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Recife do Teatro Nacional chega aos 20 festivais

Renata Sorrah, Grace Passô e Nadja Naira em cena de "Preto" – Foto: Tiago Lima/Sesc SP/Divulgação

Renata Sorrah, Grace Passô e Nadja Naira em PRETO. Foto: Tiago Lima/ Sesc SP/Divulgação

De 18 e 25 de novembro ocorre o 20º Festival Recife do Teatro Nacional, promovido pela Prefeitura do Recife. Nesta edição, os coordenadores Romildo Moreira e Ivo Barreto selecionaram 12 espetáculos, sendo cinco pernambucanos: Em Nome do Desejo, da Galharufas Produções; Espera o Outono, Alice, do Amaré Grupo de Teatro; Ligações Perigosas, do Teatro de Fronteira; Próxima, solo da atriz Cira Ramos e Pro(Fé)Ta – O Bispo do Povo, do Coletivo Grão Comum. Além do mezzo Potiguar mezzo pernambucano A Mulher Monstro. O ator Reinaldo de Oliveira, do histórico Teatro de Amadores de Pernambuco – TAP, é o homenageado desta edição.

A companhia brasileira de teatro abre o circuito com Preto, peça que ausculta o racismo e a negação das diferenças a partir da vivência brasileira e em perspectiva com o mundo. Sobre Preto o diretor Márcio Abreu diz na página do grupo que o projeto promove uma investigação sobre o que gera a recusa das diferenças em nossas sociedades, e principalmente sobre as possibilidades de coexistência e campos de interação entre as diferenças. E, a partir daí, reage artisticamente através de múltiplas visões e sentidos.

Em tempos de pós-verdade e pós-ética, o espetáculo LTDA., do Coletivo Ponto Zero, do Rio de Janeiro aposta na pauta das fake News. A outra produção carioca no festival é o infanto-juvenil A Gaiola, da Camaleão Produções Culturais, que conta a história de amor, amizade e liberdade entre uma menina e um passarinho.

O ator pernambucano Samuel Paes de Luna narra as pelejas de uma personagem que vive no Vale do Jequitinhonha, no interior do estado de Minas Gerais, misturando às próprias histórias em O Que Só Passarinho Entende, da Cia Cobaia Cênica, de Santa Catarina.

Woyzek

WOYZECK aproxima o primeiro protagonista proletário da literatura alemã à realidade brasileira do Zé Ninguém.

Woyzeck– Zé Ninguém, do Teatro Terceira Margem e Artistas Independentes da Bahia, é inspirado na obra do dramaturgo alemão Georg Buchner e transporta para a realidade brasileira o primeiro protagonista proletário do teatro moderno. Esse homem, que é usado como cobaia por um médico numa experiência, exibe o show de horrores que é a sua própria vida.

Também da Bahia, o Teatro La Independencia, do Oco Teatro Laboratório traça os conflitos de um grupo de artistas que é confrontado com a ação de venda do espaço teatral em quer reside e trabalha. A trupe ensaia a nova encenação que fala sobre a América Latina.

PRODUÇÃO PERNAMBUCANA

Em Nome do Desejo homenageia Antonio Cadengue. Foto: Yêda B.ezerra de Melo / Divulgação

EM NOME DO DESEJO homenageia Antonio Cadengue. Foto: Yêda B.ezerra de Melo / Divulgação

Baseado no romance homônimo de João Silvério Trevisan, Em nome do Desejo é o último espetáculo dirigido por Antonio Cadengue (1954 – 2018). A montagem sobre amor clandestino de dois seminaristas teve sua primeira versão em 1990. A atual encenação está carregada de homenagens ao legado do diretor, que morreu em 1º de agosto.

Espera o Outono, Alice, do Amaré Grupo de Teatro, promete uma reflexão sobre as perdas contabilizadas ao longo da existência, as mortes, as saudades, mas também envereda pela pulsão de vida.

Celebrando 40 anos de teatro, Cira Ramos investiu também na dramaturgia para erguer Próxima, solo que fala de arte, tempo, ciclos e da transitoriedade da vida com muito humor.

Inspirado no conto Creme de alface de Caio Fernando Abreu, A Mulher Monstro trata da intolerância e do preconceito, a partir das atitudes e pensamentos da figura que dá nome à peça e parece um espelho do Brasil de hoje.

Conhecemos a crueldade e perversão moral da aristocracia do período anterior à Revolução Francesa, do famoso romance de Choderlos de Laclos, Ligações Perigosas, que virou filme para cinema e TV. A montagem pernambucana do Teatro de Fronteira escancara a manipulação e intrigas do Visconde de Valmont e a Marquesa de Merteuil.

A atuação de Dom Hélder Camara na renovação da Igreja Católica no século XX e na sua defesa contra as violações dos Direitos Humanos são enforcados em Pro(Fé)Ta – O Bispo do Povo, do Coletivo Grão Comum. A peça fecha a Trilogia Vermelha, composta também pelos espetáculos h(EU)stória – o tempo em transe, sobre a vida e obra do cineasta baiano Glauber Rocha, e pa(IDEIA) – a pedagogia da libertação, em que entram em cena as ideias progressistas do educador pernambucano Paulo Freire.

Nascido em 1997, o Festival Recife do Teatro Nacional ajudou ao longo desse período na formação do artista e do espectador que teve contato com grandes peças da cena contemporânea brasileira. Com a criação de outros festivais e mostras -, como Trema Festival, CAMBIO festival, Feteag (que é de Caruaru mas tem uma perna no Recife), Cumplicidades, Mostra Luz Negra – O Negro em Estado de Representação, Outubro ou Nada – Mostra de Teatro Alternativo do Recife, além do Janeiro de Grandes Espetáculos, que é anterior ao FRTN -, o protagonismo foi dividido. O que, para Romildo Moreira, é um dado bem positivo.

PROGRAMAÇÃO 

20º FESTIVAL RECIFE DO TEATRO NACIONAL

 

PRETO

Preto

Cássia Damasceno, Felipe Soares e Grace Passô em PRETO. Foto: Nana Moraes/ Divulgação

Companhia Brasileira de Teatro (PR)
Quando: Dias 18 e 19, às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Duração: 80 minutos
Indicado para maiores de 14 anos
O espetáculo se articula a partir da fala pública de uma mulher negra, numa espécie de conferência sobre questões que incluem racismo, a realidade do povo de pele negra no Brasil hoje, o afeto e o diálogo, a maneira como lidamos com as diferenças e como cada um se vê numa sociedade marcada pela desigualdade.
Direção: Marcio Abreu
Elenco: Cássia Damasceno, Felipe Soares, Grace Passô, Nadja Naira, Renata Sorrah e Rodrigo Bolzan
Músico: Felipe Storino
Dramaturgia: Marcio Abreu, Grace Passô e Nadja Naira
Iluminação: Nadja Naira
Cenografia: Marcelo Alvarenga
Trilha e efeitos sonoros: Felipe Storino
Direção de Produção: José Maria | NIA Teatro
Direção de Movimento: Marcia Rubin
Vídeos: Batman Zavarese e Bruna Lessa
Figurino: Ticiana Passos
Assistência de Direção: Nadja Naira
Orientação de texto e consultoria vocal: Babaya
Consultoria Musical: Ernani Maletta
Adereços | Esculturas: Bruno Dante
Colaboração artística: Aline Villa Real e Leda Maria Martins
Assistência de Iluminação e Operador de Luz: Henrique Linhares
Assistência de Produção e Contrarregragem: Eloy Machado
Operador de Vídeo: Bruna Lessa e Bruno Carneiro
Produção Executiva: Caroll Teixeira
Participação Artística na Residência realizada em Dresden: Danilo Grangheia, Daniel Schauf e Simon Möllendorf
Projeto Gráfico: Fabio Arruda e Rodrigo Bleque | Cubículo
Fotos: Nana Moraes
Produção: companhia brasileira de teatro

 

WOYZESCK – ZÉ NINGUÉM

História de um homem oprimido por todos ao seu redor e que vira um assassino. Foto: Divulgação

História de um homem oprimido por todos ao seu redor e que vira um assassino. Foto: Divulgação

Teatro Terceira Margem e Artistas Independentes (BA)
Quando: Dia 20, às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Duração: 90 minutos
Indicado para maiores de 14 anos
Investindo na estética do circo e show de horrores, o espetáculo Woyzeck-Zé Ninguém, cujo texto original é do dramaturgo alemão Buchner, propõe transportar o primeiro protagonista proletário da literatura alemã à realidade brasileira. Baseada em fatos reais, a dramaturgia traz a história de um homem que, tomado como experimento por um médico, oprimido circunstancialmente pela sociedade, assassina a mulher amada sob imposição do automatismo. Com cortes abruptos e cenas ritmadas cinematogracamente, a adaptação é composta de elementos que reforçam a aproximação desta história com a realidade social e cultural brasileira. Canções de Gonzaguinha ajudam a compor a trajetória do protagonista, nesta que é considerada uma possível e universal situação dramática do homem comum.
Direção – Caio Rodrigo
Codireção – Guilherme Hunder
Texto original – Georg Buchner
Adaptação – Caio Rodrigo
Elenco – Felipe Viguini, Simone Brault, Wanderlei Meira, Caio Rodrigo, Rui Mantur, Marcos Lopes e Elinas Nascimento.
Produção – Raquel Bosi e Queila Queiroz
Direção musical – Elinas Nascimento
Trilha Sonora – Caio Rodrigo e Elinas Nascimento
Direção de movimento e coreografias – Mônica Nascimento
Cenário – Caio Rodrigo
Figurinos – Guilherme Hunder
Iluminação – Pedro Dultra
Maquiagem – Guilherme Hunder
Desenho de arte – Luís Parras
Operação de Luz – Tarsila Batista Passos
Cenotécnico – Ademir (Escola de teatro da UFBA), Marcos Nunez (Miniusina)
Costureiras – Regina Bosi e Sarai Reis
Fotografia – Diney Araujo
Arte gráfica – Ian Fraser
Realização – Teatro Terceira Margem e Artistas independentes.

 

A MULHER MONSTRO 

Foto: Divulgação

José Neto Barbosa. Foto: Divulgação

S.E.M. Cia de Teatro (RN/PE)
Quando: Dia 20, às 20h
Onde: Teatro Barreto Júnior
Duração: 70 minutos
Indicado para maiores de 16 anos
A história se baseia no conto Creme de alface de Caio Fernando Abreu, escrito em plena ditadura militar, mas ainda tão atual. A tragicomédia fala da intolerância e do preconceito, parecendo tratar da atualidade política e social do Brasil, por meio da figura de uma burguesa perseguida pela própria visão intolerante da sociedade, que não sabe lidar com a solidão, nem com o próximo, num tempo de ódio e corrupções. Expõe as monstruosidades ditas e praticadas, trazendo à cena falas reais, denunciando expressões e atitudes radicalistas, fundamentalistas ou até mesmo segregacionistas do cotidiano.
Direção, elenco e figurino: José Neto Barbosa
Dramaturgia: José Neto Barbosa, a partir de conto de Caio Fernando Abreu
Direção Musical: Mylena Sousa, Diógenes e José Neto Barbosa
Cenografia: José Neto Barbosa, Diego Alves e Anderson Oliveira
Luz: Sérgio Gurgel Filho e José Neto Barbosa
Produção: José Neto Barbosa, Diego Alves e Anderson Oliveira
Maquiagem: José Neto Barbosa e Diógenes

 

LIGAÇÕES PERIGOSAS

Os atores Rodrigo Dourado e Rafael Almeida em cena de ‘Ligações Perigosas’. Foto: Ricardo Maciel/Divulgação

Os atores Rodrigo Dourado e Rafael Almeida em Ligações Perigosas. Foto: Ricardo Maciel/Divulgação

Teatro de Fronteira (PE)
Quando: Dia 21, às 20h
Onde: Teatro Apolo
Duração: 70 minutos
Indicado para maiores de 16 anos
Um dos grupos de teatro mais atuantes do Recife estreia, a partir da obra de Chordelos de Laclos, seu mais novo espetáculo, dirigido por um dos encenadores mais importantes do país: João Denys Araújo Leite. A peça tem quatro vértices de um intrincado polígono amoroso-sexual-teatral. Em cena, os atores/personagens ensaiam e vivem suas peripécias e jogos emocionais.
Direção: João Denys Araújo Leite
Elenco: Rafael Almeida e Rodrigo Dourado
Adaptação Dramatúrgica: Teatro de Fronteira
Figurinos, Adereços e Maquiagem: Marcondes Lima
Cenografia: João Denys Araújo Leite
Cenotécnica: Israel Marinho, Manuel Carlos e Rafael Almeida
Design e Execução de Luz: João Guilherme de Paula (Farol Ateliê da Luz)
Sonoplastia: João Denys Araújo Leite
Realização: Teatro de Fronteira

 

TEATRO LA INDEPENDENCIA

Foto: Diney Araújo

O que é ser latino americano? pergunta o espetáculo. Foto: Diney Araújo

OCO Teatro Laboratório (BA)
Quando: Dias 21 e 22, às 20h
Onde: Teatro Luiz Mendonça
Duração: 100 minutos
Indicado para maiores de 16 anos
O Teatro La Independencia está sendo vendido para um empreendimento e o grupo que reside nele terá que concordar em abandonar o espaço ou permitir que sejam relocados num outro. No meio disso, os atores estão ensaiando o novo espetáculo que fala sobre América Latina. O espetáculo transita entre a realidade que se impõe e as nossas utopias, sonhos, desejos, tendo a também utópica América Latina como cenário. O que é ser latino-americano? Vendemos ou não vendemos La Independência? Eis a questão! É um espetáculo para atravessar diversas sensações, uma sutura em uma ferida que se abre constantemente, transita pela dor de existir em um tempo de ruínas e pela felicidade de – ainda neste tempo – persistir sonhando.
Texto: Paulo Atto.
Com: Evelin Buchegger, Rafael Magalhães, Uerla Cardoso, Caio Rodrigo, Evana Jeyssan e Daniel Farias.
Direção Musical. Luciano Bahia.
Figurinos e Adereços. Agamenon de Abreu.
Cenário. Luis Alonso
Elaboração de cenários. Adriano Passos, André Passos,
Bruno Matos, Cassio Vieira (Tomate), George Santana (Sabará)
Cenotecnica: Agnaldo Queiroz
Desenhos no Cenário. Agamenon de Abreu
Iluminação. Rita Lago.
Assessoria de Imprensa. Dóris Veiga Pinheiro.
Assistente de Produção. Nei Lima
Produção. Rafael Magalhães.
Concepção e Direção. Luis Alonso.

 

O QUE SÓ PASSARINHO ENTENDE

Foto: Tiago Amado

Pernambucano Samuel Paes de Luna, radicado em Santa Catarina. Foto: Tiago Amado / Divulgação

Cia Cobaia Cênica (SC)
Quando: Dia 22, às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Duração: 70 minutos
Livre para todos os públicos
No espetáculo solo, o ator pernambucano Samuel Paes de Luna conta a história de uma personagem que vive no Vale do Jequitinhonha, no interior do estado de Minas Gerais, mesclando a vida real com memórias de sua própria história em sua terra natal. De maneira lúdica e poética, defende que o real valor e beleza de sua existência estão no conhecimento empírico, diretamente ligado à natureza.
Texto: Agatha Duarte
Conto Totonha: Marcelino Freire
Direção: Thiago Becker
Atuação: Samuel Paes de Luna
Trilha: Rodrigo Fronza
Produção: Cia Cobaia Cênica

 

PRÓXIMA

foto Séphora Silva

Cira Ramos comemora 40 anos de teatro. Foto: Séphora Silva / Divulgação

Cira Ramos (PE)
Quando: Dia 23, às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Duração: 60 minutos
Indicado para maiores de 14 anos
O espetáculo solo sugere um umbral, onde o tempo é inexorável, para próximas etapas e próximos desafios na vida extenuante da mulher contemporânea. Pressionada por todos os lados, numa espiral de sentimentos, travando batalhas com as memórias, dúvidas e incertezas, ora nos faz rir, ora nos incomoda, quando espelho, mas, sobretudo, nos faz refletir sobre o lugar que queremos ocupar como artista, como mulher, como ser humano.
Texto e atuação: Cira Ramos
Direção: Sandra Possani

Assistência: Marcelino Dias
Direção de arte: Séphora Silva
Iluminação: Dado Sodi
Trilha Sonora: Nando Lobo

 

EM NOME DO DESEJO

Foto: Yêda Bezerra de Mello / Divulgação

Foto: Yêda Bezerra de Mello / Divulgação

Galharufas Produções (PE)
Quando: Dia 23, às 19h
Onde: Teatro Barreto Júnior
Duração: 100 minutos
Indicado para maiores de 16 anos
No meio de uma séria crise pessoal, um homem de meia idade volta para o antigo seminário onde estudara. Recorda-se do momento mais crucial de sua adolescência, trinta anos atrás, quando viveu o grande amor de sua vida. Mescla os planos do passado e do presente, que se interpenetram, com o personagem já maduro invadindo a cena e até dialogando com o adolescente, em suas lembranças. Num terceiro plano, a figura da mística Santa Teresa de Ávila comenta e impulsiona a cena, com seus poemas de amor.
EM NOME DO DESEJO, de João Silvério Trevisan
ELENCO
Ticão: Taveira Júnior
Santa Teresa De Ávila: Edinaldo Ribeiro
Tiquinho: Miguel Taveira
Abel: Vinicius Barros
Pe. Reitor: Paulo De Pontes
Pe. Marinho: Angelis Nardelli
Canário: Tarcísio Vieira
Tuim: Raul Lima
Siriema: Adilson Di Carvalho
Anjo De Tiquinho: Ryan Leivas
Chiclete-De-Onça: Rafael De Melo
Tora-Tora/Cristo/Anjo: Gil Paz
Rafael: Dado Santana
Moura/Anjo: José Lucas
Cristão/Seminarista: Alexandre Augusto
Técnica
Adaptação Do Romance: Antonio Cadengue E João Silvério Trevisan
Encenação e Direção Geral: Antonio Cadengue
1º Assistente De Direção: Igor De Almeida Silva
2º Assistente De Direção: Claudio Lira
Trilha Sonora: Antonio Cadengue E Igor De Almeida Silva
Direção De Arte: Manuel Carlos De Araújo
Iluminação: Augusto Tiburtius
Assistente De Iluminação: Luiz Mário Veríssimo
Programação Visual: Claudio Lira
Direção Musical: Samuel Lira
Coreografias, Direção De Movimentos E Preparação Corporal: Paulo Henrique Ferreira
Preparação Vocal: Leila Freitas
Preparação De Elenco (1º Fase De Montagem): Durval Cristovão
Fotos: Yêda Bezerra De Melo
Cenotécnica: Luiz Mário Veríssimo E Gaguinho
Confecção De Cenários: Helena Beltrão
Confecção De Figurinos: Maria Lima
Confecção De Candelabros: Israel Marinho
Operação De Som: Fernando Calábria
Operação De Luz: Icílio Wagner
Contrarregra: Gaguinho
Assessoria De Comunicação: Antonio Nelson
Assistentes De Produção: Alexandre Sampaio, Felipe Endrio E Thalita Gadêlha
Produção Executiva: Taveira Júnior
Gerência De Produção: Galharufas Produções E Companhia Teatro De Seraphim

 

A GAIOLA

Peça infantil trata do amor, amizade, desapegos e prisões. Foto: Guga Melgar

Peça infantil trata do amor, amizade, desapegos e prisões. Foto: Guga Melgar / Divulgação

Camaleão Produções Culturais (RJ)
Quando: Dias 24 e 25, às 16h30
Onde: Teatro de Santa Isabel
Duração: 50 minutos
Indicado para maiores de 12 anos
Baseado no livro infantil de mesmo nome adaptado pela própria Adriana Falcão em parceria com Eduardo Rios, dirigido por Duda Maia, e estrelado pelos atores/cantores Carol Futuro e Pablo Áscoli. Conta a história de um passarinho que cai na varanda de uma menina, e enquanto ela cuida dele, os dois se apaixonam. Quando o passarinho fica curado e eles têm que se despedir, ela resolve aprisioná-lo em uma gaiola.
Adaptação: Adriana Falcão e Eduardo Rios
Direção e Roteiro: Duda Maia
Elenco: Carol Futuro e Pablo Áscoli
Diretor Assistente: Fábio Enriquez
Direção musical e trilha original: Ricco Viana
Cenário: João Modé
Iluminação: Renato Machado
Figurino: Flávio Souza
Coreografia Aérea: Leonardo Senna
Direção de Produção: Bruno Mariozz
Produção: Palavra Z Produções Culturais
Idealização: Camaleão Produções Culturais

 

ESPERA O OUTONO, ALICE

Foto: Arnaldo Sete.

Foto: Arnaldo Sete.

Amaré Grupo de Teatro (PE)
Quando: Dia 24, às 19h
Onde: Teatro Apolo
Duração: 60 minutos
Indicado para maiores de 14 anos
Ao misturar textos mais conhecidos de nomes como Pedro Bomba, Felipe André, Marla de Queiroz e Carl Sagan ao dos diretores e atores, o enredo busca provocar uma reflexão sobre as perdas que temos ao longo da vida, as mortes, as saudades, mas também sobre a pulsão de viver que nos habita. Os atores se revezam em vários personagens e trazem fragmentos não-lineares da vida de Alice, uma garota com vida comum, que decide tomar uma decisão extrema.
Encenação: Analice Croccia e Quiercles Santana
Elenco: Gustavo Soares, Isabelle Barros, Micheli Arantes e Natali Assunção
Texto: Analice Croccia, Quiercles Santana e AMARÉ Grupo de Teatro, com trechos de Marla de Queiroz, Pedro Bomba, Carl Sagan, Felipe André
Iluminação: Natalie Revorêdo
Figurino e cenografia: Micheli Arantes e Analice Croccia
Operação de áudio: Paulo César Freire
Narração: Paulo César Freire, Íris Campos e Paulo de Pontes
Pesquisa musical e produção: AMARÉ Grupo de Teatro

 

LTDA. 

Monica Bittencourt e Lucas Lacerda em espetáculo sobre fake news. Foto: Mauricio Fidalgo

Monica Bittencourt e Lucas Lacerda em espetáculo sobre fake news. Foto: Mauricio Fidalgo

Coletivo Ponto Zero (RJ)
Quando: Dias 24 e 25, às 20h
Onde: Teatro Luiz Mendonça
Duração: 60 minutos
Indicado para maiores de 14 anos
Com uma trama que se desenrola em um edifício empresarial no centro do Rio de Janeiro, a peça lança um olhar sobre a condição humana em tempos de pós-verdade e pós-ética, desmascarando a ganância do ser humano por poder e dinheiro.
Dramaturgia:Diogo Liberano
Direção:Debora Lamm
Direção de Produção:Lucas Lacerda
Elenco:Brisa Rodrigues, Brunna Scavuzzi, Leandro Soares, Lucas Lacerda e Orlando Caldeira
Direção de Movimento:Denise Stutz
Criação Sonora:Marcelo H
Figurino:Ticiana Passos
Visagismo:Josef Chasilew
Iluminação:Ana Luzia de Simoni
Cenário:Debora Lamm
Assistente de Direção:Junior Dantas
Assessoria de Imprensa:Ney Motta
Programação Visual:Daniel de Jesus
Fotos de Divulgação:Ricardo Borges
Making Off:Mika Makino e Tatiana Delgado
Produção Executiva:Geovana Araujo Marques
Assistente de Produção:Julia Kruger
Realização:Coletivo Ponto Zero

 

PRO(FÉ)TA – O BISPO DO POVO

Os atores Márcio Fecher, Júnior Aguiar e Daniel Barros em peça sobre Dom Helder. Foto: Divulgação

Os atores Márcio Fecher, Júnior Aguiar e Daniel Barros em peça sobre Dom Helder. Foto: Divulgação

Coletivo Grão Comum (PE)
Quando: Dia 25, às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Duração: 50 minutos
Livre para todos os públicos
Finalizando o ciclo da pesquisa do Coletivo Grão Comum intitulada Trilogia Vermelha, a encenação começa com a notícia do sequestro e assassinato do padre Henrique, em 1969, recordando o martírio dos corpos trucidados pela Ditadura e, até mesmo, da realidade do povo indigente sobrevivendo na lama do Recife, e, como testemunhou o evangelho, a miséria e suplício do próprio Cristo. A peça mobiliza um cortejo pelas ruas da cidade, conduzindo os espectadores rumo ao teatro, para o sepultamento do corpo trucidado, denunciando a violência que nos atinge ainda hoje, que ainda é ferida aberta, sempre injusta e desumana. A obra celebra o aclamado bispo Dom Hélder Câmara pedindo silêncio e paz, evocando reza forte, questionando a crença e a dimensão da fé guardada nos nossos corações dilacerados de desilusão.
Pesquisa dramatúrgica, encenação e iluminação: Júnior Aguiar
Elenco: Daniel Barros, Júnior Aguiar e Márcio Fecher
Música Original: Geraldo Maia (com Paulo Marcondes, Rodrigo Samico, Públius, Hugo
Linnis e Amarelo)
Operação de Áudio e Luz: Felipe Hellslaught
Idealização: Coletivo Grão Comum
Produção Geral : Coletivo Grão Comum, Cen@ff e Gota Serena

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Revirando o Angu de Teatro

Fábio Caio e Hermila Guedes em Angu de Sangue, peça que movimenta a maratona do coletivo

Fábio Caio e Hermila Guedes em Angu de Sangue, peça que integra a maratona do coletivo

O Coletivo Angu de Teatro é admirável pela concentração de talentos e por sua força de realização. A trupe junta no mesmo caldeirão artístico Marcondes Lima, Fábio Faio, Arilson Lopes, Hermila Guedes, Gheuza Sena, Ivo Barreto e André Brasileiro, só para ficar nos componentes que atuam desde o início. Sabemos que não é fácil concretizar ideias e desejos neste estado de Pernambuco que, os fatos provam, dá pouca importância à cultura. Há outros grupos admiráveis na terrinha, graças aos deuses do teatro, à fórmula indestrutível de paixão pela arte e uma tenacidade que mobiliza os artistas.

Em 14 anos o Angu ergueu cinco espetáculos. Três deles – Angu de Sangue, Ossos e Ópera – estão na Maratona Angu de Teatro, que o coletivo apresenta de 29 de junho a 15 de julho na CAIXA Cultural Recife.

Os processos criativos do Angu também são abertos com as oficinas gratuitas sobre técnica e pensamento teatrais: Mexendo com O Pós-Dramático, O Pensamento dos Elementos Visuais na Cena “Operando” sobre a Arte da Trucagem no Teatro. O encenador e cenógrafo do grupo, Marcondes Lima e o ator Ivo Barreto são os responsáveis pelas atividades do Mexendo com o  Pós-Dramático, que ocorre no dia 1º de julho, das 9h às 13h.

Marcondes Lima também ministra o minicurso O Pensamento dos Elementos Visuais na Cena, sobre concepção de cenário, caracterização visual de personagens e iluminação nos espetáculos do Coletivo. O programa ocorre no dia 8 de julho, das 9h às 13h.

Exercícios práticos e estudos reflexivos sobre técnicas da arte transformista são focos de “Operando” sobre a Arte da Trucagem no Teatro, marcado para o dia 15 de julho, das 9h às 13h, oficina facilitada por Marcondes Lima e pelo ator Arilson Lopes.

As inscrições para Mexendo com O Pós-Dramático estão abertas até o dia 27 de junho. Para O Pensamento Dos Elementos Visuais Na Cena vão até 4 de julho e “Operando” Sobre A Arte Da Trucagem No Teatro seguem até 11 de julho. Interessados devem enviar breve currículo e carta de intenção para o e-mail infos.angu@gmail.com

Gheuza Sena no papel da manicure. Foto: Alex Ribeiro

Gheuza Sena no papel da manicure, na peça Angu de Sangue. Foto: Alex Ribeiro

Angu de Sangue marca a estreia do coletivo. A peça leva ao palco textos curtos do escritor pernambucano Marcelino Freire. São dez histórias que problematizam temas da solidão, desigualdade social, descaso e preconceito, da miséria material e existencial, violência, exclusão, dor no cotidiano das grandes cidades. Angu de Sangue é baseada em contos do livro homônimo e de Balé Ralé, ambos de  Freire. A direção é de Marcondes Lima.

A montagem está dividida em quadros. Que inclui histórias como a de Socorrinho, uma menina sequestrada e violentada por um pedófilo, numa narrativa cantado por Hermila Guedes e com uma boneca manipulada por Fábio Caio. Tem a manicure expansiva, interpretada por Gheuza Sena, que faz sua crítica ao Brasil a partir de fatos cotidiano. A catadora de lixo, que defende o lixão que vai ser desativado, no quadro Muribeca, com Fábio Caio. E a homenagem ao artista Pernalonga, símbolo do grupo Vivencial, que sangrou na rua até morrer sem socorro. As cenas estão carregadas de crítica e humor.

O espetáculo faz sobreposição de imagens da cena com outras projetadas em telão e a música traça muitas conexões entre os episódios.

O diretor Marcondes Lima interpreta Estrela no espetáculo. Foto: Divulgação

O diretor Marcondes Lima interpreta Estrela no espetáculo. Foto: Divulgação

André Brasileiro e Daniel Barros numa cena de Ossos. Foto: Divulgação

André Brasileiro e Daniel Barros numa cena de Ossos. Foto: Divulgação

Ossos é o quinto espetáculo do Coletivo pernambucano, o terceiro com texto de Marcelino Freire. É uma história de amor, autoexílio, morte e dignidades possíveis. O espetáculo traça um arco, não-linear, da trajetória do dramaturgo Heleno de Gusmão das brincadeiras de teatro no sertão de Pernambuco à consagração como escritor em São Paulo. No meio disso tudo a solidão, o abandono, a sobrevivência emocional entre garotos de programa.

Heleno de Gusmão sob o pretexto de entregar os restos mortais de seu amante aos familiares, percorre um caminho tortuoso de lembranças e reencontro com suas origens.

Um coro de Urubus comenta os acontecimentos da peça, que se esenvolve em vários cenários; nos guetos paulistanos, nas esquinas dos michês, nos bastidores de um teatro amador, no interior de Pernambuco onde os ossinhos de bois são material para nutrir a imaginação do futuro escritor, na estrada de volta para à terra natal.

São fragmentos de memória do escritor aparecem como sonho ou um estado hiper-real. A iluminação de Jathyles Miranda instaura um clima de traços expressionistas, com sombras e deformidades visuais. E tem ainda a trilha sonora incrível do músico pernambucano Juliano Holanda.

Ópera é a segunda montagem do Coletivo Angu de Teatro, que faz apresentações no Santa Isabel

Tatto Medini, ao centro, em Ópera é a segunda montagem do Coletivo Angu de Teatro

Ópera é o espetáculo mais querido do Coletivo Angu de Teatro. A temática LGBT vai ao palco nem como herói nem como vilã. Sem ser nem vilanizada nem vitimizada, Ópera expõe quatro histórias divertidas, com criticidade aguda e até com doses de crueldade que vem do texto ácido de Newton Moreno e da direção criativa de Marcondes Lima. As cenas são apresentadas como radionovela dos anos 1950, fotonovela, telenovela e, por último, uma ópera.

O cão, a radionovela, expõe o ocorre com uma família quando descobre que seu cachorrinho Surpresa é gay. O drama de de Pedro (ou Petra), que não se sente adequado em seu corpo masculino é explorado como uma fotonovela dos anos 1960, no episódio O troféu. Com muito humor e inspirado nas telenovelas da década de 1980, o quadro Culpa, mostra um personagem soropositivo que tenta encontrar um novo parceiro para o namorado. O último quadro explora os ridículos atos de uma criatura apaixonada, no caso um barítono que se submete a situações bem estranhas por um michê. A peça tem a participação de  Andréa Valois.

FICHA TÉCNICA
Autores: Marcelino Freire (Angu de Sangue e Ossos) e Newton Moreno (Ópera)
Encenador: Marcondes Lima
Elenco Angu de Sangue: André Brasileiro, Fábio Caio, Gheuza Sena, Hermila Guedes e Ivo Barreto
Elenco Ossos: André Brasileiro, Arilson Lopes, Daniel Barros, Ivo Barreto, Marcondes Lima e Robério Lucado
Elenco Ópera: André Brasileiro, Arilson Lopes, Fábio Caio, Ivo Barreto, Robério Lucado e Tatto Medini
Participação especial em Ópera: Andréa Valois
Trilha sonora original – Angu de Sangue: Henrique Macedo e Carla Denise
Trilha sonora original – Ópera: Henrique Macedo
Trilha sonora original – Ossos: Juliano Holanda
Light designer: Jathyles Miranda
Direção de arte: Marcondes Lima
Direção de produção: Tadeu Gondim
Produção executiva: André Brasileiro, Arquimedes Amaro e Nínive Caldas
Assessoria de imprensa: Moinho Conteúdos Criativos (André Brasileiro e Tiago Montenegro)
Designer gráfico: Thiago Liberdade
Operação de luz: Sávio Uchôa e Jathyles Miranda
Operação de som: Tadeu Gondim/Fausto Paiva
Fotógrafo: Diego Melo / Flávio Ferreira (Moinho Conteúdos Criativos)
Captação de imagens em vídeo/edição: Diego Melo / Flávio Ferreira (Moinho Conteúdos Criativos)
Realização: Atos Produções Artísticas e Coletivo Angu de Teatro

SERVIÇO
MARATONA ANGU – MOSTRA DE REPERTÓRIO DO COLETIVO ANGU DE TEATRO
Onde: CAIXA Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife, Recife/PE)
Fone: (8)1 3425-1915
Quando: 29 de junho a 15 de julho de 2017
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia para estudantes, professores, funcionários e clientes CAIXA e pessoas acima de 60 anos)
Classificação Indicativa: Angu de Sangue – 14 anos / Ossos e Ópera – 16 anos

ANGU DE SANGUE
Dias 29 e 30 de junho, às 20h – 1º de julho, às 17h (com tradução em LIBRAS) e às 20h
OSSOS
Dias 06 e 07 de julho, às 20h – 8 de julho, às 17h (com tradução em LIBRAS) e às 20h
ÓPERA
Dias 13 e 14 de julho, às 20h – 15 de julho, às 17h (com tradução em LIBRAS) e às 20h

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Pimentel carrega cruz de Cristo há 40 anos

Paixão de Cristo do Recife chega à 21ª edição. Foto: Laís Telles

Paixão de Cristo do Recife chega à 21ª edição. Foto: Laís Telles

Fico pensando quando o ator José Pimentel parar de fazer o papel de Jesus Cristo. Vai ficar um vazio nesses dias da Semana Santa no Marco Zero. Será que alguém será tão ágil para ocupar o lugar? Não sei. Mas a tenacidade desse artista beira a uma ideia de missão. Não bem entendida por todos. Muitos o condenam por ter se agarrado a esse papel com tanta paixão. Ter colado sua imagem à personagem bíblica, jovem de 33 anos, ele que já passou dos 80. Mas outros (muitos) incentivam e aplaudem sua atuação. Pimentel carrega a cruz de Cristo há 40 anos – 19 em Nova Jerusalém e 21 no Recife. Por prazer. Por acreditar que essa história tem que continuar. Nesta Sexta-feira da Paixão ele sobe mais uma vez ao palco armado na Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife, para a temporada 2017 da Paixão de Cristo do Recife. As apresentações ocorrem de hoje (14) a domingo (16), às 20h. E a previsão é que mais de 30 mil pessoas compareçam a cada noite.

Ele é tratado como um pop star por seu público e fãs. Ao terminar cada sessão, muita gente vai falar emocionada com o ator, tirar selfies. Durante muitos anos a produção explorou a “chamada” de “A Paixão de Todos”, por ser gratuita. Concebida em 1997, a Paixão de Cristo do Recife foi encenada no estádio do Arruda durante cinco anos. Depois migrou para o Marco Zero, onde ficou de 2002 a 2005. Em 2006 ocorreu em frente ao Forte do Brum. E desde 2007 ocupa o Marco Zero e se torna uma espécie de renovação de fé em um Ser que se sacrificou pela humanidade. O calvário de Jesus é uma das poucas coisas que comovem esse mundo tão embrutecido. Essa representação mobiliza multidões.

Cena da Crucificação em Nova Jerusalém, onde o ator interpretou Jesus por 19 anos. Foto: Arquivo José Pimentel

Cena da Crucificação em Nova Jerusalém, onde o ator interpretou Jesus por 19 anos. Foto: Arquivo José Pimentel

Pimentel está certo que “encarnar” Cristo o tornou uma pessoa melhor. Gosta de repetir que o mandamento “Amai-vos uns aos outros” deveria ser utilizado em todos os momentos da nossa existência. Agora mais do que nunca, com tanta violência e ódio multiplicado em todas as instâncias. Para ele, a peça também é uma lição de vida.

As dificuldades para fazer o papel foram maiores neste ano. Em dezembro passado, o ator, diretor e autor do texto passou 12 dias internado depois de se submeter à cirurgia para tratar uma hérnia inguinal e de complicações como uma embolia pulmonar. Mas seu histórico como fisiculturista e o hábito de realizar exercícios físicos regulares ajudaram na recuperação.

O papel exige muito. As cenas da crucificação e levitação de Jesus Cristo, por exemplo, são exaustivas. E mesmo que o pulmão não esteja 100%, ele descartou qualquer possibilidade de ter um dublê. “Não iria enganar a plateia com um dublê. Muitas das pessoas que lotam o Marco Zero me acompanham há anos. Não seria justo com elas”.

Temporada em 2017 vai de sexta a domingo, no Marco Zero. Foto: Wellington Dantas/ Divulgação

Temporada em 2017 vai de sexta a domingo, no Marco Zero. Foto: Wellington Dantas/ Divulgação

Cem atores e 300 figurantes ocupam a estrutura montada no Marco Zero, com três plataformas onde as cenas são desenvolvidas. Os cenários são assinados por Octávio Catanho e os figurinos por Edilson Rygaard (saudoso ator da Trupe do Barulho) e Roberto Costa.

No elenco estão Angélica Zenith no papel de Maria; Gabriela Quental faz Madalena; Renato Phaelante, do Teatro de Amadores de Pernambuco, interpreta Caifás; Pedro Souza, Pilatos; e Ivo Barreto, do Coletivo Angu de Teatro, defende o personagem Judas.

José Pimentel investiu sua carreira nos megaespetáculos ao ar livre e também leva sua assinatura como dramaturgo, ator e diretor de O calvário de Frei Caneca, Jesus e o Natal, Batalha dos Guararapes, A Revolução de 1817 e o mais recente, O massacre de Angico – A morte de Lampião, encenado em Serra Talhada, no Sertão pernambucano.

Desde o início da Paixão de Cristo do Recife Pimentel vive nessa peleja. Todo ano é a mesma dificuldade de produção. Os apoios governamentais são insuficientes, segundo o artista. Os patrocínios não chegam. E ele não desiste. Pelo menos até agora. O artista conta que precisaria de R$ 800 mil para cobrir todos os custos, mas a produção só conseguiu metade deste valor. É um milagre que Pimentel realize essa Paixão de Cristo há 21 anos. “Posso segurar a cruz! ”, diz resistente.

SERVIÇO
21ª PAIXÃO DE CRISTO DO RECIFE
Quando: 14, 15 e 16 de abril, às 20h
Onde: Praça do Marco Zero, Bairro do Recife
Quanto: Gratuito

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Ossos articula discurso bruto e libertador *

Elenco de Ossos

Elenco de Ossos: Daniel Barros, Arilson Lopes, Marcondes Lima, André Brasileiro, Ivo Barreto, Robério Lucado

                                                                                                        Sidney Rocha *
                                                                                                        Especial para o Satisfeita, Yolanda?

 

ATO I

Querida Yolanda:

Grosso modo, literatura que se parece com teatro não é literatura.

Dizem que a prosa de Marcelino Freire parece teatro. Lamento dizer: não parece. Não parece porque é literatura. Literatura e teatro têm linguagem distinta. Necessariamente. O discurso cênico tem outra função. Há certa natureza ética, que transcende a natureza estética, de modo que teatro não é diversão pura e simples, não está ali para entreter, mas para dizer certa verdade: a condição precária do homem no universo. Nisso o teatro se aparenta mais à filosofia que à literatura. Mas à filosofia que não se rende ao poder, nem ao exagero das interpretações, violência contra a qual Susana Sontag lutou violentamente naquele ensaio: Contra a interpretação.

A busca dessa verdade: tem sido assim desde a Grécia, quando sequer havia distinção entre arte e técnica. É assim na arte dramática de Brecht, de Camus, ou de Beckett e Ionesco, todos interessados somente em expor o homem em sua condição miserável e absurda perante a vida.

Marcelino Freire adaptou seu romance (Nossos ossos, 2013) para entregar ao coletivo Angu de Teatro um texto vigoroso. Um texto, repito. Logo no começo, à direita da cena, o ator, na pele do autor sob a pele de Heleno de Gusmão – ali numa litania à capella, durante todo o espetáculo – ali na primeira das mil ossaturas, expõe a transconfissão do metaescritor:
“O que eu poderia fazer mais, se já escrevi o romance?”
É verdade, Marcelino, mas verdade-só-literariamente.

O discurso cênico termina mostrando a verdade-verdade: o autor se esgota, brocha, acata porque, no teatro, o coito é só dos atores. Só eles podem. Com ph.

Marcelino descobriu cedo que as palavras em estado-de-literatura são uma coisa. Outra coisa são as palavras em estado-de-teatro. A palavra de fato. A palavra-ato.

Em Ossos, reina sobretudo a linguagem não-literária, mas teatral. A metáfora literária enfim perde para discurso do teatro que busca a linguagem ordinária, para suplantá-la. Ossos era para ser um tipo de “teatro de texto” que faz falta ao teatro contemporâneo no Brasil, e isso já bastaria – embora o textocentrismo seja outro tipo de exagero. Mas no teatro as teorias são uma tolice e se perdem no momento exato em que um ator pise o palco. É o que ocorre nessa adaptação. Os atores de Ossos sabem bem as margens miméticas do que vem a ser a encenaçãoatuação. Mas isso seria outro papo.

Eu dizia, Yolanda: uma coisa é texto. Outra, é fala. E outra coisa é voz. Essa pressupõe corpo e sangue. Porque o teatro, diferente do cinema, da literatura, da pintura, nos dá um corpo, de verdade: o do ator. Essa diferença é a essência da mímese do texto dramático. Ossos é também sobre esse corpo, que se tenta conduzir, enterrar, carregar, livrá-lo de uma alma e dá-lo a outra. Por isso o texto é pouco – e a fala não diz tudo. É a voz do ator que transmite o que não está no texto. É massa viva controlável somente pela técnica, no palco. É a única voz que interessa.

Ah, pobre literatura que não pode com essa força.

André Brasileiro e Daniel Barros numa cena de Ossos. Foto: Divulgação

André Brasileiro e Daniel Barros interpretam o escritor Heleno de Gusmão e o michê. Foto: Divulgação

ATO II

“Não sou dramaturgo”, diz o o autor no personagem central de Ossos, vivido com exatidão por André Brasileiro, quando se abre uma das camadas da adaptação – que são como atos dentro de atos, insight ou intuições de Marcondes Lima na busca de uma dicção ou linguagem ou lugar que realizasse o autor-adaptador, mas que contemplasse sua fala [repito: fala] como criador experiente que é.

A direção é conduzida de modo a todos dividirem a cena, a luz, o figurino, deixando clara a voz já reconhecível do coletivo, mas com o pensamento, fala e ação rigorosos do diretor de Ossos. Uma direção não-natural, porque o teatro é mesmo contra a natureza, e nisso consiste a arte – supor certo domínio, e controle, e direção sobre os atos, e omissões.

Por isso, querida Yolanda, não há personagem mais carne-e-osso do que aquele na pele de um ator, todo feito de intuição, e técnica, e erro. Sobretudo erros, Yolanda, porque não existe maria-concebida-[sem-erro]-sem-pecado, no teatro. Ao somar tudo, Marcondes Lima criou a fantasmagoria necessária para transformar Ossos em discurso bruto e libertador. Ossos é carnavalização, riso e grito. O paraíso do baixo-corporal, do prazer e da dor que se assume. A ridicularia da morte sobre a vida. E da vida sobre si mesma.

Taí a verdade desse teatro angular, coletivo.

 

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Marcondes Lima no papel de Estrela. Foto Divulgação

ATO III

O que realmente importa: André Brasileiro trocou a paixão daquela vez da estreia, naquele 11 junho do ano passado, pela exatidão que vi ontem, no mesmo Teatro Apolo, e compôs um Heleno de Gusmão que se põe em pé, sem pedir favor ou pacto de compreensão à plateia.
Marcondes Lima desaparece e faz surgir algumas vênus singulares: Estrela, Carmen Miranda, Fafá de Belém, todas com cor e coração também exatos.

Arilson Lopes faz o motorista do rabecão. Foto Divulgação

Arilson Lopes faz o motorista do rabecão. Foto Divulgação

O Caronte mais real que já vi, o motorista Lourenço – o personagem trágico por excelência em Ossos: vale mesmo vê-lo saltando de dentro de Arilson Lopes, que faz também o interesseiro Carlos.

A trilha sonora de Juliano Holanda. A trilha sonora de Juliano Holanda. A trilha sonora de Juliano Holanda.

Ceronha Pontes preparou urubus, travestis e michês para o banquete claro-escuro e multicor de cada cena.
Ossos é como a vida. E como a morte: Funciona.
Convenhamos, querida: no teatro, isso não é pouco.

Então ficamos assim, Yolanda: Ossos: texto de Marcelino Freire. Fala de Marcondes Lima. Mas a voz é do Angu de Teatro.
E que beleza.
Não perca.

*  Sidney Rocha  é escritor. Escreveu Matriuska (contos, 2009), Fernanflor (romance, 2015) e Guerra de ninguém (contos, 2016). Com O destino das metáforas venceu o Prêmio Jabuti, em 2012, na categoria contos e crônicas e com o romance Sofia, o Prêmio Osman Lins; todos pela Iluminuras.

Daniel Barros e Robério Lucado interpretam garotos de programa em Ossos. Foto: Ivana Moura

Daniel Barros e Robério Lucado interpretam garotos de programa em Ossos. Foto: Ivana Moura

FICHA TÉCNICA

Texto: Marcelino Freire
Direção: Marcondes Lima
Direção de arte, cenários e figurinos: Marcondes Lima
Assistência de direção: Ceronha Pontes
Elenco: André Brasileiro, Arilson Lopes, Daniel Barros, Ivo Barreto, Marcondes Lima, Ryan Leivas (Ator stand in) e Robério Lucado
Trilha sonora original – composição, arranjos e produção: Juliano Holanda
Criação de plano de luz: Jathyles Miranda
Operação de Som: Sávio Uchôa
Preparação corporal: Arilson Lopes
Preparação de elenco: Ceronha Pontes, Arilson Lopes
Coreografia: Lilli Rocha e Paulo Henrique Ferreira
Coordenação de produção: Tadeu Gondim
Produção executiva: André Brasileiro, Fausto Paiva, Arquimedes Amaro, Gheuza Sena e Nínive Caldas
Designer gráfico: Dani Borel
Fotos divulgação: Joanna Sultanum
Visagismo: Jades Sales
Assessoria de imprensa: Rabixco Assessoria
Técnico de som Muzak – André Oliveira
Confecção de figurinos: Maria Lima
Confecção de cenário e elementos de cena: Flávio Santos, Jorge Batista de Oliveira.
Operador de som e luz: Fausto Paiva / Tadeu Gondim
Camareira: Irani Galdino

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Teatro das Canções

Coletivo Angu de Teatro faz show com repertório musical. Na foto, o grupo em início de carreira

Coletivo Angu de Teatro faz show com repertório musical dos espetáculos. Na foto, o grupo em início de carreira

Ivo Barreto integra o elenco do espetáculo musical e de Ossos

Ivo Barreto integra o elenco do show musical e de Ossos

A música está no nascedouro do Angu de Teatro. A trilha sonora faz parte da narrativa dos espetáculos do grupo, que usa e abusa das canções para surpreender e emocionar. E o Coletivo resolveu soltar a voz no Janeiro de Grandes Espetáculos para saudar o pessoal do som que o acompanha nessa estrada há 13 anos. Angu de Canções é uma parceria entre a trupe e o músico Juliano Holanda, compositor do roteiro musical da mais recente encenação Ossos e um dos artistas mais celebrados de Pernambuco.

Para passar em revista a trajetória, os músicos e atores vestem os figurinos de todas as montagens do Coletivo, assinadas por Marcondes Lima. A apresentação está agendada para esta quinta-feira (26), no Teatro de Santa Isabel.

As músicas dos outros espetáculos da companhia foram compostas por Henrique Macedo, que faz participação especial. Com direção musical de Marcondes Lima e André Brasileiro, o show conta com os atores Arilson Lopes, Gheuza Sena, Hermila Guedes, Ivo Barreto, Lilli Rocha e Nínive Caldas.

Marcelino Freire, autor de três peças do repertório do Angu de Teatro – Angu de Sangue, Rasif – Mar que arrebenta e Ossos – também participa da apresentação recitando textos de Miró da Muribeca, João Cabral, Bandeira e alguns de sua autoria.

Serviço
Angu de Canções Coletivo Angu de Teatro (Recife/PE)
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quando: 26 de janeiro (quinta-feira), 20h
Quanto: R$ 40 e R$ 20

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