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Flávia Pinheiro baila com a filosofia

58 Indícios sobre o corpo é inspirado no pensamento do filósofo francês Jean Luc Nancy. Foto: Leandro Olivan

58 Indícios sobre o corpo é inspirado no pensamento do filósofo francês Jean Luc Nancy. Foto: Leandro Oliván

Uma quase amiga comentou que a artista Flávia Pinheiro é “cabeçuda”.

Não, ela não estava dizendo que a atriz/bailarina se parece com as tanajuras, aqueles “frutos” que caem do céu em determinada época do ano, que deliciavam os indígenas na época da colonização portuguesa e prosseguem valorizados até hoje em algumas regiões. Dizem que o gosto lembra o do camarão e tem alto valor proteico.

Mas a expressão não se refere à fina iguaria da culinária cabocla.

Ser “cabeçuda” é um elogio, mesmo que o termo seja um pouco antiquado.

58 Indícios sobre o corpo Foto: Leandro Olivan

Imagem e filosofia estão na base da performance. Foto: Leandro Oliván

Os trabalhos de Flávia forçam à expansão de pensamentos e de reflexões sobre corpo, movimento, presenças, ausências e um punhado de coisas que dizem respeito ao existir contemporâneo.

Nas pegadas de Giles Deleuze, suas obras testam a deformação do chichê e buscam truncar o “conjunto visual provável” para fazer emergir a imagem, contaminada de sensações de diferentes níveis. “Só transformando o clichê, ou, como dizia Lawrence, maltratando a imagem, isso poderia ocorrer, como nas imagens-cinema de Eisenstein, ou nas imagens-foto de Muybridge,” provoca Deleuze em Francis Bacon: Lógica da Sensação.

Imagem e a filosofia estão na base da criação 58 indices sur le corps, performance inspirada no texto do filósofo francês Jean-Luc Nancy, professor emérito da Universidade Marc Bloch, de Estrasburgo. Ele é autor de livros sobre muitos pensadores, entre eles Hegel, Kant, Descartes e Heidegger. Entre as principais influências de Nancy estão Derrida, Bataille, Blanchot e Nietzsche.

Nesta sexta (27/05) e sábado (28/05) Flávia Pinheiro apresenta 58 Indícios sobre o corpo, na Aliança Francesa Derby, com entrada gratuita.

O ensaio de Nancy sobre o corpo, um escrito anti-cartesiano em forma e conteúdo publicado em 2006, medita sobre os problemas do mundo. E é partir dele que a atriz/bailarina traça uma cartografia sobre a corporeidade.

O corpo de J-L.Nancy é o corpo que transborda. No fragmento 52, ele diz: “O corpo funciona por espasmos, contrações e distensões, dobras, desdobramentos, nós e desenlaces, torções, sobressaltos, soluços, descargas elétricas, distensões, contrações, estremecimentos, sacolejos, tremores, horripilações, ereções, arquejos, arroubos”.

Na performance de Flávia Pinheiro a dança é praticada como uma arte de todos e de qualquer pessoa, mas que desobstrui o gesto e movimento de marcas narrativas. Esse corpo que “grita”, até exceder o limite do próprio corpo, está tomado por intensidades.

Alguns fragmentos de Nancy impregnados no corpo vivo e desejante de Flávia Pinheiro.

1.  O corpo é
material. É denso.
Impenetrável. Se
o penetram, fica
desarticulado,
furado, rasgado.

3.  Um corpo não
é vazio. Está cheio
de outros corpos,
pedaços, órgãos,
peças, tecidos,
rótulas, anéis,
tubos, alavancas
e foles. Também
está cheio de si
mesmo: é tudo o
que é.

5.  Um corpo é
imaterial. É um
desenho, um con-
torno, uma ideia.

9.  O corpo é visível, a alma, não. Vemos que um paralítico não pode mexer sua perna direito. Não vemos que um homem mau não pode mexer sua alma direito: mas devemos pensar que isto é o efeito de uma paralisia da alma. E que é preciso lutar contra ela e obrigá-la a obedecer. Eis aí o fundamento da ética, meu caro Nicômaco.

43.  Por que indícios em vez de
caracteres, signos, marcas distintivas?
Porque o corpo escapa, nunca está
bem seguro, deixa-se suspeitar, mas
não identificar. Poderia sempre ser
não mais que uma parte de um corpo
maior, que supomos ser sua casa, seu
carro ou seu cavalo, seu burro, seu
colchão. Poderia não ser mais que um
duplo desse outro corpo tão pequeno e
vaporoso que chamamos de sua alma e
que sai de sua boca quando ele morre.
Só dispomos de indicações, traços,
pegadas, vestígios

58.  Por que 58 indícios? Porque 5 + 8
= os membros do corpo, braços, pernas e
cabeça, e as 8 regiões do corpo: as costas,
o ventre, o crânio, o rosto, as nádegas,
o sexo, o ânus, a garganta. Ou, senão,
porque 5 + 8 = 13 e 13 = 1 & 3, 1 valendo
pela unidade (um corpo) e 3 valendo
pela incessante agitação e transformação
que circula, se divide e se excita entre a
matéria do corpo, sua alma e seu espíri-
to… Ou, senão, ainda: o arcano XIII do
tarô designa a morte e a morte incorpora
o corpo no inconsumível corpo univer-
sal dos lodos e dos ciclos químicos, dos
calores e dos brilhos estelares.

59.  Surge, por conseguinte, o quinquagésimo-nono indício, o
supranumerário, o excedente, o sexual: os corpos são sexuados.
Não existe corpo unissex como hoje se diz de certas peças de
roupa. Ao contrário, um corpo é por toda parte também um sexo:
assim os seios, um membro, uma vulva, os testículos, os ovários,
as características ósseas, morfológicas, fisiológicas, um tipo de
cromossoma. O corpo é sexuado em essência. Esta essência é de-
terminada como a essência de uma relação com a outra essência.
O corpo é assim determinado como essencialmente relação, ou em
relação. O corpo é relacionado com o corpo do outro sexo. Nessa
relação, trata-se da sua corporeidade à medida que ela toca pelo
sexo em seu limite: ela goza, quer dizer, o corpo é sacudido fora
de si mesmo. Cada uma de suas zonas, gozando por si mesma,
emite no fim o mesmo clarão. Isto se chama uma alma. Porém,
mais frequentemente, isto permanece apreendido pelo espasmo,
no soluço ou no suspiro. O finito e o infinito se cruzaram, inter-
cambiaram-se por um instante. Cada um dos sexos pode ocupar a
posição do finito ou do infinito

Sessões gratuitas na Aliança Francesa do Derby, Foto: Leandro

Sessões gratuitas sexta (27) e sábado (28), na Aliança Francesa do Derby, Foto: Leandro Oliván

Ficha Técnica:
Performer: Flavia Pinheiro
Imagens : Leandro Olivan
Produção : Coletivo Mazdita
Apoio: Aliança Francesa

SERVIÇO
58 Indícios sobre o corpo
Onde: Aliança Francesa Derby (Rua Amaro Bezerra 466)
Quando: Sexta-feira 27 às 17h; Sábado 28, às 19h
Quanto: Grátis

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Abreviação da vida útil

Flávia Pinheiro em Dispositivo versão beta

Flávia Pinheiro em Diafragma Dispositivo versão beta

O que é o mundo real e o  virtual para os seres contemporâneos? Essas coisas produzidas pelo capitalismo interligam humanos, maquinas e os confundem. “O corpo é uma máquina; o trabalhador, um maquinista”, abalizava Vsevolod Meyerhold. Em Kafka, Por una literatura menor, Gilles Deleuze e Félix Guattari atestam: “O maquinista é parte da máquina, não somente durante sua atividade como maquinista, como também depois”. Essas citações estão carregadas de conceitos complexos, transpassadas por questões do capitalismo e suas ações de disciplinamento e relação poder versus resistência.

Na performance manifesto Diafragma dispositivo versão beta, do Coletivo Mazdita, a bailarina e performer Flavia Pinheiro utiliza objetos analógicos, como uma televisão antiga, uma vitrola, um projetor de slides para destacar a obsolescência programada no capitalismo. A limitação da vida útil atinge o corpo e a própria existência. O espetáculo está em cartaz de hoje a 14 de abril, às quartas e quintas-feiras, às 20h, no Edf Texas, na proposta “pague quanto puder”.

Confira a crítica sobre o espetáculo.

Ao hackear o corpo, a performer Flavia Pinheiro interage com diferentes artefatos, criando reposicionamentos no jogo. Ao mesmo tempo em que amplifica a obsolescência programada desses objetos que mal funcionam, estremece o estatuto da verdade das ofensivas do capitalismo.

Ao lado do argentino Leandro Olívan, a performer investiga a constituição de sujeitos, produção de subjetividade, as relações transversais de corpos e biopolítica sociais. Para isso emprega alguns princípios de Gerald Raunig, Michael de Certeau, Vilém Flusser, Gilles Deleuze.

Ficha técnica:
Produção: Coletivo Mazdita
Performer/Direção: Flavia Pinheiro
Objetos e ruido: Leandro Oliván

Serviço:
Diafragma Dispositivo Versão Beta
Onde: Edf Texas (Rua Rosário da Boa Vista 163)
Quando: 6,7,13, 14 de abril, quartas e quintas-feiras às 20h
Quanto: Pague quanto puder
Duração: 40 minutos

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Na contracorrente do capitalismo

A Enchente, espetáculo dirgido por Flávia Pinheiro. Foto: Danilo Galvão

Talvez fosse preciso mais tempo para ruminar sobre A enchente, que assisti ontem no Teatro Hermilo Borba Filho. Mas é urgente que outros vejam, já que a curta temporada termina hoje (27). E talvez esse texto ajude. O espetáculo é inspirado em conto homônimo de Hermilo Borba Filho. É uma narrativa curta, com toques surrealistas, que trata da luta de uma mulher durante uma inundação. Ela, um morto no caixão, e os animais (cavalos, cachorro, ovelha) são surpreendidos com o dilúvio. A chuva cai incessantemente, enquanto cada um tenta sobreviver nesse provisório mundo líquido. As palavras evocam imagens potentes. A diretora Flávia Pinheiro materializa as sensações sugeridas pelo texto em gestos e movimentos, performance, vídeo e som em frenesi.

A montagem foi selecionada pelo projeto O solo do outro, uma iniciativa do Centro Apolo/ Hermilo. Além de Flávia, idealizadora do trabalho, estão envolvidos no espetáculo Leandro Oliván (desenho de imagem e som), Maria Paula Costa Rêgo (dramaturgista corporal), Pedro Vilela (desenho de luz), Guilherme Luigi (diretor de arte), e as três bailarinas/ performers Gardênia Coleto, Marcela Aragão e Marcela Filipe.

E aqui vale um parêntese. Ao final da apresentação as bailarinas reportaram ao público que o pagamento do valor de R$ 22.300 previsto no edital do projeto O Solo do Outro, só saiu na sexta-feira, 18 de março. O outro selecionado, A rã, da Cia. Aninatus Invictus, entrou e saiu de cartaz sem receber o dinheiro. Elas pontuaram que é preciso mais respeito e compromisso do poder público com os criadores. A verba deveria ter saído em outubro, segundo elas.

A enchente. Foto Ivana Moura

Jogo com um pedaço de madeira. Foto: Ivana Moura

Entre a correnteza do conto de HBF e a crise migratória na Europa são erguidas pontes de significados nos movimentos das bailarinas. O mundo enfrenta mal suas catástrofes naturais e humanas. O capitalismo faz o serviço sujo de categorizar, excluir e eliminar indivíduos. A enchente pulsa da revolta. Os procedimentos de criação amplificam restrições e obstruções de movimentos, utilizando jogos que se assemelham aos esportes de bola com as mãos (mas no caso são tábuas). Desses atritos entre corpos, o espetáculo reconstrói narrativas que abarcam a miséria do mundo. Ou traz o mundo para o corpo impregnado da própria linguagem.

Na cena inicial, os corpos traçam posições de obstáculos, que podem remeter para o sentido de represas, comportas para curso das águas volumosas do título ou para processo de contenção de gente nas fronteiras dos países desenvolvidos. Em alguns momentos, com o vídeo ao fundo, os movimentos de derrubada dos bailarinos remetem à barbárie, indiferença e intolerância.

As projeções mostram criaturas tentando ultrapassar muros e sendo derrubadas por soldados; soldados que observam indiferentes e enchentes destruidoras em várias camadas. De costas, nuas da cintura para cima, elas apresentam gestuais repetitivos e grande esforço de dorsos, que formam grafismos, como as posições perpendiculares e de queda. Depois elas animam o jogo com um pedaço de madeira.

O medo de uma mulher que enfrenta a força da água a move em busca de salvação. De transcender os próprios limites. Esse desejo segue entre a música de Leandro Oliván e o silêncio, o deslocamento agitado e breves movimentos de imobilidade. A iluminação de Pedro Vilela aquece as ações, preenchendo espaços ou abrindo para o vazio.

No palco, tábuas estão ancoradas nas paredes. Dispostas para construção de espaço que são derrubados. As bailarinas desenham um habilidoso jogo de contradições na composição do redemoinho. A Terra ferida grita de dor e reage com fúria. Os oprimidos do mundo são barrados nas fronteiras. Mas até quando eles serão contidos com essa violência sem sentido pelos países ricos?

Áudio e vídeo selecionados e reconfigurados por Leandro Oliván alcançam outras dimensões e circunstâncias de uma nova estupidez. Ele utilizada trechos de obras de cineastas experimentais como o lituano Jonas Mekas, a performer norte-americana Carolee Schneemann, o palestino Mustafa Abu Ali, o francês Chris Marker, a soviética Esfir Shub, o norte-americano Stan Brakhage. A escolha de trechos desses artistas para explosão de limites criativos já indica posições de Flávia Pinheiro e Leandro Oliván. Eles também se valeram de arquivos em vídeo tanto da Fundação Joaquim Nabuco quanto da Fundarpe, com cenas de inundações no Recife e no Interior.

A enchente é um espetáculo poderoso, rico de significados, com uma direção que investe na capacidade de pensar. Em que as bailarinas levam para seus corpos os questionamentos desses movimentos contemporâneos excludentes e perigosos. Em que usam técnica e força para criar beleza. Uma beleza nervosa por tudo que ela significa.

FICHA TÉCNICA
Concepção, direção e dramaturgia:  Flavia Pinheiro
Desenho de Imagem e  Som: Leandro Oliván
Performers: Gardênia Coleto, Marcela Aragão e Marcela Filipe
Dramaturgista Corporal: Maria Paula Costa Rêgo
Desenho de Luz: Pedro Vilela
Diretor de Arte: Guilherme Luigi
Duração: 45 minutos
Fotografia: Danilo Galvão

SERVIÇO
A enchente, de Flávia Pinheiro
Quando: 17, 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27 de março, sempre às 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho – Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Informações: 3355-3320

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Transbordamentos contemporâneos

A Enchente, espetáculo inspirado no conto de Hermilo Borba Filho, com direção de Flávia Pinheiro

As inquietações do dramaturgo pernambucano Hermilo Borba Filho (1917-1976) reverberam nesses tempos conturbados, sombrios e de muitas exclusões do humano. Do conto A enchente, a artista Flávia Pinheiro criou um trabalho transdisciplinar pelo projeto O Solo do Outro. A peça articula o escrito de HBF, a performance e o vídeo.

Do texto, os artistas envolvidos erguem uma metáfora que expõe em escala maior os flagelos humanos atuais. Das correntes migratórias às vísceras do capitalismo globalizado, que não esconde sua faceta insensível frente aos acontecimentos.

O espetáculo cumpre sua segunda e última semana no Teatro Hermilo Borba Filho, de hoje até domingo, às 20h.

Espetáculo problematiza e amplia a catástrofe natural. Foto:Danilo Galvão/ Divulgação

Espetáculo problematiza e amplia a catástrofe natural. Foto:Danilo Galvão/ Divulgação

O comunismo fracassou! O socialismo fracassou! E o capitalismo? Esse sistema que anula pessoas, transforma gente em números, concebe hierarquia de valores para os seres baseada na capacidade de acumular bens ou de exercer a mais valia. O espetáculo A Enchente busca problematizar e ampliar no palco a catástrofe natural.

Para compor a peça, a diretora utiliza imagens de arquivo pessoal, trechos  de obras de cineastas experimentais como Jonas Mekas, Carolee Schneemann, Mustafa Abu Ali, Chris Marker, Esfir Shub, Stan Brakhage e cenas das inundações na cidade do Recife e dos engenhos no interior do estado, dos aquivos de vídeo da Fundaj e da Fundarpe.

As três bailarinas/ performers Gardênia Coleto, Marcela Aragão e Marcela Filipe exploram contenções e obstruções de movimentos e jogos com regras e materiais. As imagens de corrente, água subindo, redemoinho, o medo do fim estão lá. Essa luta do indivíduo com o mundo líquido, em que tenta nadar, flutuar, e se possível, voar é pescada do conto de Hermilo para transformar em princípios de movimento.

A música é assinada por Leandro Oliván, que utiliza a voz de Hermilo em uma entrevista para criar texturas e sonoridades. A infância do escritor no Engenho Verde é ficcionalizada, a partir de trechos do livro Margem das lembranças.

FICHA TÉCNICA
Concepção, direção e dramaturgia:  Flavia Pinheiro
Desenho de Imagem e  Som: Leandro Oliván
Performers: Gardênia Coleto, Marcela Aragão e Marcela Filipe
Dramaturgista Corporal: Maria Paula CostaRêgo
Desenho de Luz: Pedro Vilela
Diretor de Arte: Guilherme Luigi
Duração: 45 minutos
Fotografia: Danilo Galvão

SERVIÇO
A enchente, de Flávia Pinheiro
Quando: 17, 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27 de março, sempre às 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho – Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Informações: 3355-3320

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A tecnologia como experiência encarnada

Flávia Pinheiro

Flávia Pinheiro em Diafragma: dispositivo versão beta

mbd-22233 A relação entre o corpo e a tecnologia é o pretexto de uma pesquisa que a bailarina, atriz e performer Flavia Pinheiro vem desenvolvendo junto com argentino Leandro Olívan para o Coletivo Mazdita. Diafragma: dispositivo versão beta, construído com base em objetos analógicos e obsoletos, estreou no ano passado na cidade e hoje participa da 12ª Mostra Brasileira de Dança, às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho, no Bairro do Recife. Na performance-manifesto, Flavia Pinheiro interatua com diferentes objetos criados e reutilizados por Leandro Oliván, aguçando a sua natureza desusada.

Este ano, o Mazdita lançou Diafragma: ensaio sobre a Impermanência, uma investigação sobe a impossibilidade de existir apenas na materialidade, utilizando as novas tecnologias. E no ano que vem apresenta a terceira parte da trilogia.

O Coletivo investiga dispositivos eletrônicos que constituem um arrolamento entre o corpo em movimento e a relação do espaço com os objetos. Em Diafragma: dispositivo versão beta, o grupo repensa os artefatos e seu consumo. Com isso a trupe propõe que não somos consumidores passivos. E lança luz sobre a ideia de obsoleto subordinada à máquina do capitalismo.

Para a companhia, a tecnologia é uma experiência encarnada. Faz parte do corpo, da maneira de ver o mundo e influencia no comportamento. É por isso que nessa prática o grupo busca se apropriar das ferramentas, de repensar suas práticas e ideologias.

Performance integra pesquisa do Coletivo Mazdita

Performance integra pesquisa do Coletivo Mazdita

E como os objetos não são desprovidos de inocência, eles carregam história e modos de pensar, o Mazdita adota uma posição crítica na utilização dessas peças e tenta desvendar os seus mecanismos operatórios.

Para essa performance, Flavia Pinheiro emprega um treinamento corporal que agrupa diferentes técnicas, como o Release (um conjunto de princípios e métodos de treinamento de dança contemporânea, que enfatiza a liberação da tensão muscular, para que os movimentos sejam realizados com um esforço mínimo), a técnica Iasparra (que amplifica a consciência física e sensível, e expande o campo perceptivo global), o Feldelkrais, (método que utiliza as percepções que as ações do corpo no espaço traz à consciência para tornar mais eficientes e econômicos os movimentos), o treinamento aeróbico, a yoga e outros.

Ficha técnica
Criação e Performance: Flavia Pinheiro.
Imagens: Martin Raabe.
Objetos Sonoros e Ruído: Leandro Olivan.
Fotografia: Pri Camara
Produção: Coletivo Mazdita

SERVIÇO
Diafragma:dispositivo versão Beta
Quando: Hoje, às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Ingresso: 20 e 10 Reais
Duração: 42 minutos

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