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Vida de gado

O açougueiro, com Alexandre Guimarães, aborda temas do preconceito social e seus danos

O açougueiro, com Alexandre Guimarães, aborda temas como o preconceito social e seus danos

Para compor seus personagens do espetáculo O açougueiro, o ator Alexandre Guimarães fez pesquisas para se apropriar dos procedimentos em matadouros público e informal. Isso incluía a postura do homem que abate o boi, as reações do animal durante o processo, os cheiros e os sons. O solo dirigido por Samuel Santos, do grupo O Poste Soluções Luminosas, utiliza as técnicas do teatro físico e antropológico para compor a cena. Alexandre foi busca na Zona Rural de Pernambuco a inspiração para esse corpo extra cotidiano e para romper com os automatismos da rotina urbana.

Sua investigação leva para o palco algumas manifestações culturais de Pernambuco como o aboio, a toada, o reisado, a velação do corpo antes dos enterros. A peça também é costurada por cânticos.

O Açougueiro participa da 9ª Mostra Capiba de Teatro, do Sesc Casa Amarela, que reúne nove montagens em torno da ideia de território do ator solidário e da vastidão proporcionada pelo palco. A programação traz nove espetáculos de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Sergipe, até o dia 22.

Veja mais sobre a Mostra:
Mostra Capiba chega à 9ª edição
Capiba começa com Caio Fernando Abreu

Guimarães se reveza em sete personagens, sendo o principal o sertanejo Antônio. A protagonista luta pelos sonhos de ser dono de um açougue e se casar com Nicinha. Mas a sociedade do entorno do casal exerce o poder de coerção e atua com preconceito para acabar com o relacionamento. E Antônio é abandonado por todos na cidade, menos pelo boi.

ENTREVISTA // ALEXANDRE GUIMARÃES

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Ator investiu suas economias no espetáculo, que não conta com patrocínios. Foto: Reprodução do Facebook

Primeiro gostaria de saber sobre a estética e a ética de O Açougueiro.
O Açougueiro é um ponto de virada. No final de 2014, eu vivia um daqueles momentos em que nos sentimos em dúvida sobre várias coisas. Tinha voltado de uma passagem pelo Sudeste onde fui aprofundar os estudos em audiovisual e tinha acabado de sair do grupo Cênicas, do qual participei por cinco anos. Sentia um vácuo… Mas desses questionamentos surgiu uma certeza que era o fazer teatral.
A estética do espetáculo é o jogo. Eu e Samuel Santos decidimos que esse trabalho era assumidamente um espaço para o intérprete. Buscamos trazer a simplicidade de elementos e cenário para que o público focasse nas nuances do intérprete em cada momento desse transformar. A peça acontece no Sertão, mas não queríamos trazer o óbvio, tipo carcaças de boi, mandacarus… A ideia é provocar a criação das imagens por parte do espectador.
Quanto à ética, sou ator, mas nesse momento da criação do projeto, quando percebi eu já estava produtor. E uma das decisões enquanto produtor foi aceitar que não posso abraçar tudo em um espetáculo. É preciso compartilhar funções… E tão importantemente quanto isso é saber que todos precisam ser pagos nessas funções. Isso cria e fortifica laços em um projeto. Convidei pessoas que de alguma forma tem ligação com minha história e que se identificaram com essa missão. Parece algo complexo mas é bem mais simples na prática. A chave é decidir fazer…

O que O Açougueiro trouxe para sua carreira?
Uma vez ouvi um amigo que disse que grandes ideias todos podem ter, mas a mágica está no concretizar.
Nesses 15 meses de vida do espetáculo já participei de festivais em Pernambuco, Paraná, Santa Catarina, Paraíba e agora estou em temporada até dezembro no Rio de Janeiro. Recebi alguns prêmios como o de melhor ator no Janeiro de Grandes Espetáculos JGE deste ano, o que pessoalmente é uma satisfação enorme. Mas isso também serve para alavancar ainda mais o espetáculo, para projetar ainda mais objetivos.
É um espetáculo quase camaleônico, se adapta às condições. Já fiz em grandes teatros tradicionais, espaços alternativos e até em praça pública no Interior de Pernambuco. Sinto um desejo quase que vital de levar meu ofício aos lugares onde não há acesso a esse teatro dentro da caixa cênica padrão. A peça fala de preconceito, intolerância, violência contra a mulher… Enfim, é preciso parar e falar desses temas com muita seriedade. O teatro tem essa característica de aguçar nossa reflexão através da arte. Mas depois de ir para tantos rincões eu também quis saber qual seria a resposta ao trabalho nos ditos grandes eixos da produção teatral (Rio-SP). E o Rio chegou antes… Foi bem difícil entrar nesse outro mercado…

A montagem é uma produção independente. Valeu investir praticamente todos os seus recursos no espetáculo?
Desde a montagem de O Açougueiro planejei um cronograma de ações que abarcasse 24 meses. E felizmente estou conseguindo cumprir as metas e o projeto segue vivo mesmo sem contar com leis de incentivo ou patrocínio. Adoraria tê-los, mas não tive sequer tempo de elaborar projetos de captação e decidi fazer com o investimento pessoal mesmo. Não era muito, na verdade era quase simbólico, mas o planejamento responsável fez toda a diferença. Como todo investimento, esse também envolve riscos, mas tenho conseguido seguir adiante financeiramente de maneira superpositiva e no lado do reconhecimento profissional tenho tido conquistas incríveis.

E então, o futuro.
O futuro é seguir focando nessa temporada no Teatro Poeira no Rio.
O Açougueiro tem a missão de propagar teatro…
Não sou um grupo ou coletivo. Sou um artista independente que buscava se colocar em um lugar onde a procura por pautas é gigante. Mas outra vez a característica de encontrar parceiros fez toda a diferença e graças ao ator e amigo Marcio Fecher, conheci um produtor no Rio que se encantou pelo projeto e entrou comigo nessa jornada em terras cariocas. Tudo isso gira muito, mas sempre volto ao pensamento original que me tocou há um ano: é preciso fazer. Ser ator é se colocar em sacrifício, e ser ator-empreendedor não foge a essa regra.

SERVIÇO
O Açougueiro – com Alexandre Guimarães – Recife – PE
Quando: Sábado, 15/10, às 20h
Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira) ​
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410
Duração: 45’
Classificação etária: 16 anos

O ATOR – Alexandre Guimarães é formado pela Escola Sesc de Teatro. Fez parte do grupo recifense Cênicas Cia de Repertório durante cinco anos. Em 2015, lançou sua primeira produção: O Açougueiro. Entre as montagens que participou estão Diabólica, com direção de  Antônio Rodrigues (2014); Auto do Salão do Automóvel, direção de Kleber Lourenço (2012); Senhora dos Afogados, direção de Érico José (2010/11); Pinóquio e Suas Desventuras, da Cênicas Cia de Repertório (2009); De Uma Noite de Festa, da Escola Sesc de Teatro (2009); Escola de Meninas, do Berlinda Tribo de Atuadores (2008).

Ficha Técnica
Intérprete: Alexandre Guimarães
Texto, encenação e plano Luz: Samuel Santos
Preparação vocal: Nazaré Sodré
Preparação corporal e figurino: Agrinez Melo
Maquiagem: Vinicius Vieira
Fotos/Ilustração: Lucas Emanuel

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Mostra Capiba chega à 9ª edição

Atriz Augusta Ferra ministra oficina de . Foto:Reprodução do Facebook

Atriz Augusta Ferraz ministra oficina A Narrativa do Contador de Histórias na Construção da Personagem

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Fotos: Reprodução do Facebook

A extensão do ator solitário e a amplitude ensejada pelo palco são ganchos da 9ª Mostra Capiba de Teatro, do Sesc Casa Amarela, que aglutina nove espetáculos de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Sergipe. Em comum, as questões que pulsam na contemporaneidade na construção dessas figuras que abarcam universos tão distintos. O braço formativo do evento é destaque com o oferecimento de três oficinas, duas delas voltadas para o intérprete, além de uma aula-espetáculo. A atriz Augusta Ferraz vai tratar de A Narrativa do Contador de Histórias na Construção da Personagem, que vislumbra compreensão psicológica e afetiva da alma da personagem, entre os dias 18 e 21. O investimento é de R$ 20.

O Ator no Século XXI – Uma proposta de encontro entre o Ocidente e o Oriente, comandada por Samir Murad, combina as técnicas de yoga, taichichuen, kempô e meditações ativas na busca de proporcionar novas experiências corporais, vocais e emocionais nos intérpretes.  Nos dias 22 e 23 de outubro. O investimento também é de R$ 20. Samir também participa da programação de espetáculo com a encenação Para Acabar de Vez com o Julgamento de Artaud.

A terceira oficina desta edição do Capiba é o Ateliê de Crítica e Reflexão Teatral, com as jornalistas e críticas Luciana Romagnolli e Ivana Moura. Busca fomentar o olhar crítico a partir de exercícios práticos e da teoria teatral. O programa ocorre entre os dias 17 a e 21. Neste a inscrição é gratuita. As vagas para todas as atividades são limitadas.

Além das três oficinas, haverá a aula-espetáculo Como era bonito lá, na segunda-feira (17), às 14h, com a atriz, diretora, pesquisadora e professora Nara Keiserman. A entrada é gratuita e a ação acontece no Teatro Capiba.

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Espetáculo é uma ode aos textos de amor de Caio Fernando Abreu. Foto: Demetrio Nicolau / Divulgação

A Mostra começa na sexta-feira (14/10) com No Se Puede Vivir Sin Amor, da companhia carioca Atores Rapsodos. Na peça, a atriz Nara Keiserman celebra a obra de seu amigo e conterrâneo, Caio Fernando Abreu (1948-1996), e como sugere o título tem os escritos de amor como foco. A atriz reúne textos como Metâmeros, Mergulho II, Como Era Verde Meu Vale, Fotografias e Creme de Alface, além de textos inéditos escritos especialmente para ela. A direção é de Demétrio Nicolau.

“A Mostra Capiba surgiu sem grandes pretensões, para agregar valor à programação do Teatro Capiba, do Sesc Casa Amarela. Um teatro pequeno, de estrutura técnica limitada. Mas, aos poucos foi ganhando dimensão, recebendo a produção do estado e do Brasil”, explica o encenador José Manoel Sobrinho, gerente de Cultura do Sesc Pernambuco. “Na última versão serviu como espaço para a pré-estreia do espetáculo Ledores do Breu, da paulistana Companhia do Tijolo. Uma Mostra para espetáculos solo, espaço para experimentações mais individuais. Local de trocas e vivências e que tem servido como ambiente para se pensar o teatro em seus vários aspectos” pontua o diretor.

A programação prossegue com O Açougueiro, defendido por Alexandre Guimarães, sobre sonhos individuais e o poder do preconceito social para empurrar pessoas para o abismo e destruir vidas;  A Mulher Monstro, inspirada em texto de Caio Fernando Abreu e que trata dos demônios conservadores, discriminatórios e a visão equivocada (para melhor) de si mesma. A protagonista interpretada por José Neto Barbosa transita por esse Brasil atual, tão potente de ódio e hipocrisias.

Também estão na programação Histórias Bordadas em Mim, em que a atriz Agrinez Melo passeia por sua biografia com leveza e humor. Já Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés, com a atriz Hilda Torres, leva ao palco a trajetória da militante paraguaia Soledad Barrett Viedma (1945-1973), que foi morta no Recife durante o regime militar. A Receita, com Naná Sodré, percorre as inquietações de uma mulher oprimida, que na cozinha prepara sua libertação. Com elementos de teatro de objetos, Diógenes D. Lima faz de Olinda e Recife um casal muito engraçado em O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros.

Abalo sensorial 

O dramaturgo, ensaísta, ator e diretor de teatro, o francês Antonin Artaud compreendia que arte e vida estão emaranhadas pela mesma força metafísica. A arte para ele é algo para ser vivido. O ator Samir Murad, da companhia carioca Cambaleei, Mas Não Caí, segue essa vertente no monólogo performático Para Acabar de Vez com o Julgamento de Artaud.  A peça mistura cartas, poemas, manifestos e pensamentos do artista, que por suas ideias foi internado por nove anos em manicômios na França. A peça explora sua relação com o movimento surrealista, o teatro, as drogas, a política e o misticismo.

No encerramento, a Mostra terá Vulcão em que Diane Velôso defende o papel de uma cantora de punk rock que tem um surto mental dissociativo durante um show e mergulha em delírios poéticos, misturando lembranças, desejos e a dura realidade. A direção é do carioca, Sidnei Cruz e a dramaturga é de Lucianna Mauren.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Nara. Foto: Demétrio

Atriz Nara Keiserman. Foto: Demetrio Nicolau / Divulgação

14/10 – (Sex) – No Se Puede Vivir Sin Amor – (Atores Rapsodos) – Rio de Janeiro –   RJ
Quando: Nesta sexta, às 20h
Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410
Duração: 60’
Classificação etária: 16 anos
Sinopse:
O espetáculo é uma homenagem da atriz Nara Keiserman ao seu amigo e conterrâneo, Caio Fernando Abreu. O trabalho nasceu de pesquisa artística e acadêmica conectada ao tema Teatro e Espiritualidade.
A amizade entre a atriz e o autor determinou alguns aspectos do trabalho, como a predominância do tom afetivo e a escolha dos textos, tematizando o amor e seus derivativos.
No se puede vivirsin amor promove um momento para além do cotidiano, em que a energia promovida pela imantação da cena alcança o espectador. Nara Keiserman pontua: “É claro que sei de cor (de coração) os textos do Caio que escolhi e que são os que mais gosto. Mas os movimentos que vou fazer, o modo como vou falar, como vou cantar melodias que são como sortilégios, são resultado do aqui-agora e acredito que o que partilhamos durante o acontecimento teatral corresponde ao que todos nós, juntos, estamos precisando viver naquele momento preciso.”
Ficha Técnica
Textos: Caio Fernando Abreu
Dramaturgia e atuação: Nara Keiserman
Direção, Iluminação e Arte: Demetrio Nicolau
Cinografia e Figurino: Carlos Alberto Nunes
Orientação Musical: Alba Lírio
Maquiagem: Mona Magalhães
Fotos: Demetrio Nicolau
Filmagem: Daniel Ribeiro
Assessoria de Imprensa: Sheila Gomes
Mídias Sociais: Marina Murta
Produção e Realização: Atores Rapsodos

Alexandre Guimarães. Foto:

Ator Alexandre Guimarães. Foto: Divulgação

15/10 – (Sab) – O Açougueiro – (Alexandre Guimarães) – Recife – PE
Quando: Sábado, às 20h
Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410
Duração: 45’
Classificação etária: 16 anos
Sinopse:
Boi de cercado, boi de abate, carro de boi e o amor proibido entre o açougueiro Antônio, homem simples, cujo sonho de infância era ter um açougue para matar a fome, e a jovem Nicinha. O ator se desdobra em sete personagens para narrar, entre aboios e toadas, uma história de paixão e intolerância que pode se passar na aridez do sertão pernambucano ou, em qualquer lugar, onde a dor e o preconceito são o prato principal das relações.
Ficha Técnica
Intérprete: Alexandre Guimarães
Texto, encenação e plano Luz: Samuel Santos
Preparação vocal: Nazaré Sodré
Preparação corporal e figurino: Agrinez Melo
Maquiagem: Vinicius Vieira
Fotos/Ilustração: Lucas Emanuel

Foto: Ivana Moura

Ator José Neto Barbosa. Foto: Ivana Moura

16/10 – (Dom) – A Mulher Monstro – (S.E.M Cia. de Teatro – Sentimento, Estética e Movimento) – Natal/Recife – RN/PE
Quando: Domingo, às 20h
Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410
Duração: 60’
Classificação etária: 16 anos
Sinopse:
Uma mulher perseguida pela sua própria visão intolerante da sociedade, com características infelizmente não singulares a milhares de brasileiros. Racista, machista, sexista, gordofóbica, homofóbica, reacionária e fundamentalista religiosa são alguns dos adjetivos que descrevem a burguesa decadente. Apesar de seu pensamento político equivocado, A Mulher Monstro ainda sim é uma humana com suas inquietudes e peculiaridades como qualquer pessoa.
A protagonista apresenta dificuldades nas relações, sem saber lidar com a solidão. Vive uma traição e rejeição do marido diagnosticado com câncer. Além de não superar a morte do único filho, vítima de seu preconceito. Ela insiste em não aceitar emergências sociais, as questões políticas ou até mesmo pessoais: como por exemplo, sua própria idade, um governo progressista ou sua atual condição financeira.
A obra é baseada no conto Creme de Alface, de Caio Fernando Abreu, escrita em 1975, em plena ditadura militar, mas só publicado em 1995.
Ficha Técnica
Dramaturgia, encenação e atuação: José Neto Barbosa
Iluminação: Sergio Gurgel Filho e José Neto Barbosa
Maquiagem: Diógenes e José Neto Barbosa
Cenografia e figurino: José Neto Barbosa
Assistência de cenografia: Anderson Oliveira e Diego Alves
Sonoplastia: Diógenes, Mylena Sousa e José Neto Barbosa
Registro: Mylena Sousa
Produção: SEM Cia de Teatro

Agri Melo em tom confessional. Foto: Rubens Henrique/ Divulgação

Agri Melo em tom confessional. Foto: Rubens Henrique/ Divulgação

17/10 – (Seg) – Histórias Bordadas em Mim – (Agrinez Melo – Doceagri) – Recife – PE
Quando: Segunda, às 20h
Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410

Duração: 60’
Classificação etária: Livre
Sinopse:
Um baú, uma borboleta e uma conversa… é assim que se inicia Histórias Bordadas em Mim. Um convite para um chá acompanhado de tareco e um alinhavar de histórias reais, vividas no passado e no presente. A personagem é por acaso a própria atriz e sentada em um baú conta histórias que viveu em sua vida, bebe da fonte de uma pesquisa no griot, povo ancestral que passava conhecimento através da oralidade, vai através da narrativa e numa proposta de encenação enxuta, incluindo o público em suas histórias. Uma pausa para um chá, uma musica e um mergulho nas histórias de alegrias, amor, dor, morte, vida e saudade…

Ficha técnica
Atuação, Produção, Dramaturgia, Figurino, Cenografia e Direção: Agrinez Melo
Assessoria em Dramaturgia: Ana Paula Sá
Assessoria em Direção: Naná Sodré, Quiercles Santana e Samuel Santos
Concepção Musical e Sonoplastia: Cacau Nóbrega
Assessoria em toadas: Maria Helena Sampaio (YaKêkêrê do Terreiro Ilê Oba Aganju Okoloyá)
Maquiagem: Vinicius Vieira
Execução Figurino: Agrinez Melo e Vilma Uchôa
Aderecista: Álcio Lins
Cenotécnico: Felipe Lopes
Foto, Áudio e Filmagem de teaser campanha do catarse: Lucas Hero
Direção e edição de vídeo teaser campanha catarse: Taciana Oliveira (Zest Artes e Comunicação)
Assistente de produção: Nayara Oliveira
Designer: Curinga Comuniquê
Filmagem do espetáculo na integra:Aratu Produções
Fotografia: Rubens Henrique

Naná Sodré. Foto: Thais Lima.

Naná Sodré defende papel que engloba as mulheres humilhadas do mundo. Foto: Thais Lima.

18/10 – (Ter) – A Receita – (O Poste Soluções Luminosas) – Recife – PE
Quando: Terça, às 20h
Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410

Duração: 40’
Classificação etária: 16 anos
Sinopse
A todas as mulheres do mundo! Grita com o corpo a atriz Naná Sodré, na obra tragicômica que descreve um universo de uma mulher num processo de libertação. Num acerto de contas, a anônima confessa como passou a maior parte do tempo temperando suas ilusões com sal, alho e coentro com cebolinha… até mesmo em momentos desatinados. O espetáculo funciona como um refletor que revela as situações vividas no ambiente domiciliar/social de várias mulheres pelo mundo a fora.

Ficha Técnica
Direção, autoria, adereços, sonoplastia e iluminação: Samuel Santos
Atuação, figurino e maquiagem: Naná Sodré
Técnica em rolamento: Mestre Sifu Manoel

Hilda Torres. Foto: Rick de Eça

Hilda Torres assume papel de guerrilheira paraguaia. Foto: Rick de Eça

19/10 – (Qua) – Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés – (Cria do Palco) – Recife – PE19.10 –
Quando: Quarta, às 20h
Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410
Duração: 70’
Classificação etária: 14 anos
Sinopse:
O espetáculo conta a história de Soledad Barrett Viedma (1945-1973), militante paraguaia, que após ter lutado na América Latina, vem militar no Brasil. No Recife, teve sua história de luta contra as opressões de classes sociais e em busca de liberdade e igualdade, interrompida. A obra, não assume tão somente um caráter memorialista e de denúncia, mas sobre algo que se quer contar hoje, traçando uma analogia com os períodos políticos do regime militar e o presente.

Ficha Técnica:
Atriz, idealizadora e coordenadora do Projeto: Hilda Torres
Direção: Malú Bazán
Dramaturgia: Hilda Torres e Malú Bazán
Pesquisa histórica: Hilda Torres, Márcio Santos e Malú Bazán
Pesquisa cênica: Hilda Torres e Malú Bazán
Concepção de cenário e figurino: Malú Bazán
Execução de cenário e figurino: Felipe Lopes e Maria José Lopes (Lopes Designer)
Iluminação: Eron Villar
Operação de luz: Eron Villar, Gabriel Feliz e Nadjecksom Lacerda
Direção musical: Lucas Notaro
Operação de som: Márcio Santos
Arte visual: Ñasaindy Lua (filha de Soledad)
Teaser: Ivich Barrett (neta de Soledad)
Vídeo: Flávia Gomes
Diagramação: Pedro Xavier
Assessoria de imprensa: Márcio Santos
Consultoria do idioma guarani: Adrián Morínigo Villalba
Produção: Márcio Santos
Realização: Cria do Palco.

Foto: Tony Rodrigues

Diógenes D. Lima Foto: Tony Rodrigues

20/10 – (Qui) – O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros – (Cia. de Artes Cínicas com Objetos) – Recife – PE
Quando: Quinta, às 20h
Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410
Duração: 60’
Classificação etária: 16 anos
Sinopse:
O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros é um espetáculo que utiliza-se da linguagem do teatro de objetos para contar uma versão histórica/fictícia sobre as cidades de Olinda e Recife. Na trama, estas cidades são um casal (Olinda, a mulher e Recife, o homem) que com a chegada de forasteiros exploradores (Portugal e Holanda), se vêem corrompidos por sentimentos de ganância e cobiça.
Ficha Técnica
Texto e Atuação: Diógenes D. Lima
Supervisão Artística: Marcondes Lima e Jaime Santos
Coreografias: Jorge Kildery
Adereços: Triell Andrade e Bernardo Júnior
Iluminação: Jathyles Miranda
Execução de Iluminação: Rodrigo Oliveira
Execução de sonoplastia: Junior Melo
Programação Visual: Arthur Canavarro
Fotografia: Ítalo lima, Toni Rodrigues, Sayonara Freire e Sócrates Guedes
Cenotécnico: Gustavo Oliveira
Assessoria de impressa: Cleyton Cabral
Coordenação de Produção: Luciana Barbosa

Samir. Foto: Reprodução da Internete

Samir Murad leva Artaud ao palco. Foto: Reprodução da Internet

21/10 – (Sex) – Para Acabar de Vez com o Julgamento de Artaud – (Cia. Cambaleei, mas não caí…) – Rio de Janeiro – RJ
Quando: Sexta, às 20h
Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410
Duração: 60’
Classificação etária: 16 anos
Sinopse:
Solo-performático-processual, que tem como argumento básico, a narrativa de algumas passagens de distintos momentos da vida de Antonin Artaud, supostamente reveladores de sua trama pessoal, que são transportados para a cena a partir de possibilidades de linguagem vislumbradas pelo próprio Artaud.
A valorização do trabalho do intérprete, toma forma a partir de experimentações corporais e textuais que se inspiraram em técnicas e conceitos orientalistas e se desdobra em outros elementos da cena, tais como os objetos, as projeções e a música, que devem funcionar com extensão do universo simbólico, proposto pelo foco inicial centrado no ator.
Ficha técnica
Textos: Antonin Artaud
Concepção, Atuação e Trilha Sonora: Samir Murad
Supervisão: Paulo Cerdeira
Cenário original: Milena Vugman
Figurino: Pamela Vicenta
Reazlização: Cia. Cambaleei, mas não caí…

Foto: Marcelino Hora

Atriz Diane Velôso. Foto: Marcelino Hora

22/10 – (Sab) – Vulcão – (Grupo Caixa Cênica) – Aracaju – SE
Quando: Sábado, às 20h
Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410
Duração: 40’
Classificação etária: 14 anos
Sinopse:
Os 20 cantos que compõem a cerimônia teatral Vulcão podem ser apreciados como fotogramas descontínuos, como flaches autônomos de um diário sobre o subterrâneo da alma humana no purgatório do teatro. Oferecemos ao público uma experiência de vivência de uma espécie de teatro primordial – um meio de expansão do imaginário através do corpo, do som, da palavra, da respiração, do silêncio e da música – onde os espectadores entram em contato com a matéria da poesia, cujo mistério transborda pelas veias do sublime.

Ficha Técnica:
Atuação: Diane Velôso
Direção: Sidnei Cruz
Assistência de Direção: Olga Gutierrez e Amanda Steinbach
Texto: Lucianna Mauren
Iluminação: Sergio Robson
Produção: Nah Donato e Diane Velôso
Figurino: Vivy Cotrim e Roberto Laplagne
Sombrinha: Luna Safira
Adereço de cabeça: Roberto Laplagne
Cenário: Sidnei Cruz, Denver Paraízo e Manoel Passos Filho
Arte plástica: Fábio Sampaio
Fotografia de espetáculo e foto design: Marcelinho Hora
Arte design: Gabi Etinger
Trilha sonora: Alex Sant’Anna e Leo Airplane
Operador de luz: Audevan Caiçara
Operação Audiovisual, Vídeo e Assessoria: Manoela Veloso Passos Colaboração: Maicyra Leão
Produção PE: Fabiana Pirro

  • Todos os espetáculos acontecem no Teatro Capiba, no SESC Casa Amarela, às 20h.

AÇÕES FORMATIVAS

Aula-Espetáculo

Como Era Bonito Lá – Nara Keiserman
A Aula-Espetáculo parte de uma versão sintetizada do espetáculo Como Era Bonito Lá, em que são expostos os modos de criação e antecedentes do trabalho e trechos encenados dos contos e cartas relacionadas.

Nara Keiserman
É atriz, diretora, pesquisadora e professora na Escola de Teatro da UNIRIO. Atriz e co-fundadora do Núcleo Carioca de Teatro (1991 – 2001), dirigido por Luís Artur Nunes. Diretora artística do grupo Atores Rapsodos (desde 2000). Preparadora Corporal e Diretora de Movimento da Companhia Pop de Teatro Clássico (desde 1999), no Rio de Janeiro.
Mestre em Teatro pela USP, com a dissertação A preparação corporal do ator – uma proposta didática e Doutora pela UNIRIO, com a tese Caminho pedagógico para a formação do ator narrador. Pós-doutorada na Universidade de Lisboa, com pesquisa sobre Aspectos da cena narrativa portuguesa contemporânea.
Desenvolve Pesquisa Institucional na UNIRIO, denominada Ator rapsodo: pesquisa de procedimentos para uma linguagem gestual. Professora Associada  na Escola de Teatro da UNIRIO, responsável pelas disciplinas de Movimento na Graduação e professora efetiva na Pós-Graduação.
Tem artigos publicados em revistas especializadas e ministra Cursos, Oficinas e Workshops sobre o Teatro Narrativo e sobre o Corpo Infinito do Ator.

Quando: 17/10 – (seg), às 14h
Local: Teatro Capiba

OFICINAS

A Narrativa do Contador de Histórias na Construção da Personagem – Augusta Ferraz

Oficina direcionada para o ator-narrador. O ator contador de histórias. O intérprete que se utiliza das três pessoas do singular (eu, tu e ele), do tempo presente, para narra/contar a mesma história por óticas diferenciadas. O foco é buscar na narrativa do contador de histórias a compreensão psicológica e afetiva da alma da personagem.

Quando: 18 a 21 – (ter a sex), das 9h às 12h
Local: Sala de Dança
Vagas: 10 alunos
Publico dirigido: estudantes e artistas de teatro
Inscrição pelo Link:
https://docs.google.com/forms/d/12-UZ3s2JLGQuUGIwWZoMeD535kOTnDkz33VqbmowHOo/edit

O ATOR NO SÉCULO XXI – Uma proposta de encontro entre o Ocidente e o Oriente – Samir Murad

É a partir dessa premissa artaudiana que o curso será pautado. Com  um intenso trabalho físico e vocal utilizando técnicas psicofísicas direcionadas para o trabalho do Ator, tais como Yoga, Taichichuen, kempô e meditações ativas, tendo como referências os trabalhos desenvolvidos por Peter Brook, Grotowski, Eugenio Barba e Tadeus Kantor, o aluno-ator será levado a experienciar novas possibilidades expressivas corporais, vocais e emocionais, estabelecendo novos limites, desconstruindo barreiras e edificando uma nova base interna mais íntegra e essencial para a sua atuação.

Quando: 22 e 23 – (sab e dom), das 9h às 12h
Local: Sala de Dança – Sesc Casa Amarela
Vagas: 15 alunos
Público dirigido: estudantes e artistas de teatro
Inscrição pelo Link:
https://docs.google.com/forms/d/1nuPQ4Hbdld0UKuxqYRybjtXDCBuRxsQ5j3Io1BqSfRk/edit

Ateliê de Crítica e Reflexão Teatral – Luciana Romagnolli e Ivana Moura

O Ateliê de Crítica e Reflexão Teatral é um espaço de encontro para a discussão crítica sobre teatro e para o exercício da escrita de textos críticos a partir da programação da Mostra Capiba de Teatro, realizada pelo Sesc Casa Amarela, no Recife. O objetivo do ateliê é desenvolver o pensamento crítico e teórico sobre teatro, propiciar olhares sobre a produção cênica pernambucana e proporcionar experiências práticas de crítica que possam reverberar para além dos encontros. As discussões contemplam apontamentos sobre a história e o presente da crítica de teatro no Brasil, o contexto recifense, a função da crítica, os problemas dos juízos de valor, da verdade e da produção de subjetividade, e questões sobre o teatro contemporâneo e o lugar do espectador.

Quando: 17 a 21 – (seg e sex), das 14h às 18h
Local: Cineclube Coliseu
Vagas: 15 alunos
Publico dirigido: artistas de teatro, curadores, programadores, jornalistas, estudantes
Inscrição pelo Link:
https://docs.google.com/forms/d/1383c1symrs2ByZrCFvMJdTqBVuBv6zxmEOxPEZAYnms/edit

SERVIÇO

Mostra Capiba – De 14 a 22 de outubro

Onde: Teatro Capiba. SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190. Bairro: Mangabeira)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10
teatrocapiba@gmail.com
81 – 3267-4410

teatrocapiba@gmail.com

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Tempo de provocação no FILO

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Toda violência será desnudada no espetáculo argentino La Wagner. Foto: Paola Evelina Gallarato

“Ela é muito liberta, não é mais virgem e me confessou que os pais nem se incomodam”, foi o comentário carregado de preconceito de uma “dona” sobre o comportamento de uma garota linda, negra e pobre. Em outra ocasião, quando reproduzi uma indiscrição de um amigo de sua filha – de que a criatura bela, branca e de poder aquisitivo estava pegando uma menina, enquanto o namorado viajava ao Rio – essa mesma criatura asseverou que sua filhota era livre e podia exercer sua sexualidade como bem entendesse.

Essas interpretações bem diferentes sobre o exercício pleno do feminino me veio à cabeça com a história da peça argentina La Wagner, em cartaz nesta sexta-feira e sábado no Festival Internacional de Londrina – FILO 2016, no norte do Paraná. A obra foi apresentada na 17ª edição do Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília, em agosto. E no Cena Cumplicidades de 2015, em novembro, no Recife.

As bailarinas de Paul Rotemberg em La Wagner são mais guerreiras do que meigas donzelas. A música e aspectos da vida íntima do controverso compositor alemão Richard Wagner são explorados na encenação que articula quatro mulheres nuas, como quatro Valquírias. Elas se empenham na tarefa de desmanchar estereótipos de feminilidade, sexualidade, erotismo,  pornografia e submissão à violência masculina, em sequências em que esses elementos estão juntos ou separados.

Na peça, o coreógrafo impulsiona as bailarinas ao limite do poder expressivo de seus corpos e a transcender o próprio sexo e nudez. Ayelen Clavin, Carla Di Grazia, Josefina Gorostiza e Carla Rimola são torcidas violentamente, caem, se chocam, levantam-se e voltam novamente a colidir dentro de uma dinâmicos de excessos. Em solos, duetos , trios ou quartetos , assumem papéis de homens ou mulheres, agressor ou golpeado.

O diretor explora sentimentos de rejeição e aceitação sobre os papéis e amplia como denúncia o olhar machista ou misógino sobre as mulheres.

Eduardo Dussek . Foto Divulgação

Eduardo Dussek . Foto Divulgação

O showman Eduardo Dussek carrega um humor irreverente, um deboche refinado e um romantismo pungente para suas canções há 40 anos. De carreira multifacetada, ele ataca nas frentes da música, da televisão e do teatro, como cantor e compositor, ator, autor, diretor. Suas aparições são divertidas e performáticas e nesta sexta-feira ele é o protagonista do “grande show”, que marca os 48 anos do FILO 2016. Sucessos dos anos 1980 e 90, além de músicas novas estão no repertório com rock, pop, MPB, marchinhas e sambas carnavalescos.

O Filo começou sexta-feira, 26 de agosto e segue até 11 de setembro com 64 apresentações de 33 espetáculos. Ao todo são 17 dias de apresentações de teatro, dança, circo e música. Sendo quatro encenações internacionais, 20 montagens nacionais e nove peças de grupos londrinenses.

O ator Matheus Nachtergaele com seu Processo de Conscerto do Desejo, que esteve no Recife durante o Janeiro de Grandes Espetáculo deste ano, abriu a programação do FILO 2016.

O Evangelho, com Renata Carvalho. Foto: Lilian Fernandes

Renata Carvalho interpreta um Jesus transgênero. Foto: Lilian Fernandes

Mas o festival esquentou com a polêmica estreia nacional de O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, da companhia paulista Queen Jesus BR, exibida no final de semana (27 a 29 de agosto).

A peça já nasceu controversa desde que estreou em 2009 na Escócia e provocou protesto de conservadores, com mensagens como “Deus: Meu filho não é um pervertido”. O texto da dramaturga Jo Clifford, recria histórias bíblicas com uma “inclinação diferente”, com um Jesus transgênero.

Apresentada dentro da Capela Ecumênica da Universidade Estadual de Londrina (UEL) O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu acendeu a revolta de católicos e evangélicos em Londrina. Tanto o Conselho de Pastores Evangélicos quanto a Arquidiocese de Londrina tentassem censurá-la.

A atriz e professora Renata Carvalho defende uma Jesus brasileira, travesti , ambígua e multifacetada, que denuncia o preconceito e a intolerância. A diretora Natália Mallo, que assistiu ao espetáculo na Escócia e fez uma adaptação em parceria com Jo Clifford e Susan Worsfold, diretoras da obra original, quer viajar com a peça pelo Brasil. Já tem agenda em São Paulo, no mês que vem. E uma apresentação especial num festival de arte LGBT em Belfast, na Irlanda do Norte.

Em nota, a organização do Filo afirma que “repudia os atos de intolerância que a produção do espetáculo tem recebido em Londrina, uma vez que prega justamente o contrário: o amor e o respeito ao próximo”.

A peça atualiza passagem como o Bom Samaritano, o Filho Pródigo, a Mulher Adúltera e a Última Ceia para o universo da diversidade sexual. A atriz finaliza sua performance denunciando o assassinado de duas travestis em Londrina, notícia que não ganhou espaço de destaque na grande mídia, nem mobilizou manifestações.

Para o diretor do FILO, Luiz Bertipaglia, o papel do Festival é esse mesmo, de provocar reflexões. “Pensamos em espetáculos que instigassem as pessoas a refletirem sobre o que a sociedade está vivenciando”.

O coreógrafo e bailarino francês Fabrice Lambert (l’Expérience Harmaat), aterrissa no FILO com o espetáculo Nervures, nos dias 3 e 4 de setembro. A montagem, que circula por várias cidades pelo projeto France Dance Brasil 2016, traça um jogo com um móbile criado pelo artista Xavier Veilhan. A montagem não virá ao Recife.

Hyperterrestres é um espetáculo do que vai compor o CenaCumplicidades, festival dirigido por Arnaldo Siqueira. Foto: Emilie Renck

Hyperterrestres  vai compor o Cumplicidades, festival dirigido por Arnaldo Siqueira. Foto: Emilie Renck

Mas a operação FranceDanse, concebida pelo Institut français, vai enviar à capital pernambucana os espetaculos Hyperterrestres – uma viagem nas profundezas de si e do esquecimento, com coreografia e interpretação de Benoît Lachambre e Fabrice Ramalingom. E Accidens (Ce qui arrive) que explora a onipresença magnética do corpo atormentado e desarticulado do bailarino Samuel Lefeuvre. O primeiro está agendado para ser exibido no dia 1º de novembro, e o segundo no dia 2 de novembro, ambos na programação do Festival Cumplicidades, dirigido por Arnaldo Siqueira.

A terceira obra programada para o Recife do France Dance Brasil 2016 é o Conférence Dansée, uma particular história da dança contada e bailada por Fabrice Ramalingom, a ser mostrado nos dias 2 e 3 de novembro, na Aliança Francesa do Recife.

Da programação de Londrina estão ainda o Caranguejo Overdrive, peça do grupo carioca Aquela Companhia que recebeu três prêmios Shell Rio de Janeiro e a montagem da Cia Livre (SP), Maria que Virou Jonas ou A Força da Imaginação, da diretora Cibele Forjaz.

O Açougueiro, com Alexandre faz duas apresentações no FILO

O Açougueiro, com Alexandre Guimarães faz duas apresentações no FILO

Nos dias 7 e 8 de setembro Alexandre Guimarães apresenta O Açougueiro. A montagem pernambucana se debruça sobre a história de Antônio, um cara que sonha em fugir do fantasma da fome virando empresário da carne. Mas a paixão por uma prostituta dificulta seus planos devido a intolerância da sociedade. Entre aboios e toadas, o ator se desdobra em sete personagens.

Toda a programação do FILO 2016 pode ser conferida no site www.filo.art.br.

Serviço
Festival Internacional de Londrina – FILO 2016
De 26 de agosto a 11 de setembro
Realização: Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná e Universidade Estadual de Londrina
Patrocínio: Petrobras, Governo Federal, Prefeitura de Londrina / Secretaria Municipal da Cultura / Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), Universidade Estadual de Londrina, Unimed Londrina, Horizon – John Deere.
Ingressos: Ponto de vendas no Royal Plaza Shopping (Rua Mato Grosso, 310) e pela internet: www.diskingressos.com.br.
Valor: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada).
Informações: www.filo.art.br

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Indicados do Janeiro 2016

A entrega do Prêmio Apacepe de Teatro e Dança do 22º Janeiro de Grandes Espetáculos será na quinta-feira, no Teatro de Santa Isabel

Entrega do Prêmio Apacepe do 22º Janeiro de Grandes Espetáculos será na quinta-feira, no Teatro de Santa Isabel

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSS O Prêmio Apacepe de Teatro e Dança das edições do Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco é um dos poucos legitimadores da construção de valor dos espetáculos no estado. É um processo complexo esse da consagração. Embora o teatro por aqui não possa ser comparado à arte contemporânea enquanto estatuto de mercado. É uma premiação amada e odiada pelos próprios artistas. Of course. O resultado também não está embutido da projeção que os filmes pernambucanos recebem quando abiscoitam prêmios pelo mundo afora (e tem tanto festival de cinema, que é uma beleza). É o que pessoal do teatro daqui tem para seus escambos simbólicos.

Então, quinta-feira, a partir das 19h30, no Teatro de Santa Isabel, com entrada franca, serão conhecidos os eleitos como os melhores dessa 22ª edição. Um show com o Maestro Spok, com participação especial do Véio Mangaba, vai animar a cerimônia, que este ano não será seguida de festa, por questões de custos, segundo os organizadores.

O Festival ficou mais enxuto este ano, com 64 apresentações contra mais de 100 do ano passado. Segundo informações da assessoria o público passou de 12 mil pessoas no Recife, mais 3 mil pelo Circuito BNDES de Música (Recife, Caruaru, Goiana e Olinda), além de 1 mil pessoas nas atividades extras (oficinas, leituras dramatizadas, saraus, lançamento de revista e livros, etc.).

A turma responsável pela felicidade de uns e tristeza de outros é composta pelo encenador e dramaturgo Fernando Limoeiro e pelas atrizes Magdale Alves e Maria Rita Freire Costa. O trio integra a comissão julgadora de Teatro (Adulto e Infância). Já a de dança é formada pelas bailarinas e coreógrafas Sandra Rino, Mônica Lira e Maria Paula Costa Rêgo.

O assessor de imprensa Leidson Ferraz lembra que o Teatro de Santa Isabel não permite entrada de espectadores que estejam de short ou camiseta.

Essa regra, que deve ter sido baixada no Segundo Império (isso é uma ironia), precisa ser revista.

 

PRÊMIO APACEPE DE TEATRO E DANÇA 2016

INDICAÇÕES TEATRO ADULTO

MELHOR ESPETÁCULO
Em Nome do Pai – REC Produtores Associados – Recife/PE
Luas de Há Muito Sóis – Papelão Produções e Projeto Fafe Cidade das Artes – Recife/PE/Fafe/Portugal
O Açougueiro – Produção Alexandre Guimarães – Recife/PE
Sistema 25 – Grupo Cênico Calabouço e Grupo Teatral Risadinha – Recife/Camaragibe/PE
Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés – Cria do Palco – Recife/PE

MELHOR DIRETOR
Cira Ramos Em Nome do Pai
José Manoel Sistema 25
Malú Bazan Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés
Moncho Rodriguez Luas de Há Muito Sóis
Samuel Santos O Açougueiro 

MELHOR ATOR
Alexandre Guimarães O Açougueiro
Cláudio Ferrario A Invenção da Palavra
Marcelino Dias Angelicus Prostitutus
Tatto Medinni Jr.
Walmir Chagas Saudosiar… A Noite Insone de Um Palhaço…

MELHOR ATRIZ
Hilda Torres Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés
Marina Duarte Luas de Há Muito Sóis
Nilza Lisboa Obsessão

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Antônio Rodrigues Salmo 91
Carlos LiraAngelicus Prostitutus
Emanuel David D’lucardSistema 25
Neemias Dinarte Sistema 25
Robson QueirozSistema 25

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Luciana LemosAngelicus Prostitutus
Lucrécia ForcioniAngelicus Prostitutus
Natascha Falcão Luas de Há Muito Sóis

ATOR REVELAÇÃO
André Xavier Sistema 25
Filipe Enndrio Cabaré Diversiones
Glauco Bellardy Abraço – Nunca Estaremos Sós
Mateus Maia Abraço – Nunca Estaremos Sós

ATRIZ REVELAÇÃO
Danielle Sena Abraço – Nunca Estaremos Sós
Duda Martins Abraço – Nunca Estaremos Sós
Lívia Lins Abraço – Nunca Estaremos Sós

MELHOR SONOPLASTIA OU TRILHA SONORA
Narciso Fernandes Luas de Há Muito Sóis
Narciso Fernandes e Walmir Chagas Saudosiar… A Noite Insone de Um Palhaço…
Samuel Lira Sistema 25
Vitor Bertonny e Leila Chaves Abraço – Nunca Estaremos Sós

MELHOR ILUMINAÇÃO
Dado Sodi Em Nome do Pai
Luciana Raposo Angelicus Prostitutus
Luciana Raposo Sistema 25
Moncho Rodriguez Luas de Há Muito Sóis
Samuel Santos O Açougueiro

MELHOR CENÁRIO
Antônio Rodrigues Salmo 91
Célio Pontes Angelicus Prostitutus
Malú Bazan Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés
Moncho Rodriguez Saudosiar… A Noite Insone de Um Palhaço…
O Grupo Sistema 25

MELHOR FIGURINO
Célio Pontes Angelicus Prostitutus
Henrique Celibi Cabaré Diversiones
Marília Martins A Invenção da Palavra
Moncho Rodriguez Luas de Há Muito Sóis
Nildo Garbo A Visita

MELHOR MAQUIAGEM
Vinícius Vieira O Açougueiro
Célio Pontes Angelicus Prostitutus

O JÚRI CRIOU UM PRÊMIO ESPECIAL

CORPO DE JURADOS:
Fernando Antônio de Mélo (Fernando Limoeiro):
Magdale Alves
Maria Rita Freire Costa
Coordenação/Produção de Júri: Augusta Ferraz

INDICAÇÕES – TEATRO PARA A INFÂNCIA

MELHOR ESPETÁCULO
Cavaco e Sua Pulga Adestrada – Caravana Tapioca – Recife/PE
Sebastiana e Severina – Teatro Kamikase – Olinda/PE

MELHOR DIRETOR
Helder Vasconcelos Cavaco e Sua Pulga Adestrada
Claudio LiraSebastiana e Severina

MELHOR ATOR
Fábio Caio Sabores e Saberes do Milho
Anderson Machado Cavaco e Sua Pulga Adestrada

MELHOR ATRIZ
Zuleika Ferreira Sebastiana e Severina
Célia Regina – Sebastiana e Severina

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Apenas uma indicação

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Apenas uma indicação

ATOR REVELAÇÃO
Não há Indicados para esta categoria

ATRIZ REVELAÇÃO
Não há Indicadas para esta categoria

MELHOR SONOPLASTIA OU TRILHA SONORA
Fernando Escrich Sabores e Saberes do Milho
Adriana Millet Cavaco e Sua Pulga Adestrada
Demétrio RangelSebastiana e Severina

MELHOR ILUMINAÇÃO
Apenas uma indicação

MELHOR CENÁRIO
Fábio CaioSabores e Saberes do Milho
Anderson MachadoCavaco e Sua Pulga Adestrada
Marcondes LimaSebastiana e Severina

MELHOR FIGURINO
Fábio CaioSabores e Saberes do Milho
Luciano PontesCavaco e Sua Pulga Adestrada
Marcondes LimaSebastiana e Severina

MELHOR MAQUIAGEM
Apenas uma indicação

CORPO DE JURADOS:
Fernando Antônio de Mélo (Fernando Limoeiro)
Magdale Alves
Maria Rita Freire Costa
Coordenação/Produção de Júri: Augusta Ferraz

INDICAÇÕES – DANÇA

MELHOR ESPETÁCULO
Bailaora – Cia. Karina Leiro – Recife/PE
Fraturas – Coletivo Trippé – Petrolina/PE
Passo – Compassos Cia. de Danças – Recife/PE

MELHOR COREOGRAFIA
Karina Leiro, Yara Castro, Fábio Rodriguez, Deborah Nefussi, José Sales e Cia. Karina Leiro Bailaora
Maurício de OliveiraFraturas
Raimundo Branco Passo

MELHOR BAILARINO
Adriano AlvesFraturas
Gervásio BrázPasso
Neto Portela(L)a (P)lage

MELHOR BAILARINA
Hulli Cavalcanti (L)a (P)lage
Júlia GondimFraturas
Karina LeiroBailaora
Marcela AragãoPasso

BAILARINO REVELAÇÃO
Apenas uma indicação

BAILARINA REVELAÇÃO
Apenas uma indicação

MELHOR ILUMINAÇÃO
Carlos Tiago e Maurício de Oliveira Fraturas
Cleison Ramos Bailaora
Joana Veloso (L)a (P)lage

MELHOR FIGURINO
Compassos Cia. de DançasPasso
Dallielle Oliveira, Fernanda Paulino e José SalesBailaora
Maurício de OliveiraFraturas

MELHOR CENÁRIO
Apenas uma indicação

MELHOR SONOPLASTIA OU TRILHA SONORA
Eduardo Bertussi Bailaora
Tato Taborda Fraturas

PRÊMIO ESPECIAL
O júri criou um Prêmio Especial

CORPO DE JURADAS:
Maria Paula Costa Rêgo
Mônica Lira
Sandra Rino
COORDENAÇÃO/PRODUÇÃO DE CORPO DE JÚRI: Augusta Ferraz

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