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Pessoa, perdoe a falta de abraço

Carlos Paulo no espetáculo Do Desassossego. Foto: Ivana Moura

Carlos Paulo no espetáculo Do Desassossego. Foto: Ivana Moura

Há 15 anos Carlos Paulo interpreta Do Desassossego. Foto: Ivana Moura

Há 15 anos o ator português  interpreta Bernardo Soares. Foto: Ivana Moura

“O meu semi-heterónimo Bernardo Soares, que aliás em muitas cousas se parece com Álvaro de Campos, aparece sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de raciocínio e de inibição; aquela prosa é um constante devaneio. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e a afectividade. A prosa, salvo o que o raciocínio dá de ténue à minha, é igual a esta, e o português perfeitamente igual […]”
                                                                                   Fernando Pessoa, Carta a Adolfo Casais Monteiro                                                                                    Lisboa, 13 de Janeiro de 1935

 

O ajudante de guarda-livros Bernardo Soares vive e trabalha na Baixa lisboeta. É cinzenta a paisagem humana e citadina que o rodeia. Dos cafés que frequenta ao escritório da Rua dos Douradores. De figuras como o patrão Vasques, o Moreira ou o moço de fretes. Solitário, mora num quarto alugado. Essa “personalidade literária” troca ideias sobre prosa e poesia com o próprio criador, o escritor Fernando Pessoa (1888 -1935). Os fragmentos literários de Bernardo Soares compõem o Livro do Desassossego. A partir de algumas passagens desses textos o Comuna — Teatro de Pesquisa, grupo com 45 anos anos de existência / resistência, estreou em 2001, em Lisboa, o espetáculo Do Desassossego.

O ator Carlos Paulo atua na peça Do Desassossego há 15 anos. A montagem foi vista por mais de 30 mil pessoas e já rodou por vários países durante esse tempo, na maioria das vezes em espaços pequenos, aconchegantes, intimistas, que criam uma ambiência de cumplicidade.

Com direção de João Mota, cabe a Carlos Paulo conduzir a plateia pelas aflições e intranquilidades de alma e de corpo que pulsam das palavras de Pessoa. O intérprete, que conta com a participação do músico Hugo Franco, se multiplica em seis personagens/ arquétipos: o Escriturário, a Criança, o Mendigo, o Palestrante, Homem/Mulher e Revoltado.

A montagem foi exibida ontem, no Teatro de Santa Isabel, dentro da programação do 23º Janeiro de Grandes Espetáculos. Não funcionou em sua plenitude. As condições materiais (escolhidas e/ou oferecidas) desfavoreceram a fruição. Por alguns motivos. A interpretação intimista, muitas vezes sussurrada, do ator exigia potentes microfones e/ou um espaço menor, que permitisse uma proximidade quase tátil com a plateia.

Quase no escuro em algumas cenas. Foto: Ivana Moura

Quase no escuro em algumas cenas. Foto: Ivana Moura

A luz baixa, quase em resistência, também dificultou, e para quem estava nas poltronas mais distantes do palco, impediu mesmo, de apreciar os detalhes interpretativos do rosto do ator.  E essa penumbra não convenceu como uma opção de dramaturgia da iluminação, como ocorre com o encenador brasileiro Roberto Alvim, que radicaliza nesse quesito do quase escuro. Além disso, o sotaque português, carregado demais neste papel e muitas vezes acelerado, embaralhou a escuta.

Carlos Paulo exibiu também neste Janeiro o recital poético Homenagem a João Villaret, (confira crítica: Poesia da cena portuguesa) junto com a atriz/cantora Tânia Alves e o músico Hugo Franco. Foi no Hermilo Borba Filho, um teatro menor do que o suntuoso Santa Isabel. Utilizando microfones, as mesmas entonações carregadas de sotaque português de Portugal ganharam uma audição melhor pela propagação do som e a dicção menos acelerada, o que resultou numa apresentação mais envolvente. 

O estilo discreto, sóbrio de atuar de Carlos Paulo ganha em Do Desassossego aspectos doces e tristes. Com alguns momentos irônicos e engraçados. Mas o que predomina é uma tensão dolorida, uma dramaticidade para refletir o que há de mais profundo das emoções humanas, avizinhadas pelo tédio ou pelo sentido de inutilidade. O músico faz o papel de Fernando Pessoa, que com a execução musical rasga ou preenche silêncios, evidencia mutações, baliza os ritmos.

Carlos Paulo no espetáculo Do Desassossego. Foto: Ivana Moura

Montagem da Comuna de Lisboa. Foto: Ivana Moura

Do Desassossego é um espetáculo de sensações. Há a orfandade original da Criança, a invisibilidade do Mendigo, a solidão do Escriturário. Em Homem/mulher no espelho, Bernardo Soares nega para si, o amor cúpido, de índole sexual.

“Nós não podemos amar, filho. O amor é a mais carnal das ilusões. Amar é possuir, escuta. E o que possui quem ama? O corpo? Para o possuir seria preciso tornar a sua matéria, comê-lo, incluí-lo em nós… E essa impossibilidade seria temporária, porque o nosso próprio corpo passa e se transforma, porque nós não possuímos o nosso corpo (possuímos apenas a nossa sensação dele), e porque, uma vez possuído esse corpo amado, tornar-se-ia nosso, deixaria de ser outro, e o amor, por isso, com o desaparecimento do outro ente, desapareceria…”

É uma obra pungente, em que o ator na pele do escriturário da rua dos Douradores, expõe as profundezas, a essencialidade da existência. E a encenação pesca essa paixão pelo sagrado no humano. E que a partir do desassossego possa ser erguida a esperança. No futuro, no ser, no teatro.

SERVIÇO
Autoria: Bernardo Soares e Fernando Pessoa
Adaptação: Carlos Paulo
Versão cênica e encenação: João Mota
Operação de luz e som: Paulo Graça
Técnico de montagem: João Monteiro
Gabinete de produção Comuna: Rosário Silva e Carlos Bernardo
Produção executiva da itinerância: Andrêzza Alves e Rosário Silva
Produção local Recife: Companhia Circo Godot de Teatro
Trilha sonora e músico: Hugo Franco
Figurinos e interpretação: Carlos Paulo
Personagem muda: Miguel Sermão e João Monteiro

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O Encosto é mais cruel na vida real

Jr. Sampaio em O Churrasco. Foto: Joao Guilherme de Paula

Júnior Sampaio em O Churrasco. Foto: João Guilherme de Paula

O ator Júnior Sampaio entra em cena visivelmente nervoso e reforça esse palpite com a confissão de que está preocupado com o fenômeno teatral daquela noite. Pede a um espectador para segurar sua garrafinha d’água, a outro para acompanhar o texto e servir de ponto (caso ele erre alguma parte) e ao terceiro para guardar uma banana prata que ele trouxe para comer depois da sessão, já que é uma fruta com muito potássio. Já envolveu e tornou cúmplice a plateia com esse procedimento, que foi milimetricamente estudado.

Inteligente e esperto esse salgueirense radicado em Portugal. Na peça O Churrasco, ele interpreta um insólito churrasqueiro que diz que seu destino é aguardar a chegada da carne para matar a fome da humanidade. Mas a figura não leva em consideração os vegetarianos.

O espetáculo foi apresentado nos dias 13 e 14 deste mês, no Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro), no Recife, e faz mais uma sessão nesta sexta-feira em Caruaru, no Teatro Rui Limeira Rosal (SESC Caruaru), dentro do 23ª edição do Janeiro de Grandes Espetáculos.

Pretensioso esse personagem, que oscila entra a arrogância e a modéstia. E que projeta no mundo variações do seu próprio umbigo. Mas será que não somos feitos dessa matéria? Só nos conectamos e reconhecemos frações de nós mesmos? Assunto para matutar. Desejamos nos relacionar de forma plena com o outro? O teatro pode ser um bom lugar dessa dessa troca subjetiva.

As “almas sentadas” acompanham o embate do Churrasqueiro com seu Encosto. A peleja é entre Auxivites, que garante que é um ser humano mesmo com o nome que carrega, e o Encosto, que nasceu em 20 de abril de 1889. “Vocês já sabem quem é este Encosto? Sabem ou não sabem? Se não sabe, estudem!”, provoca o personagem.

Com o palco limpo, apenas um tapete no chão e poucos objetos, as mudanças de clima são pontuadas pela luz, que também materializa a fogueira. O ator está vestido de uma bermuda e uma camiseta de marca, uma marca que grita em algum momento dentro desse discurso crítico.

Enquanto aguarda o carga de carne que encomendou, o Churrasqueiro discorre sobre variados assuntos. De sua origem de filho do cornudo com a vaca. “O meu pai, o cornudo, morreu queimado, deve ser isso que resolvi ser churrasqueiro”. Passando por reflexões sobre democracia, capitalismo, pobreza, opinião alheia, direito de ter filho.

Mas também define o Encosto: “Eu penso que nenhuma criatura neste mundo tem o direito de fazer o que tu fizeste. Deve ser por isso que tu não consegues reencarnar. Alma penada! Eu sei que todos merecem o perdão, mas eu não sou Cristo, apesar de ter dito que era, sou apenas um cristão discreto”.

O tom é de deboche, há ironias estendidas nas frases e intenções. Nada é demasiadamente denso. Mas instiga o espectador a explorar, e se deixar abalar das convicções arraigadas.

As balizas “cristãs” do que se entende por carne versus espírito avançam por caminhos que remetem para o mundo real ameaçado pela cobiça e pela concentração de riquezas nas mãos de poucos. Uma criatura pode num acesso de fúria fazer voar o nosso belo planeta, expõem as manchetes dos jornais do mundo inteiro, de forma velada ou nem tanto. “Que todas as fúrias do céu caiam sobre a raça dos poderosos! Que rolem as cabeças dos ditadores e dos delatores diante dos meus pés”, pontua Auxivites a certa altura.

Júnior Sampaio em O Churrasco. Foto: CMV / Divulgação

Cena despojada da montagem do português de Salgueiro.         Foto: CMV / Divulgação

Em O Churrasco, a literatura dramática atua como principal elemento organizador da encenação. Mas a alocução construída clama por ser chocalhada pelos possíveis coautores da escritura teatral, o público. O autor/ intérprete convoca a plateia a produzir significações e exercer sua liberdade para não aceitar os sentidos unívocos captados à primeira camada.

A arte de Júnior Sampaio trabalha com pequenos mecanismos contra a alienação. Sua dramaturgia formada por três dezenas de peças não descarta o divertimento, nem a ludicidade, mas persegue o essencial de uma apreciação do mundo e da crítica ao humano.

As frases de efeito do texto, as alusões a conceitos de pecado e perdão funcionam como trampolim para outras transgressões. Com sotaque português e alma que eletriza, Sampaio ficcionaliza suas demandas artísticas para tratar da vida.

O ator fisga em pequenos gestos, detalhes, coreografias corporais a sua fome de palco. E dispara em palavras as urgências políticas para nos assustar com o contemporâneo. “Todos nós temos uma ambiguidade”, vomita lá o Churrasqueiro. Para depois considerar: “Nem todo ser humano é humano”. Temo chegar a concordar com essa conclusão do filho da vaca com o cornudo. Enquanto aprecio o sobrevoo que esse intérprete cativante faz sobre os aspectos da prática da cena contemporânea na companhia de figuras como Samuel Beckett e Eugène Ionesco.

FICHA TÉCNICA
Texto, músicas, encenação e vivência cênica: Júnior Sampaio
Supervisão cênica, cenografia e pintura cenográfica:Leonardo Brício
Desenho de luz:Leonardo Brício e Júnior Sampaio
Técnicos de luz:Luciana Raposo e João Guilherme de Paula

SERVIÇO
O Churrasco – ENTREtanto TEATRO (Valongo/Portugal)
Onde: Teatro Rui Limeira Rosal (SESC Caruaru)
Quando: Dia 20 de janeiro de 2017 (sexta-feira), às 20h
Quanto: R$: 10,00 (Inteira) e 5,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 12 anos
Duração:50 min.
Classificação etária:a partir dos 12 anos

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Poesia da cena portuguesa

Recital do Teatro Comuna. Foto Pedro Portugal / Divulgação

Recital do Teatro Comuna. Foto Pedro Portugal / Divulgação

Em princípio, Homenagem a João Villaret inspirou desconfiança desde o título, pelo tom laudatório. Quem é essa criatura a merecer tão honrosos agraciamentos, mais de 50 anos após sua morte? E ainda mais sendo um artista da cena…

O Brasil é um país de pouca memória, mas os portugueses parecem perceber a importância de cultuar os seus grandes. Pelo menos é o que faz o da Comuna – Teatro de Pesquisa, de Lisboa. Mas outra cisma ficou instalada a partir da fotografia do espetáculo. Dois atores sentados em banquinhos com estantes de partituras à frente, e um músico no meio, com um cartaz do celebrado por trás.

Aos poucos a apreensão cede lugar a um envolvimento afetivo com o personagem da reverência. É um recital poético clássico, sem aparatos tecnológicos ou pirotecnia.
Em primeiro plano está a história desse ator, diretor e declamador português João Villaret (1913-1961). Histórias para quem gosta de saber de gente, exposta de forma praticamente cronológica pelos atores / cantores Carlos Paulo, Tânia Alves e o músico Hugo Franco.

A poesia das palavras, das entonações carregadas de sotaque português criam redes de afetos para confraternizar com o público. Esse visionário que queria ser bailarino quando criança, se entregou ao teatro e à poesia com força e dedicação. Ator que valorizava a palavra criou até um gênero, o fado falado.

Alternando episódios, canções e até uma gravação da voz do próprio Villaret, somos contagiados pela paixão desse criador irônico, bem-humorado, irreverente, que usava as armas da palavra para combater o fascismo, que aproveitou a chegada da televisão para divulgar a poesia. Na final da década de 1950, ele conduzia um programa semanal, acompanhado pelo pianista Carlos Mayer, seu irmão.

Como talvez soubesse que a vida é curta (ele morreu aos 47 anos) ele empreendeu muitas turnês teatrais, inclusive pelo Brasil, com suas revistas de críticas políticas e sociais.
Sua dicção permitiu que ele fosse sempre aplaudido ao declamar Fernando Pessoa, o que passou até a ser imitado. Ele sugeriu que cada um encontrasse sua própria emoção para expressar os sentimentos dos poetas.

E é justamente ao contar o episódio do encontro de Villaret com Fernando Pessoa que os intérpretes transportam a plateia para Lisboa. Eles falam, o músico toca e nós viajamos no tempo. E saímos do teatro com a alma amaciada.

FICHA TÉCNICA
Concepção: Carlos Paulo
Interpretação: Carlos Paulo e Tânia Alves
Músico: Hugo Franco
Direção técnica: Hugo Franco
Técnico de montagem: João Monteiro
Gabinete de produção Comuna: Rosário Silva e Carlos Bernardo
Produção executiva da itinerância: Andrêzza Alves e Rosário Silva
Produção local Recife: Companhia Circo Godot de Teatro

SERVIÇO
Homenagem a João Villaret, dentro do 23º Janeiro de Grandes Espetáculos
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quando: Dias 17 e 18 de janeiro de 2017 (terça e quarta-feira), às 20h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia) 
Classificação etária: a partir dos 12 anos
Duração: 50 min.

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Risíveis passos das criaturas de Deus

Cabaré da Humanidade Fotos: Wellington Dantas/Divulgação

Cabaré da Humanidade. Fotos: Wellington Dantas/Divulgação

Nos últimos anos, os musicais brasileiros – franqueadas ou versionados (Hello Gershwin (1991), As Malvadas (1997), Os Produtores (2008), Cabaret (2011), O homem De La Mancha (2013), Chaplin – O musical (2015), dentre muitos outros); biográficos (Tim Maia, Cassia Eller, Wilson Simonal, Rita Lee, Chacrinha, Cazuza, Luiz Gonzaga e Elis Regina) – viraram fenômenos de bilheteria. O público se identifica com o gênero que mistura dança, canto, música e interpretação. Que utiliza poderosos efeitos visuais, figurinos e cenário e em alguns casos até efeitos especiais. Criatividade ajustada com tecnologia para emocionar plateias, desde temáticas infantis como a Bela e a Fera e O Mágico de Oz; passando por questões políticas como Hair; até peculiaridades como O violinista no telhado ou Cats.

Um boom ocorrido no início do século 21 mostra que esse exemplar da indústria cultural movimenta fábulas de dinheiro e incentivou na consolidação de mão de obra qualificada.

Desde As surpresas do Sr. José da Piedade, de Justino de Figueiredo Novais, em 1859, a trajetória do Teatro de Revista passou por várias fases. Foi olhado de viés, como uma manifestação menor – burletas, comédias musicais e revistas, mas ganhou o público. Depois de um recuo na década de 1970, veio a retomada com montagens como Elas por Ela, com Marília Pêra, de 1989, seguida de crescente profissionalização.

Existem pesquisas sobre o assunto como Breve história do Teatro Musical no Brasil, e compilação de seus títulos (https://www.revistas.ufg.br/musica/article/view/42982/21533), o livro da pesquisadora Neyde Veneziano O Teatro de Revista no Brasil: Dramaturgia e Convenções (Sesi – SP Editora), entre outras coisas.

Montagem utiliza coreografias simples. Fotos: Wellington Dantas/Divulgação

Montagem utiliza coreografias simples. Fotos: Wellington Dantas/Divulgação

Mas essas citações são para pensar sobre a montagem Cabaré da Humanidade, produção da Niño de Artes Luiz Mendonça, do Rio de Janeiro). A peça foi apresentada no Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu), nos dias 13 e 14 de janeiro e faz mais uma sessão nesta quarta-feira no braço da programação de Caruaru, no Teatro Rui Limeira Rosal (SESC Caruaru), dentro do 23ª edição do Janeiro de Grandes Espetáculos.

Com texto de Luiz Carlos Niño (1965-2005), músicas de Luiz Carlos Niño e Núbia Moreira e direção de Ilva Niño e Josué Soares, a peça tenta dar conta do trajeto das criaturas de Deus, como diz o título, a partir de pequenos esquetes. A “comédia musical resgata a estrutura do teatro de revista” para criticar, de forma bem-humorada, a sociedade atual, divulga a produção.

O musical não utiliza escadarias, plumas e paetês em abundância, muitas luzes. A aparência de luxo e de sensualidade ficam bem distantes da encenação.

Com um palco limpo, apenas o nome cabaré ao fundo, que remete para uma “boate” decadente ou para as produções politicamente pobres da década de 1970, vemos um quadro atrás do outro, em que Deus mulher peleja com Lúcifer sobre a criação, ou a dona do Cabaré Madame Satã, famoso inferninho da Lapa, rememora os passos dos humanos e suas risíveis ambições e ganâncias.

Pequenas cenas ou imagens-clichês aludem as mudanças do matriarcado para o patriarcado, Revolução Industrial, ascensão da burguesia e o proletariado, guerras mundiais, cinema. A enorme boca de cena do Teatro Luiz Mendonça ainda retarda o ritmo das passagens de quadro, pouco ágeis.

Cena do concurso de miss mundo. Fotos: Wellington Dantas/Divulgação

Cena do concurso de miss mundo. Fotos: Wellington Dantas/Divulgação

Os elementos da montagem são todos precários. Os figurinos são estereotipados e o próprio elenco satiriza disso. A luz é problemática, a gravação do som traz as marcas do século passado. As atuações se revezam com as danças. Há falas irônicas, duplo sentido, um pouco de escracho, mas não muito. Há inclusive uma simulação do nu explícito, com um strip-tease fajuto (porque não chega a ocorrer) e engraçado.

Mas sem o luxo das superproduções, sem os homens e mulheres sarados, sem as coreografias espetaculares de alguns musicais, sem os cenários e figurinos para encher os olhos. O que tem esse espetáculo de especial?

Cabaré da Humanidade Fotos: Wellington Dantas/Divulgação

Ilva Niño atuou no palco que leva o nome do seu marido, o Teatro Luiz Mendonça, no Recife

Além da sátira social e política em doses homeopáticas nos diálogos ou pequenas falas, pois o texto tem uma pulsação inteligente, o que me parece maior é a força da atriz Ilva Niño. Aos 83 anos ela dá lição de que é possível fazer qualquer coisa com garra, alegria e determinação. Ela compensa as limitações de agilidade no deslocamento com técnica, um timing da comédia. E é especial por toda a história de luta que essa pernambucana de Floresta carrega, dos enfrentamentos políticos às vitórias pessoais.

E como ela estava feliz ao encenar no teatro que leva o nome do seu marido, o dramaturgo e diretor Luiz Mendonça (1931-1995). Ambos fugiram do Recife devido às ações do regime militar de 1964, que perseguiu os atuadores Movimento de Cultura Popular (MCP), criado na primeira gestão de Miguel Arraes como prefeito do Recife. Linda sua emoção.

Na primeira cena, em que o locutor avisa que a peça vai atrasar porque uma das atrizes não chegou, ela entrou brincando que morava no subúrbio do Recife, pegou ônibus e metrô para chegar, mas que naquela noite iria dormir na casa de Leda Alves (a secretária de Cultura do Recife, que estava na plateia). Depois apareceu de Cleópatra para disputar o papel de vedete, de japonesa para concorrer a miss mundo e deu a dica: “Primeiramente…”

Cabaré da Humanidade Fotos: Wellington Dantas/Divulgação

Ilva Niño no papel de Cleópatra. Foto: Wellington Dantas/Divulgação

A equipe sabe da fragilidade material da produção e brinca com isso. Muita coisa não funciona, como as cenas de plateia. Mas no elenco tem atores empenhados.

É interessante o adiamento da participação do personagem Jesus no espetáculo. Por três vezes, ou mais, ele vem reclamar com o Pai / Mãe a sua vez de entrar em cena, sempre protelada. Numa das vezes Deus diz que ele é muito carente e que aguarde sua vez.

E a peça fica muito extensa. Eles dizem que o espetáculo precisa terminar. Pular alguns episódios dessa trajetória humana sobre a Terra. E ao contrário do que está pichado nos muros da cidade, no Cabaré da Humanidade, Jesus não tem chance de voltar.

Como exemplo do que defende o produtor Paulo de Castro, o Janeiro de Grandes Espetáculos é um guarda-chuva generoso, onde cabem as mais diversas manifestações cênicas.

Ficha Técnica
Texto: Luiz Carlos Niño
Músicas: Luiz Carlos Niño e Núbia Moreira
Direção: Ilva Niño e Josué Soares
Direção musical: Lucina
Coreografia: Jandir Di Angelis
Cenografia: Vera Monteiro
Iluminação e operação de som: Josué Soares
Operador e montador de luz: Celso Rodrigues
Arranjos musicais: Lucina e Saulo Battesini
Vinhetas musicais: Beto Menezes
Produção musical e instrumentos: Saulo Battesini
Operador de som: Rodrigo Telles
Operador de luz: Drigo de Lisboa (EAT)
Visagismo: Ilva Niño
Elenco: Ilva Niño, Bruno de Aragão, Flávio Lázaro, Júlio Wenceslau, Márcia Valéria, Rita Grego, Rodrigo Telles e Vera Monteiro

SERVIÇO
Cabaré da Humanidade – Niño de Artes Luiz Mendonça (Rio de Janeiro/RJ)
Onde: Teatro Rui Limeira Rosal (SESC Caruaru)
Quando: Dia 18 de janeiro de 2017 (quarta-feira), às 20h
Quanto: R$ 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 14 anos
Duração: 1h30

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É urgente olhar para o Céu e para o mundo também

Olha pro Céu Meu Amor abriu a programação do Janeiro de Grandes Espetáculos. Foto: Ivana Moura

Olha pro Céu Meu Amor abriu a programação do Janeiro de Grandes Espetáculos. Foto: Ivana Moura

Olha pro Céu Meu Amor abriu a programação do Janeiro de Grandes Espetáculos. Foto: Ivana Moura

Grupo Feira mantém encenação original de Vital Santos. Foto: Ivana Moura

Um clima amoroso marcou a abertura do 23º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco, na última quinta-feira (12/01), no Teatro de Santa Isabel. Casa lotada, os produtores deixaram os tradicionais discursos para depois de Olha pro Céu Meu Amor, peça de inauguração dessa edição, que segue até o dia 29 de janeiro, no Recife e em Caruaru.

Ao final da exibição, o homenageado de 2017, o artista sertaniense Sebastião Alves, radicado em Caruaru, foi celebrado com palavras e aplausos. Ganhou de presente um quadro com sua figura, pintado por Cleusson Vieira, e falou um pouco sobre sua trajetória. Contou que foi submetido a 15 cirurgias e venceu um câncer, contra o qual lutou por mais de dez anos. Lembrou de outros participantes do grupo que morreram e foram representados por fotos.

Salientando as parcerias e cumplicidades principalmente com os artistas pernambucanos, os produtores Paulo de Castro, Carla Valença e Paula de Renor, enfatizaram a dificuldade de fazer cultura neste momento difícil. É um discurso recorrente das últimas edições, mas que não transparece na extensão do programa. São 58 produções diferentes, entre teatro adulto, teatro para a infância, dança, circo, shows musicais e duas leituras dramatizadas.

Carla Valença, Paulo de Castro e Paula de Renor, produtores do Janeiro de Grandes Espetáculos. Foto: Pollyanna Diniz

Carla Valença, Paulo de Castro e Paula de Renor, produtores do festival. Foto: Pollyanna Diniz

Todos os festivais brasileiros sofreram nos últimos anos com as crises políticas e econômicas que o país atravessa. Alguns reduziram programação para não abrir mão da qualidade (levando em conta o olhar curatorial de cada iniciativa). Sabemos que grande parte da produção cultural do país existe graças aos editais, que vêm recebendo cortes em todas as esferas. Mas também é momento de uma reflexão crítica. Alguns questionamentos do que é o Janeiro, de qual a sua relevância e seus propósitos precisam ser feitos, porque a vida é dinâmica, a cultura é dinâmica e a cidade do Recife é uma potência cultural. E as ideias de sustentação estética, política, filosófica de uma iniciativa desse porte, me parece, precisam ser repensadas.

Vivemos em tempos temerosos, é verdade. E nesse Brasil em que o ódio vai às ruas, em que a violência mostra suas garras, as pessoas temem por expor opiniões. E em Pernambuco tomar posicionamentos públicos quanto às políticas culturais, aos festivais, à cena na cidade está se tornando uma atitude rara. Por medo de boicote, pela dominância do individualismo (mesmo que sejam projetos de coletivo) sobre a coletividade, sobre o bem-comum. Há falta de humildades e arrogâncias de sobra que rechaçam a possibilidade de diálogos e a conjugação de mediocridades que matematicamente não podem resultar em excelências. Mas cada produtor, artista, espectador, cidadão tem capacidade de ponderar. Olhemos, pensemos, façamos a crítica e a auto-crítica para garantir o melhor possível da produção da cidade e do estado.

Recentemente, por exemplo, a produtora Paula de Renor idealizou e fez a curadoria da Mostra Acessível Rio das Olimpíadas juntando os universos das artes cênicas e da acessibilidade. Realizada em agosto na Paralimpíada Rio 2016, com programação gratuita, a Mostra reuniu trabalhos interpretados por artistas com deficiências físicas e cerebrais, além de workshop, visita tátil, tradução em libras, audiodescrição, mesa redonda e conversa com o público. Um programa bem definido nos seus propósitos.

Como outros festivais, o Janeiro padece da falta de políticas que assegurem sua continuidade, mesmo que os três produtores sejam contundentes ao dizer que é o melhor festival das artes cênicas de Pernambuco. Há controvérsia… E isso é bom. Mas estratégicas de sobrevivência dependem dos incentivos e financiamentos, principalmente públicos.

Como afirma o educador Paulo Freire, não existem territórios neutros.

Como afirma Paulo Freire, personagem de pa(IDEIA), não existem territórios neutros. Foto: Amanda Pietra.

De todo modo o Janeiro de Grades Espetáculos quis este ano fazer conexões com o Brasil da democracia atingida e do avanço do conservadorismo. E na sua programação constam peças que carregam um viés político: Olha para o Céu Meu Amor, A Mulher Monstro, pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação, h(EU)stória – o tempo em transe, Terror e Miséria no Terceiro Reich – O Delator e musical O Avesso do Claustro, por exemplo.

Mas, nesse panorama de luta, reafirmo a ausência do espetáculo Retomada, do Grupo Totem, uma das melhores encenações pernambucanas levantadas no ano passado. Porque este grupo é também símbolo de resistência e resiliência, por sua trajetória e principalmente pela maturidade da montagem, erguida a partir de pesquisa de rituais sagrados com os povos indígenas do Pernambuco (Pankararu, Xucuru e Kapinawá).

Homenagem a Sebá Alves, que ganha um quadro com sua figura. Foto: Pedro Portugal / Divulgação

Homenagem a Sebá Alves, que ganha um quadro com sua figura. Foto: Pedro Portugal / Divulgação

Voltando para o dia da abertura, os produtores apontaram Sebá Alves como símbolo da resistência cultural. Paula de Renor, a mais emocionada, reafirmou o compromisso do trio em prosseguir com o Janeiro e reforçou a gratidão com os parceiros de caminhada. Deixou transparecer nas palavras choradas a pressão de tocar o evento. Reconhecemos o esforço, a persistência, o trabalho, a dedicação, mas precisamos exercitar a análise e a reflexão que instiga.

A peça de Vital Santos

Olha pro Céu Meu Amor abriu a programação do Janeiro de Grandes Espetáculos. Foto: Ivana Moura

Olha pro Céu Meu Amor abriu a programação do Janeiro de Grandes Espetáculos. Foto: Ivana Moura

Há muitas maneiras de abraçar a peça Olha pro Céu, meu Amor, do saudoso Vital Santos com música de Josias Albuquerque, produção do Grupo Feira de Teatro Popular. Como um libelo que expõe os efeitos do capitalismo na vida de um cidadão brasileiro e o esmaga; um recorte do microcosmo de uma família pobre do interior do Nordeste com seus problemas cotidianos; um registro histórico da encenação de Vital, já que o arcabouço da encenação original pouco foi modificado.

O olhar de Vital Santos está carregado do protesto (direto ou indireto) das classes subalternas na sua lida diária. As cenas são impregnadas de um humor popular e de soluções engraçadas com frases provocativas das ruas ou da briga de vizinhos com pitadas de palavrões.

A peça traça um retrato típico do nordestino migrante, entre o esperto e o bocó. Não daquele que fez sucesso meteórico. Mas do outro que se deixou enredar pelos acontecimentos, que não pegou a força centrífuga para escapulir do destino trágico, que fracassou no seu intento de migrar. Ou o que se perdeu nos apelos da indústria cultural.

No final dos 1990 a música Chover (ou Invocação Para Um Dia Líquido), do Cordel do Fogo Encantado pedia: “Meu povo não vá simbora / Pela Itapemirim / Pois mesmo perto do fim / Nosso sertão tem melhora”. Sabemos que esse quadro mudou no período Lula/ Dilma com o avanço dos direitos sociais. Mas Olha pro Céu Meu Amor também é reavivado, ganha outros sentidos com os recentes acontecimentos do cenário político brasileiro, com o recuo das garantias dos trabalhadores e direitos do cidadão.

Cena de Olha pro Céu meu Amor. Foto: Pedro Portugal / Divulgação

Cena de Olha pro Céu meu Amor. Foto: Pedro Portugal / Divulgação

Na encenação, um compositor caruaruense segue para o Rio de Janeiro em busca do sonho de vencer na carreira na Cidade Maravilhosa, e que Roberto Carlos grave suas músicas; enfim em busca de liberdade econômica prestígio social e realização profissional e pessoal . Olha pro Céu Meu Amor foi lançada em 1983 e é baseada na vida de Sebá Alves, que nunca desistiu de ser artista, mas encarou muitas funções de operário durante a vida. Ele fundou e mantém em Caruaru o Teatro de Mamulengos Mamusebá e a Cia. Pernas pra Circular, além de muitos projetos de formação.

O personagem de Sebá, Bom Cabelo -inspirado em sua própria história -é submetido ao subemprego. A montagem tem uma estrutura de quadros que se alternam nas cenas do protagonista no Rio e outras com seus familiares que ficaram no Nordeste. A mãe, dona Guió, que tenta manter a ordem da família; o pai Jesus (famoso vendedor de passarinhos da região). Além dos outros filhos do casal, a menina Dó (Charlene Santos) com os hormônios gritando, resolve fugir com o namorado. Neneca, na dúvida entre ser padre ou assumir sua vocação de artista performático, e Lelé, que alimenta uma obsessão apaixonada pela galinha Du.

A encenação brinca com os estereótipos do pernambucano do interior, com suas roupas coloridas, vestidinhos de chita e lenços na cabeça; com uma prosódia carregada, símbolos da cultura da região e nos objetos de cena, ditos populares. A trilha sonora é potente poesia e de uma atualidade impressionante. A música é executada ao vivo por Jadilson Lourenço (também na direção musical), Felipe Gonçalves, João Vítor Lourenço (violões) e Carlinhos Aril (percussão).

Há desnível nas atuações, mas não compromete o conjunto. Sebastião Alves (o Sebá), defende o papel de Zequinha de Jesus há mais de 20 anos, criou uma cativante figura, entre a euforia e a melancolia desse migrante sonhador. Jô Albuquerque Cavalcanti faz o feirante e vendedor de gaiolas e pássaros chamado Jesus meio distante em seu mundo dos pequenos animais voadores. Adeilza Monteiro traça Mãe Guió cuidadosa com suas crias, preconceituosa com as dos outros e que tenta negociar o lugar de comando dentro da casa. Luzia Feitosa (Ceminha) faz a namorada conterrânea que Cabelo conheceu no Rio e tem um passado condenável pela mãe do protagonista. Walter Reis (Lelé) é o menino da galinha, que fez muita gente da plateia lembrar de sua infância. Gabriel Sá (Neneca) mostra as mudanças do pleiteante ao sacerdócio ao artista transformista.

Rafael Amâncio (Pernambuco), Ary Valença (Lula), Matheus Silva (Biu de Dora) e Gilmar Teixeira (Dr. Hércules) completam o elenco. Entre situações risíveis, pequenas alegrias, mostras de explorações e sofrimento, cada personagem recebe um marca mais evidente, como a perna manca do Dr. Hércules.

A peça se movimenta em blocos, em quadros dos cantos musicais, tenda do mamulengo, reunião em família, bastidores da fábrica, quarto da pensão, etc. E esses flashes compõem um painel poderoso. Mas como disse anteriormente os procedimentos cênicos foram articulados por Vital na década de 1980.

Iluminação guarda as marcas dos anos 1980. Foto: Pedro Portugal / Divulgação

Iluminação guarda as marcas dos anos 1980. Foto: Pedro Portugal / Divulgação

Essa poética guarda a força desse dramaturgo e diretor tão criativo e comprometido com o povo do Nordeste. Mas deixa brechas de que algumas coisas ficaram datadas e isso fica bem evidente na iluminação que cria focos blocados, mudanças repentinas para azuis e vermelhões e principalmente nas situações em que o ator Sebá (e outros) dá sua fala e o rosto do personagem fica no escuro. Problema que uma consultoria com a coordenadora técnica do Janeiro de Grandes Espetáculos, Luciana Raposo poderia (poderá) resolver e ampliar horizontes.

De todo modo, o que fica desse musical é o sentimento aguerrido do povo nordestino, seu linguajar rico e peculiar, suas soluções para a vida que ganham escalas de tragédia e comédia no palco.

FICHA TÉCNICA
Olha pro Céu meu Amor
Texto, direção, projeto de iluminação e cenografia: Vital Santos
Trilha sonora: Jadilson Lourenço
Coordenador de cena: Gabriel Sá
Figurinos: Iva Araújo
Confecção de figurinos: Sônnia Cursino
Confecção de cenário: Gilmar Teixeira
Montagem de palco e luz: Edu Oliveira, Marcelo Mota e Gilmar Teixeira
Execução de luz, assistente de produção e direção: Edu Oliveira
Sonoplastia: Marcelo Mota
Contrarregragem: Zi Rodrigues
Produção: Sebá Alves
Músicos: Jadilson Lourenço, Felipe Gonçalves, João Vítor Lourenço (violões) e Carlinhos Aril (percussão)
Elenco: Sebastião Alves (Sebá), Jô Albuquerque, Adeilza Monteiro, Luzia Feitosa, Charlene Santos, Gabriel Sá, Walter Reis, Rafael Amâncio, Ary Valença, Matheus Silva e Gilmar Teixeira

SERVIÇO
Onde: Teatro Rui Limeira Rosal (SESC Caruaru)
Quando: Dia 28 de janeiro de 2017 (Sábado), às 20h
Ingresso: R$: 10,00 (Inteira) e 5,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 14 anos
Duração: 1h20

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