20, R$ 10 (meia). 
Informações: 3355-3322.

FESTIVAL DE CIRCO – A TRADIÇÃO MILENAR

A Trupe Carcará, do Recife, reúne artistas itinerantes – que nasceram e foram criados sob a lona, e jovens artistas de trupes circenses. Apresenta números de equilíbrio, força, palhaçaria, pirofagia, contorção, música e ilusionismo.
Quando: 14 e 15 de outubro, às 17h. 
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Avenida Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife). 
Quanto: Gratuito. 
Informações: 3355-3321 e 3355-3319.

FESTIVAL DE CIRCO – JEKYLL ON ICE

Espetáculo vem com balões infláveis gigantes, mímicas, pegadinhas e música para todos os gostos

Paolo Nani, ator, diretor artístico e aclamado palhaço, nascido na Itália e naturalizado dinamarquês, vem com as aventuras e desventuras de um curioso sorveteiro chamado Jekyll. O personagem, na tentativa de descobrir um sabor irresistível para os seus sorvetes, transforma-se, inusitadamente, num roqueiro temerário e brincalhão.
Quando: 15 de outubro, à 18h.
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio). 
Quanto: R$ 20, R$ 10 (meia).
Informações: 3355-3322.

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TREMA!, Entre utopias e distropias

Noite. Foto José Caldeira

Espetáculo português Noite abre programação do festival. Foto José Caldeira / Divulgação

Teatro serve para quê? Não tenho respostas daquelas definitivas ou complexamente articuladas. Sinto necessidade dessa arte como os dependentes químicos dizem sentir da droga. O teatro é meu vício maior e melhor. Mas deixando essa sentimentalidade de lado, recebo com entusiasmo a chegada da quinta edição do TREMA! Festival de Teatro, que começa nesta quarta-feira, e segue ate o dia 14 movimentando os teatros no Recife.

São 15 peças em sua programação que, em 12 dias, reúne oito montagens nacionais, uma internacional e seis pernambucanas. Abre com o espetáculo português Noite, inspirado na obra do poeta lusitano Al Berto, que vibra com música manipulada ao vivo por um DJ e no bailado frenético de três homens de energia selvagem e caótica. A encenação remete para subúrbios e subterrâneos.

Os cariocas do Coletivo Complexo Duplo trazem Cabeça (um documentário cênico), calcado no álbum Cabeça Dinossauro, da banda paulistana de rock Titãs. As músicas guardam um feroz posicionamento político e são tocadas ao vivo pelos atores. É o Brasil dos anos 1980 com suas problematizações sobre violência e estado, capitalismo e família tradicional. Dizem muito sobre hoje.

Das inspirações sonoras para as inspirações literárias. Erguido a partir da obra homônima de Chico Buarque de Holanda, Leite Derramado põe uma lupa sobre motivos éticos e os procedimento políticos da História do Brasil. Encenado pelo dramaturgo e diretor Roberto Alvim (SP).

Orgía ou de como os corpos podem substituir as ideias, baseado no livro de Tulio Carella, narra as aventuras eróticas e intelectuais do professor argentino que veio parar no Recife da década de 1960. A montagem do Teatro Kunyn (SP) – destinada a apenas 30 espectadores por sessão – começa no Espaço Pasárgada, antiga casa de Manoel Bandeira e depois segue para o Parque Treze de Maio.

A Primeira Guerra Mundial é pano de fundo da montagem cearense Diga que você está acordado! MáquinaFatzer , a partir da obra inacabada do dramaturgo alemão Bertolt Brecht.

Já o grupo paulista Tablado de Arruar traz a Trilogia Abnegação, que investiga cenicamente as contradições de um partido de esquerda quando chega ao poder. Obra polêmica que envereda pelas operações do mundo político, suas escolhas e consequências, e a realidade fraturada das pressões internas e externas pelo poder.

De Pernambuco, participam o Coletivo Angu de Teatro, com Ossos e Ópera; o ator Marcio Fecher com Meu nome é Enéas; Carolina Bianchi (SP) e Flávia Pinheiro (PE) com Utopyas to every day life; Flávia Pinheiro com o solo Diafragma 1.0: como manter-se vivo? e o Núcleo de Teatro do Sesc Petrolina em parceria com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, grupo gaúcho, apresenta Procura-se um corpo – Ação nº3, sobre feridas ainda abertas pela ditadura militar.

Leite Derramado, Trilogia Abnegação, Ossos e Utypias.

Leite Derramado, Trilogia Abnegação, Ossos e Utopyas to every day life

O Trema! Festival de Teatro cresceu em relevância no panorama pernambucano e nacional desde sua primeira edição. Na cidade, enquanto eventos da mesma natureza foram se descaracterizando, precarizando sua programação e as intersecções com a potência da arte, o Trema! fortaleceu sua identidade nômade dentro de um campo do teatro experimental e de pesquisa.

As inquietações com o contemporâneo marcam a trajetória de sua curadoria, assinada pelo encenador e ator Pedro Vilela e que este ano vem com as provocações de distopias e realidades. Realizado pela Trema! Plataforma de Teatro, o festival conta ainda na realização com Mariana Rusu e Thiago Liberdade.

Se, no primeiro ano, o programa foi realizado sem verba, o quinto chega robustecido mesmo diante da crise. Voltado para um público jovem (não só em idade) e inquieto, a produção junta no seu programa obras que refletem o clima de inconformismo e perplexidade porque que passa o país.

Entrevista // Pedro Vilela

Pedro Vilela é o curador do Trema! Foto: Reprodução do Facebook

Pedro Vilela é o curador do Trema! Foto: Reprodução do Facebook

“Já não sabemos o que podemos fazer em torno desta inércia”, diz você no catálogo. Então o que fazer com essa distopia, que evidencia a plena decadência humana?
Hoje se iniciarmos a reflexão sobre o atual estado pode se configurar como um paradigma inicial. E arte nos aponta horizontes, pelo menos desconfiamos disso. Na história da humanidade ela teve esse papel, a de ser agente transformador de realidade, de escancarar distopias. E neste sentido, estamos falando de arte, não de entretenimento. Estamos mergulhados numa sociedade fugaz que preza por possíveis “diversões” em suas horas vagas, pós-trabalho. Então o festival, infelizmente, não poderá te dar só isto… é isso, e é também uma tentativa de reviravolta dentro de si, para enfim poder revirarmos nossa sociedade. É uma tentativa de caminho…

A reflexão do escritor Aldo us Huxléya: ¨E se esse mundo for o inferno de outro planeta?¨ É uma bela frase de efeito!
É? É, né? Talvez por isto nos encante tanto! E me encanta ainda mais por se tratar de um questionamento! Por nos apequenar de alguma maneira… logo nós, tão especiais, seres únicos neste universo imenso, detentores de tantas verdades…

São 24 sessões, de 15 espetáculos, dos quais 1 é internacional, 8 nacionais e 6 pernambucanos. Você diz “Quando montamos um festival, não temos controle sobre as conexões que o público fará….”. Mas então quais as conexões que os diretores do Trema! fizeram?
Acho que a principal seja com o festival do ano passado… se anteriormente apontávamos para uma necessidade de ré-construção de nossa sociedade, neste afirmamos nosso mergulho à barbárie e nossa inércia em combater isto, porque no fundo talvez sejamos bárbaros mesmos… mas ainda que indiretamente podemos também ver um mergulho em tornos de questões que se tornaram ainda mais urgentes em nosso País…

Por que o teatro de pesquisa é melhor que os outros?
Isso você está a afirmar (risos). Escolhemos este recorte pois é a partir dele que pensamos arte e mundo. Quando você cria algo objetivando “sucesso” e dinheiro na maioria das vezes esquece de sua função principal de agente modificador de realidades. Outros veículos sabem “entreter” o público com mais tenacidade do que o teatro e tenho visto que reside no teatro de grupo esta “escolha” pelo caminho mais tortuoso, onde artistas muitas vezes abdicam de certas “regalias” sociais por tentar construir uma sociedade mais justa, solidaria… no fundo somos bastante utópicos! (Risos)

Qual o orçamento do Trema neste ano? Como vocês conseguiram os recursos? E o que ficou faltando?
O orçamento neste ano é de 230 mil, fruto desta trajetória que vem sendo criada. A parceria com Itaú é bastante frutífera, pois percebemos a busca desta instituição por projetos como o nosso, haja vista as ações que realizam como a própria manutenção do instituto Itaú Cultural e o programa Rumos. Louvável também pela descentralização dos recursos e potencialização de uma ação com este caráter em pleno Nordeste. Já estamos de olho em 2018 e consolidando-se estas parcerias, podermos ampliar a presença de espetáculos internacionais no festival.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

NOITE
Circolando (Portugal)
3 e 4 de maio – Teatro Barreto Júnior, 20h

PROCURA-SE UM CORPO – AÇÃO Nº 3
Núcleo de Teatro do Sesc Petrolina & Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
13 de maio – Casa da Cultura, 11h
14 de maio – Recife Antigo, 15h

DIGA QUE VOCÊ ESTÁ DE ACORDO! MÁQUINAFATZER
Teatro Máquina (Ceará)
05 de maio – Teatro Hermilo Borba Filho, 20h
06 e 07 de maio – Teatro Hermilo Borba Filho, 18h

MEU NOME É ENÉAS – O ÚLTIMO PRONUNCIAMENTO
Márcio Fecher (PE)
05 de maio – Espaço Cênicas, 21h

CABEÇA (UM DOCUMENTÁRIO CÊNICO)
Coletivo Complexo Duplo (RJ)
06 de maio – Teatro Apolo, 20h
07 de maio – Teatro Apolo, 19h

UTOPYAS TO EVERY DAY LIFE
Carolina Bianchi (SP) e Flávia Pinheiro (PE)
08 e 09 de maio – Museu de Artes Afro Brasil, 16h

ORGÍA OU DE COMO OS CORPOS PODEM SUBSTITUIR AS IDEIAS
Teatro Kunyn (SP)
10, 11 e 12 de maio , Espaço Pasárgada, 15h

TRILOGIA ABNEGAÇÃO
Tablado de Arruar (SP)
8, 9 e 10 de maio, Teatro Hermilo Borba Filho, 20h

OSSOS
Coletivo Angu de Teatro (PE)
11 de maio – Teatro Marco Camarotti, 20h

ÓPERA
Coletivo Angu de Teatro (PE)
12 de maio , Teatro Apolo, 20h

DIAFRAGMA 1.0: COMO MANTER-SE VIVO?
Flávia Pinheiro (PE)
11 de maio , Teatro Hermilo Borba Filho, 20h

SALMO 91
Cênicas Cia de Repertório (PE)
12 de maio , Espaço Cênicas, 18h

LEITE DERRAMADO
Morente Forte Produções Teatrais e Club Noir (SP)
13 de maio – Teatro de Santa Isabel, 20h
14 de maio – Teatro de Santa Isabel, 18h

ENCONTROS TREMÁTICOS

DIÁLOGOS TREMÁTICOS 1
Experiências Compartilhadas em Gestão (BRA/PT)
06 de maio , Centro Apolo-Hermilo, 15h

DIÁLOGOS TREMÁTICOS 2
Demonstração pública de processo criativo (Máquina/CE)
07 de maio , Centro Apolo-Hermilo, 15h

DIÁLOGOS TREMÁTICOS 3
Debate ¨Esquerda Brasileira – distopias e realidades¨
10 de maio , Centro Apolo-Hermilo, 18h

DIÁLOGOS TREMÁTICOS 4
Encontro com programadores do Palco Giratório SESC
13 de maio , Centro Apolo-Hermilo, 15h

ATIVIDADES FORMATIVAS

OFICINA 1
TEATRO DOCUMENTÁRIO CONTEMPORÂNEO IBERO-AMERICANO
Dias 05, 06 e 07 de maio , Sesc Santa Rita, 10h as 13h

OFICINA 2
DERIVA com participação no espetáculo ORGÍA
Dias 07 a 12 de maio , Espaço Pasárgada, 13h às 18h

LANÇAMENTO DE PUBLICAÇÕES

REVISTA , TREMA ! Revista de Teatro

LIVRO , O menino na gaiola, Cleyton Cabral
04 de maio , Teatro Barreto Junior, 19h30

LIVRO , Trilogia Abnegação, Alexandre Dal farra
10 de maio , Centro Apolo-Hermilo, 19h

SERVIÇO
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Canal de Venda Web: www.compreingresso.com.br

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Trema! Festival de Teatro divulga programação

Jacy, do Grupo Carmin, abre o festival no Teatro Apolo. Foto: Nityama Macrini

Jacy, do Grupo Carmin, abre o festival no Teatro Apolo. Foto: Nityama Macrini

A importância de um festival de teatro não pode ser medida por sua duração ou pela quantidade de atrações. A proposta da curadoria, quando refletida na programação, é o que de fato mais importa. É nesse lugar que o Trema! Festival de Teatro se estabelece na capital pernambucana. Até então, o festival, que levava a assinatura do Magiluth, se voltava para o teatro de grupo. Agora, sob o comando da Trema! Plataforma de Teatro, tendo na coordenação Pedro Vilela, Mariana Rusu e Thiago Liberdade, a proposta foi ampliada, podendo incluir solos. Na realidade, a principal marca do festival continua: agregar montagens que tenham a pesquisa e a experimentação cênica como pressuposto.

Para fazer um breve retrospecto, pelo Trema!, já vimos no Recife o Teatro Kunyn, de São Paulo, a Cia Hiato, também de São Paulo, o Teatro Inominável, do Rio de Janeiro, o Grupo Espanca, de Belo Horizonte, o coletivo As Travestidas, de Fortaleza. São espetáculos de grupos que, com os seus trabalhos, têm muito a dizer sobre a realidade que vivemos e sobre os próprios procedimentos teatrais contemporâneos.

Nesta quarta edição, o Grupo Carmin, de Natal, abre a programação com a delicada Jacy, montagem de teatro-documentário que já foi vista em Garanhuns, no Festival de Inverno, mas ainda não havia chegado ao Recife. Jacy vem de uma recente temporada de sucesso no Rio de Janeiro, de uma passagem pelo Itaú Cultural (com lotação esgotada), em São Paulo, e começa agora a percorrer o Brasil pelo Palco Giratório.

De Belo Horizonte, o festival traz o grupo Primeira Campainha, com dois espetáculos do seu repertório: Isso é para Dor e Sobre Dinossauros, Galinhas e Dragões. Depois dos espetáculos, o grupo vai conversar sobre o processo criativo que norteou as montagens. A vinda da Primeira Campainha está sendo financiada pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2014 em parceria com o festival.

O coletivo As Travestidas volta ao Recife com o mais recente espetáculo, Quem tem medo de travesti. A montagem faz parte da pesquisa continuada sobre o universo trans no Brasil. Recentemente, foi vista no Festival de Teatro de Curitiba. O coletivo também comanda a festa Cabaré das Travestidas, que vai acontecer no Roda Cultural, no Bairro do Recife. A festa promete improviso, dublagem, talk show e a participação de DJ´s.

Grace Passô apresenta trabalho solo. Foto: Kelly Knevels

Grace Passô apresenta trabalho solo. Foto: Kelly Knevels

Por fim, uma das artistas mais interessantes da sua geração, Grace Passô, apresenta o solo Vaga carne. Depois de dez anos no Espanca, grupo que ajudou a fundar, Grace tem dirigido muitos espetáculos e participado de outros como atriz, como Krum, da Companhia Brasileira de Teatro. O solo Vaga carne, que tem direção, texto e atuação de Grace, integra o projeto Grãos da imagem, que reúne peças em torno de temas identitários.

Do Recife, a programação contará com as estreias de Retomada, do Grupo Totem, importante grupo de performance no cenário nacional, e pa(IDEIA), do Coletivo Grão Comum, um trabalho sobre Paulo Freire. Ainda estão na grade Soledad – A terra é fogo sob nossos pés (Confira a crítica), com Hilda Torres, e Vento Forte para Água e Sabão, musical para infância e juventude do Grupo Fiandeiros de Teatro, com texto de Giordano Castro e Amanda Torres.

Durante o festival, os produtores aproveitam para lançar a sexta edição da Trema! Revista, projeto que conta com o apoio do Funcultura.

Grupo Totem estreia Retomada. Foto: Fernando Figueiroa

Grupo Totem estreia Retomada. Foto: Fernando Figueiroa

Os ingressos já estão à venda pela internet, através do site www.eventick.com.br/tremafestivaldeteatro.

Tivemos uma importante conversa com Pedro Vilela, um dos produtores e idealizadores do festival. São questões sobre política cultural, resistência e permanência. Afinal, “a crise não é de agora. Para nós, trabalhadores da arte, ela sempre esteve presente”.

Pedro Vilela é um dos produtores do Trema! Festival. Foto: Bob Souza/divulgação

Pedro Vilela é um dos produtores do Trema! Festival. Foto: Bob Souza/divulgação

ENTREVISTA // PEDRO VILELA

De que maneira foi pensada a curadoria desta edição? Vocês falam, por exemplo, em (re)construção de paradigmas da nossa sociedade. Como isso se refletiu nos espetáculos escolhidos?

O teatro sempre será um espaço para enfrentamentos de ideias. Todo aquele que não se propõe a isto está fadado a ser apenas mais um mecanismo de reprodução da indústria cultural e da massificação de nosso povo. Ao pensar a curadoria do Trema! neste ano, procurei comungar trabalhos que em si carregam questões pertinentes para nosso tempo e que venham encontrando visibilidade no cenário artístico brasileiro. Poderíamos encher nossos palcos com obras de maior retorno financeiro para nós, organizadores, mas nosso compromisso ético com a ação faz com que estejamos muito atentos às reflexões que queremos propor. Ao assumir o tema (re)construção, estamos dispostos a percorrer um caminho duplo.

O primeiro está ligado à trajetória dos próprios organizadores, ao abandonarem antigos projetos artísticos na cidade e re-iniciarem novos percursos a partir da Trema! Plataforma de Teatro. (Re)construímos pois não achamos justo destruirmos algo que foi importante para nossa trajetória artística, ao passo que alimentamos o desejo por novos trajetos. O próprio nome do festival traz isto, este ano abandonamos o recorte exclusivo de “festival de teatro de grupo” e passarmos a ser apenas “Festival de Teatro”. Continuamos investindo na pesquisa de linguagem, mas ampliamos o olhar para artistas solos.

Em relação aos espetáculos, ao escolhermos espetáculos como os que compõem a programação, estamos nos propondo a reflexão em torno de temas como identidade, gênero, educação, tradição, ditadura, política, ou seja, pautas muito urgentes para nosso país. Acreditamos portanto que através do teatro podemos (re)construir nossa sociedade.

“Fechar um teatro é tão absurdo quanto fechar uma escola”

“Recife é a cidade dos festivais”. Essa frase é bastante dita quando discutimos a política cultural pernambucana, sem que a gente pare para avaliar de fato a importância de cada um dos festivais de artes cênicas da nossa cidade. No atual cenário, qual a importância do Trema!, tanto pra cidade quanto para os artistas? Porque insistir em fazer um festival, mesmo com a crise que assola os festivais no país todo?

Recife já foi a cidade dos festivais. Minha formação enquanto artista esteve muito ligada aos que aconteciam na nossa cidade. Esperava ansiosamente a cada ano e acompanhava absolutamente tudo. Os tempos são outros e o mais triste é perceber que retrocedemos. Já não temos o Palco Giratório, do SESC, e o Festival Recife virou um triste fantasma de anos anteriores, só para citar alguns. Os privados que teimam em resistir, a cada ano ou desistem pelo meio do caminho ou precisam fazer das tripas coração para serem executados. Isso é apenas uma breve demonstração do descaso do poder público para com as artes.

“Pensamos seriamente se realizaríamos o festival neste ano. Mas percebemos que não fazer significa que os propagadores da barbárie, da corrupção, da falta de educação, estariam saindo como vencedores desta batalha”.

É meio absurdo ter que nominar a importância desses eventos. Eles alimentam uma vasta cadeia produtiva, além de todas as questões simbólicas que suportam. O grande problema é que não conseguimos sermos vistos como utilidade pública, como elementos primordiais de construção da nossa sociedade. Fechar um teatro é tão absurdo quanto fechar uma escola. Mas se vivemos numa conjuntura que nem mesmo educação e saúde são ofertadas à população de maneira digna, o que podemos dizer das artes….

O Trema! resiste e insiste há quatro edições. Pensamos seriamente se realizaríamos o festival neste ano. Mas percebemos que não fazer significa que os propagadores da barbárie, da corrupção, da falta de educação, estariam saindo como vencedores desta batalha. A crise não é de agora. Para nós, trabalhadores da arte, ela sempre esteve presente.

Tentamos captação com diversas empresa do Estado e todas negaram recursos. Empresas inclusive que recentemente aportaram em nosso Estado com slogans ligados à cultura e ao desenvolvimento de nosso povo. O capital toma conta de nossos cidadãos, jogando-os num clico vicioso de consumo e onde apenas uma parte é beneficiada, o que vende.

Ninguém chega a Berlim, Paris ou qualquer lugar do mundo onde a produção artística é efervescente e fica deslegitimando a pluralidade que encontra. A única crítica que poderíamos fazer é quando invertemos o fomento às atividades continuadas e ficamos navegando exclusivamente em eventos passageiros. E isso sim é uma prática recorrente em nossa cidade. O que gastamos com decoração de Natal daria pra fomentar inúmeros festivais que possuem trajetória comprovada, por exemplo. Palco com banda tocando no Marco Zero aos domingos nunca será construir sociedade. Talvez seja por isto que ao acabar o show se inicie recorrentemente arrastões naquele lugar. O povo tá cansado de faz de conta. Educação é a única saída. Teatro, literatura, artes plásticas…. Isso sim muda um panorama.

“Palco com banda tocando no Marco Zero aos domingos nunca será construir sociedade. Talvez seja por isto que ao acabar o show se inicie recorrentemente arrastões naquele lugar”.

Qual o orçamento do Trema!? De onde vem o recurso? Qual o apoio, efetivamente, da Prefeitura do Recife e do Governo do Estado?

O Trema! neste ano tem orçamento de R$ 60 mil. Algo muito abaixo do que precisaríamos para executar o festival. Às vezes fico com a sensação de sermos malabaristas em conseguirmos realizar a ação. Mas seria injusto de nossa parte levarmos todos os méritos. O festival só será possível graças a todas as parcerias criadas e principalmente pelo desejo que a classe artística de todo o país tem por sua realização. Os grupos locais receberão apenas as bilheterias, por exemplo; nos sentimos até envergonhados ao termos que propor isso. Os grupos de fora estão vindo com cachês muito abaixo do comumente praticado. Isso mostra a seriedade com que lidamos com o Festival ao longo dos últimos anos e também a união dos artistas nesta guerrilha. Poderia não querer responder a vocês sobre questões orçamentárias, mas acho importante para que as coisas comecem a ter seu devido valor. A Fundação de Cultura entrará com algo em torno de R$ 15 mil (recursos e serviços) e o Governo do Estado com R$ 20 mil (recursos e serviços). Se dividirmos por exemplo o aporte da Prefeitura pela quantidade de habitantes na cidade daria algo em torno de R$ 0,01 por pessoa. Não chega nem a 1 centavo! Pouco, não?! O restante são parcerias criadas e principalmente recursos nossos. Em todas as edições não ganhamos absolutamente nada para realizar o Festival, mas ao mesmo tempo não queremos ver o Festival morrer! O por quê de fazermos esta loucura? Fico me perguntando a todo momento. E não sabemos por quanto tempo conseguiremos.

Talvez este também seja o momento de (re) construirmos o elo perdido com o poder público. Talvez. O que nos resta é fazemos um apelo ao público do Recife para que estejam juntos conosco nesta batalha. A melhor maneira de contribuir neste momento é compartilhar o quanto puder nossa divulgação. Os tempos são outros e sabemos o quanto juntos podemos mudar este paradigma. Ao ocuparmos os teatros, estaremos mostrando a importância da ação e, ainda que simbolicamente, requisitando o que nos é de direito. Como bem postamos ao anunciar que iríamos fazer o festival: não é por nós, é pela cidade!

“Se dividirmos por exemplo o aporte da Prefeitura pela quantidade de habitantes na cidade daria algo em torno de R$ 0,01 por pessoa. Não chega nem a 1 centavo!”

Programação Trema! Festival de Teatro:

28/4
Jacy / Grupo Carmin (RN)
Teatro Apolo – 20h

29/4
Sobre dinosauros, galinhas e dragões / Primeira Campainha (MG)
Teatro Arraial Ariano Suassuna – 19h30

Quem tem medo de travesti / Coletivo As Travestidas (CE)
Teatro Santa Isabel – 21h

30/4
Isso é para dor / Primeira Campainha (MG)
Teatro Arraial Ariano Suassuna – 19h30

Quem tem medo de travesti, do coletivo As Travestidas. Foto Allan Taissuke

Quem tem medo de travesti, do coletivo As Travestidas. Foto Allan Taissuke

FESTA: Cabaré das Travestidas / Coletivo As Travestidas (CE)
Roda cultural – a partir das 23h

01/5
Isso é para dor / Primeira Campainha (MG)
Teatro Arraial Ariano Suassuna – 19h30

03/5
Lançamento TREMA! Revista #6
Teatro Hermilo Borba Filho – a partir das 19h

pa(IDEIA) Pedagogia da autonomia / Coletivo Grão Comum (PE)
Teatro Hermilo Borba Filho – 20h

Coletivo Grão Comum estreia pa (IDEIA). Foto: Amanda Pietra

Coletivo Grão Comum estreia pa (IDEIA). Foto: Amanda Pietra04/5

 

04/5

Retomada / Grupo Totem (PE)
Teatro Hermilo Borba Filho – 20h

05/5
Soledad, A terra é fogo sob nossos pés / Cria do Palco (PE)
Teatro Hermilo Borba Filho – 20h

06/5
GRÃOS DA IMAGEM: Vaga Carne / Grace Passô (MG)
Teatro Hermilo Borba Filho – 20h

07/5
Vento Forte para água e sabão / Cia. Fiandeiros (PE)
Teatro Hermilo Borba Filho – 16h

08/5
Vento Forte para água e sabão / Cia. Fiandeiros (PE)
Teatro Hermilo Borba Filho – 16h

INGRESSOS:
R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), com exceção do espetáculo Quem tem medo de travesti, com sessão no Teatro de Santa Isabel ao valor de R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada) e a festa Cabaré das Travestidas, com preço único de R$ 20.

Vendas antecipadas pelo site www.eventick.com.br/tremafestivaldeteatro.

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Na contracorrente do capitalismo

A Enchente, espetáculo dirgido por Flávia Pinheiro. Foto: Danilo Galvão

Talvez fosse preciso mais tempo para ruminar sobre A enchente, que assisti ontem no Teatro Hermilo Borba Filho. Mas é urgente que outros vejam, já que a curta temporada termina hoje (27). E talvez esse texto ajude. O espetáculo é inspirado em conto homônimo de Hermilo Borba Filho. É uma narrativa curta, com toques surrealistas, que trata da luta de uma mulher durante uma inundação. Ela, um morto no caixão, e os animais (cavalos, cachorro, ovelha) são surpreendidos com o dilúvio. A chuva cai incessantemente, enquanto cada um tenta sobreviver nesse provisório mundo líquido. As palavras evocam imagens potentes. A diretora Flávia Pinheiro materializa as sensações sugeridas pelo texto em gestos e movimentos, performance, vídeo e som em frenesi.

A montagem foi selecionada pelo projeto O solo do outro, uma iniciativa do Centro Apolo/ Hermilo. Além de Flávia, idealizadora do trabalho, estão envolvidos no espetáculo Leandro Oliván (desenho de imagem e som), Maria Paula Costa Rêgo (dramaturgista corporal), Pedro Vilela (desenho de luz), Guilherme Luigi (diretor de arte), e as três bailarinas/ performers Gardênia Coleto, Marcela Aragão e Marcela Filipe.

E aqui vale um parêntese. Ao final da apresentação as bailarinas reportaram ao público que o pagamento do valor de R$ 22.300 previsto no edital do projeto O Solo do Outro, só saiu na sexta-feira, 18 de março. O outro selecionado, A rã, da Cia. Aninatus Invictus, entrou e saiu de cartaz sem receber o dinheiro. Elas pontuaram que é preciso mais respeito e compromisso do poder público com os criadores. A verba deveria ter saído em outubro, segundo elas.

A enchente. Foto Ivana Moura

Jogo com um pedaço de madeira. Foto: Ivana Moura

Entre a correnteza do conto de HBF e a crise migratória na Europa são erguidas pontes de significados nos movimentos das bailarinas. O mundo enfrenta mal suas catástrofes naturais e humanas. O capitalismo faz o serviço sujo de categorizar, excluir e eliminar indivíduos. A enchente pulsa da revolta. Os procedimentos de criação amplificam restrições e obstruções de movimentos, utilizando jogos que se assemelham aos esportes de bola com as mãos (mas no caso são tábuas). Desses atritos entre corpos, o espetáculo reconstrói narrativas que abarcam a miséria do mundo. Ou traz o mundo para o corpo impregnado da própria linguagem.

Na cena inicial, os corpos traçam posições de obstáculos, que podem remeter para o sentido de represas, comportas para curso das águas volumosas do título ou para processo de contenção de gente nas fronteiras dos países desenvolvidos. Em alguns momentos, com o vídeo ao fundo, os movimentos de derrubada dos bailarinos remetem à barbárie, indiferença e intolerância.

As projeções mostram criaturas tentando ultrapassar muros e sendo derrubadas por soldados; soldados que observam indiferentes e enchentes destruidoras em várias camadas. De costas, nuas da cintura para cima, elas apresentam gestuais repetitivos e grande esforço de dorsos, que formam grafismos, como as posições perpendiculares e de queda. Depois elas animam o jogo com um pedaço de madeira.

O medo de uma mulher que enfrenta a força da água a move em busca de salvação. De transcender os próprios limites. Esse desejo segue entre a música de Leandro Oliván e o silêncio, o deslocamento agitado e breves movimentos de imobilidade. A iluminação de Pedro Vilela aquece as ações, preenchendo espaços ou abrindo para o vazio.

No palco, tábuas estão ancoradas nas paredes. Dispostas para construção de espaço que são derrubados. As bailarinas desenham um habilidoso jogo de contradições na composição do redemoinho. A Terra ferida grita de dor e reage com fúria. Os oprimidos do mundo são barrados nas fronteiras. Mas até quando eles serão contidos com essa violência sem sentido pelos países ricos?

Áudio e vídeo selecionados e reconfigurados por Leandro Oliván alcançam outras dimensões e circunstâncias de uma nova estupidez. Ele utilizada trechos de obras de cineastas experimentais como o lituano Jonas Mekas, a performer norte-americana Carolee Schneemann, o palestino Mustafa Abu Ali, o francês Chris Marker, a soviética Esfir Shub, o norte-americano Stan Brakhage. A escolha de trechos desses artistas para explosão de limites criativos já indica posições de Flávia Pinheiro e Leandro Oliván. Eles também se valeram de arquivos em vídeo tanto da Fundação Joaquim Nabuco quanto da Fundarpe, com cenas de inundações no Recife e no Interior.

A enchente é um espetáculo poderoso, rico de significados, com uma direção que investe na capacidade de pensar. Em que as bailarinas levam para seus corpos os questionamentos desses movimentos contemporâneos excludentes e perigosos. Em que usam técnica e força para criar beleza. Uma beleza nervosa por tudo que ela significa.

FICHA TÉCNICA
Concepção, direção e dramaturgia:  Flavia Pinheiro
Desenho de Imagem e  Som: Leandro Oliván
Performers: Gardênia Coleto, Marcela Aragão e Marcela Filipe
Dramaturgista Corporal: Maria Paula Costa Rêgo
Desenho de Luz: Pedro Vilela
Diretor de Arte: Guilherme Luigi
Duração: 45 minutos
Fotografia: Danilo Galvão

SERVIÇO
A enchente, de Flávia Pinheiro
Quando: 17, 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27 de março, sempre às 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho – Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Informações: 3355-3320

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Outros desafios para Pedro Vilela

Pedro Vilela planeja desenvolver seus processos criativos fora do Magiluth. Foto: Arquivo pessoal

É tempo de mudança para o encenador, ator e iluminador Pedro Vilela. Nos últimos oito anos, ele abraçou o Grupo Magiluth, quando adotou um modelo de gestão que possibilita aos seus integrantes viver exclusivamente do teatro. Esse diferencial teve implicações no palco, nas articulações com outros grupos brasileiros e estrangeiros e nas estratégias de reconhecimento da trupe pelo país afora.

O Magiluth é uma junção dos atores Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sergio Cabral, Pedro Vilela, Pedro Wagner e Thiago Liberdade. O grupo conta 11 anos de trajetória e tem em seu currículo os espetáculos Luiz Lua Gonzaga (2012), Viúva, porém honesta (2012), Aquilo que meu olhar guardou para você (2012), O Canto de Gregório (2011), Um Torto (2010), Ato (2008)e Corra (2007). O mais recente é O ano em que sonhamos perigosamente (2015) – com dramaturgia de Pedro Wagner e Giordano Castro e encenação de Pedro Wagner – que fez uma curta temporada no Teatro Apolo. Pedro Vilela assina a iluminação.

O bando amadureceu nos enfrentamentos da criação artística e da luta por sobrevivência. Mas Pedro Vilela anunciou sua saída do Magiluth. A partir de agora, ele investe suas energias na TREMA! Plataforma, voltada para vários tipos de ação. Uma delas é o TREMA! Festival, cuja terceira edição ocorreu no mês de abril. A segunda atuação é a TREMA! Revista, coordenada por ele e Mariana Rusu, em parceria com Thiago Liberdade, e que vai ser lançada nesta segunda-feira (29), no espaço da Cênicas Cia de Repertório, no Bairro do Recife.

Para 2016, o diretor planeja ativar o núcleo TREMA! Teatro para desenvolver seus processos criativos. Leia a seguir a entrevista com Vilela, sobre sua saída do Magiluth, sua visão da política cultural no estado e no Recife, e sobre o lançamento do periódico.

ENTREVISTA: Pedro Vilela

ENTREVISTA: Pedro Vilela

ENTREVISTA // PEDRO VILELA

Segunda-feira será lançada Trema! Revista de Teatro de Grupo. Como e por quê surgiu esse projeto?
A construção de ferramentas que auxiliem o “pensar” o mundo e seu diálogo com a arte sempre me interessou enquanto gestor. Às vezes, acabamos por focarmos demasiadamente no nosso desejo pelo “fazer” e pecamos um pouco por abandonar o “refletir”. Durante muito tempo esse refletir esteve focado apenas nos críticos e acredito que atualmente existem diferentes vozes e agentes construindo reflexões bastante pertinentes. Sentia também a necessidade de construir ferramentas de diálogo com a nossa sociedade que não fosse apenas o produto artístico, daí pensamos numa publicação.

Qual o conteúdo contemplado para este primeiro número?
A TREMA! Revista é uma publicação bimestral que visa articular arte e política. A cada edição encontramos um tema norteador de pensamento, sendo este um agente propulsor para desdobramentos. Nesta primeira edição tomamos como base a ideia de #facção, refletindo os coletivos teatrais como facções políticas, estéticas, poéticas e que visam operar contrariamente a uma “ordem” dominante.

Quais os critérios de articulação para convidar as pessoas para escrever?
Não queríamos pensar uma revista engessada por regras de sua composição. A revista se configura como agente fomentador de pensamento principalmente para nosso Estado, entretanto não nos interessa a obrigatoriedade de termos colaboradores apenas locais. Buscamos encontrar, em diferentes regiões, pensadores que possam articular nossos desejos. Outro ponto importante é que não só profissionais ligados ao teatro contribuirão com à TREMA! Nos interessa o ponto de vista de diferentes atores sociais, construindo assim uma publicação dinâmica e que não segmente o público leitor.

Você acha que a revista pode preencher a lacuna de pensamento sobre a criação artística teatral na cidade, no estado? Ela sozinha é suficiente? O que falta mais?
Acredito que esta lacuna ainda é grande, não só em nível estadual. Como leitor assíduo da minha área, encontro grande dificuldade de acessar diversos pontos de interesse por falta de publicações. Ao passo que, cada vez mais também percebo a busca por diminuir estas lacunas, seja por novas editoras que estão abraçando o teatro, seja pelos os próprios artistas que estão construindo alternativas para compartilhar o pensamento.  Estamos dando um primeiro passo neste formato de revista e esperamos que ele possa ter vida longa, assim como que outras publicações se unam a nossa no sentido de verticalizarmos o “pensar” a arte em nossa região.

A revista foi contemplada com o Funcultura. Gostaria de saber sua opinião sobre a política cultural no estado de Pernambuco e a distribuição dos recursos do Fundo.
Encontramos no Funcultura atualmente um importante aliado no desenvolvimento da economia da cultura de nosso estado. Acredito imensamente neste modelo, na manutenção de um Fundo onde o estado seja o agente regulador. Ou seja, nós produtores culturais não estamos à mercê da boa vontade de empresas privadas, mas dialogando diretamente com o estado, pois se trata da administração de recursos públicos. Entretanto, uma política cultural madura não pode ser construída exclusivamente com o Fundo e com alguns eventos culturais. Pernambuco é um estado bastante plural e de larga extensão. Louvamos a ampliação do número de produtores interessados pelo Fundo, entretanto não encontramos proporcionalidade na ampliação dos recursos do mesmo. Precisamos também compreender que uma Lei como a do Funcultura precisa constantemente ser revisada, pois cada vez mais vivemos num mercado dinâmico, onde os agentes culturais se deparam constantemente com novos desafios e o fundo precisa acompanhar o seu tempo.

Você, Pedro Vilela, fez críticas severas à política cultural (ou falta dela) da Prefeitura do Recife, um pouco antes da realização do Trema – Festival de Teatro de Grupo. Qual a sua análise dos órgãos e mecanismos municipais de cultura? Você teria sugestões para melhorar o desempenho?
Não me arrependo das críticas realizadas. Elas apontavam um descaso gerencial com a cultura da nossa cidade e esse descaso em nada mudou. Nos deparamos com uma gestão fragmentada, onde os profissionais que a compõem parecem não conseguir se articular em torno do desenvolvimento da área. Vemos interesse e disponibilidade de alguns, mas isto é muito pouco. Vemos uma secretária que possui grande caráter simbólico para nós artistas, mas que não consegue compreender os desafios que é gerir os encaminhamentos culturais de uma cidade como Recife. Parece-me que o problema vem de cima, da falta de interesse e de compreensão que somos um dos principais agentes modificadores deste “Novo Recife” que tanto se fala. E este paradigma só poderá mudar quando nós artistas tivermos força política suficiente para dizermos o “como” queremos.

Produtora Mariana Holanda Rasu e Vilela: cumplicidade

Produtora Mariana Holanda RUsu e Vilela: cumplicidade

Mudando um pouco de assunto. Como é a cumplicidade de pensamento com sua mulher, a produtora Mariana Rusu?
Gosto imensamente desta palavra que você usa: cumplicidade. Somos cúmplices do mesmo delito: a dedicação ao teatro. Mariana é uma profissional extremamente sagaz, com um elaborado grau de exigência nas atividades que se propõe a realizar, isso faz com que nossa parceria renda tantos frutos. Não por ser minha esposa, mas vejo nela uma dedicação a este ofício difícil de encontrar em outras pessoas e ainda uma disponibilidade por defender os projetos que loucamente visualizo. Decidimos dedicar toda esta força a nossa TREMA! Plataforma e desejamos dialogar ainda mais com o teatro de nossa cidade.

Sabemos que a convivência desgasta os relacionamentos e é muito difícil a permanência de grupos estáveis no país e mais ainda em Pernambuco. O Magiluth se tornou uma referência nos últimos anos na cena brasileira pela dedicação e ousadia. O anúncio de sua saída do grupo causou estranhamento e preocupação. O que aconteceu? Disputa por poder? Por liderança?
Não temos como neste momento definir fatores que levaram a esta decisão. Tenho certeza que haverá uma série de suposições sobre a saída (risos). A convivência em um grupo de teatro é algo bastante intensa, como uma família, e sempre haverá concordâncias e discordâncias nos diferentes desafios que o grupo encara. Mas, acima de tudo, é importante preservamos o desejo e amor pelo projeto coletivo que defendemos e isto já não era possível.

Você já afirmou que refletiu muito antes de tomar uma decisão. Mas também disse que a montagem do último trabalho O Ano em que Sonhamos Perigosamente foi o estopim. Então conta como foi o processo.
Cada vez mais percebo o quanto é delicado para os grupos estarem envolvidos em procedimentos de criação, pois eles escancaram questões que sempre permaneceram guardadas. É o momento de debatermos sobre ideias, vontades e principalmente a hora onde a força dos indivíduos, todos os seus conteúdos e disponibilidade para o teatro precisam ser colocados na mesa. O projeto do Ano em que sonhamos perigosamente foi escrito, elaborado e captado por mim. Há muito tempo nutria o desejo de ver o Magiluth experimentando uma “outra forma” de fazer teatro e solicitava esta ruptura. Fatores externos impossibilitaram a execução completa do trabalho, mas fico feliz pela execução do mesmo.

Vilela abraça Giordano, com Erivaldo ao fundo, em Aquilo que meu olhar guardou para você

Vilela abraça Giordano, com Erivaldo ao fundo, em Aquilo que meu olhar guardou para você

E como vai ser o cumprimento dos projetos já em andamento, como a própria revista, as novas edições do Trema e as viagens do Magiluth?
Estarei disponível para executar os projetos acordados anteriormente, sou um profissional e tenho compromissos éticos com a empresa Magiluth. Quanto aos projetos como a revista e festival, é preciso esclarecer que eles não são do grupo. Foram projetos idealizados, geridos e executados por outros profissionais e que em dado momento tiveram o Magiluth como fomentador/financiador (duas primeiras edições do Festival). Estas ações acabaram se confundindo com o Grupo devido a posição que ocupava, mas percebo que a compreensão de projetos individuais dentro da coletividade sempre será bastante complexa. Tanto o Festival, como a revista são ações desenvolvidas pela TREMA! Plataforma de Teatro, empresa que cuido atualmente com Mariana.

O que você tem a dizer sobre a experiência desses anos no grupo, a direção dos espetáculos, o aprendizado?
Sem dúvida foram os anos de maior aprendizado no teatro. Me formei enquanto gestor e criador no grupo. Nos últimos oito anos tive a oportunidade de gerir o grupo, onde idealizei, captei e administrei todos os projetos. Consegui chegar a um modelo de gestão onde os integrantes puderam viver exclusivamente do teatro, com salário, todos os benefícios (13º e férias) incluindo plano de saúde, odontológico… o que me trouxe uma compreensão de gerenciamento de um coletivo sem precedentes. No campo da criação me descobri enquanto encenador e aprofundei meu trabalho com iluminação. Terei um eterno agradecimento aos integrantes pela cumplicidade, parceria e confiança no trabalho.

E daqui para frente quais são os planos? Mestrado aqui, em SP, no exterior?
Meu trabalho continua a ser desenvolvido em duas frentes. A primeira está ligada a retomada dos meus estudos acadêmicos, focando no mestrado. A segundo está ligada ao desenvolvimento da TREMA! Plataforma de Teatro.

E como é concebida a TREMA! Plataforma?
A Plataforma é um núcleo gerencial e criativo em torno do teatro de grupo que trabalha em diferentes linhas de ações. Atualmente desenvolvemos o TREMA! Festival e a TREMA! Revista. Ela é coordenada por mim e Mariana em parceria com Thiago Liberdade. Não a defino como grupo, mas sim como uma plataforma que trabalha com diferentes colaboradores de acordo com as especificidades dos projetos que nos interessa desenvolver. Em janeiro de 2016 pretendo ativar o TREMA! Teatro que será o núcleo onde desenvolverei meus processos criativos. O primeiro trabalho será sobre a fé e as igrejas neopentecostais brasileiras, que me atravessa profundamente e que desde o ano passado estou desenvolvendo a pesquisa.

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SERVIÇO:
Lançamento da TREMA! Revista de Teatro de Grupo, da TREMA! Plataforma de Teatro de grupo (distribuição gratuita da revista), no projeto Segunda com Teatro de Primeira
Quando: Nesta segunda-feira (29), às 20h
Onde: Cênicas Cia de Repertório (Rua Vigário Tenório, 199 – 2º andar – Bairro do Recife),
Atração: Leitura do texto Maumau miau, do dramaturgo Luís Felipe Botelho, pela Cia Incantare de Teatro

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