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Recife do Teatro Nacional chega aos 20 festivais

Renata Sorrah, Grace Passô e Nadja Naira em cena de "Preto" – Foto: Tiago Lima/Sesc SP/Divulgação

Renata Sorrah, Grace Passô e Nadja Naira em PRETO. Foto: Tiago Lima/ Sesc SP/Divulgação

De 18 e 25 de novembro ocorre o 20º Festival Recife do Teatro Nacional, promovido pela Prefeitura do Recife. Nesta edição, os coordenadores Romildo Moreira e Ivo Barreto selecionaram 12 espetáculos, sendo cinco pernambucanos: Em Nome do Desejo, da Galharufas Produções; Espera o Outono, Alice, do Amaré Grupo de Teatro; Ligações Perigosas, do Teatro de Fronteira; Próxima, solo da atriz Cira Ramos e Pro(Fé)Ta – O Bispo do Povo, do Coletivo Grão Comum. Além do mezzo Potiguar mezzo pernambucano A Mulher Monstro. O ator Reinaldo de Oliveira, do histórico Teatro de Amadores de Pernambuco – TAP, é o homenageado desta edição.

A companhia brasileira de teatro abre o circuito com Preto, peça que ausculta o racismo e a negação das diferenças a partir da vivência brasileira e em perspectiva com o mundo. Sobre Preto o diretor Márcio Abreu diz na página do grupo que o projeto promove uma investigação sobre o que gera a recusa das diferenças em nossas sociedades, e principalmente sobre as possibilidades de coexistência e campos de interação entre as diferenças. E, a partir daí, reage artisticamente através de múltiplas visões e sentidos.

Em tempos de pós-verdade e pós-ética, o espetáculo LTDA., do Coletivo Ponto Zero, do Rio de Janeiro aposta na pauta das fake News. A outra produção carioca no festival é o infanto-juvenil A Gaiola, da Camaleão Produções Culturais, que conta a história de amor, amizade e liberdade entre uma menina e um passarinho.

O ator pernambucano Samuel Paes de Luna narra as pelejas de uma personagem que vive no Vale do Jequitinhonha, no interior do estado de Minas Gerais, misturando às próprias histórias em O Que Só Passarinho Entende, da Cia Cobaia Cênica, de Santa Catarina.

Woyzek

WOYZECK aproxima o primeiro protagonista proletário da literatura alemã à realidade brasileira do Zé Ninguém.

Woyzeck– Zé Ninguém, do Teatro Terceira Margem e Artistas Independentes da Bahia, é inspirado na obra do dramaturgo alemão Georg Buchner e transporta para a realidade brasileira o primeiro protagonista proletário do teatro moderno. Esse homem, que é usado como cobaia por um médico numa experiência, exibe o show de horrores que é a sua própria vida.

Também da Bahia, o Teatro La Independencia, do Oco Teatro Laboratório traça os conflitos de um grupo de artistas que é confrontado com a ação de venda do espaço teatral em quer reside e trabalha. A trupe ensaia a nova encenação que fala sobre a América Latina.

PRODUÇÃO PERNAMBUCANA

Em Nome do Desejo homenageia Antonio Cadengue. Foto: Yêda B.ezerra de Melo / Divulgação

EM NOME DO DESEJO homenageia Antonio Cadengue. Foto: Yêda B.ezerra de Melo / Divulgação

Baseado no romance homônimo de João Silvério Trevisan, Em nome do Desejo é o último espetáculo dirigido por Antonio Cadengue (1954 – 2018). A montagem sobre amor clandestino de dois seminaristas teve sua primeira versão em 1990. A atual encenação está carregada de homenagens ao legado do diretor, que morreu em 1º de agosto.

Espera o Outono, Alice, do Amaré Grupo de Teatro, promete uma reflexão sobre as perdas contabilizadas ao longo da existência, as mortes, as saudades, mas também envereda pela pulsão de vida.

Celebrando 40 anos de teatro, Cira Ramos investiu também na dramaturgia para erguer Próxima, solo que fala de arte, tempo, ciclos e da transitoriedade da vida com muito humor.

Inspirado no conto Creme de alface de Caio Fernando Abreu, A Mulher Monstro trata da intolerância e do preconceito, a partir das atitudes e pensamentos da figura que dá nome à peça e parece um espelho do Brasil de hoje.

Conhecemos a crueldade e perversão moral da aristocracia do período anterior à Revolução Francesa, do famoso romance de Choderlos de Laclos, Ligações Perigosas, que virou filme para cinema e TV. A montagem pernambucana do Teatro de Fronteira escancara a manipulação e intrigas do Visconde de Valmont e a Marquesa de Merteuil.

A atuação de Dom Hélder Camara na renovação da Igreja Católica no século XX e na sua defesa contra as violações dos Direitos Humanos são enforcados em Pro(Fé)Ta – O Bispo do Povo, do Coletivo Grão Comum. A peça fecha a Trilogia Vermelha, composta também pelos espetáculos h(EU)stória – o tempo em transe, sobre a vida e obra do cineasta baiano Glauber Rocha, e pa(IDEIA) – a pedagogia da libertação, em que entram em cena as ideias progressistas do educador pernambucano Paulo Freire.

Nascido em 1997, o Festival Recife do Teatro Nacional ajudou ao longo desse período na formação do artista e do espectador que teve contato com grandes peças da cena contemporânea brasileira. Com a criação de outros festivais e mostras -, como Trema Festival, CAMBIO festival, Feteag (que é de Caruaru mas tem uma perna no Recife), Cumplicidades, Mostra Luz Negra – O Negro em Estado de Representação, Outubro ou Nada – Mostra de Teatro Alternativo do Recife, além do Janeiro de Grandes Espetáculos, que é anterior ao FRTN -, o protagonismo foi dividido. O que, para Romildo Moreira, é um dado bem positivo.

PROGRAMAÇÃO 

20º FESTIVAL RECIFE DO TEATRO NACIONAL

 

PRETO

Preto

Cássia Damasceno, Felipe Soares e Grace Passô em PRETO. Foto: Nana Moraes/ Divulgação

Companhia Brasileira de Teatro (PR)
Quando: Dias 18 e 19, às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Duração: 80 minutos
Indicado para maiores de 14 anos
O espetáculo se articula a partir da fala pública de uma mulher negra, numa espécie de conferência sobre questões que incluem racismo, a realidade do povo de pele negra no Brasil hoje, o afeto e o diálogo, a maneira como lidamos com as diferenças e como cada um se vê numa sociedade marcada pela desigualdade.
Direção: Marcio Abreu
Elenco: Cássia Damasceno, Felipe Soares, Grace Passô, Nadja Naira, Renata Sorrah e Rodrigo Bolzan
Músico: Felipe Storino
Dramaturgia: Marcio Abreu, Grace Passô e Nadja Naira
Iluminação: Nadja Naira
Cenografia: Marcelo Alvarenga
Trilha e efeitos sonoros: Felipe Storino
Direção de Produção: José Maria | NIA Teatro
Direção de Movimento: Marcia Rubin
Vídeos: Batman Zavarese e Bruna Lessa
Figurino: Ticiana Passos
Assistência de Direção: Nadja Naira
Orientação de texto e consultoria vocal: Babaya
Consultoria Musical: Ernani Maletta
Adereços | Esculturas: Bruno Dante
Colaboração artística: Aline Villa Real e Leda Maria Martins
Assistência de Iluminação e Operador de Luz: Henrique Linhares
Assistência de Produção e Contrarregragem: Eloy Machado
Operador de Vídeo: Bruna Lessa e Bruno Carneiro
Produção Executiva: Caroll Teixeira
Participação Artística na Residência realizada em Dresden: Danilo Grangheia, Daniel Schauf e Simon Möllendorf
Projeto Gráfico: Fabio Arruda e Rodrigo Bleque | Cubículo
Fotos: Nana Moraes
Produção: companhia brasileira de teatro

 

WOYZESCK – ZÉ NINGUÉM

História de um homem oprimido por todos ao seu redor e que vira um assassino. Foto: Divulgação

História de um homem oprimido por todos ao seu redor e que vira um assassino. Foto: Divulgação

Teatro Terceira Margem e Artistas Independentes (BA)
Quando: Dia 20, às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Duração: 90 minutos
Indicado para maiores de 14 anos
Investindo na estética do circo e show de horrores, o espetáculo Woyzeck-Zé Ninguém, cujo texto original é do dramaturgo alemão Buchner, propõe transportar o primeiro protagonista proletário da literatura alemã à realidade brasileira. Baseada em fatos reais, a dramaturgia traz a história de um homem que, tomado como experimento por um médico, oprimido circunstancialmente pela sociedade, assassina a mulher amada sob imposição do automatismo. Com cortes abruptos e cenas ritmadas cinematogracamente, a adaptação é composta de elementos que reforçam a aproximação desta história com a realidade social e cultural brasileira. Canções de Gonzaguinha ajudam a compor a trajetória do protagonista, nesta que é considerada uma possível e universal situação dramática do homem comum.
Direção – Caio Rodrigo
Codireção – Guilherme Hunder
Texto original – Georg Buchner
Adaptação – Caio Rodrigo
Elenco – Felipe Viguini, Simone Brault, Wanderlei Meira, Caio Rodrigo, Rui Mantur, Marcos Lopes e Elinas Nascimento.
Produção – Raquel Bosi e Queila Queiroz
Direção musical – Elinas Nascimento
Trilha Sonora – Caio Rodrigo e Elinas Nascimento
Direção de movimento e coreografias – Mônica Nascimento
Cenário – Caio Rodrigo
Figurinos – Guilherme Hunder
Iluminação – Pedro Dultra
Maquiagem – Guilherme Hunder
Desenho de arte – Luís Parras
Operação de Luz – Tarsila Batista Passos
Cenotécnico – Ademir (Escola de teatro da UFBA), Marcos Nunez (Miniusina)
Costureiras – Regina Bosi e Sarai Reis
Fotografia – Diney Araujo
Arte gráfica – Ian Fraser
Realização – Teatro Terceira Margem e Artistas independentes.

 

A MULHER MONSTRO 

Foto: Divulgação

José Neto Barbosa. Foto: Divulgação

S.E.M. Cia de Teatro (RN/PE)
Quando: Dia 20, às 20h
Onde: Teatro Barreto Júnior
Duração: 70 minutos
Indicado para maiores de 16 anos
A história se baseia no conto Creme de alface de Caio Fernando Abreu, escrito em plena ditadura militar, mas ainda tão atual. A tragicomédia fala da intolerância e do preconceito, parecendo tratar da atualidade política e social do Brasil, por meio da figura de uma burguesa perseguida pela própria visão intolerante da sociedade, que não sabe lidar com a solidão, nem com o próximo, num tempo de ódio e corrupções. Expõe as monstruosidades ditas e praticadas, trazendo à cena falas reais, denunciando expressões e atitudes radicalistas, fundamentalistas ou até mesmo segregacionistas do cotidiano.
Direção, elenco e figurino: José Neto Barbosa
Dramaturgia: José Neto Barbosa, a partir de conto de Caio Fernando Abreu
Direção Musical: Mylena Sousa, Diógenes e José Neto Barbosa
Cenografia: José Neto Barbosa, Diego Alves e Anderson Oliveira
Luz: Sérgio Gurgel Filho e José Neto Barbosa
Produção: José Neto Barbosa, Diego Alves e Anderson Oliveira
Maquiagem: José Neto Barbosa e Diógenes

 

LIGAÇÕES PERIGOSAS

Os atores Rodrigo Dourado e Rafael Almeida em cena de ‘Ligações Perigosas’. Foto: Ricardo Maciel/Divulgação

Os atores Rodrigo Dourado e Rafael Almeida em Ligações Perigosas. Foto: Ricardo Maciel/Divulgação

Teatro de Fronteira (PE)
Quando: Dia 21, às 20h
Onde: Teatro Apolo
Duração: 70 minutos
Indicado para maiores de 16 anos
Um dos grupos de teatro mais atuantes do Recife estreia, a partir da obra de Chordelos de Laclos, seu mais novo espetáculo, dirigido por um dos encenadores mais importantes do país: João Denys Araújo Leite. A peça tem quatro vértices de um intrincado polígono amoroso-sexual-teatral. Em cena, os atores/personagens ensaiam e vivem suas peripécias e jogos emocionais.
Direção: João Denys Araújo Leite
Elenco: Rafael Almeida e Rodrigo Dourado
Adaptação Dramatúrgica: Teatro de Fronteira
Figurinos, Adereços e Maquiagem: Marcondes Lima
Cenografia: João Denys Araújo Leite
Cenotécnica: Israel Marinho, Manuel Carlos e Rafael Almeida
Design e Execução de Luz: João Guilherme de Paula (Farol Ateliê da Luz)
Sonoplastia: João Denys Araújo Leite
Realização: Teatro de Fronteira

 

TEATRO LA INDEPENDENCIA

Foto: Diney Araújo

O que é ser latino americano? pergunta o espetáculo. Foto: Diney Araújo

OCO Teatro Laboratório (BA)
Quando: Dias 21 e 22, às 20h
Onde: Teatro Luiz Mendonça
Duração: 100 minutos
Indicado para maiores de 16 anos
O Teatro La Independencia está sendo vendido para um empreendimento e o grupo que reside nele terá que concordar em abandonar o espaço ou permitir que sejam relocados num outro. No meio disso, os atores estão ensaiando o novo espetáculo que fala sobre América Latina. O espetáculo transita entre a realidade que se impõe e as nossas utopias, sonhos, desejos, tendo a também utópica América Latina como cenário. O que é ser latino-americano? Vendemos ou não vendemos La Independência? Eis a questão! É um espetáculo para atravessar diversas sensações, uma sutura em uma ferida que se abre constantemente, transita pela dor de existir em um tempo de ruínas e pela felicidade de – ainda neste tempo – persistir sonhando.
Texto: Paulo Atto.
Com: Evelin Buchegger, Rafael Magalhães, Uerla Cardoso, Caio Rodrigo, Evana Jeyssan e Daniel Farias.
Direção Musical. Luciano Bahia.
Figurinos e Adereços. Agamenon de Abreu.
Cenário. Luis Alonso
Elaboração de cenários. Adriano Passos, André Passos,
Bruno Matos, Cassio Vieira (Tomate), George Santana (Sabará)
Cenotecnica: Agnaldo Queiroz
Desenhos no Cenário. Agamenon de Abreu
Iluminação. Rita Lago.
Assessoria de Imprensa. Dóris Veiga Pinheiro.
Assistente de Produção. Nei Lima
Produção. Rafael Magalhães.
Concepção e Direção. Luis Alonso.

 

O QUE SÓ PASSARINHO ENTENDE

Foto: Tiago Amado

Pernambucano Samuel Paes de Luna, radicado em Santa Catarina. Foto: Tiago Amado / Divulgação

Cia Cobaia Cênica (SC)
Quando: Dia 22, às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Duração: 70 minutos
Livre para todos os públicos
No espetáculo solo, o ator pernambucano Samuel Paes de Luna conta a história de uma personagem que vive no Vale do Jequitinhonha, no interior do estado de Minas Gerais, mesclando a vida real com memórias de sua própria história em sua terra natal. De maneira lúdica e poética, defende que o real valor e beleza de sua existência estão no conhecimento empírico, diretamente ligado à natureza.
Texto: Agatha Duarte
Conto Totonha: Marcelino Freire
Direção: Thiago Becker
Atuação: Samuel Paes de Luna
Trilha: Rodrigo Fronza
Produção: Cia Cobaia Cênica

 

PRÓXIMA

foto Séphora Silva

Cira Ramos comemora 40 anos de teatro. Foto: Séphora Silva / Divulgação

Cira Ramos (PE)
Quando: Dia 23, às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Duração: 60 minutos
Indicado para maiores de 14 anos
O espetáculo solo sugere um umbral, onde o tempo é inexorável, para próximas etapas e próximos desafios na vida extenuante da mulher contemporânea. Pressionada por todos os lados, numa espiral de sentimentos, travando batalhas com as memórias, dúvidas e incertezas, ora nos faz rir, ora nos incomoda, quando espelho, mas, sobretudo, nos faz refletir sobre o lugar que queremos ocupar como artista, como mulher, como ser humano.
Texto e atuação: Cira Ramos
Direção: Sandra Possani

Assistência: Marcelino Dias
Direção de arte: Séphora Silva
Iluminação: Dado Sodi
Trilha Sonora: Nando Lobo

 

EM NOME DO DESEJO

Foto: Yêda Bezerra de Mello / Divulgação

Foto: Yêda Bezerra de Mello / Divulgação

Galharufas Produções (PE)
Quando: Dia 23, às 19h
Onde: Teatro Barreto Júnior
Duração: 100 minutos
Indicado para maiores de 16 anos
No meio de uma séria crise pessoal, um homem de meia idade volta para o antigo seminário onde estudara. Recorda-se do momento mais crucial de sua adolescência, trinta anos atrás, quando viveu o grande amor de sua vida. Mescla os planos do passado e do presente, que se interpenetram, com o personagem já maduro invadindo a cena e até dialogando com o adolescente, em suas lembranças. Num terceiro plano, a figura da mística Santa Teresa de Ávila comenta e impulsiona a cena, com seus poemas de amor.
EM NOME DO DESEJO, de João Silvério Trevisan
ELENCO
Ticão: Taveira Júnior
Santa Teresa De Ávila: Edinaldo Ribeiro
Tiquinho: Miguel Taveira
Abel: Vinicius Barros
Pe. Reitor: Paulo De Pontes
Pe. Marinho: Angelis Nardelli
Canário: Tarcísio Vieira
Tuim: Raul Lima
Siriema: Adilson Di Carvalho
Anjo De Tiquinho: Ryan Leivas
Chiclete-De-Onça: Rafael De Melo
Tora-Tora/Cristo/Anjo: Gil Paz
Rafael: Dado Santana
Moura/Anjo: José Lucas
Cristão/Seminarista: Alexandre Augusto
Técnica
Adaptação Do Romance: Antonio Cadengue E João Silvério Trevisan
Encenação e Direção Geral: Antonio Cadengue
1º Assistente De Direção: Igor De Almeida Silva
2º Assistente De Direção: Claudio Lira
Trilha Sonora: Antonio Cadengue E Igor De Almeida Silva
Direção De Arte: Manuel Carlos De Araújo
Iluminação: Augusto Tiburtius
Assistente De Iluminação: Luiz Mário Veríssimo
Programação Visual: Claudio Lira
Direção Musical: Samuel Lira
Coreografias, Direção De Movimentos E Preparação Corporal: Paulo Henrique Ferreira
Preparação Vocal: Leila Freitas
Preparação De Elenco (1º Fase De Montagem): Durval Cristovão
Fotos: Yêda Bezerra De Melo
Cenotécnica: Luiz Mário Veríssimo E Gaguinho
Confecção De Cenários: Helena Beltrão
Confecção De Figurinos: Maria Lima
Confecção De Candelabros: Israel Marinho
Operação De Som: Fernando Calábria
Operação De Luz: Icílio Wagner
Contrarregra: Gaguinho
Assessoria De Comunicação: Antonio Nelson
Assistentes De Produção: Alexandre Sampaio, Felipe Endrio E Thalita Gadêlha
Produção Executiva: Taveira Júnior
Gerência De Produção: Galharufas Produções E Companhia Teatro De Seraphim

 

A GAIOLA

Peça infantil trata do amor, amizade, desapegos e prisões. Foto: Guga Melgar

Peça infantil trata do amor, amizade, desapegos e prisões. Foto: Guga Melgar / Divulgação

Camaleão Produções Culturais (RJ)
Quando: Dias 24 e 25, às 16h30
Onde: Teatro de Santa Isabel
Duração: 50 minutos
Indicado para maiores de 12 anos
Baseado no livro infantil de mesmo nome adaptado pela própria Adriana Falcão em parceria com Eduardo Rios, dirigido por Duda Maia, e estrelado pelos atores/cantores Carol Futuro e Pablo Áscoli. Conta a história de um passarinho que cai na varanda de uma menina, e enquanto ela cuida dele, os dois se apaixonam. Quando o passarinho fica curado e eles têm que se despedir, ela resolve aprisioná-lo em uma gaiola.
Adaptação: Adriana Falcão e Eduardo Rios
Direção e Roteiro: Duda Maia
Elenco: Carol Futuro e Pablo Áscoli
Diretor Assistente: Fábio Enriquez
Direção musical e trilha original: Ricco Viana
Cenário: João Modé
Iluminação: Renato Machado
Figurino: Flávio Souza
Coreografia Aérea: Leonardo Senna
Direção de Produção: Bruno Mariozz
Produção: Palavra Z Produções Culturais
Idealização: Camaleão Produções Culturais

 

ESPERA O OUTONO, ALICE

Foto: Arnaldo Sete.

Foto: Arnaldo Sete.

Amaré Grupo de Teatro (PE)
Quando: Dia 24, às 19h
Onde: Teatro Apolo
Duração: 60 minutos
Indicado para maiores de 14 anos
Ao misturar textos mais conhecidos de nomes como Pedro Bomba, Felipe André, Marla de Queiroz e Carl Sagan ao dos diretores e atores, o enredo busca provocar uma reflexão sobre as perdas que temos ao longo da vida, as mortes, as saudades, mas também sobre a pulsão de viver que nos habita. Os atores se revezam em vários personagens e trazem fragmentos não-lineares da vida de Alice, uma garota com vida comum, que decide tomar uma decisão extrema.
Encenação: Analice Croccia e Quiercles Santana
Elenco: Gustavo Soares, Isabelle Barros, Micheli Arantes e Natali Assunção
Texto: Analice Croccia, Quiercles Santana e AMARÉ Grupo de Teatro, com trechos de Marla de Queiroz, Pedro Bomba, Carl Sagan, Felipe André
Iluminação: Natalie Revorêdo
Figurino e cenografia: Micheli Arantes e Analice Croccia
Operação de áudio: Paulo César Freire
Narração: Paulo César Freire, Íris Campos e Paulo de Pontes
Pesquisa musical e produção: AMARÉ Grupo de Teatro

 

LTDA. 

Monica Bittencourt e Lucas Lacerda em espetáculo sobre fake news. Foto: Mauricio Fidalgo

Monica Bittencourt e Lucas Lacerda em espetáculo sobre fake news. Foto: Mauricio Fidalgo

Coletivo Ponto Zero (RJ)
Quando: Dias 24 e 25, às 20h
Onde: Teatro Luiz Mendonça
Duração: 60 minutos
Indicado para maiores de 14 anos
Com uma trama que se desenrola em um edifício empresarial no centro do Rio de Janeiro, a peça lança um olhar sobre a condição humana em tempos de pós-verdade e pós-ética, desmascarando a ganância do ser humano por poder e dinheiro.
Dramaturgia:Diogo Liberano
Direção:Debora Lamm
Direção de Produção:Lucas Lacerda
Elenco:Brisa Rodrigues, Brunna Scavuzzi, Leandro Soares, Lucas Lacerda e Orlando Caldeira
Direção de Movimento:Denise Stutz
Criação Sonora:Marcelo H
Figurino:Ticiana Passos
Visagismo:Josef Chasilew
Iluminação:Ana Luzia de Simoni
Cenário:Debora Lamm
Assistente de Direção:Junior Dantas
Assessoria de Imprensa:Ney Motta
Programação Visual:Daniel de Jesus
Fotos de Divulgação:Ricardo Borges
Making Off:Mika Makino e Tatiana Delgado
Produção Executiva:Geovana Araujo Marques
Assistente de Produção:Julia Kruger
Realização:Coletivo Ponto Zero

 

PRO(FÉ)TA – O BISPO DO POVO

Os atores Márcio Fecher, Júnior Aguiar e Daniel Barros em peça sobre Dom Helder. Foto: Divulgação

Os atores Márcio Fecher, Júnior Aguiar e Daniel Barros em peça sobre Dom Helder. Foto: Divulgação

Coletivo Grão Comum (PE)
Quando: Dia 25, às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Duração: 50 minutos
Livre para todos os públicos
Finalizando o ciclo da pesquisa do Coletivo Grão Comum intitulada Trilogia Vermelha, a encenação começa com a notícia do sequestro e assassinato do padre Henrique, em 1969, recordando o martírio dos corpos trucidados pela Ditadura e, até mesmo, da realidade do povo indigente sobrevivendo na lama do Recife, e, como testemunhou o evangelho, a miséria e suplício do próprio Cristo. A peça mobiliza um cortejo pelas ruas da cidade, conduzindo os espectadores rumo ao teatro, para o sepultamento do corpo trucidado, denunciando a violência que nos atinge ainda hoje, que ainda é ferida aberta, sempre injusta e desumana. A obra celebra o aclamado bispo Dom Hélder Câmara pedindo silêncio e paz, evocando reza forte, questionando a crença e a dimensão da fé guardada nos nossos corações dilacerados de desilusão.
Pesquisa dramatúrgica, encenação e iluminação: Júnior Aguiar
Elenco: Daniel Barros, Júnior Aguiar e Márcio Fecher
Música Original: Geraldo Maia (com Paulo Marcondes, Rodrigo Samico, Públius, Hugo
Linnis e Amarelo)
Operação de Áudio e Luz: Felipe Hellslaught
Idealização: Coletivo Grão Comum
Produção Geral : Coletivo Grão Comum, Cen@ff e Gota Serena

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O elenco está nu, mas o destaque é da palavra

Isso te interessa?, da Cia Brasileira de Teatro. Fotos: Marcelo Lyra

A Companhia Brasileira de Teatro, do Paraná, apresentou no ano passado, dentro do Festival Recife do Teatro Nacional, três espetáculos: Vida, Oxigênio e Descartes com lentes. Na edição deste ano, a trupe voltou com Isso te interessa? em que os personagens são “pais, mães, filhos e cães”. Em 45 minutos a montagem evoca três gerações de uma mesma família. A concisão do texto e da encenação são marcas de Isso te interessa?.

Sob direção de Marcio Abreu, o texto da dramaturga francesa Noëlle Renaude (com tradução de Giovana Soar e Marcio Abreu) Bon, Saint-Cloud oscila entre narração e ação. As fronteiras são borradas, diluídas.

A história e o tempo recebem um tratamento bem peculiar. Noëlle Renaude escreve: “Meu pai, diz o pai, tinha, o pai fuma, do seu pai a obstinação que eu tenho do meu pai e que não, suspira o pai, consegui, o pai fuma, te transmitir, é uma pena, e o pai para e o pai fuma”. Personagem/narrador/ator dividem a mesma cena, na mesma frase. Tudo exibido: o tempo e o passar do tempo, as rubricas, os personagens, o ator.

Imagino a ginástica desse elenco formado por Ranieri Gonzalez e Giovana Soar, como pais, e Nadja Naira e Rodrigo Ferrarini, como filhos (e todos eles fazem o cachorro). E nada de especial ocorre, não há grandes acontecimentos nessa família comum. O que aparece são os cenas prosaicas de vidas ordinárias. O pai fuma, a mãe esquece, o pai deseja viajar ao balneário francês Saint-Cloud como se lá fora o paraíso na Terra, a família não vai; o filho faz vestibular, passa no vestibular, vai morar longe da família; a filha chora, ela tem dor de cabeça, ela não se entende com a mãe, a filha fica gravida de gêmeos; já mãe, a filha se separa, os gêmeos não entendem; os cachorros são fiéis; o pai morre, a filha morre, a mãe também quer morrer; o filho volta, o filho vira pai, ele passa a ter o tique de seu pai agora que é pai; o tempo passa, tudo mais ou menos se repete.

Os atores estão nus o tempo todo, mas sem nenhuma erotização do corpo. Mas existe uma afinação técnica no corpo do ator, nos seus gestos que exigem mais elegância. A cena é limpa. O fluxo poético é determinado pelo texto. O cenário, de Fernando Marés, com mesa, cadeiras, sofá, luminária, ganha inclinação de alguns objetos na passagem do tempo. A luz investe em claros escuros.

Alguns elementos de indumentária, como chapéu, tênis, sapato de salto, situam o crescimento/envelhecimento das gerações dessa família.

O que acho sensacional é o texto, como essa dramaturga exercita sua a construção. E as escolhas limpas do diretor, que permitem que as atuações se destaquem.

Cia Brasileira veio ao Recife pela primeira vez ano passado

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Espetáculo vencedor do Prêmio Bravo no Festival Recife

Isso te interessa?, da Cia Brasileira, será encenada no Festival Recife do Teatro Nacional. Foto: Alessandra Haro

Saiu até na coluna social. Tipo assim: espetáculo com atores nus vai provocar frisson no Recife. Tudo bem – toda nudez não é mesmo castigada; neste caso leva gente ao teatro. Como o que a gente quer é ver o teatro lotado, se for só por causa do elenco nu, tudo bem. Paciência! Mas é bom avisar logo que Isso te interessa?, da Companhia Brasileira de Teatro, vai muito além. A nudez, aliás, isso te interessa mesmo?

A montagem, que foi escolhida este mês o melhor espetáculo no 8º Prêmio BRAVO Bradesco Prime de Cultura 2012, está na grade do Festival Recife do Teatro Nacional, que será anunciada nesta terça-feira (13). Uma escolha coerente e acertada – já que ano passado o então curador Valmir Santos trouxe a companhia curitibana ao Recife pela primeira vez. Aqui eles apresentaram Vida, Oxigênio e o exercício cênico Descartes com lentes.

Isso te interessa? tem texto de uma dramaturga francesa contemporânea chamada Noëlle Renaud e direção de Márcio Abreu. O tema é bem simples e sempre difícil – as relações familiares. É a mesma temática, aliás, do novo espetáculo da Brasileira, que está em cartaz no CCBB do Rio e tem participação de Renata Sorrah: Esta criança. A peça tem texto de um autor que nunca foi montado no Brasil – o francês Joël Pommerat, que chegou às mãos de Renata por intermédio de Ariane Mnouchkine, diretora do Théâtre du Soleil. Por coincidência, o grupo curitibano trabalhava o mesmo autor. Quem sabe algum produtor não se anima e traz essa montagem antes mesmo do festival 2013?!

Voltando à Isso te interessa?, temos uma colaboração especial da jornalista e mestranda em Artes Cênicas Luciana Romagnolli. Lu é curitibana, mora em BH e estuda a Cia Brasileira. Esse texto foi publicado originalmente no Questão de Crítica. Então, antes mesmo do espetáculo, a crítica:

A família sob a perspectiva do teatro
Por Luciana Romagnolli

A Companhia Brasileira de Teatro estreou em setembro de 2011, em Curitiba, Isso te interessa?, espetáculo que coloca em cena os atores Ranieri Gonzalez e Giovana Soar, como pais, e Nadja Naira e Rodrigo Ferrarini, como filhos, explicitando as difíceis relações no microcosmo familiar, em que uma viagem ao balneário francês de Saint Cloud é sempre aludida como esperança de felicidade. O texto da dramaturga francesa contemporânea Noëlle Renaud traz uma estrutura peculiar de falas intercaladas a rubricas dentro de uma mesma frase, que propõe aos atuantes um desafio constante de trânsito entre diferentes registros – desde a representação de personagem até a indicação direta das ações, com gradações de distanciamento. E esse entrar e sair dos personagens é intensificado pelo revezamento dos quatro atores no papel do cachorro da família, que observamos nos limites de um cenário em perspectiva.

O texto, portanto, se oferece como um problema para atores e diretor, no sentido de como trabalhar a elaboração de cenas e a movimentação corporal em resposta às indicações das rubricas. O diretor Marcio Abreu opta por deixar que a palavra predomine no palco, mas não expresse sozinha: uma série de estranhamentos determina luz, figurino e cenário. E não basta a ação verbal. O elenco, coeso, responde a determinações como “a mãe desarruma os cabelos” com gestos ora ilustrativos (obedientes), ora contraditórios (subvertendo o sugerido), de modo que se cria uma zona de tensão entre o que é dito e o que é visto. No acúmulo de camadas de sentido produzido por esse jogo dinâmico entre o dramático e o épico, a encenação é desdramatizada e, ao espectador, se solicita uma fruição crítica mais do que emocional.

Texto é de Noëlle Renaude e direção de Márcio Abreu. Foto: site Cia Brasileira

Ao mesmo tempo que a estrutura linguística se destaca a ponto de transcender a forma e tornar-se também conteúdo, projetando o teatro como tema para reflexão, a matriz familiar é que está no centro do universo temático. As relações entretecidas no lar são sintetizadas até que reste o esquematismo de três gerações de pais e filhos, condensando em menos de 50 minutos uma visão contundente das relações parentais. Esta é calcada menos nos afetos do que nas implicações de uma cadeia sucessiva, dentro da qual se assinalam os papéis intercambiáveis (filhos, afinal, se tornam pais); a herança de competências e comportamentos versus os desvios e diferenças que rompem expectativas dos pais quanto à continuidade de seus descendentes; a obstinação e a fraqueza como qualidades com as quais se identificar; a vaidade e a inveja entre mães e filhas; os incentivos desproporcionalmente distribuídos e suas consequências na autoestima dos filhos.

Coagulada em poucas frases e em cenas essenciais, a dramaturgia deixa muitas lacunas que demandam do público a saída da passividade para relacionar àquela família arquetípica sua vivência; e a perspectiva crítica sobre a dimensão humana apresentada em cena pede um tempo de decantação que se prolonga para além da duração do espetáculo, até que o tempo de intensidades condensadas elaborado no palco se concilie com o tempo pessoal do espectador.

Esse desnudamento praticado no campo das ideias é seguido pela exposição dos corpos nus do elenco. Fora meias e sapatos, signos restantes do contexto de civilidade, os atores não carregam outra vestimenta além da crueza da pele, sem preâmbulos, do início ao fim do espetáculo. Essa escolha radical se legitima pela impossibilidade de se pensar outro figurino igualmente incisivo, em sua quebra de um tabu familiar como a nudez, e que traz à superfície visível do espetáculo o estranhamento em relação àquele núcleo de pessoas. Não há margem para erotismo – nem subterfúgios: o que a nudez revela simplesmente é.

Aos atores, portanto, é solicitado que tensionem a atuação a essa situação-limite tanto no trato com a palavra quanto na entrega corpórea, notável sobretudo na dignidade com que se confiam à imitação da movimentação do cachorro – ironicamente, o personagem construído mais de acordo com um modelo real e o que mais suscita ternura no seio familiar, embora a visão dos atores em postura de quadrúpede, sem caracterização por maquiagem ou figurino, evidencie o caráter anti-ilusionista da montagem.

A explicitação do mecanismo teatral contamina outras esferas dramatúrgicas. O cenário contribui como propulsor de significados, com sua configuração como espaço de encenação demarcado em perspectiva, numa angulação sugestiva de uma forma de olhar tanto quanto de uma evolução progressiva que dialoga com a dinâmica familiar de cadeia de gerações que se ampliam. E com o detalhe de que, a seu tempo, objetos cênicos sofrem um entortamento pelas mãos dos atores ou sem causa aparente, caindo em perspectiva também.

Resta observar que, ao batizar o espetáculo com uma pergunta direta, a Companhia Brasileira explicita na camada mais evidente o desejo de cumplicidade na relação com o espectador, que vem constituindo sua teatrologia. Isso te interessa? não traduz Bon, Saint Cloud, o título original da peça de Noëlle Renaude, vertida do francês por Marcio Abreu sob orientação de Giovana Soar e rebatizada com uma frase colhida do meio do texto. O que essa escolha revela, para além da identificação entre gerações distintas, é o interesse do grupo curitibano por um nível de interpelação direta do espectador evidenciadora do espaço (aqui) e tempo (agora) da encenação e do pacto de atenção implícito.

Cia Brasileira veio ao festival pela primeira vez ano passado, um convite do então curador Valmir Santos

Essa cumplicidade se sustenta numa construção sutil e cumulativa, que envolve as diferentes camadas dramatúrgicas a tecer o espetáculo. É, por exemplo, uma das maneiras possíveis de se interpretar o apagão que demarca o início e o fim da encenação, destituindo o espectador de qualquer possibilidade de visão e, consequentemente, devolvendo-lhe a percepção do ser e do estar ali. Vale lembrar que, ainda que de modo diferente, a luz de Nadja Naira também propunha em Vida a escuridão como quebra da fronteira entre palco e plateia restituindo ambas ao mesmo cruzamento tempo-espacial. A cumplicidade vem também, enfim, dos olhares direcionados ao espectador, seja na entrada dos atores ou quando uma das atrizes toma o público como espelho, indagando na frontalidade com a plateia uma reação à sua aparência.

Além disso, a própria estrutura que traz as rubricas à superfície da fala, confundindo fala e ação, ativa a consciência e a cumplicidade do espectador (duas categorias vinculadas, afinal) de que está diante de um espetáculo teatral. Se, na diluição de fronteiras entre acontecimento teatral e vida social (com sua cota de representação, é claro) é sobretudo o ponto de vista do observador e do realizador o que ainda distingue um e outro, em Isso te interessa? o teatro é reiterado enquanto construção a partir da realidade, perspectiva de olhar e relação entre ator e espectador.

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Para não perder o encanto – e o público

Avaliação pública do Festival Recife do Teatro Nacional 2011. Foto: Val Lima

Na sua festa de debutante, ano que vem, quando completa 15 edições, o Festival Recife do Teatro Nacional precisa se reinventar. Atualizar a sua função e importância não só para o público em geral, mas também para os artistas que ajudou a formar na cidade. Mesmo que os números não denunciem, já que os espectadores nos teatros até aumentaram do ano passado para cá – de 4.794 para 5.089 pessoas – o fato é que, quem acompanhou os 12 dias de festival, sentiu os teatros esvaziados em muitas apresentações.

Talvez seja um reflexo, como foi levantado pelo próprio secretário de Cultura do Recife Renato L, presente na avaliação, da proposta curatorial defendida pelo jornalista e pesquisador de teatro Valmir Santos: apostar no teatro de grupo, de pesquisa, e na apresentação de peças dos seus repertórios, deixando de lado grupos mais conhecidos na cidade, que estariam sempre se revezando na programação de anos anteriores. Proposta ousada e que se mostrou importante tanto para o público quanto para os artistas que acompanharam as sessões.

A Companhia Hiato, por exemplo, de São Paulo, nunca tinha vindo ao Nordeste e teve a oportunidade de apresentar os seus três espetáculos: Cachorro morto, Escuro (que abriu a programação do festival) e a comovente O jardim. “A proposta era povoar os palcos com criadores que nunca tinha passado pela cidade. Núcleos que necessariamente não têm muita estrada, mas experiências interessantes. Jovens criadores que dialogam com a tradição, com espetáculos que não são fruto do mero ímpeto juvenil”, disse Valmir Santos. A Companhia Brasileira de Teatro, de Curitiba, também trouxe três peças: Oxigênio, Vida e Descartes com lentes. O instigante e difícil dramaturgo e diretor Francisco Carlos, do Amazonas, trouxe duas peças da sua tetralogia Jaguar cibernético.

Paulo Vieira, professor, ator e diretor da Paraíba, foi convidado para acompanhar o festival e realizar uma avaliação crítica. Vieira lembrou do tempo em que “era um jovem ator de pouco mais de vinte anos, quando vim com um grupo de amigos com os quais eu trabalhava, exclusivamente para assistir aos espetáculos que varavam a noite do Vivencial. Era a linguagem de um teatro que gostaríamos de ter por perto, de ver mais vezes e se não exatamente fazer igual, ao menos com ele reabastecer as emoções que o teatro proporcionava”. O grupo Vivencial, que teve sua história contada através de uma série publicada no Diario de Pernambuco semana passada, foi o homenageado do festival.

Mas o avaliador fez críticas, como a escolha do espetáculo Escuro, que não era “alegre, esfuziante”, como a noite de homenagem ao Vivencial pediria e denunciou as más condições da escola municipal Antônio Farias, no bairro de San Martin, que recebeu uma apresentação da montagem O encontro de Shakespeare com a cultura popular: Romeu e Julieta, do Ceará. “A degradação do ambiente me provocou a sensação de estar em uma antessala de penitenciária”.

Para o coordenador do festival, Vavá Schön-Paulino, ainda há algumas questões que em 14 anos de mostra ainda não conseguiram ser solucionadas, como uma bilheteria informatizada, um espaço de convivência do festival e um local para a central de produção. A divulgação do festival, um calo da sua organização, também recebeu críticas. A programação foi divulgada apenas com uma semana de antecedência, o site só ficou pronto quando o festival já estava acontecendo e o programa completo da mostra estava disponível já no fim do festival. Apesar disso, o clima foi amistoso e, apesar de não haver ainda uma definição sobre se Valmir Santos será o curador do ano que vem, o festival deve de alguma forma homenagear o centenário de nascimento do pernambucano mais importante da história do teatro nacional: Nelson Rodrigues.

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Inquietações no teatro brasileiro

Oxigênio tem texto do russo Ivan Viripaev. Foto: Elenize Dezgeniski

Já em 2006, Valmir Santos escreveu: “a Companhia Brasileira de Teatro se afirma como umas das experiências cênicas mais consistentes do país. O projeto artístico trilha por narrativas de estranhamento e de delicadeza felizmente correspondidas com vitalidade pelo diretor, elenco e demais colaboradores”. Nessa época, Santos certamente nem imaginava que seria curador do Festival Recife do Teatro Nacional agora em 2011. A oportunidade chegou e aí a chance de trazer à capital pernambucana a companhia de maior destaque em Curitiba atualmente, com três espetáculos do seu repertório: Descartes com lentes, Vida e Oxigênio.

O primeiro que será apresentado (hoje e amanhã, às 21h, no Teatro Hermilo Borba Filho) é Oxigênio, de 2010. O texto é do dramaturgo russo Ivan Viripaev, até então inédito no Brasil. O espetáculo tem um crime como mola propulsora: um homem e sua amante são condenados pelo assassinato da esposa dele; mas, a partir daí, surgem discussões não só sobre sobre violência, mas também racionalidade, consumismo, terrorismo e, principalmente, o que nos é mesmo essencial. Em cena, Patrícia Kamis e Rodrigo Bolzan. A música é feita ao vivo por Gabriel Schwartz (que assina a trilha sonora) e Vadeco.

Das três peças que o grupo traz, talvez a mais aguardada seja Vida, também de 2010, que ganhou o Prêmio Bravo como melhor espetáculo do ano. O texto é inspirado na obra de Paulo Leminski – surgiu da convivência crítica e criativa com os ditos de um dos mais reproduzidos poetas paranaenses. Mas existem referências e citações também a Haroldo de Campos, Maiakovski, Jaymes Joyce, Beckett. Em Vida, os atores estão em cena com os seus próprios nomes. Ficção e realidade parecem se entrelaçar aos olhos do espectador: será que aquele texto é da Giovana Soar ou só da personagem? E assim acontece também com Nadja Naíra, Ranieri Gonzalez e Rodrigo Ferrarini. Os quatro fazem parte de uma banda que ensaia para a apresentação comemorativa do jubileu de uma cidade imaginária. É nesse espaço, a sala de ensaios, que surgem as relações e conflitos, mas sobretudo a tentativa de diálogo.

Vida ganhou o Prêmio Bravo de melhor espetáculo do ano

O criador da Companhia Brasileira de Teatro é o ator, dramaturgo e diretor Márcio Abreu, que assina a direção das peças e reuniu o grupo em 1999. Descartes com lentes é um trabalho feito quando a companhia já tinha 10 anos, em 2009. Foi um exercício cênico com um texto de Leminski escrito no fim da década de 1960 e considerado a semente de Catatau, uma de suas obras-primas. A atuação é de Nadja Naira.

Descartes com Lentes é um exercício cênico com um texto de Leminski

Companhia Brasileira no Festival Recife:

Oxigênio
Hoje e amanhã, às 21h, no Teatro Hermilo Borba Filho
Informações: (81) 3355-3318

Descartes com lentes
Segunda e terça, às 17h, no Teatro de Santa Isabel
Informações: (81) 3355-3323

Vida
Segunda e terça, às 21h, no Teatro de Santa Isabel
Informações: (81) 3355-3323

Ingressos: R$ 5

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