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Expedição de palhaços

Ana Nogueira é convidada especial no Cabaré de Quinta. Foto: Sayonara Freire.

Ana Nogueira é convidada especial no Cabaré de Quinta. Foto: Daniela Nader / Divulgação

Sabemos que esses tempos estão difíceis. A política no Brasil, o Fora Temer que ainda não se concretizou, a ameaça Trump constante. Mas precisamos de combustível para seguir em frente. Um dos melhores e mais eficientes é a alegria. Uma boa gargalhada tem efeitos milagrosos sobre desarranjos gerais em qualquer pessoa. Duvida? Então o desafio está feito. Hoje (18/05), Caravana de Palhaços apresenta o seu Cabaré de Quinta, no Bar do Mamulengo. A noite de Palhaçaria voltada para o público adulto reúne um bando de figuras engraçadas, perspicazes, provocadoras. Gambiarra (Dú Yândi), Gertrudes (Márcia Cruz), Boris Trindade Júnior (Tapioca), Marimbondo (Johann Brehmer), Meia (Anaíra Mahin), Silpatia (Silvia Rangel), Uruba (Fabiana Pirro), Vareta (Natália Lua) e a convidada Dona Pequena (Ana Nogueira). A palhaça Gertrudes assume a função de mestre de cerimônias. A noite segue depois dos números com o comando da DJ Suca (Suenne Sotero).

Nesta noite destinada para o riso, a política não poderia estar de fora. “A gente não é palhaço partidário; mas num dia como hoje, tudo se volta para a política. Esse povo quer fazer a gente de bobo”, pontua Fabiana Pirro. “Tudo deságua na política. Nossa indignação, a vontade gritar… Cabaré de Quinta é um ato político, pois nosso trabalho é na força e na vontade”, acredita. “Mas também tem uma picardia, tem um fogo de cabaré adulto dentro de um bar”, acrescenta Pirro.

Cada palhaço vai apresentar seus números, pois como afirmam os organizadores, não se trata de um espetáculo, mas cenas de palhaço em constante experimentação, números inacabados e reconstruídos a cada nova apresentação com púbico.

Participantes da primeira versão do Cabaré de Quinta. Montagem sobre fotos de Lana Pinho e Sayonara Freire

Participantes da primeira versão do Cabaré de Quinta. Montagem sobre fotos de Lana Pinho e Sayonara Freire

Esse conglomerado de palhaçaria começou com a Caravana de Palhaços (SP/PE) – projeto da Cia. Circo Caravana Tapioca de Giulia Cooper e Anderson Machado, com apoio do Funcultura/Fundarpe  – direcionada para o aperfeiçoamento de circenses e atores com experiência na área. Dividido em módulos, o programa trouxe no ano passado artistas tarimbados do setor para as oficinas. Muitas coisas ficaram desse programa, inclusive a instigação para o intercâmbio, compartilhamento. E principalmente a criação de números circenses voltados para o mercado, o que garante a sustentabilidade de cada artista – para passar o chapéu e saber que suas criações são verdadeiros tesouros.

O coletivo de 15 palhaços faz apresentações em praças, eventos fechados, salas de teatro e espaços culturais. Nessa peleja com o público, os repertórios dos mais diversos naipes são enriquecidos e aplicados nas diversas dramaturgias e espaços. Borica e Márcia Cruz têm várias criações. Dú Yândi leva a experiência do trabalho em sinais de trânsito. Cada um tem a sua característica.

Fabiana Pirro, por exemplo, conta que sua Uruba é selvagem em todos sentidos. “Ela é o que eu queria ser: ingênua e braba e doce. E vai fazer um número com seu bichinho de estimação, mas é surpresa”.

Dona Pequena, a palhaça de Ana Nogueira, exibe o solo Rolamentos, que ela inventou em 2010 e a cada sessão exibe um dado novo. “Estou investigando as possibilidades desse número. Depende da plateia. Espero que hoje, com essa euforia que estamos vivendo desde ontem, tenhamos novidades com os rolamentos de Dona Pequena”

Ficha Técnica

Cabaré de Quinta, com a Caravana de Palhaços
Elenco:
Anaíra Mahin (Meia)
Boris Trindade Jr° (Tapioca)
Dú Yând (Gambiarra)
Fabiana Pirro (Uruba)
Johann Brehmen (Maribondo)
Márcia Cruz (Gertrudes)
Silvia Rangel (Silpatia)
Wagner Montenegro (apoio)
Suenne Sotero (som)

Convidadas:
Ana Nogueira (Dona Pequena)
DJ Suca (Suenne Sotero)

Serviço

Cabaré de Quinta, com a DJ SUCA
Onde: Bar do Mamulengo – (Praça do Arsenal)
Quando: Quinta, 18 maio, 20h
Quanto: R$ 20 e R$ 10

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Oficinas do 23º Janeiro

Márcia Cruz na oficina para crianças (crédito: Clélio Tomaz)

Márcia Cruz na oficina para crianças. Foto: Clélio Tomaz

Para quem quer começar o ano injetando novos ânimos nas suas aptidões algumas sugestões ficam por conta das oficinas do 23º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco. O programa artístico dura quase três semanas – vai de 12 a 29 de janeiro de 2017, mas as atividades de formação começam antes e ainda têm vagas. A atriz e arte-educadora Márcia Cruz, da Cia. Maravilhas, do Recife, vai desenvolver ações específicas para crianças dos 9 aos 13 anos em Teatro do Brincar. As outras duas oficinas são com dois integrantes da Comuna Teatro de Pesquisa, uma das mais importantes companhias teatrais de Portugal. O ator Carlos Paulo vai trabalhar O Prazer do Texto e o encenador João Mota vai investir no treinamento Interpretação/Encenação. Já o workshop Intercâmbio de Gestão Cultural: Modos de Fazer vai trocar ideias sobre como viabilizar projetos, com os paulistanos Eduardo Okamoto e Daniele Sampaio. O Janeiro é uma realização da Apacepe (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco.

Confira detalhes.

O Prazer do Texto

Carlos Paulo. Foto: Comuna Teatro de Pesquisa

Carlos Paulo. Foto: Comuna Teatro de Pesquisa

Orientador: Carlos Paulo – Comuna Teatro de Pesquisa (Aveiro/Portugal)
Período: 9 a 21 de janeiro de 2017 (segunda-feira a sábado), das 15 às 17h, no Teatro Barreto Júnior
Duração total: 24h
Vagas: 16
Investimento: R$ 100,00
Inscrição: apresentação de currículo e uma carta de intenção para circogodotdeteatro@gmail.com
Direcionada às pessoas ligadas à expressão oral (professores, estudantes, atores, etc.), a oficina vai abordar técnicas de leitura, o uso da respiração, da voz e da articulação, a análise dramatúrgica, a concentração e o prazer, com uma apresentação pública ao final.
Carlos Paulo é ator de teatro, cinema e televisão, além professor de teatro, dramaturgo e figurinista, integrante da Comuna Teatro de Pesquisa, com passagem por festivais em diversas partes do mundo.

Oficina Teatral – Interpretação/Encenação

João Mota. Foto: Comuna Teatro de Pesquisa

João Mota. Foto: Comuna Teatro de Pesquisa

Orientador: João Mota – Comuna Teatro de Pesquisa (Aveiro/Portugal)
Período: 9 a 21 de janeiro de 2017 (segunda-feira a sábado), das 10 às 13h, no Teatro Barreto Júnior
Duração total: 36h. Vagas: 16. Investimento: R$ 150,00
Inscrição: apresentação de currículo e uma carta de intenção para circogodotdeteatro@gmail.com
Oficina visa alcançar o essencial através de exercícios de improvisação; passar da cultura exterior à interior e da pessoa interior à individualidade; trabalhar sobre o corpo e seus gestos sem acreditar na expressão corporal como um fim em si mesmo; pesquisar os sons como meio de expressão, sem partir do princípio que se elimina a linguagem habitual; usar a improvisação livre para melhor se aprender a relação entre a verdade da forma de expressão e a qualidade da comunicação; e evitar o narcisismo perigoso.
João Mota é ator e encenador, fundador da Comuna Teatro de Pesquisa, companhia em atividade desde 1972 e com mais de 90 produções já realizadas. Já dirigiu cursos de teatro em diversas cidades pelo mundo; foi agraciado com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique, a Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro, e a Medalha de Mérito Cultural; e é também Professor Adjunto aposentado da Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa.

Oficina: Teatro do Brincar

Oficina Yeatro do Brincar. Foto: Clelio Tomaz

Oficina Teatro do Brincar. Foto: Clelio Tomaz

Orientadora: Márcia Cruz – Cia. Maravilhas (Recife/PE)
Período: 17 a 20 de janeiro de 2017 (terça a sexta-feira), das 14 às 17h, na sala de Dança da Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Praça do Marco Zero, Bairro do Recife), para crianças dos 9 aos 13 anos
Investimento: R$ 120,00. Inscrição: ciamaravilhas@gmail.com
Pré-requisito: usar roupas adequadas para o trabalho físico
A proposta é uma vivência lúdica na linguagem do teatro. Na dinâmica, os participantes serão introduzidos à lógica do jogo teatral e aos conceitos básicos desta linguagem, transitando entre os princípios do brincar: a consciência corporal (eixo e base) e a respiração; as relações entre o tempo e o ritmo; a presença e a integração com o outro; a energia; as emoções e, por fim, o improviso. O objetivo é proporcionar a cada um dos envolvidos uma experiência alegre e significativa com o teatro.
Márcia Cruz é atriz com larga experiência, inclusive na contação de histórias, e professora de teatro formada pela UFPE.

Intercâmbio de Gestão Cultural: Modos de Fazer

Eduardo Okamoto. Foto: Mariella Siqueira

Eduardo Okamoto. Foto: Mariella Siqueira

Orientadores: Eduardo Okamoto e Daniele Sampaio (Campinas/SP)
Quando: Dia 22 de janeiro de 2017 (domingo), das 14 às 18h, na sala multimídia da Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Praça do Marco Zero, Bairro do Recife), com entrada franca. Informações: 3421 8456
Um diálogo com artistas, gestores de espaços e/ou coletivos de pesquisa em teatro sobre estratégias de viabilização de criações cênicas em contextos com pouca ou nenhuma política pública de fomento às artes, ou seja, a produção cultural como modo de viabilizar a criação, a circulação e a fruição de bens simbólicos.
Daniele Sampaio é produtora cultural, Bacharel em Ciências Sociais pela UNICAMP, pesquisadora de Políticas Culturais pela Fundação Casa de Rui Barbosa e pós-graduanda em Artes da Cena também pela UNICAMP. Fundadora da SIM! Cultura, presta consultorias em produção e gestão de projetos culturais para coletivos cênicos, artistas independentes e instituições públicas e privadas.
Eduardo Okamoto é ator, Bacharel em Artes Cênicas, Mestre e Doutor em Artes pela UNICAMP, onde atualmente é docente. Estuda as relações entre o potencial expressivo do corpo e as suas relações com a produção dramatúrgica: dramaturgia de ator. Já apresentou espetáculos e diversas atividades formativas em vários estados brasileiros e no exterior. Em 2012, foi contemplado com o Prêmio APCA de Melhor Ator por sua atuação no espetáculo Recusa, que esteve no Recife.

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Tempo de insônia e memórias

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Monólogo com Alessandro Moura narra sua histórias de infância e adolescência em Goiás. Foto: Divulgação

Os espetáculos erguidos a partir de material autobiográfico ganham espaço na cena contemporânea de várias formas. Ressalta uma questão bem comum nas artes, a relação, ou como prefere a teórica Erika Fischer-Lichte, a tensão entre realidade e ficção. Histórias pessoais detonam textos e encenações. É o caso do espetáculo O Velho Diário da Insônia, monólogo com texto, encenação e atuação do ator e jornalista Alessandro Moura. Ele trabalha com histórias vividas em sua infância e adolescência em Goiás.

A montagem faz única apresentação nesta terça-feira (11), às 20h, no Espaço O Poste Soluções Luminosas, dentro da programação do Outubro ou Nada – 1º Festival de teatro alternativo do Recife. Costurada com poesias e canções, a encenação experimenta a técnica da tragicomédia, segundo o artista.

Como um jogo de encaixe, o ator monta a obra com fragmentos de lembranças registrados em um diário. No limite, numa noite de insônia, o personagem estica o tempo entre arrependimento e saudade. Segundo Alessandro Moura, o espetáculo é uma celebração ao seu avô Sebastião.

Ao compartilhar histórias pessoais, de seus familiares, o artista torna-se um criador de si mesmo. E, no caso de O Velho Diário da Insônia, reflete e critica a situação de abandono das velhice e o silêncio ensurdecedor dos que ainda não chegaram lá.

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Ator também envereda pela questão da velhice. Foto: Divulgação

FICHA TÉCNICA:
Encenação, texto e interpretação: Alessandro Moura
Supervisão cênica: Márcia Cruz
Projeto gráfico: Nathan Lucas
Desenho de luz: Fábio Calamy
Fotos de divulgação: Mylena Freitas e Richard Matias
Teaser: Aratu Produções
Assessoria de imprensa: Cínthia Carvalho
Apoio: Duo Designer, Aratu Produções, Cia Maravilhas, Mel de Engenho Produções, DouxBike, Os Caras de Pau do Vestibular,
Realização: Alessandro Moura

Serviço:
O Velho Diário da Insônia
Quando: Terça-feira (11), às 20h
Onde: O Poste Soluções Luminosas (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Quanto: R$ 20
Informações e reservas: ovelhodiariodainsonia@gmail.com

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Outubro ou nada larga com peça Na beira

Nínive Caldas lê manifesto. Reprodução da Internet

Nínive Caldas lê manifesto do 1º Festival Alternativo do Recife. Foto: reprodução da Internet

Espaço entre as Ruas da Aurora e Princesa Isabel vai abrigar outras peças. Foto: Reprodução da internet

Reprodução da internet

Abertura do festival Outubro ou Nada foi na sede d’O Poste. Foto: Reprodução da internet

Um aglomerado de gente alegre na esquina das Ruas da Aurora e Princesa Isabel chamava a atenção no final da tarde/começo da noite de ontem. Entre fotos, conversas e a própria produção do evento, eclodia um movimento que guarda fôlego para dar outros rumos para as artes cênicas de Pernambuco. Ali naquele ponto funciona o Espaço O Poste, que desenvolve uma pesquisa continuada há anos e sobrevive graças à garra de seus integrantes. É mais que simbólico que a abertura do Outubro ou Nada – 1º Festival de Teatro Alternativo do Recife – uma iniciativa que aglutina na programação 35 espetáculos durante todo o mês – tenha ocorrido naquele local.

Mesmo que seja um trabalho de formiguinha, não tem como não chamar atenção para essa maratona com peças montadas por artistas locais, na maioria das vezes no sacrifício. São 24 grupos/ companhias/ coletivos e produtores independentes, chegando a 60 artistas pernambucanos envolvidos para levantar a bola da representatividade do teatro na nossa sociedade contemporânea.

Uma das questões atacadas pelo festival é falta de pautas nos teatros municipais e os problemas desses equipamentos, como é o caso do Teatro do Parque, fechado há anos. Mas o movimento de ocupação de espaços independentes iniciado na cidade há dois, já absorveu as questões estética e política.

Às margens do Rio Capibaribe, com o cenário deslumbrante dessa cidade repleta de contradições sociais, flertando com o Teatro de Santa Isabel, foi lançada também a Revista Trema na sua edição – O GOLPE!.

No texto manifesto, escrito por Márcia Cruz e lido por Nínive Caldas, foram convocados a força e o talento de muitos, inclusive os que vieram antes de nós. “A despeito de todo desprezo dos atuais governantes, de todas as esferas – estadual, municipal e federal – a despeito de toda tentativa perversa de destituir na população o apreço que eles têm ao teatro. Nós estamos aqui e vamos resistir! Va-mos E-XIS-TIR!!”

E o documento compartilhado pelo movimento arremata “O teatro vive em nós! Estamos pulsando nossa arte e exigimos de todos os governantes políticas públicas que garantam a permanência do teatro no cotidiano das cidades, tanto no que toca às pesquisas, quanto aos espaços públicos, e até mesmo às subvenções de sedes e festivais. OUTUBRO OU NADA não é vento! OUTUBRO OU NADA é essencial!”. Está dito. Bem dito.

Plínio Foto: Ivana Moura

Plínio Maciel em pleno domínio de sua história. Foto: Ivana Moura

Participação da plateia. Foto: Ivana Moura

Na Beira segue os passos do biodrama. Foto: Ivana Moura

O Poste não estava lotado em sua capacidade física, mas contava com multiplicadores e detonadores de inspiração. E lá fomos mergulhar nas lembranças de Plínio Maciel. Esse artista com pleno domínio de sua história, um performer convincente e cativante na sua arte. É senhor de uma teatralidade que ganha relevo nos pequenos detalhes, na liberdade e simplicidade de se comunicar com o público, de envolver a plateia.

Sob direção de Rodrigo Dourado, Na Beira também aposta no acaso ao planejar algumas narrativas que serão escolhidas por um e outro espectador nos envelopes pendurados. O contador de causos, narrador e atuador da história desliza com habilidade pelos becos e avenidas largas da revisitação da sua vida.

Na fronteira entre real e ficção

Caldinho e cerveja são oferecidos à plateia e ajudam a quebrar qualquer clima mais formal, chamando à cumplicidade.

O artista leva à cena elementos reais, como roupas da época em que era criança e muitas fotos tiradas do fundo do baú, para revelar situações banais, mas que ganham distinção na voz do bom fabulador. Plínio Maciel borra esses elementos e cria brechas para o público especular sobre verdades e ficções.

Paricicipação da plateia. foto Ivana Moura

Participação da plateia. Foto Ivana Moura

O próprio protagonista carrega aquela verdade dos personagens populares, com os quais podemos esbarrar nas feiras livres, nos interiores do Nordeste do Brasil. E dá um tratamento de leveza, beirando a pilhéria nas situações mais constrangedores. Lembra dos personagens do dramaturgo pernambucano Luiz Marinho.

Nesse solo autobiográfico, a teatralidade do real aflora dos mínimos detalhes, no clima popular, circense, interiorano, quase ingênuo nas alusões às safadezas dos Mazzaropis inventados.

Não há nada de excepcional nessas histórias. Sua tia que gostava de laços de fitas para meninas, resolveu fantasiar Plínio bebê de garotinha e saiu a exibir pelas redondezas de Surubim o seu sobrinho. Bem, mas isso é muito comum, não é mesmo?! Ou as presepadas a que ele se submeteu nos carnavais. Ou mesmo a sua experiência como educador de escola pública. No fundo, tudo é muito estimulante porque transborda de vida.

Programação dos ESPETÁCULOS e RODAS DE DIÁLOGO

Dia 3 – ABERTURA (18h-19h30) com o lançamento da Revista TREMA! Edição “o golpe”
Dia 3 – Na Beira (20h) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 4 – Na Beira (20h) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 5 – A última cólera no corpo de meu negro (19h) /Estreia – Local – Espaço Fiandeiros / 60 lugares
Dia 5 – Pezinho de Galinha (20h30) / Local – Casa do Acre / 60 lugares
Dia 6 – 1 Torto (20h) / Local – Ed. Texas/Espaço Magiluth / 50 lugares
Dia 7 – Uma Antígona para Lúcia (19h30) / Local – Espaço Fiandeiros / 70 lugares
Dia 7 – Histórias Bordadas em Mim (20h30) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 7 – O Diário Quase Ridículo de Aurora (20h30) / Local – Bar Teatro Mamulengo / 80 lugares
Dia 8 – Roda de Diálogo: TEATRO ALTERNATIVO 10h Local: Teatro Joaquim Cardozo (CENTRO CULTURAL BENFICA) + lançamento do livro Teatro Para Crianças no Recife – 60 Anos de História no Século XX (Volume 01)”, de Leidson Ferraz
Dia 8 – Ombela (20h) / Reestreia / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 8 – Salmo 91 (20h) / Local – Espaço Cênicas / 70 lugares
Dia 8 – O palhaço de pijama (20h) / Local – Teatro Joaquim Cardozo / 50 lugares
Dia 8 – 4 X Hilda ou Quarteto Obsceno (20h) / Local – Teatro Joaquim Cardozo / 50 lugares
Dia 9 – Tempo Menino (17h) – Espaço Vila / 50 lugares
Dia 9 – Salobre (18h) / Local – Espaço Fiandeiros / 70 lugares
Dia 9 – Ombela (19h) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 10 – TRILOGIA VERMELHA – pa(IDEIA) – pedagogia da libertação (19h) / Local: Escola PE de Circo (EPC)
Dia 10 – Deu com a pleura (20h) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 11 – O Velho Diário da Insônia (20h) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 12 – Acontece Enquanto Você Não Quer Ver (20h) / Local – Ed. Texas / Espaço Magiluth /50 lugares
Dia 13 – O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros (20h) / Local – Ed. Texas / Espaço Magiluth /50 lugares
Dia 14 – Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés (19h) / Local – Escola PE de Circo / 300 lugares
Dia 14 –Nem Tente (20h) / Local – Espaço Fiandeiros / 70 lugares
Dia 14 – O Diário Quase Ridículo de Aurora (2030h) / Local – Bar Teatro Mamulengo / 80 pessoas
Dia 15 – Salmo 91 (20h) / Local – Espaço Cênicas / 70 lugares
Dia 15 – Ombela (20h) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 16 – O Palhaço de Pijama (16h) / Local – Galeria Mau Mau (Sala Monstra)
Dia 16 – Aaaaaaah! Histórias de Arrepiar (16h) / Ensaio aberto – espetáculo infantil / Local – Galeria Mau Mau (Sala Monstra)
Dia 16 – (In)Cômodos (18h) / Local – Espaço Fiandeiros / 70 lugares
Dia 16 – Ombela (19h) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 17 – A Receita (20h) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 18 – JR. (19h) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 19 – Pezinho de Galinha (20h30) / Local – Casa do Acre
Dia 20 – Ophélia (20h) / Local – Ed. Texas/Espaço Magiluth / 50 lugares
Dia 21 – A última cólera no corpo de meu negro (19h) / Local – Espaço O Poste / 60 lugares
Dia 21 – Viva La Vida (20h) / Estreia / Local – Escola Pernambucana de Circo / 300 lugares
Dia 21 – A Mulher Monstro (20h30) / Local – Ed. Texas/Espaço Magiluth / 50 lugares
Dia 22 – RODA DE DIÁLOGO: GESTÃO DE ESPAÇOS ALTERNATIVOS (10h) LOCAL: Teatro Joaquim Cardozo
Dia 22 – O Palhaço de Pijama (18h) / Local – Casarão da Várzea / livre
Dia 22 – Bruffa! (18h) / Local – Casarão da Várzea / livre
Dia 22 – Ombela (20h) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 22 – Salmo 91 (20h) / Local – Espaço Cênicas / 70 lugares
Dia 23 – Ombela (19h) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 24 – Na Beira (20h) / Local – Escola PE de Circo / 300 lugares
Dia 25 – Andarte Andarilho (20h) / Local – Espaço Cênicas
Dia 26 – Sistema 25 (19h30) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 25 lugares
Dia 26 – TRILOGIA VERMELHA – h(EU)stória – O tempo em transe (20h) / Local – Espaço Cênicas
Dia 27- TRILOGIA VERMELHA – pa(IDEIA) – Pedagogia da libertação (20h) / Local – Espaço Cênicas
Dia 28 – Alguém para fugir comigo (19h) / Ensaio aberto / Local – Escola PE Circo / 300 lugares
Dia 28 – Luzir é Negro! (20h) / Estreia / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares
Dia 28 – Santo Genet e as Flores da Argélia (20h) / Local – Espaço Experimental / 60 lugares
Dia 29 – Retomada (19h) / Local – Coletivo Lugar Comum / 60 lugares
Dia 29 – Ombela (20h) / Local – Espaço O Poste Soluções Luminosas / 60 lugares

Festa de Encerramento (22h) / Local – Ed. Texas

AÇÕES FORMATIVAS
Oficinas
“O negro e a dramaturgia no Teatro do Oprimido”
Dias 03, 04, 05, 06 e 07 / 8h as 12h / Mediador: Marcílio de Moraes / Valor: Gratuito
“Da pele pra dentro” – Qualidades do movimento (Iniciação ao Teatro)
Dia 05 / 09h as 12h / Mediadora: Naná Sodré / Valor: R$ 10
“Oficina de Interpretação”
Dia 13 /09h as 12h / Mediador: Samuel Santos / Valor: R$ 10
“Oficina de figurino” – Customização e Transformação
Dia 19 / 09h as 12h / Mediadora: Agri Melo / Valor: R$ 10
“Oficina Introdução ao Jogo do Bufão”
Dia 22 / 08h as 18h / Mediadora: Bruna Florie / Valor: Gratuito

ESPAÇOS e ENDEREÇOS
Espaço O Poste Soluções Luminosas – Rua da Aurora, 529, Boa Vista
Espaço Fiandeiros – Rua da Matriz, 46, Boa Vista
Casa do Acre – Rua da Aurora, 1019, 7º andar, Ed. Iemanjá, Santo Amaro
Ed. Texas/Espaço Magiluth – R. Rosário da Boa Vista, 163, Boa Vista
Bar Teatro Mamulengo – Rua da Guia, 211, Bairro do Recife
Teatro Joaquim Cardozo e Atelier 2 – CENTRO CULTURAL BENFICA – Rua Benfica, 157, Madalena
Espaço Cênicas – Av. Marquês de Olinda, 199, Bairro do Recife (Entrada pela rua Vigário Tenório).
Espaço Vila – Rua Radialista Amarílio Nicéas, 76, Santo Amaro
Escola Pernambucana de Circo (EPC) – Avenida José Américo de Almeida, 5, Macaxeira.
Coletivo Lugar Comum – Rua Capitão Lima, 210, Santo Amaro
Casarão da Várzea – Praça da Várzea, s/n, Várzea
Galeria Mau Mau – Sala Monstra – Rua Nicarágua, 173, Espinheiro
Espaço Experimental – Rua Tomazina, 199, Bairro do Recife

CRÉDITOS
GRUPOS, COMPANHIAS, COLETIVOS E PRODUTORES INDEPENDENTES
REALIZAÇÃO
1. Aratu Produções
2. Cênicas Cia. de Repertório
3. Cia. de Teatro e Dança Pós-Contemporânea D’Improvizzo Gang
4. Cia. Experimental de Teatro – Vitória
5. Cia. de Teatro Omoiós
6. Cia. Maravilhas
7. Coletivo 4 no Ato
8. Coletivo Multus
9. Companhia Fiandeiros de Teatro
10. Coletivo Grão Comum
11. Cria do Palco
12. Doce Agri
13. Grupo Cen@off
14. Grupo Magiluth
15. Grupo O Poste Soluções Luminosas
16. Grupo Cênico Calabouço
17. Grupo Teatral Risadinha
18. Experimental
19. Operários de Teatro – OPTE
20. Peso Coletivo
21. S.E.M. Cia. de Teatro
22. Teatro de Fronteira
23. Trema! Plataforma de Teatro
24. Totem
25. Alessandro Moura
26. Bruna Florie
27. Diógenes D. Lima
28. Eric Valença
29. Flávio Renovatto
30. Marcílio de Moraes
31. Nínive Caldas

GRUPO – assessoria de comunicação
Alessandro Moura
Cleyton Cabral
Cícero Belmar
Isabelle Barros
Java Araújo
Júnior Aguiar
Manuel Constantino

GRUPO – ações formativas
Analice Croccia
Breno Fittipaldi
Daniela Travassos
Fred Nascimento
Hilda Torres
Naná Sodré
Ricardo Maciel
Toni Rodrigues

Grupo – ações paralelas
Eric Valença
Márcia Cruz
Nínive Caldas

GRUPO – articulação
Marconi Bispo
Natali Assunção

Assistência de Coordenação
Marconi Bispo

Coordenação Geral
Rodrigo Dourado

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Teatro em casa

A casa da atriz e arte-educadora Márcia Cruz, no bairro da Boa Vista, no Recife, será transformada em “espaço cultural” durante alguns dias da semana. “Quando idealizei isso, pensei na possibilidade de autonomia de fazer a minha arte junto com os meus amigos, dentro da minha casa, na desburocratização de processos. Claro que é fundamental o abraço que as instituições formais dão ao teatro, mas ele também pode ser mais simples, sem tanta burocracia”, conta Márcia.

Márcia Cruz resolveu abrir as portas de sua casa para o teatro

Márcia Cruz

Quando questionada sobre a exposição da sua privacidade, do espaço da sua casa, Márcia confessa que só agora, com os ensaios do projeto Teatro de Quinta, está tomando consciência real da dimensão dos conflitos entre espaço público e privado. “Ontem foi o dia do ensaio geral. Quando os atores foram embora, os móveis fora do lugar, pensei: meu Deus, o que eu fiz?”, brinca. “Mas está feito. Eu achei que tinha me preparado mais para isso. Não! De qualquer forma é invasivo. E considero que esse é um exercício importante para mim”, complementa.

No projeto Teatro de Quinta, a obra de um autor por mês servirá como base para a criação de até três atores. “Nesta primeira etapa vamos trabalhar com autores daqui, porque estão mais próximos. Eu convido, mas também aceito a proposta de autores. São eles que escolhem os atores. Depois disso, os atores tomam conta da criação, que é mediada e provocada por mim e pelo produtor e também ator Plínio Maciel. Porque há conflitos e limitações nesse processo de criação. O meu quarto, por exemplo, não será utilizado”, explica.

Para a estreia do Teatro de quinta, os atores Luciana Pontual, Fábio Calamy e Daniel Barros se debruçaram nos escritos de Cleyton Cabral. “É um projeto cheio de afetos. São atores que admiro e respeito. Inclusive, dedico meu primeiro livro à Luciana. Eles mergulharam no meu blog (cleytudo.blogspot.com) e no recém-lançado livro de contos Tempo nublado no céu da boca para criarem as cenas que veremos hoje. Será surpresa. Não quis assistir ensaios, nem sei quais textos estão trabalhando”, conta Cleyton.

Hoje, as cenas serão apresentadas em duas sessões que já estão com ingressos esgotados: às 20h e às 21h. Mas o projeto continua o mês inteiro, todas as quintas, a priori, somente com a sessão das 20h. As reservas são feitas através do e-mail casa17.maravilhas@gmail.com . Outra proposta de Márcia Cruz é que as programações não tenham preço estipulado dos ingressos, mas que os espectadores possam refletir sobre a questão do valor na obra de arte. “É uma postura política. Qual o valor que você dá ao trabalho do artista. Não estou aqui para julgar ninguém. Quem dá R$ 1 ou R$ 10, mas quero que as pessoas pensem sobre”, complementa.

O autor Cleyton Cabral e os atores Luciana Pontual, Daniel Barros e Fábio Calamy

Lua cheia – Já no dia 14, às 20h, a própria Márcia Cruz dá a largada do segundo projeto que será abrigado em sua casa: Lua cheia de histórias. Uma vez por mês, uma roda de contação de histórias será conduzida por um artista ou grupo; seguindo sempre o calendário da lua cheia. A primeira roda terá como tema o sagrado feminino. Os ingressos também não tem preço fixo e o esquema de reservas de entrada é o mesmo.

Por fim, o projeto Em(Re)Forma vai promover oficinas breves, sempre aos sábados, com duração de até quatro horas. O ator, bailarino e pedagogo Diorge Santos, por exemplo, será responsável pela oficina Corpo e movimento na infância no dia 24, das 8h às 12h; já a contadora de histórias Adélia Oliveira propôs a oficina Papelão de poesia, em que vai explorar o potencial criativo dos participantes através da poesia e da construção de esculturas em papelão, no dia 31, das 14h às 18h. Para cada oficina será cobrado o valor de R$ 50.

Por questão de segurança, o endereço certinho da casa só é informado para quem reserva a entrada através do e-mail.

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