Arquivo da tag: Festival de Teatro do Agreste – Feteag

Motivos para ir ao teatro neste fim de outubro

Salina foto Divulgação

Em Caruaru tem a nova montagem do Grupo Amok, Salina foto Divulgação

Recife esbanja festivais, que se espalham por cidades vizinhas. No segundo semestre é um emendando no outro. Estão acontecendo ao mesmo tempo o Festival Cena Cumplicidades, o Festival de Teatro do Agreste – Feteag, a Mostra Luz Negra – O Negro em Estado de Representação, o Festival de Dança do Recife. Fora visitantes e curtas temporadas. Bom dessa oferta é que temos opções. Boas opções. A passionalidade do Balé Carmen, a irreverência de Isso não é uma mulata, uma peça no Teatro de Santa Isabel e a outro no Espaço O Poste, cada uma de um dos lados do rio Capibaribe.  Em Caruaru, o Grupo Amok propõe um mergulho numa África ancestral com Salina (a última vértebra). Em Camaragibe Cartas para Alemanha, sobre o fim de relacionamento de uma mulher negra com um estrangeiro. Para quem gosta de uma comédia mais digestiva tem Cada Um Com Seus Pobrema, no Teatro Guararapes. Neste domingo, de graça em Olinda, uma programação na Igreja da Sé, com várias atrações do Cena Cumplicidades.

 SÁBADO – 28 DE OUTUBRO

 ISTO NÃO É UMA MULATA- MOSTRA LUZ NEGRA – O NEGRO EM ESTADO DE REPRESENTAÇÃO

Monica Santana. Foto: Divulgação

Mônica Santana. Foto: Divulgação

Solo com direção, dramaturgia e atuação de Mônica Santana reflete sobre a representação da mulher negra e traz provocações sobre o mito da democracia racial brasileira, com ironia e humor. Isto Não É Uma Mulata transita entre o teatro e a performance, e problematiza a invisibilidade, a visibilidade reduzida, os estereótipos, o silenciamento, a exotização e a hipersexualização da mulher negra. Com humor, ironia, referências de cultura pop e de massa, o espetáculo dialoga com divas da música internacional como Beyoncé e Nina Simone, além de evocar o universo do samba e do carnaval.
Isto Não É Uma Mulata
Quando: 28 de outubro, às 20h
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Informações: 98649-6713

CARMEN – FESTIVAL CENA CUMPLICIDADES

Balé Teatro Guaíra com Carmen. Foto: Kraw Penas/ Divulgação

Balé Teatro Guaíra com Carmen. Foto: Kraw Penas/ Divulgação

Carmen é uma das tragédias mais famosas da história da arte. Os ingredientes são explosivos: amor, passionalidade, ciúme e morte. Exibe a experiência de um mundo que não atende aos caprichos do personagem tomado pelo desejo, que comete o feminicídio. Inicialmente, escrita em forma de ópera, 90 anos depois foi criada a versão para balé. É ambientado na Sevilha do século 19. A partir  da dramaturgia da ópera e da trilha composta por Rodion Shchedrin e Georges Bizet. Com direção e coreografia de Luiz Fernando Bongiovanni.
Carmen, com o Balé Teatro Guaíra. 
Quando: 28 de outubro, às 20h. 
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio). 
Quanto: R$ 20, R$ 10 (meia). À venda na bilheteria do Teatro. 

QUE MUITO AMOU

Montagem da Cênicas. Foto: Divulgação

Montagem da Cia Cênicas. Foto: Divulgação

Três contos do livro Os Dragões Não Conhecem o Paraíso, de Caio Fernando Abreu, são adaptados para a cena: Sapatinhos Vermelhos, Praiazinha e Dama da Noite. As histórias tratam dos amores exponenciais espalmados com a morte, saudade e ódio.
Quando: 28 de outubro, às 20h 
Onde: Espaço Cênicas (Avenida Marquês de Olinda, 199, Sala 201, 2° Andar – Entrada pela Vigário Tenório-, Recife Antigo) 
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Informações: 3355-3323, 3355-3324.

RE/IN-FLEXÃO – 22º FESTIVAL DE DANÇA DO RECIFE

A bailarina pernambucana Valéria Vicente revive e discute diferentes maneiras de dançar o frevo.
Re/In-flexão
Quando: 28 de outubro, às 19h.
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Rua do Apolo, s/n, Cais do Apolo).
Quanto: R$ 10, R$ 5 (meia).
Informações: 3224-3257.

A BATALHA DE HIP HOP – 22º FESTIVAL DE DANÇA DO RECIFE

Ginga B.boy Foto: Divulgação

Ginga B.boy Foto: Divulgação

Maratona de apresentações de hip hop com Grupo Ginga Bboys e Bgirls, da Associação Metropolitana de Hip Hop. O evento contará com a participação de 20 Crews de Breaking, além do DJ Stanley e do Mestre de cerimônia BBoy Chitos.
Quando: 28 de outubro, das 14h às 21h.
Onde: Compaz Eduardo Campos (Alto Santa Terezinha).
Quanto: R$ 10, R$ 5 (meia).
Informações: 3224-3257.

TRILOGIA DO FEMININO – A MULHER QUE CUSPIU A MAÇÃ

foto: Duda Las Casas

Peça questiona as expectativas dos relacionamentos românticos da mulher nos dias de hoje. Foto: Duda Las Casas

A proposta é analisar o comportamento da mulher contemporânea e criticar as desilusões românticas – que ainda condicionam a vida de muitas delas. Inspirada no livro A Cama na Varanda, de Regina Navarro Lins, a obra da Cia de dança Mário Nascimento. Criada pela atriz durante uma residência artística na Dinamarca, a montagem encerra a Trilogia do Feminino, composta também por Mulher Selvagem (2010) e O Vestido (2013).
Quando: 28 de outubro e 4 de novembro, às 20h. 
Onde: Teatro da Caixa Cultural (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife). 
Quanto: R$ 10 e R$ 5 (meia). Ingressos à venda a partir do dia 25 de outubro, para a primeira sessão, e 1º de novembro, para a segunda sessão, na bilheteria da Caixa Cultural. 
Informações: 3425-1915.

SALINA (A ÚLTIMA VÉRTEBRA)

salina foto daniela magalhães divulgação

Salina. Foto Daniela Magalhães / divulgação

Salina (a última vértebra) mostra a saga da protagonista. Casada à força e violada pelo marido, ela gera Mumuyê Djimba, um filho que ela detesta tanto quanto o pai. O espetáculo do grupo Amok Teatro, tem direção de Ana Teixeira e Stephane Brodt. A montagem tem texto do francês Laurent Gaudé e propõe um mergulho numa África ancestral ao abordar o exílio, o ódio e o perdão.
Salina – A Última Vértebra (Amok Teatro – Rio de Janeiro/RJ)
Quando: Dia 28 de outubro de 2017 (sábado), às 18h, no Teatro Rui Limeira Rosal (SESC Caruaru)
Grátis

CADA UM COM SEUS POBREMA

Marcelo Medici. Foto: Divulgacao

Marcelo Médici. Foto: Divulgação

Marcelo Médici traz o espetáculo Cada Um Com Seus Pobrema , que ficou em cartaz por sete anos ininterruptos em São Paulo (2004 a 2011). O ator interpreta oito personagens hilários e surpreende por sua agilidade para mudar radicalmente de expressão e voz. Tem figuras já conhecidas do público como o corintiano Sanderson, a vidente Mãe Jatira e a apresentadora infantil Tia Penha. A direção de Ricardo Rathsam.
Cada Um Com Seus Pobrema, com Marcelo Médici
Quando: Dia 28 de outubro (sábado), às 21h
Quando: Dia 29 de outubro (domingo), às 19h
Onde: Teatro RioMar: Av. República do Líbano, 251, 4º piso – RioMar Shopping
www.teatroriomarrecife.com.br
Classificação: livre
Ingressos:
Plateia Baixa: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)
Plateia Alta: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
Balcão: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia)
*Canais de vendas oficiais: bilheteria do Teatro RioMar Recife (terça a sábado, das 12h às 21h, e domingos e feriados, das 14h às 20h)
Vendas online: www.ingressorapido.com.br
Televendas: 4003-1212

EL REGRESO DE FÁTIMA

Declaradamente baseada nas novelas mexicanas. Comédia mostra a virada na vida de Maria de Fátima. Ao tentar chegar aos EUA, ela fica detida no México e lá encontra Antony Julio de Alcântara Velásquez, que a acolhe. A partir daí, a moça vai descobrir segredos de sua origem. 
Quando: 28 e 29 de outubro, às 19h. 
Onde: Teatro Valdemar de Oliveira (Rua Oswaldo Cruz, 412A, Boa Vista). 
Quanto: R$ 20 (antecipado). 
Informações: 98827-3109.

UM PASSO PARA O RISO

Junta dança, música e comédia. Sátira a fatos do cotidiano com elementos da cultura pernambucana. 
Quando: 28 de outubro, às 20h. 
Onde: Teatro Paulo Freire (Avenida Marechal Floriano Peixoto, Centro, Paulista). 
Quanto: R$ 20, R$ 10 (meia). 
Informações: 98467-9901, 98697-4683.

 DOMINGO – 29 DE OUTUBRO

OMBELA – MOSTRA LUZ NEGRA – O NEGRO EM ESTADO DE REPRESENTAÇÃO

Naná Sodré e Agri Melo. Foto: Lucas Emanuel

Naná Sodré e Agri Melo. Foto: Lucas Emanuel

Duas gotas de chuva que se transformam em entidades. Na peça inspirada no poema épico Ombela  (chuva em português ), do escritor africano Manuel Rui, Agrinez Melo e Naná Sodré inventam rios e desdobram-se ao som do vento e, a cada gota, fazem nascer ou morrer coisas, gente e sentimentos. Imerso numa atmosfera mágica, o espetáculo busca refletir sobre a cultura africana no Brasil. A direção é de Samuel Santos.
Ombela  

Quando: 29 de outubro, às 17h
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Informações: 98649-6713

MEMÓRIA DE BRINQUEDO – 22º FESTIVAL DE DANÇA DO RECIFE

Curitiba Cia de Dança resgata o lúdico em espetáculo. Foto: Divulgação

Curitiba Cia de Dança resgata o lúdico em espetáculo. Foto: Divulgação

Curitiba Companhia de Dança faz um resgate poético para mostrar que brincar é o pensamento da criança, e é preciso inteligência e sensibilidade para promover esse espaço/tempo. Da representação simbólica até estudos recentes da neurociência apontam a brincadeira como uma atividade fundamental para o desenvolvimento físico e psicológico das crianças.
Memória de Brinquedo – Curitiba Cia de Dança (PR). 
Quando: 29 de outubro, às 20h. 
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Avenida Boa Viagem, s/n, Boa Viagem). 
Quanto: R$ 10, R$ 5 (meia). 
Informações: 3224-3257.

CARTA PARA A ALEMANHA – Elze Maria Barroso

Montagem do Rio Grande do Norte discute a negritude. Foto: Divulgação

Montagem do Rio Grande do Norte discute a negritude. Foto: Divulgação

A atriz/performer ao relembrar passagens do término de um relacionamento amoroso com um alemão, convida o espectador a compartilhar espaços íntimos dos pensamentos. A experiência de uma mulher negra ao se relacionar com um estrangeiro também são refletidas na peça. Carta para a Alemanha busca através de uma narrativa  com propostas relacionais de sensorealidade despertar os cinco sentidos do corpo. Com Elze Maria Barroso.

Carta para a Alemanha
Quando: 29/10 Domingo, às 19h
Onde:  Cine Teatro Bianor Mendonça, Av. Dr. Pierre Collier, 167 – Vila da Fabrica – Camaragibe 
Entrada Gratuita
Faixa etária: 12 anos

PALCO PETROBRÁS – IGREJA DA SÉ – CENA CUMPLICIDADES

História Conteiner. foto Divulgação

História Contêiner. foto Divulgação

Reencontro Angola-Brasil: Um encontro do presente com o passado
Balé Tradicional Kilandukilu (Brasil- Angola)
História Contêiner
Diogo Ricardo, Manuel Castomo e René Loui (Brasil/Moçambique)
Sing the positions
Cia Ioannis Mandafounis (Suíça)
Transiterrifluxório
Cláudio Lacerda/ Dança Amorfa (Brasil)
Quando: 29/10 – 15h
Onde: (Igreja da Sé, Alto da Sé, s/n, Olinda)

GANGA MEU GANGA, O REI

A influência africana em Pernambuco é mote do espetáculo do Grupo Teatral Ariano Suassuna, de Igarassu, que tem como meta desmistificar o preconceito religioso. Ao final de cada apresentação, haverá um debate com a plateia sobre o assunto. 
Ganga meu Ganga, o Rei
Quando e onde: 22 de outubro, às 19h, no Ilê Axé Omô Ogundê (Travessa Joaquim Távora, 794, Paulista). 29 de outubro, 05, 12 e 26 de novembro, locais e horários a definir.
Quanto: Gratuito
Informações: 99592-2288, 98765-6633

SALINA (A ÚLTIMA VÉRTEBRA)

Salina. Foto Daniela Magalhães / divulgação

Salina. Foto Daniela Magalhães / divulgação

Salina (a última vértebra) mostra a saga da protagonista. Casada à força e violada pelo marido, ela gera Mumuyê Djimba, um filho que ela detesta tanto quanto o pai. O espetáculo do grupo Amok Teatro, tem direção de Ana Teixeira e Stephane Brodt. A montagem tem texto do francês Laurent Gaudé e propõe um mergulho numa África ancestral ao abordar o exílio, o ódio e o perdão.
Salina – A Última Vértebra (Amok Teatro – Rio de Janeiro/RJ)
Quando: Dia 29 de outubro de 2017 (domingo), às 18h,
Onde: Teatro Rui Limeira Rosal (SESC Caruaru)

CADA UM COM SEUS POBREMA

Marcelo Médici

Marcelo Médici. Foto: Divulgação

Marcelo Médici traz o espetáculo Cada Um Com Seus Pobrema , que ficou em cartaz por sete anos ininterruptos em São Paulo (2004 a 2011). O ator interpreta oito personagens hilários e surpreende por sua agilidade para mudar radicalmente de expressão e voz. Tem figuras já conhecidas do público como o corintiano Sanderson, a vidente Mãe Jatira e a apresentadora infantil Tia Penha. A direção de Ricardo Rathsam.
Cada Um Com Seus Pobrema, com Marcelo Médici
Quando: Dia 29 de outubro (domingo), às 19h
Onde: Teatro RioMar: Av. República do Líbano, 251, 4º piso – RioMar Shopping
www.teatroriomarrecife.com.br
Classificação: livre
Ingressos:
Plateia Baixa: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)
Plateia Alta: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
Balcão: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia)
*Canais de vendas oficiais: bilheteria do Teatro RioMar Recife (terça a sábado, das 12h às 21h, e domingos e feriados, das 14h às 20h)
Vendas online: www.ingressorapido.com.br
Televendas: 4003-1212

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Black off abre Feteag de forma contundente

Black Off no Recife. Foto: Pedro Portugal / Divulgação

Black Off no Recife. Foto: Pedro Portugal / Divulgação

Algumas coisas podem aquecer nossos corações. Em meio a tantas notícias tristes de violência e abandono, há pulsações que vem das Artes Cênicas, e chegam para inundar de energia e resistência alguns palcos do Recife. Vozes que aumentam o tom para falar de assuntos urgentes são apresentadas na programação do Festival de Teatro do Agreste – FETEAG e no projeto Luz Negra: O Negro em Estado de Representação. O FETEAG, dos curadores Fábio Pascoal e Marianne Consentino,  chega à 27ª edição com atrações no Recife e em Caruaru e tem a Africanidade como tema em peças e debates que tratam de preconceito e identidade. Já o Luz Negra, articulado pelo O Poste – Soluções Luminosas, que começa nesta quinta-feira (19) e segue até o dia 29, tem como principal foco o protagonismo do negro no teatro. Esses dois eventos, que ocorrem em paralelo na cena teatral no Recife (o Feteag também em Caruaru) impulsionam estados de experimentação e reflexão sobre questões urgentes. 

Black off, da companhia de teatro Manaka Empowerment, abriu ontem no Teatro Hermilo Borba Filho lotado (pouco mais de 100 pessoas) a programação do Feteag. A atriz e diretora sul-africana Ntando Cele, que mora na Suíça, não poupa ninguém. Com ironia, sarcasmo, o espelhamento atravessado, a artista mira os clichês que envolvem preconceito racial e a  naturalização do racismo. Ela mistura performance, vídeo, música punk e comédia num espetáculo porrada, cheio de camadas, inteligente e com gradações do riso, ao reflexivo até a explosão do rock politizado.

A encenação é dividida em dois atos e três movimentos. No primeiro ato, a atriz apresenta a personagem Bianca White, que reproduz discurso e postura racistas de forma bem ácida. Ntando Cele aparece em versão “whiteface”, com rosto pintado de tinta branca e peruca loira, lentes azuis, luvas e um quimono. Mas, como ela já afirmou, sua intenção em Black Off não é o reverso do racismo, mas a expressão da sua subjetividade como mulher negra e a experiência que ocorre na sua pele.

Ntando Cele satiriza e debocha do olhar e hábitos da classe privilegiada na banalização do preconceito. Em algum momento ela pergunta: “como chamam os negros no Brasil? Ou não os chamam? Há negros aqui?”. E em outro faz uma “dança tribal”, vestida com uma sacola estampada, para situar a visão que o mundo ocidental tem da África.

Com humor ferino, ela desliza por expressão grotesca da personagem que reflete o pensamento que diminui o outro a partir da cor da pele. A artista achincalha o comportamento de gente branca.  Bianca White exalta os valores do capitalismo com seu incentivo ao egocentrismo e à futilidade.

Com suas frases de efeitos, pausas, dancinhas ela leva o racismo ao ridículo. “Pense em todas as coisas brancas que há em você, seus ossos, seus dentes… Sente-se melhor?”, disse ao convidar uma pessoa da plateia para refletir no palco. A proximidade com a cena também aditiva a cumplicidade com o público.

foto Ivana Moura

As fusões de imagens quando a artista retira a maquiagem da artista. Foto Ivana Moura

Sua pontaria é certeira e ela mira na arte e no seu consumo. “Os negros fazem muito sexo e estão sempre cansados. Por isso não vão ao cinema, ao teatro e não entendem arte complicada”, comenta a personagem. E faz duas revelações dessa arte. Na primeira, enche a boca com pequenos objetos e sacode os cabelos louros; na segunda, põe pregadores de roupa na face e solta uma música sobre prevenção do Ebola. Ela faz chacota até da ideia dos espetáculos contemporâneos e da sua ótima “banda de jazzistas brancos”.

No segundo movimento do primeiro ato, Ntando retira a maquiagem e a peruca e. diante da câmera, expõe seu rosto ampliado no telão. São muito potentes as fusões dos rostos branco de Branca White e negro da artista.  Imagem aumentada dos olhos, as manchas da pele, os poros, da boca, bochechas. Essas dimensões provocam estranhamento.

No segundo ato, totalmente sem maquiagem, ela protagoniza um show de rock em alta voltagem crítica. A artista começa dizendo “Para as pessoas brancas que adoram ajudar a resolver os problemas dos outros. Por favor, parem”. Ntando – que está grávida – comenta que as pessoas vão achar o filho dela fofo nos primeiros anos de vida, mas, quando crescer, será só “mais um negro”.

Em atitude de enfrentamento, no vocal de uma banda de brancos, sua postura é punk. Letras diretas, som forte, em busca de empoderamento. É luta.  “Fuck yourself. Não precisamos de vocês”, grita. 

A articulação dos pensamentos racistas de sua personagem debochada, divertida e crítica é desconcertante. Um espetáculo que provoca do riso solto de stand up comedy à reflexão densa de questões complexas.

SERVIÇO

Black Off, com a artista sul-africana Ntando Cele,
Quando: Nesta sexta-feira, às 20h
Onde: Teatro Rui Limeira Rosal, do SESC Caruaru
Quanto:
Gratuito

Máscaras faciais da artista sul-africana.Foto: Pedro Portugal / Divulgação

Máscaras faciais da artista sul-africana.Foto: Pedro Portugal / Divulgação

Agenda dos espetáculos no post 27º Feteag e Mostra Luz Negra estão entre as atrações da agenda

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Magiluth defende obra aberta no Feteag

O ano que sonhamos perigosamente. Foto: Renata Pires/ Divulgação

O ano que sonhamos perigosamente. Foto: Renata Pires/ Divulgação

O grupo Magiluth, do Recife, pegou emprestado o título do livro do filósofo esloveno Slavoj Žižek e ferveu suas ideias, misturadas a outras inspirações. Outros detonadores da peça são obras do filósofo francês Gilles Deleuze e do cineasta grego Yorgos Lanthimos (vencedor do Prêmio do Júri de Cannes, com o filme A lagosta). Além de Tchekhov, do movimento Ocupe Estelita, dos levantes mundialmente reconhecidos, como Occupy Wall Street, a Primavera Árabe, e a Revolução Laranja na Ucrânia. Todas as referências foram processadas para chegar ao espetáculo O ano em que sonhamos perigosamente, oitava montagem do grupo.

O bando de rapazes pernambucanos questiona a crise e o colapso do sistema capitalista no seu atual estágio. Reflete sobre esse tempo de levantes, mobilizações e ocupações, e investe na crítica ao modelo de desenvolvimento urbano no Recife. A apresentação da peça ocorre hoje (13), no Teatro Rui Limeira Rosal, no SESC Caruaru, dentro da programação do Festival de Teatro do Agreste – Feteag.

Nesse construto de resistência ético-estético-político, cinco homens treinam (correm, brigam, dançam, caem e morrem), na tentativa de encontrar novas formas e composições para construir algo belo, ainda inominado. Nas tensões físicas e psicológicas eles reverberam o caos. Uma obra aberta a interpretações e que já conta com uma fortuna crítica. Escrevemos sobre a peça depois da estreia. Confira: Arte em tempos sombrios

A peça é dirigida por Pedro Wagner, que assina a dramaturgia com Giordano Castro. Os dois integram o elenco ao lado de Erivaldo Oliveira, Mário Sergio Cabral e Erivaldo Oliveira e os stand ins Lucas Torres e Bruno Parmera.

FICHA TÉCNICA:
Direção: Pedro Wagner
Dramaturgia: Giordano Castro e Pedro Wagner
Atores: Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Mário Sergio Cabral, Pedro Wagner
Stand in: Lucas Torres e Bruno Parmera
Preparação Corporal: Flávia Pinheiro
Desenho de Som: Leandro Oliván
Desenho de Luz: Pedro Vilela
Direção de Arte: Flávia Pinheiro
Design Gráfico: Thiago Liberdade
Fotografia: Renata Pires
Caixas de Som: Emanuel Rangel, Jeffeson Mandu e Leandro Oliván
Técnico: Lucas Torres e Bruno Parmera
Realização: Grupo Magiluth

Serviço
Onde: Teatro Rui Limeira Rosal – SESC Caruaru
Quando: Quinta-feira (13), às 20h
Quanto: Grátis
Classificação etária: 18 anos

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