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Guaramiranga celebra o teatro nordestino

Fabiana Pirro interpreta a Morte em Caetana, que está no Festival de Guamiranga. Foto: Clara Gouveia

Fabiana Pirro interpreta a Morte em Caetana, que está no Festival de Guamiranga. Foto: Clara Gouveia

A morte era denominada de Caetana, como moça ou como onça, pelo escritor Ariano Suassuna, que dizia que não gostava nem queria brincadeira com ela. A rezadeira Benta também não. E depois de apontar o caminho para várias almas perdidas, ela se depara com a dita-cuja. Tenta escapulir, tenta ludibriar essa figura sinistra. Sem êxito. A morte despacha a benzedeira para Reino do Invisível no espetáculo Caetana. Benta se reencontra com antigos conhecidos e terá que fazer uns ajustes de contas.

A montagem da Duas Companhias investe na identidade nordestina, na linguagem poética do humano diante da finitude. A obra leva a assinatura do espanhol Moncho Rodriguez e tem no elenco as atrizes Lívia Falcão como Benta e Fabiana Pirro como Caetana e outros personagens, bonecos que ela manipula. A peça está há 12 anos no repertório do grupo e já teve mais de  300 apresentações e foi vista por mais de 80 mil espectadores. A sessão integra a Mostra Nordeste, a principal do Festival, e ocorre neste domingo, às 19h30, no Teatro Rachel de Queiroz. Confira nossa última crítica ao espetáculo Experiência e graça de Caetana .

Caetana participa do 23° FNT ‐ Festival Nordestino de Teatro  de Guaramiranga (CE).  São 8 dias de montagens, oficinas, debates e cortejos,  com acesso gratuito a toda a programação, que tem patrocínio da CAIXA, apoio da  Coelce e da Secretaria da Cultura do Estado do  Ceará / Secult,  por meio da Lei Estadual de Incentivo  à  Cultura,  e  tem o apoio  institucional  da  Prefeitura Municipal de Guaramiranga, via  Secretaria da  Cultura e  Turismo.  A realização é  da Associação dos  Amigos da Arte de Guaramiranga ‐ AGUA.

Mostra Nordeste conta com nove espetáculos do Ceará, Pernambuco, Bahia, Maranhão e Sergipe. Além de Caetana, estão na programação A Casa, da Blitz Intervenções (CE);  Exercício sobre Medeia, do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes (PI); Interior, do Grupo  Bagaceira  de Teatro (CE); Nada como quando começou, de No  barraco da Constância tem! (CE);  O  Segredo da Arca de Trancoso, do Grupo  Vilavox  (BA); Para uma Avenca Partindo, do Teatro do Redentor  (MA); Senhora dos Restos, da  Cia.  Dicuri  (SE) e  Todo  Camburão tem um pouco de Navio  Negreiro,  da Associação  Artística Nóis de Teatro (CE).  A mostra não é competitiva, mas o público poderá eleger o Melhor Espetáculo, que receberá o Troféu Beija‐Flor.

Grupo Bagaceira apresenta o espetáculo Interior. Foto: Divulgação

Grupo Bagaceira apresenta o espetáculo Interior. Foto: Divulgação

O Grupo Bagaceira de Teatro, do Ceará, com a peça Interior inicia a maratona. Confira nossa escrita crítica de Interior Igual a carinho de “vó”.

O festival também conta com o elogiado solo Estamira ‐ Beira do Mundo, com a atriz  carioca  Dani Barros, dirigida por Beatriz Sayad. Leia como foi a exibição de Estamira no Recife, no 15º Festival Recife do Teatro Nacional: Estamira de Dani Barros.

Durante a semana o FNT também alimenta um braço formativo com oficinas, fórum e encontros.

A peça de Gero Camilo Caminham nus empoeirados, sobre a arte de representar e seguir em frente,  é a convidada desta  edição para encerrar o festival, no sábado (10).  Com direção em parceria com Luísa Pinto, Gero Camilo divide a cena com Victor Mendes.

Anualmente o FNT recebe montagens do  circuito Palco Giratório, do SESC. Este ano o reforço ao repertório de peças vem da companhia Teatro de Açúcar, de Brasília, com o espetáculo Adaptação, com texto, direção e interpretação de Gabriel F.

SERVIÇO
23º  FNT  ‐  Festival  Nordestino  de  Teatro
De 03 a 10 de  setembro de 2016  em  Guaramiranga, Ceará.
GRATUITO
Informações: (85)3321‐1405,  fnt@agua.art.br.  http://fnt.agua.art.br/ acebook: fntguaramiranga.

LISTA  DOS ESPETÁCULOS DO 23° FNT 

MOSTRA CEARÁ CONVIDA
Dani Barros (RJ) ‐ Estamira – Beira do Mundo
Cia Tertúlia de Acontecimentos (Gero Camilo)  Caminham nus empoeirados

MOSTRA PALCO GIRATÓRIO ‐ SESC
Teatro de Açúcar (DF)  Adaptação

MOSTRA NORDESTE
Grupo Bagaceira (CE)  Interior
Duas Companhias (PE)  Caetana
Nóis de Teatro (CE)  Todo Camburão tem um pouco de Navio Negreiro
Dicuri Produções (SE) ‐ Senhora dos Restos
No barraco da Constância tem! (CE)  Nada Como Quando Começou
Coletivo Piauhy Estudio das Artes (PI)  Exercício sobre Medéia
Teatro do Redentor (MA)  Para uma Avenca Partindo
Blitz Intervenções (CE)  A Casa
Vilavox (BA)   O Segredo da Arca de Trancoso

MOSTRA NORDESTE UNIVERSITÁRIA
Turma Pois Taí ‐ 2011.2 (IFCE)  Casamata
Criadagem (UFC)  Criadas
Coato Coletivo (UFBA)  Maçã
Projeto Homens de Saia (UFPB)  No Mundo da Rua
Coletivo Nós Artistas  Neuza 
Estoriatores de Teatro (IFCE)  Cena:  Manual
Júnior Martins (UFC)  Cena:  Grande Edgar
Andréia Pires (URCA)  Cena: Para acabar com…

MOSTRA PALCO CEARÁ
Silvia Moura  A Dança Nossa de Cada Dia
Coletivo Rei Leal   O Auto do Rei Leal
Grupo Formosura  Os Miseráveis
Pavilhão da Magnólia  Baldio
Teatro de Caretas  Final da Tarde
Grupo Dona Zefinha (Solo de Orlângelo Leal) ‐ Autômato
Bricoleiros   Quatro Patas
Cia Gira de Teatro   Diário de um Louco
Ninho de Teatro   Poeira

HOMENAGEM ‐ 25 ANOS DO CPBT
Grupo CPBT/TJA   Agulha Fina
Grupo CPBT/TJA  Voo aos Pássaros
Juliana Veras  Clitemnestra ‐ Mito, Atriz, Personagem
Grupo CPBT/TJA   Afoita

FNT PARA CRIANÇAS ‐ SESC
Cia Prisma de Arte   As Aventuras de João Sortudo
Epidemia de Bonecos   Mamulengos contra o Mosquito
Kiko Brasil Produções  A Turma do Chaves num Sonho de Criança
Palmas Produções   A Menina dos Cabelos de Capim
Comedores de Abacaxi S/A   Entra na Roda ‐ Brincadeiras dos Tempos da Vovó
Trupe Caba de Chegar  A Fábula do Monturo Velho

MÚSICA NO FNT
Trovador Eletrônico
DJ Renatinha
Jazzera e Soraya Novaes
Xote Serrano
A Turma do Pralet
Orquestra Cidade da Aarte   Escola de Música de Guaramiranga
Vanildo Franco em palco aberto
Serráqueos e Tambores de Guaramiranga

RESUMOS DE ESPETÁCULOS

MOSTRA CEARÁ CONVIDA

Estamira ‐ Beira do Mundo ‐ Solo da atriz Dani Barros com direção de Beatriz Sayad (RJ)

Estamira, com Dani Foto: Luis Alberto Gonçalves

Estamira, com Dani BarrosFoto: Luis Alberto Gonçalves

Espetáculo do Rio de Janeiro é livremente inspirada no documentário Estamira, do diretor Marcos Prado. Uma catadora de lixo, doente mental crônica, com uma percepção do mundo surpreendente e devastadora. A peça não só é um documentário sobre Estamira, mas também um depoimento pessoal e artístico de Dani Barros, que reconheceu  na história da personagem da vida real retratada no filme de Marcos Prado parte da sua  experiência  pessoal. O pano de fundo da história é o lixão, porta pela qual adentramos o  universo  de  Estamira.  Lá  são encontradas  cartas,  memórias,  histórias  que  não  conseguimos jogar fora.

Caminham nus empoeirados – Cia Tertúlia de Acontecimentos (Gero Camilo)

Com Gero Camilo e Foto: Cacá Diniz

Com Gero Camilo e Victor Mendes. Foto: Cacá Diniz

Em cena, Gero Camilo e Victor Mendes interpretam dois atores que abandonam a Companhia  e seguem em dupla pela estrada. Suas  aventuras e desventuras. Seus números e truques. Labuta e peleja. Uma comédia. Uma crítica social. Um número de  circo. Uma declaração de amor ao teatro e a vida. Gero Camilo divide a direção com Luisa Pinto.

MOSTRA PALCO GIRATÓRIO ‐ SESC

Adaptação – Teatro de Açúcar (DF)  

Adaptação. Foto: Diego Bresani

Adaptação. Foto: Diego Bresani

O espetáculo foca na história de personagens num momento de adaptação como meio de  sobrevivência:  Um  diretor  teatral  frustrado  que  não  consegue sair  de  uma  crise  criativa  e  decide mudar  de  profissão; Uma  atriz recém‐ chegada à cidade grande que precisa se acostumar à solidão do novo estilo de  vida;  Uma  transexual  que  adaptou  seu  corpo  para  poder  seguir  vivendo  nele;  Um dinossauro que não sabe se sobreviverá às adaptações  da espécie. Todos estão unidos por um drama em comum: o medo de morrer, se transformar, deixar de existir… como se um escritor escrevesse ou adaptasse suas histórias, recriando, agregando e, o mais temível, eliminando personagens.

Interior  – Grupo Bagaceira (CE)

Interior, doGrupo Bagaceira. Foto: Henrique Kardozo

Interior, do Grupo Bagaceira. Foto: Henrique Kardozo

Um espetáculo irreverente e ao mesmo tempo singelo. Repleto de afeto,  que nem o bolo das avós. Assim o Grupo Bagaceira de Teatro (CE) define Interior, com  direção  de  Yuri  Yamamoto. No ano da estreia ganhou  os prêmios  de melhor Espetáculo e  Melhor Atriz (Tatiana Amorim)  no Destaques do Ano 2013.

MOSTRA NORDESTE

Caetana – Duas Companhias (PE)

Caetana, da Duas Companhias. Foto: Renata Pires

Caetana, da Duas Companhias. Foto: Renata Pires

Um espetáculo de Moncho Rodriguez, com Lívia Falcão e Fabiana Pirro, da pernambucana Duas Companhias. Há 12 anos em cartaz, a peça já teve mais de 300 apresentações e foi vista por mais de 80 mil espectadores. Em 2005, Caetana recebeu seis dos dez prêmios do Janeiro  de Grandes Espetáculos, no  Recife:  melhor  atriz,  atriz  coadjuvante,  produção,  figurino,  maquiagem  e  prêmio  especial de dramaturgia.

Todo camburão tem um pouco de navio negreiro – Nóis de Teatro (CE)

Todo camburão, do grupo Nóis de Teatro. Foto: Divulgação

Todo camburão, do grupo Nóis de Teatro. Foto: Divulgação

O espetáculo do cearense Nóis de Teatro foi vencedor do Prêmio Funarte de Arte Negra. É uma tragédia afro com elementos alegóricos e representativos do universo do movimento negro no Brasil, em reverência e referência direta à mitologia dos Orixás.

Senhora dos Restos – Dicuri Produções (SE)

Sob direção de Iradilson Bispo, a atriz Isabel Santos interpreta Senhora dos Restos

Sob direção de Iradilson Bispo, a atriz Isabel Santos interpreta Senhora dos Restos

A  peça da  Dicuri  Produções é um monólogo encenado pela atriz Isabel Santos, um dos mais importantes nomes da cena  teatral sergipana. São quase 40 anos de carreira, 33 dos quais junto ao Grupo Imbuaça, onde permaneceu até 2013. Senhora dos Restos ‐ texto de Euler Lopes com direção de Iradilson Bispo ‐ propõe uma reflexão sobre o mundo dos invisíveis, os moradores de rua, com suas angústias, medos, mortes e luta pela sobrevivência.

Nada Como Quando Começou – No barraco da Constância tem! (CE)

Nada como quando começou, do Grupo No Barraco. Foto: Luiz Alves

Nada como quando começou, do Grupo No Barraco da Constância tem. Foto: Luiz Alves

Trabalho do grupo No barraco da Constância tem! (CE) resultante de um projeto de investigação dramatúrgica realizado em 2014 no Laboratório de Pesquisa Teatral do Porto Iracema das Artes. A direção é coletiva.

Exercício sobre Medeia – Coletivo Piauhy Estudio das Artes (PI)

Exercicio sobre Medeia. Foto: Divulgação

Exercício sobre Medeia. Foto: Divulgação

A tragédia de Eurípedes volta à cena do FNT, dessa vez com o Coletivo Piauhy Estúdio das Artes. No palco, a premiada atriz Silmara Silva, uma das mais festejadas da nova geração do Teatro piauiense.  Ela e o diretor Adriano Abreu assinam a adaptação dramatúrgica, livremente inspirada  na tragédia  grega Medeia,  a  partir  de  textos originais  de  Cecília  Meireles,  Chico  Buarque  e  Paulo  Pontes,  do  Ritual  de  Invocação de Hécate e de Silmara Silva.

Para uma Avenca Partindo – Teatro  do  Redentor/MA

Ator Josué Redentor. Foto: Divugação

Ator Josué Redentor. Foto: Divugação

Nesta adaptação do texto de Caio Fernando Abreu, o intérprete Josué Redentor divide o palco com o pianista Evgeny Itskovick. O poema dramático versa sobre efemeridade, abandono e o vazio nas relações amorosas. A montagem é do  grupo  maranhense Teatro  do  Redentor, sob  a  direção de Áurea Maranhão.

A Casa – Blitz Intervenções/CE

Espíritos presos na moradia de várias gerações. Foto: Divulgação

Espíritos presos na moradia de várias gerações. Foto: Divulgação

Adaptação da obra literária homônima da escritora cearense Natércia Campos. A peça passeia por histórias vividas por uma família durante várias gerações. A narrativa, no entanto, é feita pela própria Casa que, junto às almas que ali habitam, presas em missão de penitência, revive as agruras ocorridas nos seus interiores.  Esta é a segunda montagem da peça pelo grupo cearense Blitz Intervenções, tendo estreado no final de 2014 para homenagear a autora nos 10 anos de sua morte. A primeira montagem, de 2006, esteve no XIII FNT.

O segredo da Arca de Trancoso – Vilavox/BA

Peça é inspirada na oralidade nordestina. Foto: João Meirelles/ Divulgação

Peça é calcada na oralidade nordestina. Foto: João Meirelles/ Divulgação

Espetáculo de rua inspirado nos contos orais do Nordeste.  Em 2012 estreou internacionalmente apresentando‐se para mais de 1000 espectadores do Sommerwerft Theater Festival, em Frankfurt, na Alemanha. Contemplado pelo Prêmio Myriam Muniz, em 2013 circulou na Bahia, Sergipe e Alagoas.  Em 2013, recebeu o Prêmio Braskem de Teatro como Melhor espetáculo Infanto‐Juvenil de 2012.

MOSTRA NORDESTE UNIVERSITÁRIA

Criadas – Criadagem/UFC

Baseada na peça de Jean Genet. Foto: Divulgação

Baseada na peça de Jean Genet. Foto: Divulgação

A peça Criadas nasceu de um processo colaborativo coordenado pela diretora Angela Deyva, durante a disciplina Práticas de Encenação, conduzida pelo professor Ricardo Guilherme, no curso de Teatro‐Licenciatura da Universidade Federal do Ceará. A obra, uma adaptação do texto As Criadas, do dramaturgo francês Jean Genet, aborda as relações de poder e o jogo  instável  entre  as  figuras  de  uma  madame que exerce autoridade e as criadas que executam os desejos de sua senhora,  sempre  friccionando  suas  ações  em  pequenos  atos  de  rebelião  grotesca.  O espetáculo estreou em junho de 2015.

No Mundo da Rua – Projeto Homens de Saia/UFPB

No mundo da rua. Foto: Milena Medeiros

No mundo da rua. Foto: Milena Medeiros

Em 2015, o projeto Homens de Saia inaugurou No Mundo da Rua, levando para a cena temas variados sobre a vida cotidiana e urbana, como vendas, trocas, encontros, despedidas, violência e relações interpessoais. A montagem resultou em um experimento cênico‐musical, de caráter performático, alicerçado por meio de observações dos tipos que habitam a rua e de experimentações práticas em sala de ensaio com dramaturgia plural, cheia de textos e  canções criadas em processo colaborativo.

Casamata – Turma Pois Taí ‐ 2011.2  /  IFCE

Reflexões sobre a vida social em Casamata. Foto: Divulgação

Reflexões sobre a vida social em Casamata. Foto: Divulgação

Casamata é uma fortificação europeia, uma construção arquitetônica subterrânea usada para alojamento de tropas, munições e materiais alimentícios. Abrigo de pessoas, possui uma parte superior abobada um pouco acima do solo com pequenas entradas de luz. A montagem do IFCE, utiliza do termo europeu para discutir e refletir sobre questões da vida social do homem, tais como: as regras e normas, abandono e desejos utópicos. Casamata, espetáculo oriundo da disciplina TCC I ‐ Montagem de espetáculo do Curso de Licenciatura em Teatro do IFCE.

Maçã  – Coato  Coletivo/UFBA

Investigação cenicas da turma de teatro da UFBA. Foto: Talita Andrade

Investigação cênica da turma de teatro da UFBA. Foto: Talita Andrade / Divulgação

Maçã aprofunda a pesquisa desenvolvida pelos atores/performers do Coato, que buscam entender a urgência das relações sociais contemporâneas e as transversalidades entre arte  e sociedade em um processo de investigação que considera a Etnocenologia uma ferramenta  primordial para o encaminhamento às respostas. A poética de estudo nasce da criação colaborativa em experimentos internos que reúnem todas as integrantes envolvidas com propósito de criar a base de uma dramaturgia previamente pensada e elaborada para tal ação. Colocamos em cena questões para reflexão sobre ser mulher, ser coletivo, ser enquanto parte indissociável do outro, sobre estética contemporânea e quedas físicas.
Etnocenologia é um termo formulado por Jean-Marie PRADIER, em 1995, para designar o estudo das práticas espetaculares de diferentes culturas sob uma perspectiva analítica não eurocêntrica e atenta ao aspecto global das manifestações expressivas em questão, incluindo suas dimensões físicas, espirituais, emocionais e cognitivas. Seu objetivo é estudar essas formas tomando-as não mais a partir da referência ao teatro ocidental, mas remetendo a práticas e conceitos correntes nas culturas e civilizações em que são produzidas. ((Rubrica do Dicionário do Teatro Brasileiro, página 139)

Coletivo Nós Artistas ‐ Cena: Neuza

Estoriatores de Teatro (IFCE) ‐ Cena: Manual

Júnior Martins (UFC) ‐ Cena: Grande Edgar

Andréia Pires (URCA) ‐ Cena: Para acabar com…

MOSTRA PALCO CEARÁ

A dança nossa de cada dia – Silvia Moura

Silvia Moura transborda os  limites do desejo do já dançado. Foto: Divulgação

Silvia Moura transborda os  limites do desejo do já dançado. Foto: Divulgação

Solo de Silvia Moura, povoado de pessoas e sombras. Uirá dos Reis traz os sons que se fazem  música, João Paulo Pinho cuida, segura a mão, faz as passagens entre as cenas, Jean dos  Anjos faz as imagens que serão memória e Luiz Mendonça é o Tutor,  que acompanha, sonha e  conspira junto. Esta é mais uma dança, mais um mergulho para um canto de Silvia, mais um encontro  entre ela e outros. Dançar é assim: comigo e com o outro. Mais um desejo de transbordar os  limites do já dançado, mais um questionamento compartilhado, mais um lixo dividido e salvo, mais um pouco de mim vazado.

O Auto do Rei Leal – Coletivo Rei Leal

Adaptação de O Rei Lear para a linguagem do cordel. Foto: Divulgação

Adaptação de O Rei Lear para a linguagem do cordel. Foto: Divulgação

Rei Lear, de Shakespeare, recebeu várias montagens teatrais, bem como releituras no cinema e na televisão. A sua atualidade é inegável. Aqui temos a grata adequação à realidade nordestina, contada na linguagem de cordel pelas hábeis mãos do poeta José Mapurunga em encenação com a direção de Alcântara Costa. Cansado de suas obrigações, o cego Rei Leal decide dividir seu reino com as três filhas, Goneril, Zuleide e Cordélia. Sua generosidade seria medida pelo afeto demonstrado por cada uma.

Os Miseráveis  – Grupo Formosura

Peça utiliza técnica de teatro de bonecos geminado e tem texto baseado em Victor Hugo. Foto: Divulgaão

Peça utiliza técnicas de teatro de bonecos geminado e tem texto baseado em Victor Hugo. Foto: Divulgação

Encenação gestada no laboratório de pesquisa teatral do Porto Iracema das Artes, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, com a tutoria de Duda Paiva, bailarino e bonequeiro brasileiro radicado na Holanda há quase 20 anos. A montagem faz parte do processo de investigação sobre a técnica do boneco geminado. O texto base para a realização da  encenação é Os  Miseráveis, de  Victor Hugo.  A montagem traz o inferno das desigualdades sociais através de personagens dramáticas profundas e intensas.

Baldio  – Pavilhão  da  Magnólia

Baldo. Foto Divulgação

Baldio. Foto Divulgação

Cinco atores. Cinco quadros cênicos abordando histórias reais do próprio grupo.  Um atravessamento de temas, como a morte, o estar‐ no‐mundo, a possibilidade do encontro,   que se costuram por meio dos relatos, em uma junção de cena, audiovisual  e literatura.  A  figura do cão, precisamente, do vira‐latas, em sua dimensão de abandono, constituiu a dobra a partir da qual memória e representação questionaram seus limites e desenharam a moldura de Baldio, espetáculo do grupo Pavilhão da Magnólia. O texto foi originado durante o próprio processo de criação, com assinatura do dramaturgo paraibano Astier Basílio  (prêmio  Funarte de literatura 2014). A direção se dá em parceria com Héctor Briones, coordenador do grupo  de pesquisa Laboratório de Poéticas Cênicas e Audiovisuais (LPCA) do ICA‐UFC.

Final da Tarde – Teatro  de  Caretas

Proximidade e intimidade entre transeunte e atores são os elementos centrais na peça dirigina por André Carreiras. Foto: Divulgação

Proximidade e intimidade entre transeunte e atores são os elementos centrais na peça. Foto: Divulgação

Resultado da pesquisa A cidade como dramaturgia: uma experiência de atuação na rua,  com orientação de pesquisa e direção do espetáculo de André Carreira,  Final da Tarde,  do  grupo  Teatro de Caretas, propõe uma vivência de  atuação cênica baseada no detalhe da  interpretação, onde proximidade e intimidade entre transeunte e atores são os elementos  centrais. Um aspecto importante é que os transeuntes não serão previamente informados da  peça.  Não há palco nem formalidades de início e fim. A história de uma mãe, seu filho e seu  marido no dia a dia da cidade invade uma praça, e Final da Tarde se desenrola no  instante cotidiano.

Autômato  – Grupo  Dona  Zefinha

Foto: Festvale

Artista celebra 25 anos de carreira. Foto: Festvale

O multifacetado Orlângelo Leal, do grupo Dona Zefinha, usa instrumentos musicais  excêntricos como o marimbau e a flauta nasal, produzindo efeitos sonoros ao vivo, combinando humor e  dança numa divertida   brincadeira  cenomusical, transversal e irreverente. A intervenção performática celebra seus 25 anos de carreira artística onde o intérprete/criador representa um ser compulsivo, esquizofrênico sonoro, que executa e grava músicas em tempo real com o  auxílio de um loop. As músicas compostas em cena viram pano de fundo para sua diversão,  prazer e gozo, aos poucos vão surgindo trilhas para dançar, manipular objetos, andar de  skate e para um diálogo visceral com o público.

Quatro Patas – Grupo Bricoleiros

“Quatro Patas” carinhoso que passa por alguns problemas de comportamento devido ao uso excessivo de seu videogame. Com uma linguagem simples e educativa, “Quatro Patas” traz para o público, de forma bem-humorada, a discussão sobre a dependência infantil de jogos eletrônicos.

Quatro Patas discute, de forma bem-humorada,  dependência infantil aos jogos eletrônicos.

Com uma linguagem simples e educativa, o Grupo Bricoleiros traz para o público de forma bem humorada um assunto atual bastante polêmico, a dependência aos jogos eletrônicos. A história é conduzida entre o amor de um gato para um menino. Paciência e superação é o foco principal que perpassa por todas as cenas. Um menino bitolado em videogame, condiciona‐se tanto ao jogo que se torna menos comunicativo e sociável com seu melhor amigo. Um gato vai mostrar que a tecnologia pode conviver com a artesania da amizade. Que há tempo para o virtual e para o real. Que a afetividade é tão divertida quanto a aventura dos jogos. Além de divertir e emocionar, o espetáculo passa para o público a sensação de estar assistindo a um filme de animação. Executado por um teatro feito com marionetes cartunizadas, trilha de sonora de anime e com uma animação de movimentos similares ao humano.

Diário de um louco – Cia Gira de Teatro

Diário de um louco, de Gogol

Diário de um louco, de Gogol

Nikolai Gogol, um dos maiores escritores do século XIX, usa uma linguagem ácida nesse conto que aborda a tragédia social e seus costumes, tendo como personagem central, um miserável funcionário público. Antonino Barnabé vive em seus delírios e devaneios apaixonados pela filha do diretor de sua repartição. Para o desenvolvimento da montagem deste espetáculo da Companhia Gira de Teatro, Paulo Ess, ator e diretor, responsável também pela concepção cênica, baseou sua investigação nos eixos estéticos: A linguagem minimalista e o Teatro do Absurdo. Apoiados pela linguagem minimalista, buscou trabalhar com o gesto essencial ao texto, à cena e à arte.

Poeira (Ninho de Teatro)

Esta montagem faz homenagem aos Mestres da Tradição Popular do Cariri. O espetáculo foi concebido a partir do material cênico gerado pelo experimento Tributo aos Mestres, que é resultado do projeto de pesquisa Memórias de Mestres – a mimeses corpórea dos Mestres da tradição popular do Cariri, que teve orientação do LumeTeatro – SP, através de Jesser de Souza e Carlos Simioni, e oficina de dramaturgia da cena com Miguel Rubio Zapata – Yuyachkani, Peru. Tem a dramaturgia, criação e interpretação de Edceu Barboza, Elizieldon Dantas, Jânio Tavares, Joaquina Carlos, Monique Cardoso, Rita Cidade, Sâmia Oliveira e Zizi Telécio, e a direção de cena de Edceu Barboza e Jesser de Souza.

HOMENAGEM ‐ 25 ANOS DO CPBT

Agulha Fina (Grupo CPBT/TJA)

Agulha Fina. Foto: Kekel Abreu

Agulha Fina trabalha com a questão da formação da identidade. Foto: Kekel Abreu / Divulgação

Agulha Fina é o espetáculo de conclusão do Curso Princípios Básicos de Teatro/CPBT, Turma Manhã 2016. Sob a direção de Juliana Veras, dramaturgia, encenação e música se desenvolvem em colaborativo, inspiradas na urgência do grupo em questionar a formação da identidade de cada um. Revisitando as personagens shakespearianas Hamlet e Gertrudes, o espetáculo apropria‐se da relação entre os dois e a recria na atualidade. A peça celebra a arte teatral e o CPBT em seus 25 anos de existência, coroados com a homenagem aos 400 anos de morte de William Shakespeare.

Voo aos Pássaros (Grupo CPBT/TJA)

Voo aos Pássaros. Foto: Divulgação

Voo aos Pássaros, uma jornada de uma menina e um andarilho desconhecido. Foto: Divulgação

A peça é resultado da criação coletiva da turma CPBT Tarde, iniciada em abril de 2015. Voo aos pássaros foi o primeiro espetáculo concluído no ano em que o CPBT completa 25 anos de atividades ininterruptas. A direção é de Joca Andrade, um dos criadores do CPBT. A peça conta a história de uma menina que, ao ser perder da família, busca chegar até a lendária cidade de São Saruê. Com a ajuda de um andarilho desconhecido, a criança inicia a jornada rumo à terra dos sonhos. No caminho, eles se deparam com um mundo caótico. A migração da menina é permeada pelo percurso trilhado por outros personagens, imersos em um contexto de opressão velada e latente.

Clitemnestra ‐ Mito, Atriz, Personagem (Juliana Veras)

Clitemnestra. Foto: Kekel Abreu

Clitemnestra faz conexão dos mitos gregos com a atualidade. Foto: Kekel Abreu

Clitemnestra – Mito, Atriz, Personagem revisita os atos hediondos na tragédia grega, provocando a reflexão sobre a relação dos mitos com a atualidade. O espetáculo celebra os 15 anos de teatro de Juliana Veras. Em cena, atriz dialoga com espectadores sobre a personagem que cometeu o ato extremo de assassinar o marido. A música se faz presente no canto à capela e nos objetos manipulados, mediando a ação. A inspiração no canto lírico, samba e teatro grego, sugerem o encontro entre diferentes culturas e épocas, numa atmosfera de suspensão e ritualidade.

Afoita (Grupo CPBT/TJA)

Afoita. Foto: Divulgação

Afoita. Foto: Divulgação

Numa vila de pescadores as atividades cotidianas são desenvolvidas como representação do dia a dia repressor que atinge os seres humanos, mas principalmente as mulheres. A relação mais estreita com o mar carrega a imagem da movimentação lideradas por mulheres cansadas do silêncio. A montagem tem texto e dramaturgia do grupo (Allyson Maia, Ariza Torquato, Átila Frank, Breno Luno, Bianca Rodigues, Vanessa Aguiar, Vanessa Loiola, Thiago Andrade), com direção de Neidinha Castelo Branco e Orientação Corporal de Cláudio Ivo.

FNT PARA CRIANÇAS ‐ SESC

As Aventuras de João Sortudo – Cia Prisma de Arte

As aventuras de João Sortudo

O aprendizado de um inocente em As aventuras de João Sortudo

O espetáculo As Aventuras de João Sortudo é uma adaptação de um conto popular, que busca a ludicidade, fantasia e musicalidade para contar a história do protagonista. Ele é um jovem rapaz da mais pura inocência que, após 7 anos trabalhando em uma fazenda, é mandado de volta à casa de sua mãe e durante o caminho passa por diversas situações que lhe trazem bons aprendizados.  A direção é de Raimundo Moreira.

Mamulengos contra o Mosquito (Epidemia de Bonecos)

O Mamulengo contra o mosquito

O Mamulengo contra o mosquito

Um coronel sem escrúpulos gosta de colecionar todo e qualquer tipo de material descartável no seu quintal. Até que um fato corriqueiro acontece: seus vizinhos começam a ficar doentes. São então alertados pelo médico local sobre o perigo deste ambiente. Mesmo assim, o coronel teima, o que deixa espaço para a articulação entre o ato da informação e o ato poético da peça. Com mais informações do médico, é provocado o olhar critico e coletivo, promovendo a limpeza do local, evitando assim as doenças causadas pelo aedes aegypti.

A Turma do Chaves num Sonho de Criança (Kiko Brasil Produções)

A turma do Chaves em um sonho de criança

A turma do Chaves em um sonho de criança

O musical A Turma do Chaves num Sonho de Criança é uma adaptação da famosa série de TV Mexicana que traz uma versão inédita para o teatro. Em cartaz há mais de dois anos e mais de trinta mil espectadores, o musical surpreende com a direção e concepção cênica de Francinice Campos e a experiência do elenco, despertando a imaginação das crianças e adultos de diversas gerações.

A Menina dos Cabelos de Capim (Palmas Produções)

História é inspirada no conto de fadas A menina e Figueira

História é inspirada no conto de fadas A menina e Figueira

O texto de Ricardo Guilherme, baseado no conto de fadas A menina e Figueira, narra a história de um senhor viúvo que tinha uma filha muito bonita, com os cabelos longo. Sua mãe em vida penteava e cuidava dos seus cabelos. Na vizinhança morava uma moça que queria se casar com o pai da menina e, por isso, fazia‐lhe tantos agrados. Depois do casamento, a madrasta começou a maltratar a menina, castigando‐ a pela falta mais insignificante. A direção do espetáculo é de Francinice Campos.

Entra na Roda ‐ Brincadeiras dos Tempos da Vovó (Comedores de Abacaxi S/A)

Entra na Roda. Foto: Gustavo Portela

Entra na Roda. Foto: Gustavo Portela

Quatro velhos amigos retomam o universo das canções e brincadeiras populares de antigamente. Em meio a implicâncias e pirraças, eles reconstroem em suas memórias a poesia, transformação e diversidade que marcam a formação do Brasil, constituída pelos vários povos que aqui passaram. Histórias que nos levam, através da música e da brincadeira, a lugares longínquos no tempo e que fazem parte da nossa cultura. Cantigas populares que foram passadas de geração em geração e que, mesmo hoje, ainda continuam marcando a infância de muitas crianças.

A Fábula do Monturo Velho (Trupe Caba de Chegar) ‐

A Fábula do Monturo Velho

A Fábula do Monturo Velho reflete sobre a aceitação das diferenças. Foto: Divulgação

A história se passa num terreno abandonado, onde vários animais obedecem às ordens ditadas pelo intransigente rei corujão, sendo impedidos de fazer escolhas de acordo com seus modos de vida. Como exemplo, a cobra que sonha em ser bailarina, vai encontrar dificuldades e intolerância dentro de parte do grupo. Os conflitos vividos pelos personagens levam a uma reflexão sobre a aceitação das diferenças. Em 2016 a Trupe ‘Caba de Chegar completa 26 anos de atuação no teatro de rua, marcando presença no cenário cultural cearense com seu trabalho irreverente, criativo e bem humorado.

FNT  PROGRAMAÇÃO GERAL

03/ SETEMBRO (SÁBADO)
16h – Cortejo de Guaramiranga
Local: Ruas de Guaramiranga

18h30 – Solenidade de Abertura
Local: Praça do Teatro Municipal

19h30 – Mostra Nordeste [Ceará]  
Espetáculo: Interior, do Grupo Bagaceira de Teatro
Classificação Etária: Livre – Duração: 90min
Local: Escola Profº Julio Holanda

20h30 – Mostra Ceará Convida [Rio de Janeiro] 
Espetáculo: Estamira – Beira do Mundo, do Grupo Estamira
Classificação Etária: 12 anos – Duração: 75min
Local: Teatro Rachel de Queiroz

22h – Música no FNT
Show: Canto Torto  40 anos do disco Alucinação  Belchior, com a Banda Trovador Eletrônico
Local: Praça do Teatro Municipal

0h – Música no FNT –  Dj Renatinha
Local: Odilon Bar

04/ SETEMBRO (DOMINGO)
10h – Ciclo de Debates Mostra Nordeste
Local: Sede da AGUA

12h – Música no FNT ‐
Grupo: A Turma do Pralet
Local: Central de Artesanato

18h – FNT para Crianças – SESC
Espetáculo: As Aventuras de João Sortudo, com o Grupo Companhia Prisma de Arte
Classificação Etária: Livre
Local: Tenda FNT

18h30 – Homenagem aos 25 anos do Curso Princípios Básicos de Teatro/TJA 
Espetáculo: Agulha Fina, com o Grupo: CPBT/TJA
Classificação etária: Livre – Duração: 50min
Local: Escola Profº Júlio Holanda

19h30 – Mostra Nordeste [Pernambuco] 
Espetáculo: Caetana, com o Grupo Duas Companhias
Classificação Etária: Livre – Duração: 60min
Local: Teatro Rachel de Queiroz

21h – Homenagem aos 25 anos do Curso Princípios Básicos de TJA
Espetáculo: Voo aos Pássaros, com o Grupo: CPBT/TJA
Classificação etária: Livre – Duração: 60min
Local: Teatro Dona Zilda (Escola Zélia de Mattos Brito)

22h – Música no FNT: Jazzera e Soraya Novaes
Local: Odilon Bar

05/ SETEMBRO (SEGUNDA)
10h – Ciclo de Debates Mostra Nordeste
Local: Sede da AGUA

15h – Homenagem aos 25 anos do Curso Princípios Básicos de Teatro/TJA
Espetáculo: Clitemnestra – Mito, Atriz, Personagem, com o Grupo Juliana Veras / CPBT
Classificação etária: 12 anos – Duração: 40min
Local: Teatro Dona Zilda (Escola Zélia de Mattos Brito)

18h – FNT para Crianças – SESC
Espetáculo: Mamulengos Contra o Mosquito, com o Grupo Epidemia de Bonecos
Classificação Etária: Livre
Local: Tenda FNT

19h30 – Mostra Nordeste Universitária [UFC] 
Espetáculo: Criadas, com o Grupo Criadagem
Classificação Etária: Livre – Duração: 45min
Local: Teatro Dona Zilda (Escola Zélia de Mattos Brito)

21h – Mostra Nordeste [Ceará]
Espetáculo: Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro, com o Grupo Nóis de Teatro
Classificação Etária: Livre – Duração: 120min
Local: Praça do Teatro

22h –  Música no FNT – Grupo: Xote Serrano
Local: Odilon Bar

23h –  Mostra Nordeste Universitária/Cenas Curtas 
Cena: Neuza, com o Coletivo Nós Artistas
Classificação Etária: Livre – Duração: 20min
Cena: Manual, com o Grupo Estoriatores de Teatro – IFCE
Classificação Etária: Livre – Duração: 18min
Cena: Grande Edgar, com o Grupo Junior Martins – UFC
Classificação Etária: Livre – Duração: 12min
Cena: Para Acabar Com…, com o Grupo Andréia Paris | URCA
Classificação Etária: 18 anos – Duração: 35min
Local: Teatro Rachel de Queiroz

06/ SETEMBRO (TERÇA)
10h – Ciclo de Debates Mostra Nordeste
Local: Sede da AGUA

15h –  Mostra Palco Ceará
Espetáculo: A Dança Nossa de Cada Dia, com o Grupo Silvia Moura
Classificação etária: Livre – Duração: 60min
Local: Teatro Dona Zilda (Escola Zélia de Mattos Brito)

18h – FNT para Crianças – SESC ‐
Espetáculo: A Turma do Chaves Num Sonho de Criança, com o Grupo Kiko Brasil Produções
Classificação Etária: Livre – Local: Tenda FNT

19h – Mostra Nordeste [Sergipe]
Espetáculo: Senhora dos Restos, com a Cia Dicuri Produções
Classificação Etária: 14 anos – Duração: 50min
Local: Teatro Rachel de Queiroz

20h30 – Mostra Palco Ceará 
Espetáculo: O Auto do Rei Leal, com Associação Grupo de Teatro os Cutubas
Classificação Etária: Livre – Duração: 55min
Local: Praça do Teatro

21h – Mostra Nordeste Universitária [UFPB]
Espetáculo: No Mundo da Rua, com o Projeto Homens de Saia
Classificação Etária: Livre – Duração: 40min
Local: Praça da AGUA

21h30 – Mostra Nordeste Universitária [IFCE]
Espetáculo: Casamata, com a Turma Pois Taí – 2011.2
Classificação Etária: 18 anos – Duração: 60min
Local: Escola Profº Julio Holanda

23h – Mostra Nordeste Universitária [UFBA]
Espetáculo: Maçã, com o Coato Coletivo
Classificação Etária: 18 anos – Duração: 60min
Local: Teatro Rachel de Queiroz

07/ SETEMBRO (QUARTA)
9h30 – Mostra Palco Ceará
Espetáculo: Os Miseráveis, com o Grupo Formosura
Classificação Etária: Livre – Duração:  50min
Local: Teatro Rachel de Queiroz

10h – Ciclo de Debates Mostra Nordeste

Local: Sede da AGUA

14h – Música no FNT Grupo: A Turma do Pralet
Local: Odilon Bar

18h – FNT para Crianças – SESC
Espetáculo: A Menina Dos Cabelos De Capim, com o Grupo Palmas Produções Artísticas
Classificação Etária: Livre
Local: Tenda FNT

19h – Mostra Nordeste [Ceará]
Espetáculo: Nada Como Quando Começou, com o Grupo No Barraco da Constância Tem!
Classificação Etária: 18 anos – Duração: 60min
Local: Escola Profº Julio Holanda

20h30 – Mostra Nordeste [Piauí]
Espetáculo: Exercício Sobre Medeia, com o Coletivo Piauhy Estúdio das Artes
Classificação Etária: 14 anos – Duração: 30min
Local: Teatro Rachel de Queiroz

22h – Mostra Palco Ceará 
Espetáculo: Baldio, com o Grupo Pavilhão da Magnólia
Classificação Etária: 18 anos – Duração: 60min
Local: Teatro Dona Zilda (Escola Zélia de Mattos Brito)

22h30 – Música no FNT: Escola de Música de Guaramiranga | Orquestra Cidade da Arte
Local: Odilon Bar

08/ SETEMBRO (QUINTA)
9h30h – Homenagem aos 25 anos do Curso Princípios Básicos de Teatro / TJA
Espetáculo: Afoita, com o Grupo CPBT 2015/2016 – Noite
Classificação Etária: 12 anos – Duração: 50min
Local: Teatro Rachel de Queiroz

10h – Ciclo de Debates Mostra Nordeste
Local: Sede da AGUA

16h30 – Mostra Palco Ceará
Espetáculo: Final da Tarde, com o Grupo Teatro de Caretas
Classificação Etária: Livre – Duração: 40min
Local: Ruas de Guaramiranga

18h – FNT para Crianças – SESC
Espetáculo: Entra na Roda Brincadeiras dos Tempos da Vovó, com o Grupo Comedores de Abacaxi S/A
Classificação Etária: Livre
Local: Tenda FNT

19h – Mostra Nordeste [Maranhão] 
Espetáculo: Para Uma Avenca Partindo, com o Grupo Teatro do Redentor
Classificação Etária: 14 anos – Duração: 50min
Local: Teatro Rachel de Queiroz

20h30 – Mostra Palco Ceará
Espetáculo: Autômato, com o Grupo Dona Zefinha
Classificação Etária: Livre – Duração: 45min
Local: Central de Artesanato

21h30 – Música no FNT ‐ Vanildo Franco em palco aberto
Local: Odilon Bar

09/ SETEMBRO (SEXTA)
9h30 – Mostra Palco Ceará
Espetáculo: Quatro Patas, com o Grupo Bricoleiros
Classificação Etária: Livre – Duração: 45min
Local: Teatro Rachel de Queiroz

10h – Ciclo de Debates Mostra Nordeste
Local: Sede da AGUA

18h – FNT para Crianças – SESC
Espetáculo: A Fábula do Monturo Velho, com o Grupo Trupe Caba de Chegar
Classificação Etária: Livre
Local: Tenda FNT

19h – Mostra Nordeste [Ceará]
Espetáculo: A Casa, com o Grupo Blitz Intervenções
Classificação Etária: 12 anos – Duração: 80min
Local: Teatro Rachel de Queiroz

21h – Mostra Nordeste [Bahia]
Espetáculo: O Segredo da Arca de Trancoso, com o Grupo Vilavox
Classificação Etária: Livre – Duração: 1h30min
Local: Praça do Teatro

23h – Mostra Palco Ceará
Espetáculo: Diário de Um louco, com o Grupo Cia Gira de Teatro
Classificação Etária: 12 anos – Duração: 45 min
Local: Escola Profº Júlio Holanda

23h30 – Música no FNT – Grupo Serráqueos e Tambores de Guaramiranga
Local: Odilon Bar

10/ SETEMBRO (SÁBADO)
10h Ciclo de Debates Mostra Nordeste
Local: Sede da AGUA
16h – Terreirada
Local: Central de Artesanato

19h – Mostra Palco Ceará
Espetáculo: Poeira, com o Grupo Ninho de Teatro
Classificação etária: Livre – Duração: 90min
Local: Teatro Dona Zilda (Escola Zélia de Mattos Brito)

19h – Dramas de Guaramiranga
Local: Praça da AGUA

19h30 – Palco Giratório – SESC [Brasília]
Espetáculo: Adaptação, com o Grupo Teatro de Açúcar
Classificação Etária: 10 anos – Duração: 60min
Local: Escola Profº Júlio Holanda

20h30 – Solenidade de Encerramento
Local: Praça da AGUA

21h30 – Mostra Ceará Convida (SP)
Espetáculo: Caminham Nus Empoeirados, com Gero Camilo
Local: Teatro Rachel de Queiroz

23h – Música no FNT – Grupo: Os Alfazemas
Local: Odilon Bar

*Programação sujeita a alterações.

**Os ingressos serão distribuídos gratuitamente, diariamente, a partir das 14h, na sededa Associação dos Amigos da Arte de Guaramiranga (AGUA) – R. Joaquim Alves Nogueira, s/n – Centro.

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Palhaças cheias de graça

Divinas, na VI Mostra Capiba. Foto: Pollyanna Diniz

Estas palhaças nos ensinam muito com a leveza e a poesia despretensiosa. Elas seguem o mesmo caminho. Contam histórias. Trocam farpas. Consentem e negam – até um golinho de água. Muitas vezes pensam em desistir. Mas algo é maior; e Uruba (Fabiana Pirro), Bandeira (Odília Nunes) e Zanoia (Lívia Falcão) continuam a jornada juntas. Divinas é um espetáculo simples, singelo e delicioso.

A dramaturgia de Marcelo Pelizzoli, Samarone Lima e Silvia Góes é a ponta de um novelo de lã para o que se vê no palco com a Duas Companhias. São pequenas histórias de palhaças que não sabem para onde vão, mas seguem. Com humor e sensibilidade na medida, o texto é o suporte para que as atrizes se aproximem do público; já a quase inevitável conquista é resultado do trabalho de atrizes que amadureceram com a experiência, mas ao mesmo tempo esbanjam frescor.

Já tinha visto Divinas em pelo menos duas ocasiões: quando elas fizeram um ensaio aberto no Teatro Marco Camarotti e durante uma temporada no Teatro Barreto Júnior. E pude comprovar que o espetáculo só cresceu. Na apresentação na Mostra Capiba Fabiana Pirro estava impagável: Uruba tem um humor mais ácido, é lindamente egoísta e comilona. Lívia Falcão nos seduz com Zanoia, sua pedrinha mágica e a história da mulher touro. E como Odília Nunes é uma ótima aquisição para o grupo! A experiência de anos na arte da palhaçaria está no palco com Odília e seus estratagemas para conseguir o que quer.

Quando digo que o espetáculo é simples me refiro também a soluções cênicas que vão desde um lenço que simula uma fogueira. Tanto o cenário quanto o figurino e os adereços são assinados pelas próprias atrizes. A trilha sonora original é de Beto Lemos e Luca Teixeira está em cena com vários efeitos de percussão que complementam as histórias engraçadas e fantasiosas.

Logo quando a Duas Companhias começou o processo de montagem de Divinas, lembro que conversei com Lívia Falcão; Odília ainda não estava nem no elenco. A ideia inicial era tratar do feminino. E quem guiava esse caminho era o diretor Moncho Rodriguez, que mora em Portugal. Tempos depois, veio um projeto de formação de palhaças na Zona da Mata e o consequente encontro com Adelvane Neia, de Campinas, responsável pela preparação das palhaças-atrizes para este espetáculo.

O feminino continua em cena, claro. Mas a opção pela investigação dessa identidade dos clowns das atrizes se estabelece de forma determinante. Pode até nem ter sido o mais fácil. Pode ser que esse caminho tenha sido de muitas curvas. Mas o resultado é gratificante. O público sai do teatro feliz. Simples assim.

Zanoia (Lívia Falcão)

Uruba (Fabiana Pirro)

Bandeira (Odília Nunes)

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Hermilo na comemoração da Duas Companhias

Mulheres palhaças em Divinas. Foto: Ivana Moura

A Duas Companhias, de Lívia Falcão e Fabiana Pirro (e de mais um bocado de gente!), está comemorando oito anos de atividades. Para marcar a data, desde o início de outubro, o coletivo está apresentando alguns dos espetáculos do repertório no Teatro Barreto Júnior, no Pina.

Dentro dessa programação, haverá a leitura dramatizada de Um paroquiano inevitável, texto de Hermilo Borba Filho. (Um adendo…Vale lembrar que há, talvez dois anos, a Duas Companhias mantenha um programa muito bom de leituras dramatizadas nos Correios). A leitura será hoje, às 20h, no Barreto Júnior, e estão no elenco Agrinez Melo, Bernardo Valença, Mário Sérgio Cabral, Cláudio Ferrario, Sônia Bierbard, Luciano Pontes, José Mário Austregésilo, Flávio Louzas e Fabiana Pirro. A direção é de Livia Falcão e a entrada é gratuita.

Já amanhã (19), às 20h, Lívia, Fabiana e Odília Nunes apresentam a montagem Divinas – um espetáculo de palhaças que fala do feminino, dos sonhos, do lúdico. No sábado (20), é a vez de Caxuxa, às 16h30, montagem para infância e juventude com direção de Lívia Falcão; e de Caetana, às 20h. Em Caetana estão em cena Lívia e Fabiana.

No domingo, para encerrar o projeto, mais uma sessão de Caxuxa, às 16h30, e outra de Divinas, às 20h. Os ingressos para os espetáculos custam R$ 8 e a entrada para a leitura é gratuita.

Quem for ao teatro também deve conferir a exposição Risos da memória, montada no primeiro andar do teatro, com fotos assinadas por Daniela Nader, Renata Pires, Fred Jorão, Rodolfo Araújo, Renato Filho, Roberta Guimarães e Dudu Schneider.

Caetana. Foto: Daniela Nader

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Experiência e graça de Caetana

Fabiana Pirro (em pé) e Lívia Falcão na peça Caetana. Foto: Ivana Moura

Madura, mas sem perder o viço. A peça Caetana, do Grupo Duas Companhias, de Pernambuco, mostrou no Porto Alegre em Cena – Festival Internacional de Artes Cênicas, que tem as qualidades da experiência e também uma vivacidade, uma ludicidade que a montagem exige. O espetáculo que se apresentou ontem no Teatro Túlio Piva lotado, faz mais duas sessões, uma hoje e outra amanhã. O público encarou a chuva e o frio para conferir as artimanhas dessas personagens de sotaque nordestino.

O termo Caetana é a poética forma de denominar a morte, utilizada pelo dramaturgo Ariano Suassuna em suas obras e poemas. A montagem de Moncho Rodriguez agregou o título e algo da estética armorial. A peça expõe a saga da encomendadora de almas Benta (Lívia Falcão), para driblar a morte/ Caetana (Fabiana Pirro).

Espetáculo participa do Porto Alegre em Cena com três apresentações

A rezadeira já facilitou a passagem e indicou o caminho do além para várias almas perdidas, em troca de dinheiro, é claro. Mas dessa vez é ela mesma quem se vê diante da morte, e vai parar no Reino do Invisível. Lá, Benta reencontra as almas anteriormente encomendadas por ela que aparecem em forma de bonecos.

A encenação faz referências ao circo, ao teatro mambembe, à literatura de cordel, ao mamulengo e a outras manifestações populares. Parte da ação se passa dentro da estrutura em formato circense. A trilha sonora, composta pelo português Narciso Fernandes, modula os climas do espetáculo com uma partitura que junta sonoridades da música ibérica e nordestina.

Caetana estreou no dia 17 de julho de 2004, no Festival de Garanhuns/PE. Tem, portanto, oito anos, mais de 150 apresentações e já foi vista por aproximadamente 55 mil pessoas, segundo a produção. Nesse percurso, o texto, de Moncho Rodriguez e Weydson Barros, ficou mais orgânico e ajustado às necessidades da cena.

A temática do inevitável encontro com a morte e a tentativa de fuga desse destino existe desde que o mundo é mundo. Esses arquétipos narrativos remetem para a tradição ibérica, suas lendas e contos maravilhosos. Nesse universo mágico, Benta traça círculos pelo espaço com Caetana no seu encalço. Outros personagens constróem outros desenhos num enredo de situações engraçadas, inclusive a aflição de Benta.

As atrizes foram aplaudidas com entusiasmo pela plateia gaúcha

As atrizes estão cada vez mais afinadas. Lívia Falcão explora de sua Benta a graça das figuras espertinhas e o carisma do palhaço. Ela imprime leveza, ousadia e ironia à sua personagem encantadora. Fabiana Pirro interpreta Caetana com sobriedade e peso e traça com seu corpo coreografias para a personagem. Pirro também faz as outras almas que foram recomendas para o além pela benzedeira, por trás de bonecos que ganham vida nas várias vozes da atriz. As duas nos divertem com nossas próprias assombrações.

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Engrenagem frágil

Atores ainda precisam recorrer a outras atividades profissionais, mesmo que relacionadas à arte, para sobreviver

1943, Rio de Janeiro. Foi o polonês Ziembinski o diretor do primeiro sucesso de Nelson Rodrigues no teatro – Vestido de noiva. Exigia uma dedicação espartana dos atores de Os Comediantes. Segundo Ruy Castro, biógrafo de Nelson Rodrigues, o elenco era formado por funcionários públicos, advogados, jornalistas, bancário, contador. No Recife, os atores do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP) também conciliavam carreiras profissionais que não necessariamente tinham relação com a arte. Reinaldo de Oliveira, por exemplo, protagonista e diretor de diversas peças da companhia, é médico. Nos dois casos, os grupos eram amadores. No teatro profissional, no entanto, nem sempre a realidade – mesmo tantos anos depois – é diferente.

O ator pernambucano Sóstenes Vidal participou ano passado das gravações de Preamar, que deve estrear no segundo semestre na HBO. Na série, primeiro projeto longo de ficção da produtora Pindorama, com direção de Estevão Ciavatta, Vidal interpreta o porteiro de um prédio em Ipanema. Mas não é só como ator que Sóstenes Vidal, que participou de programas e séries como Amazônia e Malhação – e ainda do filme Lula, o filho do Brasil –, sobrevive. Ele é corretor de seguros. “Na realidade, sempre trabalhei com vendas. No teatro, eu não só atuava, mas produzia e vendia os espetáculos para escolas, montava espetáculos de fim de ano. Mas mesmo trabalhando como corretor, nunca deixei de fazer teatro. O espetáculo Auto da Compadecida, por exemplo, é apresentado há 20 anos”, conta o ator que interpreta João Grilo na montagem pernambucana do texto de Ariano Suassuna que tem produção de Socorro Rapôso e é ainda um dos Mateus em O baile do menino Deus, auto de Natal escrito por Ronaldo Correia de Brito e Francisco Assis Lima.

Além de ator, Sóstenes Vidal é corretor de seguros

Sóstenes Vidal conta que não é difícil conciliar as carreiras, já que “como corretor sou um profissional autônomo. Não tenho que dar satisfação a patrão, respeitar um horário fixo, apesar de ter que cumprir uma meta. Mas quando eu não ganho dinheiro com teatro, ganho com seguros”, explica. Ainda assim, ele admite: “você não tem aquele tempo todo de construir o personagem, de se dedicar ao texto como queria”.

Profissionalmente, Germano Haiut, 74 anos, precisou fazer a opção entre o teatro e o comércio. “Eu brincava que eu era artista durante o dia e ator à noite. Quando a gente montou Jogos na hora da sesta, no Teatro de Amadores de Pernambuco, a temporada foi até um período de dezembro. E eu dizia: ‘Geninha (Geninha da Rosa Borges, que era a diretora), não posso chegar essa hora, às oito horas, porque a loja ainda fica aberta’. E a loja era atrás do Cinema São Luiz, no Centro do Recife. Aí eu tinha um táxi me esperando e, quando dava determinada hora, eu dizia que ia ao banheiro. Pegava o táxi, Geninha ficava me esperando na porta do teatro, eu trocava de roupa na coxia, o espetáculo já tinha começado e eu entrava em cena! Mas não deixei de ir nenhuma noite”, relembra.

Germano Haiut fugia do comércio para entrar em cena no TAP. Foto: Ivana Moura

Com mais de 20 peças até a década de 1980, Germano diz que o seu primeiro cachê foi quando interpretou o papel de Herodes, na Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em 2003. “Lembro como se fosse hoje: R$ 1.500. Fiquei feliz!”. Hoje, o ator que participou de filmes como O ano em que meus pais saíram de férias, dedica-se mais ao cinema. “A negociação geralmente depende de quanto tempo vou ficar fora do Recife. No teatro isso é mais difícil, não dá para marcar ensaio, comprometer um grupo se, de repente, por conta da vida comercial, preciso viajar”, explica.

Paula de Renor, atriz e uma das produtoras do festival pernambucano Janeiro de Grandes Espetáculos, atesta que é mesmo difícil sobreviver só de teatro: “Não se vive só de atuação”. Ainda assim, enxerga avanços: “Antigamente, as pessoas se dedicavam a outras profissões. Hoje, estão buscando possibilidade dentro da própria cadeia das artes cênicas. Estão fazendo produção, dando aula”. Para Paula, uma das saídas é a organização do teatro de grupo. “Procurando subsídios, incentivos, parcerias. E algumas leis já possibilitam a manutenção de grupos. Mas, ainda assim, é complicado. Porque, às vezes, quando o grupo não consegue o edital, se dispersa”, avalia.

Não foi o que aconteceu com o coletivo teatral pernambucano Magiluth, que tem oito anos de estrada e nunca foi aprovado no Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) ou no Fomento às Artes Cênicas da Prefeitura do Recife. Ano passado, eles participaram do Rumos Itaú Cultural Teatro e, durante seis meses, fizeram intercâmbios e um processo de trabalho continuado com o grupo Teatro do Concreto, de Brasília. “Com esse projeto, tivemos a possibilidade de sobreviver só de teatro, mesmo com um orçamento mínimo. Mas a lógica é que o ator precisa passar o dia na repartição, na sala de aula e, à noite, vai trabalhar ensaiando”, diz o ator e diretor Pedro Vilela.

A partir do Rumos Itaú Cultural, Magiluth montou novo espetáculo. Foto: Mariana Rusu/divulgação

“Sei que fazemos parte de um recorte muito específico, por conta da idade, já que dos compromissos financeiros. Não sei por quanto tempo vamos conseguir. E olhe que já teve um momento em que até pensamos em parar as atividades. Estamos agora aprendendo com um processo da autogestão, fazendo articulações com outros grupos. Mas é uma mudança de mentalidade. A nossa atividade não consegue sobreviver por ela mesma; e é papel do estado desenvolver esse sistema”, alega.

A atriz Lívia Falcão diz que optou por permanecer no Recife mesmo que, no Rio de Janeiro, com a proximidade das emissoras de televisão, a realidade para os artistas parecesse mais fácil. “Não é um problema do mercado pernambucano. É a centralização das grandes empresas que cria isso em todo o país. Eles não contam com a mão de obra das outras regiões. Para ter trabalho na televisão, precisa estar lá. O Brasil inteiro sofre com isso, porque cada região tem o seu potencial, os seus artistas, diretores, produtores”, diz.

A pernambucana que fez sucesso, por exemplo, como Francisquinha, namorada do cabo Citonho (Tadeu Mello) no filme Lisbela e o prisioneiro; e como Regina da Glória na novela global Belíssima, atesta que são vários os fatores que contribuem para que ela continue morando em Pernambuco. “É aqui que eu me abasteço artisticamente. Os mestres da cultura popular estão aqui pertinho. Fico muito feliz de ir a Glória do Goitá e ver o mestre Zé de Vina”.

A atriz conta que a Duas Companhias, que mantém em parceria com a atriz Fabiana Pirro, é uma possibilidade de experimentar. “É uma tarefa árdua convencer o patrocinador de que a arte é importante. Por outro lado, cada vez mais tenho vontade de correr atrás dos nossos sonhos. Sempre tive a certeza de que não queria estar encostada no emprego. E isso depende da forma como cada um encara a sua profissão”. Apesar de a publicidade fazer parte do cotidiano de muitos artistas no Recife, Lívia conta que, ano passado, “fiz alguns poucos comerciais. Vivo mesmo do trabalho da companhia”.

Lívia Falcão, Odília Nunes e Fabiana Pirro em Divinas. Foto: Ivana Moura

Além da publicidade, outra possibilidade clara – embora esporádica – para os artistas pernambucanos é o cinema. “De alguma forma, a ponte entre o cinema e o teatro sempre existiu, mas agora está muito mais clara. Mas só temos três, quatro produções longas-metragens por ano, então geralmente não dá para viver só de cinema”, explica o produtor de elenco Rutílio Oliveira, que trabalhou ainda mais de perto com atores de teatro nas gravações do longa Tatuagem, primeiro de Hilton Lacerda. “O universo do filme era o teatro, então o elenco tinha mesmo muitas pessoas do teatro. Mas as produções normalmente agregam esses profissionais. É uma realidade que serve inclusive como aprendizado”, avalia. Para o produtor, uma das opções para preparar melhor os profissionais que vão trabalhar com cinema – e aí essa realidade nem é específica para atores – é levar estudantes ao set de filmagem. “As pessoas fazem um curso de cinema e não sabem bem o que é um set”, diz.

Emprego, no entanto, não é o único problema para aqueles que se dedicam às artes cênicas. Para Paula de Renor, é preciso primeiro haver formação de plateia – já que durante os festivais o público é incentivado pela divulgação, pela quantidade de atrações, e comparece aos teatros, mas essa nem sempre é a realidade, quando as produções locais entram em temporada. “Precisamos de boas casas de espetáculos, com equipamentos adequados, para que a qualidade técnica dos espetáculos melhore; precisamos de um curso superior de artes cênicas. Como não temos, as pessoas acham que podem aprender no palco, com o tempo, e pelo contrário, o tempo só solidifica vícios, erros”, diz. Paula explica que a existência de um curso superior, pleito antigo dos artistas da cidade (já que o curso disponível na Universidade Federal de Pernambuco forma arte-educadores), está no centro da questão sobre a engrenagem das artes cênicas em Pernambuco. “Quando existe uma escola superior, existe efervescência, público e vamos construindo um mercado e a independência do dinheiro público. Vira negócio, mercado e aí começam a surgir empregos para toda a cadeia”, avalia.

Pedro Vilela, por outro lado, acredita que os artistas precisam se organizar para conseguir melhorias para a classe e, consequentemente, para o público, que poderá acompanhar nos palcos as mudanças. “A grande luta de todos os coletivos, em todo o Brasil, em tentar emplacar leis de fomento que dêem conta de suas produções locais e que abarquem a manutenção dos coletivos teatrais. No Brasil, podemos dizer que São Paulo é o local mais avançado nessa questão”.

(Texto publicado na revista Continente do mês de fevereiro)

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