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Festival Recife de teatro – tempo de editais

Galpão apresenta Os Gigantes da Montanha no Sítio Trindade, dia 22, na abertura do festival

A programação do Festival Recife do Teatro Nacional – FRTN foi anunciada nesta quinta-feira. A curadoria, que atuou nos últimos anos com recortes para a formação de sentidos, ficou para trás. A 16º edição é norteada por editais – instrumento defendido pela atual gestão como a forma mais democrática de formatar os eventos promovidos pela Prefeitura do Recife.

A grade da programação inclui 18 espetáculos em dez dias de apresentações – do dia 22 deste mês a 1º de dezembro. O mineiro Galpão abre o festival, às 20h, no Sítio da Trindade, com a peça Os gigantes da montanha, participação que o Satisfeita, Yolanda? anunciou ainda em julho. A secretária Leda Alves assistiu à peça no Festival de Inverno de Garanhuns e após a sessão fez o convite à trupe.

Os outros grupos foram garimpados de 150 projetos inscritos, segundo informou o gerente do Centro Apolo- Hermilo, Carlos Carvalho, que coordena o FRTN. Trinta e seis passaram na peneira e uma comissão formada pelo ator Paulo Mafe, representante do Conselho Municipal de Política Cultural do Recife; o diretor do Teatro Williams Santanna; e a diretora e pesquisadora Clara Camarotti, fechou os grupos.

Gustavo Catalano, Carlos Carvalho e Leda Alves durante coletiva do festival

“Fizemos um edital para dar a possibilidade de as pessoas se oferecerem para vir ao Recife. Isso despertou o interesse dos grupos”, disse Carlos Carvalho.

Bem, dessas companhias, algumas ainda não passaram pelo Recife com os espetáculos que trazem. O próprio Galpão, a carioca Armazém Cia. de Teatro com A Marca da Água; a gaúcha Casa de Madeira com As Bufa; as catarinenses Traço Cia de Teatro/Companhia Zero com As Três Irmãs, o grupo paulista Clariô de Teatro, com Hospital da Gente; a mineira Cia. Pierrot Lunar com Acontecimento em Vila Feliz. Além da outra mineira, Cortejo Cia de Teatro, com Uma História Oficial.

O Coletivo Cênico Joanas Incendeiam, de São Paulo, apresentou recentemente Homens e Caranguejos na cidade. E Agitada Gang – Trupe de Atores e Palhaços da Paraíba vem com um espetáculo de repertório, Como Nasce um Cabra da Peste, que esteve no Recife há muitos anos.

Das montagens locais para o público adulto, todas já fizeram temporada ou foram vistas algumas vezes na cidade. São elas Vestígios (Relicário/PE), com texto de Aimar Labaki e direção de Antonio Cadengue; Luiz Lua Gonzaga, do Grupo Magiluth; O Beijo no Asfalto, com texto de Nelson Rodrigues e direção de Claudio Lira; As Confrarias, da Companhia Teatro de Seraphins, com texto de Jorge Andrade e Antonio Cadengue. E Cafuringa, com o Grupo Cafuringa.

As peças infanto-juvenis também já estiveram em cartaz no Recife. São elas As Levianinhas em Pocket Show para Crianças, da Cia Animée; De Íris ao Arco-Íris, de Produtores Independentes e O Menino da Gaiola, Bureau de Cultura e Turismo.

O espetáculo Coisas do Mar, do Grupo Teatral Ariano Suassuna e Escola Estadual Santos Cosme e Damião, de Igarassu, ganhou visibilidade ao conquistar vários prêmios no 11º Festival Estudantil de Teatro e Dança, realizado em setembro, na categoria Teatro Para Crianças. A encenação levou para casa os troféus de melhor espetáculo, direção (Albanita Almeida e André Ramos), ator (Elton Daniel), cenário (André Ramos), figurino (Kattianny Torres) e texto inédito (o grupo).

O orçamento desta edição encolheu em R$ 400 mil em relação ao do ano passado. Ficou em R$ 700 mil – sendo R$ 50 mil da Caixa Econômica Federal e o restante dos cofres da Prefeitura. A Prefeitura não conseguiu renovar o Pronac – Lei Rouanet, nem a prestação de contas da Funarte e por isso não pode concorrer a esses incentivos.

O teatrólogo Samuel Campelo é o homenageado desta edição

O homenageado deste ano é o diretor Samuel Campelo, fundador do Grupo Gente Nossa no Recife dos anos 1930. A pesquisadora Ana Carolina Miranda da Silva vai lançar um livro sobre Campelo e também vai fazer palestra sobre O Grupo Gente Nossa e o Movimento Teatral no Recife.

“Vamos ter um grande festival, que oportuniza espetáculos que não teriam oportunidade de estar aqui. A gente tem grupos que nunca vieram ao Recife e tem grupos que já vieram como a Cia. Armazém ou o Galpão. E ter a possibilidade de ter os que já vieram com aqueles que nunca vieram isso nos enriquece. Isso abre pra gente uma felicidade de dizer nos estamos abrindo o FRTN para o Brasil, pelo meio mais democrático, que é o edital”, entusiasma-se Carvalho.

16º Festival Recife do Teatro Nacional

Programação

Sexta-feira (22)
Os Gigantes da Montanha (Grupo Galpão/MG)
Local: Sítio da Trindade, às 20h
Duração: 80 minutos

Sábado (23)

As Bufa (Casa de Madeira/RS)
Local: Teatro de Santa Isabel, às 21h
Duração: 55 minutos

As bufa. Foto: Mariana Rocha

As Levianinhas em Pocket Show para Crianças (Cia Animée/PE)
Local: Teatro Hermilo Borba Filho, às 18h
Duração: 60 minutos

Banda de palhaças mostram repertório para crianças. Foto: Lana Pinho

Marca da Água (Armazém Cia de Teatro/RJ)
Local: Teatro Barreto Junior, às 20h
Duração: 75 minutos

Montagem comemora 25 anos da Armazém Companhia de Teatro

De Íris ao Arco-Íris (Produtores Independentes/PE)
Local: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro), às 16h
Duração: 50 minutos

História da curiosa lagarta, que quer chegar ao reino encantado. Foto: Angélica Gouveia

Domingo (24)

As Bufa (Casa de Madeira/RS)
Local: Teatro de Santa Isabel, às 21h
Duração: 55 minutos

As Levianinhas em Pocket Show para Crianças (Cia Animée/PE)
Local: Teatro Hermilo Borba Filho, às 18h
Duração: 60 minutos

A Marca da Água (Armazém Cia de Teatro/RJ)
Local: Teatro Barreto Junior, às 20h
Duração: 75 minutos

De Íris ao Arco-Íris (Produtores Independentes/PE)
Local: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro), às 16h
Duração: 50 minutos

Vestígios (Relicário/PE)
Local: Teatro Apolo, às 19h
Duração: 55 minutos

Dois policiais e um professor de história numa peça sobre a tortura. Foto: Américo Nunes

Luiz Lua Gonzaga (Grupo Magiluth/PE)
Local: Sítio da Trindade, às 16h
Duração: 50 minutos

Homenagem do Grupo Magiluth ao rei do baião

Segunda-feira (25)

Vestígios (Relicário/PE)
Local: Teatro Apolo, às 19h
Duração: 55 minutos

Luiz Lua Gonzaga (Grupo Magiluth/PE)
Local: Bomba do Hemetério, às 16h
Duração: 50 minutos

As Três Irmãs (Traço Cia de Teatro/Companhia Zero/SC)
Local: Teatro Hermilo Borba Filho, às 21h
Duração: 80 minutos

Obra do dramaturgo Anton Tchékhov a partir da técnica do clown. Foto: Nassau Souza

Hospital da Gente (Grupo Clariô de Teatro/SP)
Local: Espaço Fiandeiros, às 20h
Duração: 90 minutos

A partir dos contos de Marcelino Freire, Grupo Clariô de Teatro/SP mostra a vida dura de vários personagens

Acontecimento em Vila Feliz (Cia. Pierrot Lunar/MG)
Local: Sítio da Trindade, às 16h
Duração: 55 minutos

Versão teatral da Cia. Pierrot Lunar para o conto homônimo de Aníbal Machado

Terça-feira (26)

As Três Irmãs (Traço Cia de Teatro/Companhia Zero/SC)
Local: Teatro Hermilo Borba Filho, às 21h
Duração: 80 minutos

Hospital da Gente (Grupo Clariô de Teatro/SP)
Local: Espaço Fiandeiros, às 20h
Duração: 90 minutos

Acontecimento em Vila Feliz (Cia. Pierrot Lunar/MG)
Local: Bomba do Hemetério, às 16h
Duração: 55 minutos

Cafuringa (Grupo Cafuringa/PE)
Local: Sítio da Trindade, às 16h
Duração: 60 minutos

Conhecido como Homem da Cobra, o mestre Cafuringa é acompanhado por vários bonecos

Quarta-feira (27)

Acontecimento em Vila Feliz (Cia. Pierrot Lunar/MG)
Local: Coque/Joana Bezerra, às 16h
Duração: 55 minutos

Cafuringa (Grupo Cafuringa/PE)
Local: Bomba do Hemetério, às 16h
Duração: 60 minutos

O Menino da Gaiola (Bureau de Cultura e Turismo/PE)
Local: Teatro Barreto Junior, às 16h
Duração: 50 minutos

O Beijo no Asfalto (Claudio Lira/PE)
Local: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro), às 20h
Duração: 90 minutos

Quinta-feira (28)

Luiz Lua Gonzaga (Grupo Magiluth/PE)
Local: Coque/Joana Bezerra, às 16h
Duração: 50 minutos

O Menino da Gaiola (Bureau de Cultura e Turismo/PE)
Local: Teatro Barreto Junior, às 16h
Duração: 50 minutos

O protagonista, o garoto Vito, de 9 anos, quer libertar o sonho das pessoas

O Beijo no Asfalto (Claudio Lira/PE)
Local: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro), às 20h
Duração: 90 minutos

Como Nasce um Cabra da Peste (Agitada Gang – Trupe de Atores e Palhaços/PB)
Local: Teatro Luiz Mendonça, às 20h
Duração: 60 minutos

Sexta-feira (29)

Como Nasce um Cabra da Peste (Agitada Gang – Trupe de Atores e Palhaços/PB)
Local: Teatro Luiz Mendonça, às 20h
Duração: 60 minutos

Cafuringa (Grupo Cafuringa/PE)
Local: Coque/Joana Bezerra, às 16h
Duração: 60 minutos

Sábado (30)

Uma História Oficial (Cortejo Cia de Teatro/MG)
Local: Teatro Luiz Mendonça, às 20h
Duração: 70 minutos

Espetáculo de estreia da Cortejo Cia de Teatro reflete sobre os autoritarismos

Coisas do Mar (Grupo Teatral Ariano Suassuna/PE)
Local: Teatro Apolo, às 16h
Duração: 50 minutos

Homens e Caranguejos (Coletivo Cênico Joanas Incendeiam/SP)
Local: Teatro Hermilo Borba Filho, às 21h
Duração: 90 minutos

Família foge da seca e chega à cidade e aos mangues do Recife

As Confrarias (Companhia Teatro de Seraphins/PE)
Local: Teatro Barreto Junior, às 20h
Duração: 70 minutos

A Conspiração Mineira por um ângulo incomum, com texto de Jorge Andrade e direção de Antonio Cadengue.

Domingo (1)

Uma História Oficial (Cortejo Cia de Teatro/MG)
Local: Teatro Luiz Mendonça, às 20h
Duração: 70 minutos

Coisas do Mar (Grupo Teatral Ariano Suassuna/PE)
Local: Teatro Apolo, às 16h
Duração: 50 minutos

Homens e Caranguejos (Coletivo Cênico Joanas Incendeiam/SP)
Local: Teatro Hermilo Borba Filho, às 21h
Duração: 90 minutos

As Confrarias (Companhia Teatro de Seraphins/PE)
Local: Teatro Barreto Junior, às 20h
Duração: 70 minutos

Oficinas:

Por uma Metodologia da Encenação Teatral
Ministrante: Antonio Edson Cadengue
Local: Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (a confirmar)
Data: De 25 a 29 de novembro, das 13h às 17h

Oficina de Teatro de Rua
Ministrante: Lindolfo Amaral
Local: Escola Pernambucana de Circo (a confirmar)
Data: De 25 a 29 de novembro, das 13h às 17h

Exercícios para uma Cena Dialética
Ministrante: Márcio Marciano
Local: Museu Murilo La Greca (a confirmar)
Data: De 25 a 27 de novembro, das 13h às 17h

Palestras:

A Experiência do Cooperativismo em São Paulo
Palestrante: Ney Piacentini
Data: 26 (terça-feira)
Local: Espaço Fiandeiros, às 18h0

O Grupo Gente Nossa e Movimento Teatral no Recife
Palestrante: Ana Carolina Miranda da Silva
Data: 26 (terça-feira)
Local: Salão Nobre do Teatro de Santa Isabel, às 18h

Tecendo Redes – A Redemoinho no Recife
Palestrante: Fernando Yamamoto e Ney Piacentini
Data: 28 (quinta-feira)
Local: Teatro Hermilo Borba Filho, às 18h

Serviço
Ingressos espetáculos nos teatros: R$ 10 e R$ 5 (meia entrada).
Os espetáculos de rua são gratuitos

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Galpão abre Festival Recife do Teatro Nacional

Os gigantes da montanha participou do FIG. Foto: Pollyanna Diniz

Os gigantes da montanha participou do FIG. Foto: Pollyanna Diniz

A 16ª edição do Festival Recife do Teatro Nacional será aberta com Os gigantes da montanha, do Grupo Galpão. O grupo confirmou a informação ao blog no último fim de semana, durante a realização do festival Cenas Curtas do Galpão Cine Horto. A peça, que estreou no primeiro semestre deste ano na Praça do Papa, em Belo Horizonte, foi apresentada no Festival de Inverno de Garanhuns, em julho. Já naquela ocasião, a secretária de Cultura Leda Alves disse que havia a intenção de trazê-los ao festival.

Leia a crítica que escrevemos sobre Os gigantes da montanha.

A última vez que o Galpão participou do Festival Recife do Teatro Nacional foi em 2009, com Till, a saga de um herói torto. A curadoria era de Kil Abreu e as apresentações foram na Praça do Arsenal.

O resultado do edital nacional do Festival Recife deve sair nos próximos dias. Grupos como o Armazém, do Rio de Janeiro, e o Teatro Invertido, de Minas, disseram ao blog que estão participando da seleção.

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Sobre os fantasmas do teatro e o estilo hippie chic

Os gigantes da montanha. Foto: Pollyanna Diniz

Os gigantes da montanha . Foto: Pollyanna Diniz


Yolandas no FIG. Arte: Bosco

Já fazia um bom tempo que o Galpão não vinha a Pernambuco. Não vimos por aqui, por exemplo, os trabalhos do grupo baseados em textos de Anton Tchékhov: Tio Vânia (aos que vierem depois de nós) e Eclipse, que estrearam em 2011 e são bem soturnos, contidos, pesados. Bem diferentes do espetáculo Os gigantes da montanha, apresentado no último sábado no Festival de Inverno de Garanhuns, na Praça do Mosteiro de São Bento. Não que o texto de Luigi Pirandello (1867-1936) seja solar, leve, muito pelo contrário, mas o diretor Gabriel Villela, que reencontrou o Galpão depois de ter assinado para a trupe Romeu e Julieta (1992) e A rua da amargura (1994), deu o seu tratamento à encenação. Desde a atuação até, claro, cenários e figurino. E já são 30 anos de Galpão – eles sabem fazer teatro de rua, levar a música ao palco, encantar e seduzir o público.

No espetáculo, uma trupe de atores decadentes chega a uma vila habitada por fantasmas. É uma montagem que questiona o tempo inteiro a noção de realidade e fantasia. O que realmente acontece? Aqueles atores da trupe estão mesmo vivos o tempo inteiro? O que é só imaginação? Há várias camadas sobrepostas dentro da encenação – realidade, sonho, ilusão, interpretação dentro da interpretação – quando eles começam a encenar A fábula do filho trocado dentro da peça. E há ainda o fato, sim, claro, de que é teatro. E o grupo faz questão de parar a montagem ao final do segundo ato para contar ao público que, quando morreu em 1936, Pirandello não tinha terminado Os gigantes da montanha. No leito de morte, ele teria contado ao filho Stefano como seria o final. Uma das cenas mais bonitas da montagem, aliás. Com uma solução super simples, forte e poética.

Cenários e figurinos são traços marcantes da montagem, com a “grife” incontestável de Gabriel Villela. Os figurinos foram idealizados por Villela, Schicó do Mamulengo e José Rosa e a cenografia, por Villela, Helvécio Izabel e Amanda Gomes. É uma mistura de estilos folk-boho-hippie chic-étnico levada ao palco. Visualmente é incrível, executado de forma impecável, mas é, de verdade, uma “grife” Gabriel Villela: então lembra Sua Incelença, Ricardo III, do Clowns de Shakespeare, Hécuba, com Walderez de Barros, Macbeth, com Marcello Antony, só para citar algumas montagens que passaram pelo Recife há não muito tempo.

Espetáculo deve vir ao Recife

Espetáculo deve vir ao Recife

O cenário é dividido em planos e funciona extremamente bem na intenção de contrapor os núcleos: são muitas vezes os fantasmas versus os atores da trupe, por exemplo, os atores dispostos como coro. E a própria citação ao teatro, com uma cortina que abre e fecha, trazendo novas cenas.

Outro destaque da encenação é, sem dúvida, a musicalidade. Os atores tocam e cantam em cena, com um detalhe que faz toda a diferença: optaram majoritariamente por músicas italianas. A direção e preparação musical, os arranjos e a composição são assinados por Ernani Maletta, parceiro antigo do grupo. Numa matéria do portal Uai, a repórter cita algumas das músicas da encenação: La arrabiatta, de Nino Rota; Il mondo, de Jimmy Fontana; Jesus bambino, de Lucio Dalla; Ciao amore ciao, de Luigi Tenco; Io che amo solo te, de Sergio Endrigo; Bella ciao e Nana, nana tidoletto, canções populares da resistência italiana; La golondrina, de Narciso Serradell Sevilla; Les pêcheurs de perles, de Georges Bizet.

Todo o primor – visual e musical – é coroado por atuações competentes. Inês Peixoto está muito bem como a Condessa Ilse: a loucura, o medo, a obstinação. São atuações expandidas, gestos largos e a construção de muitas imagens. O texto do espetáculo, com várias cenas paralelas à história principal, permite a participação efetiva de vários atores. A cena do suicídio, por exemplo, com o ator Júlio Maciel, encanta o público. Teuda Baura, como a Sonâmbula, merecia um papel maior, sempre tão bom é vê-la em cena.

Em Os gigantes da montanha, o Galpão está falando do que mais sabe: teatro. É, inclusive, um espetáculo bastante crítico e irônico, com relação ao exercício teatral e à cultura do país em muitos momentos. Como uma citação a um teatro sempre fechado, servindo somente aos ratos, ou à burocracia dos projetos, captações, prestações de conta e contrapartidas sociais. É uma peça que nos faz lembrar dos nossos próprios fantasmas, da ilusão, do sonho, da arte. Precisamos mesmo dos artistas para dar coerência – não só aos sonhos – mas principalmente à realidade.

Boa notícia! – Para quem perdeu a montagem em Garanhuns, há a promessa de que o espetáculo participe do Festival Recife do Teatro Nacional. Leda Alves, secretária de Cultura do Recife, estava na plateia e teria feito a promessa a um dos atores do grupo. Espero que seja cumprida! E que o grupo possa, quem sabe, vir com repertório.

Confira uma entrevista com a atriz Inês Peixoto ao final do espetáculo:

Ficha Técnica

ELENCO:
Antonio Edson – Cromo
Arildo de Barros – Conde
Beto Franco – Duccio Doccia / Anjo 101
Eduardo Moreira – Cotrone
Inês Peixoto – Condessa Ilse
Júlio Maciel – Spizzi / Soldado
Luiz Rocha (ator convidado) – Quaquèo
Lydia Del Picchia – Mara-Mara
Paulo André – Batalha
Regina Souza (atriz convidada) – Diamante / Madalena
Simone Ordones – A Sgriccia
Teuda Bara – Sonâmbula

Confira um trechinho do espetáculo: o elenco interpretando Il Mondo, de Jimmy Fontana. Lindo momento!

EQUIPE DE CRIAÇÃO:

Direção: Gabriel Villela
Texto: Luigi Pirandello
Tradução: Beti Rabetti
Dramaturgia: Eduardo Moreira e Gabriel Villela
Assistência de direção: Ivan Andrade e Marcelo Cordeiro
Assistência e Planejamento de ensaios: Lydia Del Picchia
Antropologia da Voz, direção e análise do texto: Francesca Della Monica
Direção e preparação musical e arranjos e composição: Ernani Maletta
Preparação vocal e texto: Babaya
Iluminação: Chico Pelúcio e Wladimir Medeiros
Figurino: Gabriel Villela, Shicó do Mamulengo e José Rosa
Coordenação Artística do Ateliê Arte e Magia: José Rosa
Cenografia: Gabriel Villela, Helvécio Izabel e Amanda Gomes
Assistência de Cenário: Amanda Gomes
Pintura do cenário: Daniel Ducato e Shicó do Mamulengo
Adereços: Shicó do Mamulengo
Bordados: Giovanna Vilela
Costureiras: Taires Scatolin e Idaléia Dias
Luthier: Carlos Del Picchia
Fotos: Guto Muniz
Registro e cobertura audiovisual: Alicate
Design sonoro: Vinícius Alves
Programação Visual: Dib Carneiro Neto, Jussara Guedes, Suely Andreazzi
Tratamento de Imagens do Programa: Alexandre Godinho e Maurício Braga
Logo do espetáculo: Carlinhos Müller
Direção de Produção: Gilma Oliveira

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Atriz e Condessa

Yolandas no FIG. Arte: Bosco

No último sábado, o Grupo Galpão apresentou o espetáculo Os gigantes da montanha, na Praça do Mosteiro de São Bento, no Festival de Inverno de Garanhuns. Foi uma noite linda. Logo no início da peça, parecia que ia cair um dilúvio. Mas foi uma garoa fininha só para coroar a primeira cena; e aí, logo que o público aplaudiu ao final, a chuva tomou lugar!

Então fomos ao camarim do grupo e gravamos uma entrevista – bem caseira, hein?! – com a atriz Inês Peixoto, que interpreta a Condessa Ilse. Ela fala sobre a direção de Gabriel Villela, as dificuldades em fazer a peça e a sua personagem.

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Galpão será às 19h

Horário da sessão de Os gigantes da montanha foi alterado. Foto: Guto Muniz

Horário da sessão de Os gigantes da montanha foi alterado. Foto: Guto Muniz

Yolandas no FIG. Arte: Bosco

As Yolandas estão em Garanhuns para acompanhar a programação de artes cênicas do Festival de Inverno 🙂 E, para começar, é bom avisar para quem pretende vir de outros lugares, que há uma mudança de horário importante da principal atração deste fim de semana: antes prevista para ser às 10h, a sessão de Os gigantes da montanha, do Grupo Galpão, será às 19h, na Praça do Mosteiro de São Bento.

O novo espetáculo do Galpão é uma retomada da parceria do grupo mineiro com o diretor Gabriel Villela, que já dirigiu para a trupe os espetáculos Romeu e Julieta, de 1992, e A rua da amargura, de 1994. Agora, o texto de Pirandello celebra o teatro e discute o lugar da arte. É uma fábula que conta a história de uma trupe mambembe decadente, que chega a uma vila isolada, governada pelo mago Cotrone. A primeira atriz da trupe, a condessa Ilse, insiste em montar A fábula do filho trocado; e aí Cotrone constrói os fantasmas dos personagens que faltam para montar a peça.

Um dos destaques da montagem deve ser a música. Os atores voltaram a contar com parceiros como Babaya e Ernani Maletta e participaram de uma pesquisa sobre a antropologia da voz com a performer e musicista Francesca Dell Monica. Pelas fotos (lindas, por sinal), outro destaque é o figurino. O release diz: “Num mesmo caldeirão estão reunidas Sicília, Carmo do Rio Claro, macumba, magia, Commedia Del’Arte e circo- teatro, Vaudeville, Totó e Vicente Celestino, Ana Magnani e Procópio Ferreira, Mamulengo e ópera, festival de San Remo e seresta mineira”. É esperar para ver.

Programação – Hoje, às 16h30, tem A barca, do Grupo Grial, no pavilhão de Dança e Teatro para a Infância, No Parque Euclides Dourado. Um pouco mais cedo, às 16h, tem o espetáculo Acrobatas aéreos, do Circo Bambolê (PE), na Avenida Caruaru, próximo ao Terminal Rodoviário de Garanhuns. E às 19h, no Teatro Luiz Souto Dourado, o Grupo Espanca!, de Belo Horizonte, apresenta o espetáculo Por Elise.

*As Yolandas viajaram à convite da produção do FIG

A barca, do Grial, será apresentado nesta sexta, às 16h30. Foto: Lizandra Martins

A barca, do Grial, será apresentado às 16h30. Foto: Lizandra Martins

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