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Um festival inteiro pagando quanto puder

Magiluth promove festival de artes. Foto: Renata Pires

Magiluth promove festival de artes. Foto: Renata Pires

Quantas vezes você ouviu alguém dizer que não vai ao teatro porque é muito caro? A desculpa – que pode ser desconstruída rapidamente – perde completamente o sentido no IV Festival Pague Quanto Puder de Artes Integradas, promovido pelo grupo Magiluth deste sábado (6) ao dia 18 de agosto. Na realidade, a questão mais importante aqui é a ideia de delegar ao público a tarefa de decidir quanto deve (ou pode) pagar para assistir a um espetáculo. E, aliada a isso, a proposição de um festival que inclua as várias linguagens, música, dança, teatro, performance, artes visuais, cinema.

Em 2013, o Magiluth realizou o primeiro projeto Pague quanto puder, uma mostra de repertório no Teatro Marco Camarotti, que tinha o apoio do Funcultura. Desde então, algumas constatações ficaram mais claras ao grupo: “Percebemos que, financeiramente, o retorno era muito parecido ao de uma temporada normal, com os preços que cobramos habitualmente. E, ao mesmo tempo, os teatros estavam sempre lotados”, comenta o ator Giordano Castro. Um dos resultados dessa prática parece ser exatamente a atração de público. “Quem ia ver algum espetáculo, acabava voltando ao teatro e trazendo mais gente”, complementa Castro.

Além da mostra de repertório, durante as mostras Pague Quanto Puder, realizadas consecutivamente, o grupo sempre teve convidados, como o Coletivo Lugar Comum, a bailarina e performer Flávia Pinheiro, e o elenco de uma oficina que o próprio Magiluth ofereceu (que acabou montando o espetáculo War Nam Nihadan ou Qual o nome do suco?); mas não havia o conceito de festival. Para Giordano Castro, esse movimento tem muita relação com a instalação da sede do grupo no Edifício Texas, no Pátio de Santa Cruz, na Boa Vista, desde o ano passado. “Começamos a dialogar mais com outras influências. Sempre fomos consumidores, mas nunca tivemos um diálogo tão direto, por exemplo, com muita gente de banda”.

Sem patrocínio (o projeto está concorrendo ao edital do Funcultura) e sem uma proposta curatorial delineada de fato, o Festival Pague Quanto Puder de Artes Integradas foi sendo montado a partir das relações que se estabeleceram no entorno do Texas (alguns shows, por exemplo, já estariam na programação do bar) ou nas andanças do grupo pelo país. É o caso, por exemplo, de Carolina Bianchi, de São Paulo, que o Magiluth conheceu no Cena Brasil Internacional, no Rio de Janeiro. A artista de São Paulo participa com a oficina “Manifesto de um corpo delirante”. Outro convidado é Marcelo Castro, um dos integrantes do Espanca!, de Belo Horizonte, que também dá uma oficina e apresenta uma performance. Detalhe: todos os convidados de fora estão arcando com as passagens.

A abertura do Pague Quanto Puder será com duas apresentações de O ano em que sonhamos perigosamente, espetáculo mais recente do Magiluth, no Teatro Barreto Júnior. Todo o restante da programação acontece no Edifício Texas e no Largo de Santa Cruz.

Mesmo as oficinas são no esquema “pague quanto puder”. Para se inscrever, é preciso mandar carta de intenção e currículo para o e-mail oficinasmagiluth@gmail.com .

As apresentações de O ano em que sonhamos perigosamente já fazem parte da circulação nacional contemplada pelo prêmio Myriam Muniz de Teatro – Funarte. Além do Recife, o espetáculo também poderá ser visto em Porto Alegre, Belo Horizonte, Florianópolis e Salvador.

IV FESTIVAL PAGUE QUANTO PUDER DE ARTES INTEGRADAS

Sábado (6) e domingo (7):

O ano em que sonhamos perigosamente / Grupo Magiluth (PE)
Teatro Barreto Júnior | 20h

Domingo (7):

Dia de Brincar, com Gabriela Vasconcellos (PE)
Edf. Texas – Rua | 14h-17h

Contação de histórias, com a Cia Agora Eu Era (PE)
Edf. Texas – Rua | 16h

Segunda (8):

Oficina de Dramaturgia Nem tudo o que falei foi pensado, com Giordano Castro (PE)
Edf. Texas, 1º andar | 14h-17h

Terça-feira (9):

Oficina de Dramaturgia Nem tudo o que falei foi pensado, com Giordano Castro (PE)
Edf. Texas, 1º andar | 14h-17h

Oficina Manifesto de um corpo delirante, com Carolina Bianchi (SP)
Edf. Texas, 3º andar | 14h-17h

Performance Grupo Magiluth e Ex-Exus – Grupo Magiluth e EX-Exús (PE) –
Edf. Texas, 3º andar | 20h

Pernalonga. A banda de um homem só – Show
Edf. Texas (Bar) | 22h

Quarta-feira (10)

Oficina de Dramaturgia Nem tudo o que falei foi pensado, com Giordano Castro (PE)
Edf. Texas, 1º andar | 14h-17h

Oficina Manifesto de um corpo delirante, com Carolina Bianchi (SP)
Edf. Texas, 3º andar | 14h-17h

Espetáculo Elégun – Um corpo em trânsito
Com Jorge Kildery (PE)
Edf. Texas, 3º andar | 20h

Show com Publius
Edf. Texas (Bar) | 22h

Quinta-feira (11):

Oficina de Dramaturgia Nem tudo o que falei foi pensado, com Giordano Castro (PE)
Edf. Texas, 1º andar | 14h-17h

Oficina Manifesto de um corpo delirante, com Carolina Bianchi (SP)
Edf. Texas, 3º andar | 14h-17h

Espetáculo 1 TORTO
Grupo Magiluth – Solo de Giordano Castro
Edf. Texas, 3º andar | 20h

Festa Vodalevu
Edf. Texas (Bar) e Mundo Novo | 22h

Sexta-feira (12):

Espetáculo Alegria de Náufragos
Ser Tão Teatro (PB)
Edf. Texas, 3º andar | 20h

Alegria de Náufragos, do grupo Ser Tão Teatro. Foto: Divulgação

Alegria de Náufragos, do grupo Ser Tão Teatro. Foto: Rafael Passos

Festa Hellcife Sound System
Edf. Texas (Bar) | 22h

Sábado (13):

Abertura de exposição
Com Java Araújo, Priscila Lins, Raoni Assis, Nathália Queiroz, Hugo Castro.
Edf. Texas, 1º Andar | A partir das 18h e continuando ao longo da semana.

Espetáculo Alegria de Náufragos
Ser Tão Teatro (PB)
Edf. Texas, 3º andar | 20h

Tatuagem com Hugo Castro
Edf. Texas, 1º Andar | 18h

Semenre de vulcão – Show
Texas Café Bar | 19h

Forró na Caixa – Show
Texas Café Bar | 22h

Segunda-feira (15):

Oficina Suzuki, com Luciana Brandão (BH)
Edf. Texas, 3º andar | 9h – 12h

Terça-feira (16):

Oficina Suzuki, com Luciana Brandão (BH)
Edf. Texas, 3º andar | 9h – 12h

Espetáculo Leve cicatriz
Cia TEMO com Luciana Brandão (BH)
Edf. Texas, 3º Andar | 20h

Leve cicatriz, com Luciana Brandão. Foto: Divulgação

Leve cicatriz, com Luciana Brandão. Foto: Divulgação

Show com Juvenil Silva
Edf. Texas (Bar) | 22h

Quarta-feira (17):

Oficina Suzuki, com Luciana Brandão (BH)
Edf. Texas, 3º andar | 9h – 12h

Oficina Estranha Resistência, com Marcelo Castro (BH)
Edf. Texas, 3º Andar | 14h – 17h

Espetáculo Leve cicatriz
Cia TEMO com Luciana Brandão (BH)
Edf. Texas, 3º Andar | 20h

Aninha Martins – Show
Texas Café Bar | 22h

Quinta-feira (18):

Oficina Estranha Resistência, com Marcelo Castro (BH)
Edf. Texas, 3º Andar | 14h – 17h

Performance Ruído
De Marcelo Castro (BH)
Edf. Texas (Bar) | 17h

Cinema e Debate / Fincar: Narrativas experimentais
Curadoria de Maria Cardoso e Mariana Porto
Edf. Texas, 3º Andar | 19h

Festa de encerramento
Edf. Texas, Texas Café Bar | 22h

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Trema! Festival de Teatro divulga programação

Jacy, do Grupo Carmin, abre o festival no Teatro Apolo. Foto: Nityama Macrini

Jacy, do Grupo Carmin, abre o festival no Teatro Apolo. Foto: Nityama Macrini

A importância de um festival de teatro não pode ser medida por sua duração ou pela quantidade de atrações. A proposta da curadoria, quando refletida na programação, é o que de fato mais importa. É nesse lugar que o Trema! Festival de Teatro se estabelece na capital pernambucana. Até então, o festival, que levava a assinatura do Magiluth, se voltava para o teatro de grupo. Agora, sob o comando da Trema! Plataforma de Teatro, tendo na coordenação Pedro Vilela, Mariana Rusu e Thiago Liberdade, a proposta foi ampliada, podendo incluir solos. Na realidade, a principal marca do festival continua: agregar montagens que tenham a pesquisa e a experimentação cênica como pressuposto.

Para fazer um breve retrospecto, pelo Trema!, já vimos no Recife o Teatro Kunyn, de São Paulo, a Cia Hiato, também de São Paulo, o Teatro Inominável, do Rio de Janeiro, o Grupo Espanca, de Belo Horizonte, o coletivo As Travestidas, de Fortaleza. São espetáculos de grupos que, com os seus trabalhos, têm muito a dizer sobre a realidade que vivemos e sobre os próprios procedimentos teatrais contemporâneos.

Nesta quarta edição, o Grupo Carmin, de Natal, abre a programação com a delicada Jacy, montagem de teatro-documentário que já foi vista em Garanhuns, no Festival de Inverno, mas ainda não havia chegado ao Recife. Jacy vem de uma recente temporada de sucesso no Rio de Janeiro, de uma passagem pelo Itaú Cultural (com lotação esgotada), em São Paulo, e começa agora a percorrer o Brasil pelo Palco Giratório.

De Belo Horizonte, o festival traz o grupo Primeira Campainha, com dois espetáculos do seu repertório: Isso é para Dor e Sobre Dinossauros, Galinhas e Dragões. Depois dos espetáculos, o grupo vai conversar sobre o processo criativo que norteou as montagens. A vinda da Primeira Campainha está sendo financiada pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2014 em parceria com o festival.

O coletivo As Travestidas volta ao Recife com o mais recente espetáculo, Quem tem medo de travesti. A montagem faz parte da pesquisa continuada sobre o universo trans no Brasil. Recentemente, foi vista no Festival de Teatro de Curitiba. O coletivo também comanda a festa Cabaré das Travestidas, que vai acontecer no Roda Cultural, no Bairro do Recife. A festa promete improviso, dublagem, talk show e a participação de DJ´s.

Grace Passô apresenta trabalho solo. Foto: Kelly Knevels

Grace Passô apresenta trabalho solo. Foto: Kelly Knevels

Por fim, uma das artistas mais interessantes da sua geração, Grace Passô, apresenta o solo Vaga carne. Depois de dez anos no Espanca, grupo que ajudou a fundar, Grace tem dirigido muitos espetáculos e participado de outros como atriz, como Krum, da Companhia Brasileira de Teatro. O solo Vaga carne, que tem direção, texto e atuação de Grace, integra o projeto Grãos da imagem, que reúne peças em torno de temas identitários.

Do Recife, a programação contará com as estreias de Retomada, do Grupo Totem, importante grupo de performance no cenário nacional, e pa(IDEIA), do Coletivo Grão Comum, um trabalho sobre Paulo Freire. Ainda estão na grade Soledad – A terra é fogo sob nossos pés (Confira a crítica), com Hilda Torres, e Vento Forte para Água e Sabão, musical para infância e juventude do Grupo Fiandeiros de Teatro, com texto de Giordano Castro e Amanda Torres.

Durante o festival, os produtores aproveitam para lançar a sexta edição da Trema! Revista, projeto que conta com o apoio do Funcultura.

Grupo Totem estreia Retomada. Foto: Fernando Figueiroa

Grupo Totem estreia Retomada. Foto: Fernando Figueiroa

Os ingressos já estão à venda pela internet, através do site www.eventick.com.br/tremafestivaldeteatro.

Tivemos uma importante conversa com Pedro Vilela, um dos produtores e idealizadores do festival. São questões sobre política cultural, resistência e permanência. Afinal, “a crise não é de agora. Para nós, trabalhadores da arte, ela sempre esteve presente”.

Pedro Vilela é um dos produtores do Trema! Festival. Foto: Bob Souza/divulgação

Pedro Vilela é um dos produtores do Trema! Festival. Foto: Bob Souza/divulgação

ENTREVISTA // PEDRO VILELA

De que maneira foi pensada a curadoria desta edição? Vocês falam, por exemplo, em (re)construção de paradigmas da nossa sociedade. Como isso se refletiu nos espetáculos escolhidos?

O teatro sempre será um espaço para enfrentamentos de ideias. Todo aquele que não se propõe a isto está fadado a ser apenas mais um mecanismo de reprodução da indústria cultural e da massificação de nosso povo. Ao pensar a curadoria do Trema! neste ano, procurei comungar trabalhos que em si carregam questões pertinentes para nosso tempo e que venham encontrando visibilidade no cenário artístico brasileiro. Poderíamos encher nossos palcos com obras de maior retorno financeiro para nós, organizadores, mas nosso compromisso ético com a ação faz com que estejamos muito atentos às reflexões que queremos propor. Ao assumir o tema (re)construção, estamos dispostos a percorrer um caminho duplo.

O primeiro está ligado à trajetória dos próprios organizadores, ao abandonarem antigos projetos artísticos na cidade e re-iniciarem novos percursos a partir da Trema! Plataforma de Teatro. (Re)construímos pois não achamos justo destruirmos algo que foi importante para nossa trajetória artística, ao passo que alimentamos o desejo por novos trajetos. O próprio nome do festival traz isto, este ano abandonamos o recorte exclusivo de “festival de teatro de grupo” e passarmos a ser apenas “Festival de Teatro”. Continuamos investindo na pesquisa de linguagem, mas ampliamos o olhar para artistas solos.

Em relação aos espetáculos, ao escolhermos espetáculos como os que compõem a programação, estamos nos propondo a reflexão em torno de temas como identidade, gênero, educação, tradição, ditadura, política, ou seja, pautas muito urgentes para nosso país. Acreditamos portanto que através do teatro podemos (re)construir nossa sociedade.

“Fechar um teatro é tão absurdo quanto fechar uma escola”

“Recife é a cidade dos festivais”. Essa frase é bastante dita quando discutimos a política cultural pernambucana, sem que a gente pare para avaliar de fato a importância de cada um dos festivais de artes cênicas da nossa cidade. No atual cenário, qual a importância do Trema!, tanto pra cidade quanto para os artistas? Porque insistir em fazer um festival, mesmo com a crise que assola os festivais no país todo?

Recife já foi a cidade dos festivais. Minha formação enquanto artista esteve muito ligada aos que aconteciam na nossa cidade. Esperava ansiosamente a cada ano e acompanhava absolutamente tudo. Os tempos são outros e o mais triste é perceber que retrocedemos. Já não temos o Palco Giratório, do SESC, e o Festival Recife virou um triste fantasma de anos anteriores, só para citar alguns. Os privados que teimam em resistir, a cada ano ou desistem pelo meio do caminho ou precisam fazer das tripas coração para serem executados. Isso é apenas uma breve demonstração do descaso do poder público para com as artes.

“Pensamos seriamente se realizaríamos o festival neste ano. Mas percebemos que não fazer significa que os propagadores da barbárie, da corrupção, da falta de educação, estariam saindo como vencedores desta batalha”.

É meio absurdo ter que nominar a importância desses eventos. Eles alimentam uma vasta cadeia produtiva, além de todas as questões simbólicas que suportam. O grande problema é que não conseguimos sermos vistos como utilidade pública, como elementos primordiais de construção da nossa sociedade. Fechar um teatro é tão absurdo quanto fechar uma escola. Mas se vivemos numa conjuntura que nem mesmo educação e saúde são ofertadas à população de maneira digna, o que podemos dizer das artes….

O Trema! resiste e insiste há quatro edições. Pensamos seriamente se realizaríamos o festival neste ano. Mas percebemos que não fazer significa que os propagadores da barbárie, da corrupção, da falta de educação, estariam saindo como vencedores desta batalha. A crise não é de agora. Para nós, trabalhadores da arte, ela sempre esteve presente.

Tentamos captação com diversas empresa do Estado e todas negaram recursos. Empresas inclusive que recentemente aportaram em nosso Estado com slogans ligados à cultura e ao desenvolvimento de nosso povo. O capital toma conta de nossos cidadãos, jogando-os num clico vicioso de consumo e onde apenas uma parte é beneficiada, o que vende.

Ninguém chega a Berlim, Paris ou qualquer lugar do mundo onde a produção artística é efervescente e fica deslegitimando a pluralidade que encontra. A única crítica que poderíamos fazer é quando invertemos o fomento às atividades continuadas e ficamos navegando exclusivamente em eventos passageiros. E isso sim é uma prática recorrente em nossa cidade. O que gastamos com decoração de Natal daria pra fomentar inúmeros festivais que possuem trajetória comprovada, por exemplo. Palco com banda tocando no Marco Zero aos domingos nunca será construir sociedade. Talvez seja por isto que ao acabar o show se inicie recorrentemente arrastões naquele lugar. O povo tá cansado de faz de conta. Educação é a única saída. Teatro, literatura, artes plásticas…. Isso sim muda um panorama.

“Palco com banda tocando no Marco Zero aos domingos nunca será construir sociedade. Talvez seja por isto que ao acabar o show se inicie recorrentemente arrastões naquele lugar”.

Qual o orçamento do Trema!? De onde vem o recurso? Qual o apoio, efetivamente, da Prefeitura do Recife e do Governo do Estado?

O Trema! neste ano tem orçamento de R$ 60 mil. Algo muito abaixo do que precisaríamos para executar o festival. Às vezes fico com a sensação de sermos malabaristas em conseguirmos realizar a ação. Mas seria injusto de nossa parte levarmos todos os méritos. O festival só será possível graças a todas as parcerias criadas e principalmente pelo desejo que a classe artística de todo o país tem por sua realização. Os grupos locais receberão apenas as bilheterias, por exemplo; nos sentimos até envergonhados ao termos que propor isso. Os grupos de fora estão vindo com cachês muito abaixo do comumente praticado. Isso mostra a seriedade com que lidamos com o Festival ao longo dos últimos anos e também a união dos artistas nesta guerrilha. Poderia não querer responder a vocês sobre questões orçamentárias, mas acho importante para que as coisas comecem a ter seu devido valor. A Fundação de Cultura entrará com algo em torno de R$ 15 mil (recursos e serviços) e o Governo do Estado com R$ 20 mil (recursos e serviços). Se dividirmos por exemplo o aporte da Prefeitura pela quantidade de habitantes na cidade daria algo em torno de R$ 0,01 por pessoa. Não chega nem a 1 centavo! Pouco, não?! O restante são parcerias criadas e principalmente recursos nossos. Em todas as edições não ganhamos absolutamente nada para realizar o Festival, mas ao mesmo tempo não queremos ver o Festival morrer! O por quê de fazermos esta loucura? Fico me perguntando a todo momento. E não sabemos por quanto tempo conseguiremos.

Talvez este também seja o momento de (re) construirmos o elo perdido com o poder público. Talvez. O que nos resta é fazemos um apelo ao público do Recife para que estejam juntos conosco nesta batalha. A melhor maneira de contribuir neste momento é compartilhar o quanto puder nossa divulgação. Os tempos são outros e sabemos o quanto juntos podemos mudar este paradigma. Ao ocuparmos os teatros, estaremos mostrando a importância da ação e, ainda que simbolicamente, requisitando o que nos é de direito. Como bem postamos ao anunciar que iríamos fazer o festival: não é por nós, é pela cidade!

“Se dividirmos por exemplo o aporte da Prefeitura pela quantidade de habitantes na cidade daria algo em torno de R$ 0,01 por pessoa. Não chega nem a 1 centavo!”

Programação Trema! Festival de Teatro:

28/4
Jacy / Grupo Carmin (RN)
Teatro Apolo – 20h

29/4
Sobre dinosauros, galinhas e dragões / Primeira Campainha (MG)
Teatro Arraial Ariano Suassuna – 19h30

Quem tem medo de travesti / Coletivo As Travestidas (CE)
Teatro Santa Isabel – 21h

30/4
Isso é para dor / Primeira Campainha (MG)
Teatro Arraial Ariano Suassuna – 19h30

Quem tem medo de travesti, do coletivo As Travestidas. Foto Allan Taissuke

Quem tem medo de travesti, do coletivo As Travestidas. Foto Allan Taissuke

FESTA: Cabaré das Travestidas / Coletivo As Travestidas (CE)
Roda cultural – a partir das 23h

01/5
Isso é para dor / Primeira Campainha (MG)
Teatro Arraial Ariano Suassuna – 19h30

03/5
Lançamento TREMA! Revista #6
Teatro Hermilo Borba Filho – a partir das 19h

pa(IDEIA) Pedagogia da autonomia / Coletivo Grão Comum (PE)
Teatro Hermilo Borba Filho – 20h

Coletivo Grão Comum estreia pa (IDEIA). Foto: Amanda Pietra

Coletivo Grão Comum estreia pa (IDEIA). Foto: Amanda Pietra04/5

 

04/5

Retomada / Grupo Totem (PE)
Teatro Hermilo Borba Filho – 20h

05/5
Soledad, A terra é fogo sob nossos pés / Cria do Palco (PE)
Teatro Hermilo Borba Filho – 20h

06/5
GRÃOS DA IMAGEM: Vaga Carne / Grace Passô (MG)
Teatro Hermilo Borba Filho – 20h

07/5
Vento Forte para água e sabão / Cia. Fiandeiros (PE)
Teatro Hermilo Borba Filho – 16h

08/5
Vento Forte para água e sabão / Cia. Fiandeiros (PE)
Teatro Hermilo Borba Filho – 16h

INGRESSOS:
R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), com exceção do espetáculo Quem tem medo de travesti, com sessão no Teatro de Santa Isabel ao valor de R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada) e a festa Cabaré das Travestidas, com preço único de R$ 20.

Vendas antecipadas pelo site www.eventick.com.br/tremafestivaldeteatro.

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O Janeiro de grandes espetáculos se garante

Matheus Nachtergaele abres festival com Processo de Conscerto do Desejo.Foto Marcos Hermes

Matheus Nachtergaele abres festival com Processo de Conscerto do Desejo.Foto Marcos Hermes

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSS

De 8 a 24 de janeiro vai acontecer a 22ª edição do Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco. Até a semana passada, a realização do programa era incerta por conta de uma crise, que ouço falar todos os anos para a cultura, mas este ano parece que agravou-se. Serão ao todo 36 espetáculos, entre shows, peças teatrais para adultos e crianças e produções de ópera e dança, além de oito concertos por Recife, Olinda, Goiana e Caruaru pelo Circuito BNDES de Música – Do Erudito ao Popular.

A realização é da Associação de Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), sob o comando dos produtores Paula de Renor, Paulo de Castro e Carla Valença, com patrocínio do BNDES, Prefeitura do Recife, Empetur e Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco/ Fundarpe.

Quatro espetáculos brasileiros (de outros estados do país) participam do festival. Processo de Conscerto do Desejo, solo com Matheus Nachtergaele (RJ), abre o festival. Sua mãe, Maria Cecília morreu quando o ator ainda era bebê e os poemas dela são para ele um elo de ligação e um oásis afetivo. A partir da obra do poeta Manoel de Barros, o diretor Moacir Chaves ergueu Inutilezas, da Inutilezas Produções e Arte Limitada (RJ), com os intérpretes Bianca Ramoneda e Gabriel Braga Nunes.

Questionamentos sobre identidades e investigação com recursos do metateatro marcam a peça Maria que Virou Jonas ou A Força da Imaginação, da Cia. Livre (SP), dirigida por Cibele Forjaz, com Lúcia Romano e Edgar Castro. E a estreia nacional de O Lugar Escuro, na qual três gerações de mulheres da mesma família precisam enfrentar o Mal de Alzheimer. Estão no elenco, as atrizes Sandra Dani, Vika Schabbach e Gabriela Poester, sob direção de Luciano Alabarse.

Os ingressosvariam de R$ 10 a R$ 50 (estarão à venda pelo site www.compreingressos.com em breve), mas há apresentações gratuitas também.

Espetáculo espanhol Uma casa na Ásia. Foto: Nacho Gómez

Espetáculo espanhol Uma casa na Ásia. Foto: Nacho Gómez

O projeto Janela Espanhola, traz dois convidados da cena contemporânea Da Espanha. Uma Casa na Ásia toma episódio da invasão à casa de Osama Bin Laden  para compor uma visão pop da década recheada de atentados. Os integrantes do Agrupación Señor Serrano utilizam  maquetes, videoprojeções, manipulação de vídeo em tempo real, videojogos, mundos virtuais e performance.

O outro é Por Favor, Continue (Hamlet), de Roger Bernat e Yan Duvyendak, que leva Hamlet a ser julgado em um tribunal, depois de ter matado Polônio, pai de sua noiva Ofélia. As apresentações dos dois espetáculos no Janeiro recebem o apoio da Acción Cultural Española em seu Programa de Internacionalização da Cultura Espanhola (PICE).

Montagem pernambucana O açougueiro. Foto: Lucas Emanuel-Curinga Comunique

Montagem pernambucana O açougueiro. Foto: Lucas Emanuel-Curinga Comunique

PROGRAMAÇÃO

Processo  de  Conscerto  do  Desejo  (Pássaro  da  Noite  Produções  –  Rio  de  Janeiro/RJ)
Quando: Dias 8 e 9 de janeiro de 2016 (sexta e sábado), 21h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Ingressos: R$ 50 e R$ 25

Sabores e Saberes do Milho (Comedoria Popular Arte e Gastronomia – Recife/PE)
Quando: Dias 9 e 10 de janeiro de 2016 (sábado e domingo), 16h30,
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10

Musical o Abraço - Nunca Estaremo Sós, Foto: Fernanda Acioly

Musical o Abraço – Nunca Estaremo Sós, Foto: Fernanda Acioly

Abraço – Nunca Estaremos Sós (Dispersos Cia. de Teatro – Recife/PE)
Quando: Dia 9 de janeiro de 2016 (sábado), 20h
Onde: Teatro Apolo
Ingressos: R$ 20 e R$ 10

Saudosiar… A Noite Insone de Um Palhaço…(Paulo de Castro Produções Artísticas  e Fafe Cidade das Artes – Recife/Brasil/Fafe/Portugal)
Quando: Dias 9 e 10 de janeiro de 2016 (sábado, 20h, domingo, 18h)
Onde: Teatro Capiba (SESC Casa Amarela)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10

Passo (Compassos Cia. de Danças – Recife/PE)
Quando: Dia 10 de janeiro de 2016 (domingo), 17h
Onde: Passo do Frevo
Quanto: R$ 6 e R$ 3 (entrada no local)

Fraturas, com o coletivo trippé (PE). Foto: Fernando Pereira

Fraturas, com o coletivo trippé (PE). Foto: Fernando Pereira

Fraturas (Coletivo Trippé – Petrolina/PE)
Onde: Teatro Apolo
Quando: Dia 10 de janeiro de 2016 (domingo), 20h,
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Obsessão (Produção: Nilza Lisboa, Simone Figueiredo e Sílvio Pinto – Recife/PE)
Quando: Dia 10 de janeiro de 2016 (domingo)
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: 20h, R$ 20 e R$ 10

Please,  Continue  (Hamlet)  /  Por  Favor,  Continue  (Hamlet)  (Roger  Bernat  –  Espanha) Quando: Dias  12  e  13  de  janeiro  de  2016  (terça  e  quarta),  19h30,
Onde: Local a confirmar
Quanto: gratuito  (distribuição  de  senhas a partir de 2h antes)

Cabaré Diversiones (Produção: Henrique Celibi – Olinda/PE)
Quando: Dia 12 de janeiro de 2016 (terça), 20h,
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 20 e R$ 10

A Visita, com o ator Severino Florêncio (PE). Foto: Marcos Nascimento

A Visita, com o ator Severino Florêncio (PE). Foto: Marcos Nascimento

A Visita (Grupo de Teatro Arte­Em­Cena – Caruaru/PE)
Quando: Dias 12 e 13 de janeiro de 2016 (terça e quarta), 20h
Onde: Teatro Capiba (SESC Casa Amarela)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Sistema  25  (Grupo  Cênico  Calabouço  e  Grupo  Teatral  Risadinha  –  Recife/Camaragibe/PE) Quando: Dia 13 de janeiro de 2016 (quarta), 17h,
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Cante Comigo – Ayrton Montarroyos (Produção: Rita Chaves – Recife/PE)
Quando: Dia 13 de janeiro de 2016 (quarta), 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: R$ 40 e R$ 20

A House in Asia / Uma Casa na Ásia (Agrupación Señor Serrano – Espanha)
Quando: Dias 14 e 15 de janeiro de 2016 (quinta e sexta), 20h
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 20 e R$ 10

(L)a (P)lage (Grupo Acaso, Apacepe e Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto –  Recife/ Brasil/ Basto/ Portugal)
Quando: Dias 14 e 15 de janeiro de 2016 (quinta e sexta), 20h
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

O Ano Em Que Sonhamos Perigosamente (Grupo Magiluth – Recife/PE)
Quando: Dia 14 de janeiro de 2016 (quinta-­feira), 21h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10

A  Invenção  da  Palavra  (Parêa Teatro, Janela  Projetos e  Fafe Cidade  das  Artes –  Recife/ Brasil/Fafe/ Portugal)
Quando: Dias 15 e 16 de janeiro de 2016 (sexta e sábado), 20h
Onde: Teatro Capiba (SESC Casa Amarela)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Inutilezas (RJ) - Foto: Marco Terra Nova

Inutilezas (RJ) – Foto: Marco Terra Nova

Inutilezas (Inutilezas Produções e Arte Limitada – Rio de Janeiro/RJ)
Quando: Dias 15 e 16 de janeiro de 2016 (sexta e sábado), 21h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: R$ 40 e R$ 20

Luzia no Caminho das Águas (Grupo Engenho de Teatro – Recife/PE)
Quando: Dias 16 e 17 de janeiro de 2015 (sábado e domingo), 16h30
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Maria Que Virou Jonas ou A Força da Imaginação (SP), com direção de Cibele Forjaz. Foto: Cacá Bernardes

Maria Que Virou Jonas ou A Força da Imaginação (SP), com direção de Cibele Forjaz. Foto: Cacá Bernardes

Maria Que Virou Jonas ou A Força da Imaginação (Cia. Livre – São Paulo/SP)
Quando: Dias 16 e 17 de janeiro de 2016 (sábado e domingo), 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Salmo 91 (Cênicas Cia. de Repertório – Recife/PE)
Quando:Dia 16 de janeiro de 2016 (sábado), 20h
Onde: Espaço Cênicas (Av. Marquês de Olinda, 199, sala 201, 2º andar, Bairro do Recife)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Ópera Cordelista Lua Alegria (Paulo Matricó – Recife/PE)
Quando: Dias 16 e 17 de janeiro de 2016 (sábado, 21h,  domingo
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Elke Canta e Conta, com Elke Maravilha (SP) - Foto: Estúdio Mandala

Elke Canta e Conta, com Elke Maravilha (SP) – Foto: Estúdio Mandala

Elke Canta e Conta (Produção: Maurílio Domiciano – São Paulo/SP)
Quando: Dia 17 de janeiro de 2016 (domingo), 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: R$ 50 e R$ 25

Soledad – A Terra é Fogo Sob Nossos Pés (Cria do Palco – Recife/PE)
Quando: Dia 18 de janeiro de 2016 (segunda), 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Luas de Há Muito Sóis (Papelão Produções e Fafe Cidade das Artes – Recife/Brasil/  Fafe/ Portugal)
Quando: Dias 18 e 19 de janeiro de 2016 (segunda e terça), 20h
Onde: Teatro Capiba (SESC Casa Amarela)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

O Açougueiro (Alexandre Guimarães – Recife/PE)
Quando: Dia 19 de janeiro de 2016 (terça), 19h
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Quarteto Encore (Produção: Rafaela Fonsêca – Recife/PE)* *Integrando o Circuito BNDES de Música – Do Erudito ao Popular
Quando: Dia 20 de janeiro de 2016 (quarta), 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: gratuito

Jr. (Operários de Teatro – OPTE – Recife/PE)
Quando: Dias 20 e 21 de janeiro de 2016 (quarta e quinta), 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Bailaora, com a Cia. Karina Leiro (PE). Foto: Lane Hans

Bailaora, com a Cia. Karina Leiro (PE). Foto: Lane Hans

Bailaora (Cia. Karina Leiro – Recife/PE)
Quando: Dia 20 de janeiro de 2016 (quarta), 20h30
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Gota  d’Água  –  Fragmentos  e  Outras  Canções  (VI  Turma  de  Iniciação  Teatral  Cênicas Cia. de Repertório –Recife/PE) Dia 21 de janeiro de 2016 (quinta), 20h
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 10 (preço único promocional)

Homenagem ao Malandro (Curso de Interpretação para Teatro do SESC Piedade – Jaboatão dos Guararapes/PE)
Quando: Dia 22 de janeiro de 2016 (sexta), 20h
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 10 (preço único promocional)

Grito de Guerra, Grito de Amor (Duas Companhias, Coletivo Grão Comum, Apacepe e Fafe Cidada das Artes – Recife /Brasil / Fafe /Portugal)
Quando: Dias 22 e 23 de janeiro de 2016 (sexta e sábado), 20h
Onde: Teatro Capiba (SESC Casa Amarela)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Cavaco e Sua Pulga Adestrada (Caravana Tapioca – Recife/PE)
Quando: Dia 23 de janeiro de 2016 (domingo), 16h30
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

O Lugar Escuro (Artworks Produções – Porto Alegre/RS)
Quando: Dias 23 e 24 de janeiro de 2016 (sábado e domingo), 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Angelicus Prostitutus (Grupo  Matraca  de Teatro  e SESC Piedade  –  Jaboatão  dos  Guararapes/PE)
Quando: Dia 23 de janeiro de 2016 (sábado), 21h
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Pernambuco Sonoro (P Castro Produções – Recife/PE)
Quando: Dia 23 de janeiro de 2016 (sábado), 21h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: R$ 40 e R$ 20

Sebastiana e Severina(Teatro Kamikaze – Olinda/PE)
Onde: Dia 24 de janeiro de 2016 (sábado), 16h30
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Quatro Pianos no Choro (Paulo de Castro Produções Artísticas – Recife/PE)* *Integrando o Circuito BNDES de Música – Do Erudito ao Popular
Quando: Dia 24 de janeiro de 2016 (domingo), 18h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: Gratuito

Em Nome do Pai (PE). Crédito: Zé Barbosa

Em Nome do Pai (PE). Crédito: Zé Barbosa

Em Nome do Pai (REC Produtores Associados – Recife/PE)
Quando: Dia 24 de janeiro de 2016 (domingo), 21h,
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 20 e R$ 10

Circuito BNDES de Música – Do Erudito ao Popular Programação no interior pernambucano

Caruaru (local e horário a confirmar)

Dia 10 de janeiro de 2016 (domingo)
Orquestra de Câmara de Pernambuco

Dia 11 de janeiro de 2016 (segunda)
Spock Quinteto

Goiana (local e horário a confirmar)

Dia 12 de janeiro de 2016 (terça)
Spock Quinteto

Dia 13 de janeiro de 2016 (quarta)
Quarteto Encore

Olinda (local e horário a confirmar)

Dia 14 de janeiro de 2016 (quinta)
Orquestra de Câmara de Pernambuco

Dia 15 de janeiro de 2016 (sexta)
Spock Quinteto

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Festival Recife mais uma vez na corda bamba

Carta ao Pai, com Denise Stoklos, é principal atração nacional do festival

Carta ao Pai, com Denise Stoklos, é principal atração nacional do festival

O Festival Recife do Teatro Nacional, que começa neste sábado (21) e vai até o dia 29, chega à 17ª edição. Em sua configuração geral, não apresenta uma proposta curatorial, nem traz a excelência da cena brasileira contemporânea, propostas que acompanharam a história do festival. O FRTN foi, ao longo dos anos, um instrumento para fazer chegar ao Recife montagens que dificilmente estariam nos palcos pernambucanos se dependessem apenas de bilheteria ou, sendo mais otimista, que levariam algum tempo para chegar, tendo que depender dos incentivos à circulação, como Myriam Muniz, Caixa Cultural e Petrobras.

Grande parte da programação do festival este ano é formada por montagens locais que estrearam agora em 2015 ou no ano passado. Uns dizem que é um festival da resistência, da coragem. Vamos destrinchar isso melhor…

Em 2014, o Festival Recife do Teatro Nacional não aconteceu por decisão da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR). A determinação foi anunciada sem haver um diálogo com quem faz teatro na cidade e isso provocou perplexidade e polêmica. A justificativa foi econômica. Falou-se em edições bienais. Falou-se em classe teatral para discutir o planejamento e o formato do festival nos anos seguintes.

Vale relembrar o que dizia o release enviado aos jornalistas sobre o cancelamento do evento:

“A partir deste ano o Festival Internacional de Dança do Recife (FIDR) e o Festival Recife do Teatro Nacional (FRTN), ambos promovidos pela Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura (Secult) e da Fundação de Cultura Cidade do Recife (FCCR), passam a ser bienais, em caráter de alternância. Desta maneira, em 2014 será realizada a 19ª edição do Festival dedicado à dança, em 2015 será a vez da 17ª edição do Festival do Teatro, e assim sucessivamente.

A decisão foi tomada pela Secretaria de Cultura e pela Fundação de Cultura Cidade do Recife no intuito de possibilitar um planejamento adequado a estas iniciativas, uma vez que a gestão reconhece o importante papel que estas ações cumprem na formação dos realizadores das artes cênicas, no intercâmbio entre diferentes expressões artísticas e ainda na formação de plateia. Contudo, são também Festivais que requerem volumes maiores de recursos da pasta e que precisam ser ajustados às demandas dos respectivos segmentos, garantindo investimento significativo para a produção do Teatro e da Dança na capital pernambucana.”

Palavras ao vento.

A ideia de tornar os festivais bienais, ainda bem, não foi à frente, mas continua faltando, justamente, planejamento. Até 2013, o FRTN era realizado através do Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas Apolo-Hermilo, ligado à Secretaria de Cultura. É preciso que se diga que houve, inclusive, nos dois encontros realizados pela Gerência de Artes Cênicas, ligada à Fundação de Cultura, para discutir as ações da gerência, uma reivindicação da classe artística para que o festival fosse realizado pela Gerência e não pelo Apolo-Hermilo. Mas tudo isso com a antecedência necessária ao planejamento, obviamente.

Não foi o que aconteceu. No fim do mês de julho, o Gerente de Artes Cênicas da Prefeitura, Romildo Moreira, recebeu das mãos do Presidente da Fundação de Cultura, Diego Rocha, a incumbência de fazer o FRTN. Para se ter uma ideia, o Festival Internacional de Dança do Recife, já coordenado pela gerência, e que aconteceu em outubro, estava completamente estruturado.

Além do pouquíssimo tempo para a produção de um festival que já não havia acontecido no anterior justamente “no intuito de possibilitar um planejamento adequado”, o presente de grego recebido pela Gerência de Artes Cênicas veio também com a notícia de que, ao invés do recurso de R$ 400 mil com o qual o festival foi produzido em 2013, agora seriam apenas R$ 200 mil.

Resultado? O FRTN ficou sem a possibilidade de fazer as convocatórias por edital, iniciativa que começou no festival de 2013 (que, convenhamos, não é atraente nem para as grandes companhias nem para os grupos mais experimentais) e sem verbas para trazer espetáculos relevantes do teatro brasileiro deste ano. Quer dizer, a cena contemporânea que permitisse a atualização do público do Recife para um teatro que está sendo criado, impregnado de todas as tendências da cena mundial.

Uma boa pergunta é: para onde foi o dinheiro que seria destinado ao FRTN do ano passado? Bem, a não realização do festival no ano passado deixou um hiato que a edição de 2015 não vai preencher. Teremos outra lacuna este ano, da forma como o festival está sendo realizado. Infelizmente. Não teremos as principais companhias no festival nem os experimentos que dificilmente excursionam em caráter comercial.

O olhar do espectador que não circula por festivais de teatro, nacionais e internacionais, foi prejudicado pela decisão da Secretaria que, por sinal, vem demonstrando que não tem garra ou cacife para lutar por mais verbas para sua pasta. Não, não adianta o prefeito Geraldo Julio alardear que a cultura é prioridade, se a sua gestão está fazendo aquele que já foi um dos festivais mais importantes do país, perder pertinência. Alardear que “a produção pernambucana será a grande atração” é querer fazer os artistas pernambucanos de trouxa. A produção pernambucana precisa sim ter representação no Festival Recife do Teatro Nacional. Isso ninguém discute. Mas, para a classe artística e para o público, a importância do FRTN não é levar à cena a produção local. Para isso, já existem outros caminhos, inclusive o Janeiro de Grandes Espetáculos que, mais uma vez, está lutando por verba.

O FRTN precisava acontecer? Sem dúvidas nenhuma. Isso era vital para que o festival não desaparecesse. Mas, justamente para que o festival não morra, é preciso bradar aos quatro cantos que ele não poderia ser realizado assim: sem prioridade, planejamento, orçamento.

Programação

Encenação de Rei Lear, texto de Shakespeare, é assinada por Moacir Chaves. Foto: Guga Melgar

Encenação de Rei Lear, texto de Shakespeare, é assinada por Moacir Chaves. Foto: Guga Melgar

O FRTN este ano homenageia o jornalista, ator e diretor Valdi Coutinho, profissional que durante mais de duas décadas assinou uma coluna crítica de teatro no jornal Diario de Pernambuco.

O festival segue até o dia 29 de novembro, com 16 produções, nacionais e locais, sendo 13 espetáculos pernambucanos (dez adultos e três infantis). Os três espetáculos visitantes são Carta ao Pai, com Denise Stoklos (SP); o Solo Almodóvar, com Simone Brault (BA); e Presente de Vô, do grupo Ponto de Partida (MG).

A comissão de seleção dos espetáculos não teve muitas opções para fazer as escolhas, já que as propostas esbarravam em cachês e estruturas para trazer os espetáculos. O trabalho foi dirigido por Romildo Moreira e teve a participação de representantes de órgãos e entidades da classe teatral. São eles: Jorge Clésio (Secretaria de Cultura de Pernambuco); Andrea Morais Borges (Secretaria de Cultura do Recife); Ivo Barreto (Centro Apolo Hermilo); Ivana Moura (Apacepe); Roberto Xavier (Feteape) e Ivonete Melo (Sated/PE). Certamente voltaremos a tratar sobre esse assunto.

Programação 17º FRTN

Sábado (21):

Solenidade de Abertura com o espetáculo Rei Lear, da Remo Produções (PE) / Teatro Luiz Mendonça, às 20h

Domingo (22):

Salada Mista, com a Cia. 2 Em Cena (PE) / Teatro Hermilo Borba Filho, às 16h30

Chapeuzinho vermelho vira telenovela em Salada mista

Chapeuzinho vermelho vira telenovela em Salada mista

Como a Lua, da Mambembe Produções (PE) / Teatro Luiz Mendonça, às 16h30

José Manoel Sobrinho assina remontagem de Como a lua. Foto: Laryssa Moura

José Manoel Sobrinho assina remontagem de Como a lua. Foto: Laryssa Moura

Obsessão, Produção de Simone Figueiredo (PE) / Teatro de Santa Isabel, às 20h30

Obsessão fez temporada de estreia no Teatro Boa Vista, em maio

Obsessão fez temporada de estreia no Teatro Boa Vista, em maio

Segunda-feira (23):

Na solidão dos campos de algodão, da Cia. do Ator Nu (PE) / Teatro Hermilo Borba Filho, às 20h

Texto do francês Bernard-Marie Koltès é levado a cena por Edjalma Freitas e Tay Lopez. Foto: Pollyanna Diniz

Texto do francês Bernard-Marie Koltès é levado a cena por Edjalma Freitas e Tay Lopez. Foto: Pollyanna Diniz

Terça-feira (24):

Soledad, com Hilda Torres (PE) / Teatro Hermilo Borba Filho, às 19h

Hilda Torres encena monólogo com direção de Malú Bazan sobre história de militante de esquerda

Hilda Torres encena monólogo com direção de Malú Bazan sobre história de militante de esquerda

A Receita, de O Poste Soluções Luminosas (PE) / Teatro Apolo, às 20h30

Espetáculo traz continuidade da pesquisa do grupo O Poste Soluções Luminosas. Foto: Ivana Moura

Espetáculo traz continuidade da pesquisa do grupo O Poste Soluções Luminosas. Foto: Ivana Moura

Quarta-feira (25):

O canto do cisne, com Manoel Carlos (PE) / Teatro Hermilo Borba Filho, às 19h

Companhia Fiandeiros participa de festival com monólogo. Foto: Carla Sellan

Companhia Fiandeiros participa de festival com monólogo. Foto: Carla Sellan

Carta ao Pai, com Denise Stoklos (SP) / Teatro de Santa Isabel, às 20h30

Quinta-feira (26):

Cabaré Diversiones, com Vivencial Diversiones (PE) / Teatro Apolo, às 19h

Henrique Celibi retoma Vivencial com montagem

Henrique Celibi retoma Vivencial com montagem

Salmo 91, com a Cênicas Cia. de Repertório (PE) / Espaço Cênicas Cia. de Repertório, às 20h30

Cênicas Cia de Repertório leva ao palco texto de Dib Carneiro Neto. Foto: Wilson Lima

Cênicas Cia de Repertório leva ao palco texto de Dib Carneiro Neto. Foto: Wilson Lima

Sexta-feira (27):

Angelicus Prostitutus; da Matraca Grupo de Teatro (PE) / Forte das Cinco Pontas (Museu da Cidade do Recife), às 20h

Rudimar Constâncio dirige comédia que trata da prostituição

Rudimar Constâncio dirige comédia que trata da prostituição

Sábado (28):

 Sistema 25, com produção de José Manoel (PE) / – Teatro Hermilo Borba Filho, às 18h e 21h30

Realidade de uma prisão é mote para Sistema 25. Foto: Camila Sérgio

Realidade de uma prisão é mote para Sistema 25. Foto: Camila Sérgio

Solo Almodóvar, com Simone Brault (BA) / Teatro Apolo, às 19h

Espetáculo conta história da travesti Dolores Maria

Espetáculo conta história da travesti Dolores Maria

Presente de Vô, com o Grupo Ponto de Partida (MG) / Teatro de Santa Isabel, às 20h30

Domingo (29):

As Travessuras de Mané Gostoso, Cia Meias Palavras (PE) / Teatro Hermilo Borba Filho, às 16h30

Luciano Pontes, Arilson Lopes e Samuel Lira estão em cena em As Travessuras de Mané Gostoso. Foto: Ju Brainer

Luciano Pontes, Arilson Lopes e Samuel Lira estão em cena em As Travessuras de Mané Gostoso. Foto: Ju Brainer

Presente de Vô, com o Grupo Ponto de Partida (MG) / Teatro de Santa Isabel, às 20h30

Grupo mineiro volta ao Recife com Presente de vó. Foto: Guto Muniz

Grupo mineiro volta ao Recife com Presente de vó. Foto: Guto Muniz

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Encontro com Hilda Hilst

Fabiana Pirro estreou primeiro monólogo. Foto: Renata Pires

Fabiana Pirro estreou primeiro monólogo. Foto: Renata Pires

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A peça teatral contraria o seu próprio título e é pouco pornofônica, lasciva, desbocada, devassa, libidinosa, indecente, despudorada, escandalosa. Outro jeito de ser Hilda Hilst. A obra da criadora paulista é rica e ampla, escapa de rótulos. Seus textos estão além, porque ela é múltipla. É certo que a fase mais popular de escritura de Hilda é de conteúdo deliberadamente erótico e pornográfico. Mas a encenação cria deslocamentos e lembra que a palavra “Obscena” também remete para aquilo que está fora da cena.

O espetáculo agrega trechos dos escritos e de entrevistas de Hilst, rasgos de memória e dos estudos da atriz Fabiana Pirro e de Luciana Lyra (atriz, diretora e dramaturga pernambucana radicada em São Paulo, que assina a dramaturgia e encenação) para criar sua poética cênica.

Os questionamentos íntimos da intérprete vão buscar ressonância na elaboração criativa da escritora, que articula um eixo propagador de invenção no teatro – e através do teatro. É assim que a relação com os homens de sua vida, principalmente o pai, passa por ajustamento ficcional e friccional da composição de personagens de teatro, que estabelecem diálogos e buscam respostas.

Na cena, as complexas relações com Deus, com o pai, com a natureza, com os animais são apresentadas em camadas. A personagem Líria, uma mulher de mais de 40 anos, investiga desejos e lacunas; revezando com a figura da própria Fabiana, que dá espaço para a voz narrativa da atriz em solilóquio ou em diálogos com interlocutores fictícios.

A representação de uma árvore assume as forças divinas e da natureza, de extrema importância para o desenvolvimento da encenação, seja como cenografia ou elemento articulador do discurso.

No espetáculo, Fabiana Pirro vive Líria

No espetáculo, Fabiana Pirro vive Líria

Obscena é o primeiro solo de Fabiana Pirro e costura sentimentos. É um espetáculo de desenho bonito no palco, palavras fortes. A montagem apresenta uma intérprete que se jogou de cabeça nesse projeto. Que faz reluzir desejos, vindos da experiência. Que cresceu como atriz. A montagem deve amadurecer. Mas já nasceu bonita.

A expressividade da atriz ainda pede uma modulação mais definida do seu repertório vocal que, em muitos momentos, está impregnada das vozes de espetáculos anteriores. Não vejo acréscimo nos breves momentos de nudez e isso me fez lembrar um show de Gal Costa dirigido por Gerald Thomas, em que a cantora aparecia de peitos à mostra.

As sutilezas também podem ser intensificadas com uma possível temporada e o azeitamento do espetáculo. A poesia inundou a equipe de criação, mas a emoção, a intensidade, o que arde de misto de loucura e invenção, amor e desejo são comportas que não foram liberadas totalmente para atingir o público nas duas sessões.

Obscena foi apresentada no Teatro Marco Camarotti, como parte da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos.

Montagem tem direção e dramaturgia de Luciana Lyra

Montagem tem direção e dramaturgia de Luciana Lyra

Ficha técnica:

Idealização do projeto e atriz-criadora – Fabiana Pirro
Dramaturgia, encenação e direção – Luciana Lyra
Trilha sonora – Ricardo Brazileiro
Preparação corporal – Silvia Góes
Direção de arte – Nara Menezes
Design de luz – Agrinez Melo
Operação de luz – Leo Ferrario
Figurino – Virgínia Falcão
Colaboração artística – Conrado Falbo
Produção – Fabiana Pirro e Lorena Nanes
Filmografia – Ernesto Filho e Renata Pires
Design gráfico – Tito França
Fotos – Renata Pires
Realização – Duas Companhias, Unaluna e Coletivo Lugar Comum

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