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O riso e a crítica corrosiva são armas do Marsenal

O projeto Marsenal retoma suas atividades no Recife com a estreia internacional do espetáculo Cabaré do Bonzo, com Claudio Ferrario e Olga Ferrario. Foto: Reprodução do Facebook

A cultura é perseguida sem trégua, os direitos humanos são saqueados, a democracia está na mira de um sujeito “nojento, irresponsável, inescrupuloso, elitista, segregador, corrupto e nefasto”. É assim que o Cabaré do Bozo pinta seu personagem principal, que juntamente com seus comparsas são responsáveis pelas desumanas reformas trabalhista e da previdência. Os números traduzem o estrago desse (des) governo: a fome atinge mais 12 milhões de pessoas, sem perspectiva de reversão, se depender “desses daí”. Desde o golpe de 2016 que a situação só piora.

As ridículas figuras que ocupam o Palácio do Planalto Central do Brasil e suas extensões, e a atmosfera tosca que envolvem essas trepeças servem de material para a criatividade, humor corrosivo e crítica implacável do espetáculo Cabaré do Bozo, que integra o Movimento Marsenal, que retoma suas atividades nesta quinta-feira, no Bar do Mamulengo, no Bairro do Recife.

       O Movimento Marsenal chega, rechega, volta, revolta…

“Para somar com quem não aceita o assassinato do povo das periferias e das florestas. Para somar com quem jamais achará natural que a fome e a miséria corroam tantos e tantas, enquanto alguns poucos se empanturram de tudo. Para somar com quem acredita que a saúde e a educação são direitos inalienáveis, que não podem, simplesmente, nos serem roubados. Somar com quem acredita na cultura como sinônimo de vida e, portanto, não se permitirá, em hipótese alguma, conviver com qualquer tipo de censura”.

Claudio Ferrario no Teatro Mamulengo

O Movimento Marsenal é um foco artístico e político de re-existência que funciona desde julho no Teatro Mamulengo, no Bairro do Recife. Surgiu de forma independente e sem patrocínio, com o objetivo de agregar os que são contra a censura e lutam pela democracia, segundo seus articuladores – Claudio Ferrario e as Violetas da Aurora, (coletivo formado por Ana Nogueira, Sílvia Góes, Fabiana Pirro e Mayara Waquim).

O projeto carrega as marcas do temperamento pernambucano, com um jeito irônico e demolidor de encarar a realidade e rir até de si mesmo. Mas sempre com doses cavalares de autoestima. Então, na estreia internacional do Cabaré do Bozo é possível que o público se depare com Damares da Goiabeira, Moro Marreco, Queiroz Rachadinha, Abraão Guarda-chuva, Erneqsto Planificador. Além do troglodita-mor.

A programação começa com o microfone aberto. Qualquer um pode falar o que quiser. É momento para combater as fakes News e as baboseiras. Depois do cabaré a pista fica pronta para a dança. 

“O Cabaré do Bozo nasce a partir de diálogos que escrevo há um tempo e que nós atualizamos um pouco e amarramos numa pequena brincadeira. Eu e Olga fazemos 9 personagens, entre eles, o próprio Bozo, Damares, Moro, Queiroz… e com Hugo Coutinho pensamos uma trilha – com músicas e sonoplastias – que amarrasse os quadros e que servisse para as trocas de roupas, que fazemos ao vivo…”, adiantou Claudio Ferrario mais cedo pelo mensager.

“Sabe-se que a fauna é vasta, composta por bichos os mais variados”, já alardeou Ferrario no Facebook. “Há os matreiros, os agressivos, os territoriais. Há os que só saem das suas tocas à noite, os que emboscam, os que se utilizam do mimetismo, para se aproximarem das suas presas, sem que sejam notados. Abrimos o vasto e deplorável leque de opções, composto por ministros, secretários, milicianos e familiares do Bozo e só faltamos arrancar os cabelos, para escolher quais estariam presentes nesse nosso cabaré”, confessou Claudio para seus milhares de fãs nas redes sociais.

Algumas dos depoimentos sinistros que serviram de inspiração do Cabaré do Bozo:

        • “Querem transformar as nossas crianças em quilombolas indígenas homossexuais, mas, eu vou mudar isso daí, tá ok?”
          Aquele energúmeno
      •  
        • “Rosanja, minha conje, também detesta o metalurjo Lula. Mas como já dizia Aristotles, bom mesmo é brocles com figo de galinha.”
          O Ministro da Justiça, que come as
          sílabas das palavras proparoxítonas
      •  
        •  “A mulher nasceu pra ser mãe e a gravidez é um problema que dura apenas nove meses.”
          Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, uma máquina incansável de dizer asneiras e idiotices
        • “Depositei um dinheirinho na conta da Primeira Dama, porque passei um ano, vendendo e comprando carros usados e acumulei 1 milhão e 200 mil, aí, quis lhe fazer esse agrado.”
          Queiroz, o “gênio” da Economia
      •  
        • “Se a Terra fosse redonda e girasse em torno do próprio eixo, no mínimo deveríamos sentir tonturas.”,
          Ministro das Relações Exteriores

 

Claudio Ferrario e Olga Ferrario interpretam figuras do Planalto. Foto: Reprodução do Facebook

Serviço

Cabaré do Bozo, com Claudio Ferrario e Olga Ferrario
Onde: Bar Teatro Mamulengo (Rua da Guia, 211, de frente para a Praça do Arsenal)
Quando: 9 de janeiro, às 19h
Ingressos: Contribuição espontânea /chapéu solidário / pague quanto quiser-puder

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Saga de Bernarda Soledade

Fabiana Pirro e Sílvia Góes nos papéis de Beranrda e Inês. Foto: Roberta Guimarães

Fabiana Pirro e Sílvia Góes nos papéis de Bernarda e Inês. Foto: Roberta Guimarães / Divulgação

Conflito por terras e pelos corpos femininos. Ato sexual enquanto relação de poder e conquista. Dupla moral: honra da mulher conectada à virgindade e a do homem à virilidade. A história de Bernarda Soledade – A Tigre do Sertão, de Raimundo Carrero, trafega por essas áreas de disputas. No espaço de predomínio patriarcal, o discurso e as ações são machistas e até os subjugados usam, para pensar a dominação, as ferramentas dos dominadores. Nesse cenário, a mulher será enquadrada a uma moral masculina que desvaloriza àquelas que transgridem essa norma.

Primeiro romance de Carrero, publicado em 1975, Bernarda Soledade, a Tigre do Sertão, tem nova leitura dramática neste sábado (27), às 18h, em Olinda, no sebo Casa Azul, do escritor Samarone Lima, recém-inaugurado na rua 13 de Maio (vizinho ao MAC e Casa do Cachorro Preto). A trama da família Soledade, ganha dramatização com os atores Fabiana Pirro (Bernarda), Sílvia Góes (Inês), Ana Nogueira (Gabriela), Cláudio Ferrario (Narrador e Coronel Pedro Militão), Diógenes D. Lima (Anrique Soledade) e Edjalma Freitas (Pedro Lucas), e percussão de Luca Teixeira.

Essa ação faz parte do Circuito de Leituras Teatrais Dramatizadas da Literatura Pernambucana do Centro Cultural Raimundo Carrero. Depois da apresentação está marcada uma conversa entre o autor de Somos Pedras Que Se Consomem,  O Amor Não Tem Bons Sentimentos e A Minha Alma É Irmã de Deus e o escritor Samarone Lima. Literatura, concepção, inspiração, teatro e vida, estão na pauta desse bate-papo de criadores, que terá como eixo propulsor Bernarda Soledade, publicado há mais de quarenta anos.

faz . Foto: Nina Xará França

Cláudio Ferrario faz o Narrador e o Coronel Pedro Militão. Foto: Nina Xará França / Divulgação

Bernarda Soledade está no centro dessa história de lutas reais e simbólicas no Sertão nordestino. A filha primogênita do Coronel Pedro Militão executa sua gana de expansão territorial da fazenda Puxinãnã . Para isso confisca terras circunvizinhas, expulsa seus proprietários e semeia inimigos.

Mas a domadora de cavalos imponente nutre a vontade de gerar em seu ventre o herdeiro de Puxinãnã. E para isso escolhe o Tio Anrique. Mas nesse encontro, cada um tinha uma meta. Ele almejava se vingar da sobrinha que usurpou suas terras. Ela ansiava por um filho que herdasse a bravura do tio.

Pedro Lucas, um ex-namorado de Inês, a filha caçula do Coronel Pedro Militão, também é motivado pela revanche por ter sido expulso junto com sua família e pela morte do pai. Seu objetivo é “desonrar” Inês publicamente. 

Anrique e Pedro Lucas enxergam a relação sexual como um ato de posse do corpo feminino e de desforra. Gabriela Soledade, a mãe de Bernarda e Inês, é apresentada como uma viúva perturbada emocionalmente. 

Bernarda Soledade – A Tigre do Sertão é uma ótima provocação para debater identidade, poder, quebra de papeis e internalização do discurso dominante.

Ana Nogueira como . Foto: Roberta Guimarães

Ana Nogueira como Gabriela . Foto: Roberta Guimarães / Divulgação

Ficha Técnica
Direção: Coletiva (o grupo)
Produção: Fabiana Pirro e Ana Nogueira
Adaptação: Raimundo Carrero, Fabiana Pirro, Ana Nogueira e Sílvia Góes
Percussão: Luca Teixeira
Patrocínio: Copergás.

Serviço
Onde: Sebo Casa Azul (Rua 13 de Maio, 121 – Carmo/Olinda)
Quando: Sábado (27), às 18h
Entrada franca

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Ferrario foi buscar Martelo no inferno

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Claudio Ferrario em Martelada. Foto: Nilton Pereira / Divulgação

Das andanças por quatro cidades da Zona da Mata Norte de Pernambuco, Claudio Ferrario voltou com Martelada, espetáculo dirigido por Dea Ferraz. No solo, um velho Mateus de cavalo-marinho, afastado da brincadeira, rememora sua razão de viver. O contador de histórias, filósofo da existência é um orgulhoso guardador de mistérios. Que oferece generosamente nos seus “causos”.

Figura tradicional do folguedo, Martelo garante ter ido ao inferno. Esse sábio popular mistura fantasia, loucura e sanidade. Sua experiência lúdica está impregnada nas vozes multiplicadas do personagem.

E Claudio Ferrario, com 40 anos de oficio, prossegue na militância cultural, no desejo de resistir.                                                                                                                                                      100 palavras
 

Ficha Técnica
Duração: 60 min.
Classificação etária: a partir dos 12 anos
Texto e interpretação: Claudio Ferrario
Direção: Déa Ferraz
Trilha sonora original: Rafa Agra
Iluminação: Rodrigo Oliveira
Sonoplastia: Marcelo Sampaio
Cenotécnico: Mário Almeida
Produção executiva: Dida Maia e Fernanda Ferrario

Serviço
Martelada
Onde: Teatro Arraial
Quando: 11, 18 e 25 de janeiro, às 20h (Nos dias 18 e 25 dentro do Janeiro de Grandes Espetáculos)
Ingressos: R$15 e R$30
Informações: 3184.3057

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Celebrando Hilda Hilst

O caderno rosa de Lory Lamby, leitura com Silvia Gos. Foto: Divulgação

O caderno rosa de Lori Lamby, leitura com Silvia Góes. Foto: Divulgação

A escritora Hilda Hilst, que morreu em 2004 aos 74 anos, sempre falava da necessidade da poesia em tempos de brutalidade. A barbárie se faz disfarçada sob uma capa da legalidade interpretada ao bel prazer da plutocracia no Brasil. E a poesia expandida é urgente e arma de algumas pessoas. Entre elas, as atrizes Fabiana Pirro, Nínive Caldas, Silvinha Góes e o ator Cláudio Ferrário que juntos fazem uma leitura dramatizada da Trilogia Obscena, no Coletivo S6xto Andar (sexto andar do Edifício Pernambuco, na Avenida Dantas Barreto).

O programa faz parte do projeto Ocupação Casa do Sol: um encontro com Hilda Hilst, realizado pela Corujas, com algumas ações. Nesta sexta-feira, às 20h, os intérpretes vão dramatizar os personagens dos livros O caderno rosa de Lori Lamby, Contos D’escárnios, Cartas de um sedutor, Textos grotescos e Bufólicas.

O Caderno Rosa de Lori Lamby, por exemplo, flagra uma menina de oito anos que comercializa seu corpo estimulada por seus pais proxenetas.

O nome do projeto remete para a Casa do Sol, no interior de São Paulo, onde Hilda viveu dos 35 anos até a morte, atualmente sede do Instituto Hilda Hilst. A ação inclui outras atividades.

No sábado (07/05), a partir das 16h, o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam) abriga atrações de ‪‎Música‬ + Poesia + Pole Arte com Ana Carolina Mac Dowell; Audição da Rádio HH – 911 MHZ, com Poema aos Homens do Nosso Tempo, do artista Paulo Meira; Exposição da artista Ceci Silva inspirada na obra Contos de Escárnio/Textos Grotescos; Vídeoarte de Mariana de Matos estudo sobre a obra Do Desejo. E encerra com uma conversa aberta entre a artista plástica Olga Bilenky, do Instituto Hilda Hilst, o artista plástico Paulo Meira, a produtora Bruna Leite e o público.

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Três dicas de teatro no Recife

e Cláudio Lira em A Rã. Ffoto: Ralph Fernandes.

Diego Lucena e Cláudio Lira na peça A Rã. Foto: Ralph Fernandes.

O medo esteriliza os abraços já avisou Carlos Drummond de Andrade. No espetáculo A Rã, o medo gera o terror, o descompasso com a realidade e trava a ação. A Companhia Animatus Invictus prossegue com a montagem inspirada no conto homônimo de Hermilo Borba Filho, até domingo, às 20h, no Teatro que leva o nome do teatrólogo pernambucano. A experiência paralisante é vivenciada por uma mulher, que vê o objeto que lhe causa pavor crescer de tamanho até enredá-la por inteiro. A encenação marca a estreia de Luiz Manuel na direção e conta no elenco com Diego Lucena e Cláudio Lira.

O diretor utiliza várias técnicas para projetar fobias, dores, sofrimento e ansiedade. O realismo fantástico operado por HBF no texto é explorado na encenação, que leva para a cena aspectos sombrios e de terror para projetar labirintos. A dramaturgia é uma combinação do conto A Rã, na íntegra, com textos de Shakespeare, Lorca, Osman Lins, Poe, e outros de Hermilo.

A Animatus Invictus eliminou a separação palco e plateia, na perspectiva de envolver os espectadores. Ainda participam da montagem Charles de Lima, como diretor de arte e cenotécnico; Alexandre Henrique, na sonoplastia; Evandro Mesquita, na contrarregragem e Natalie Revorêdo, na iluminação.

SERVIÇO
A Rã, espetáculo teatral inspirado na obra de Hermilo Borba Filho.
Direção: Luiz Manuel
Atuação: Claudio Lira e Diego Lucena
Lotação do espetáculo: 30 pessoas
Duração: 1h
Classificação: 16 anos
Quando: 3, 4, 5, 6 e 10, 11, 12 e 13 de março, às 20h
Ingressos: R$ 20 (inteira) R$ 10 (meia)

 Micheli Arantes, Natali Assunção e Marcos Medeiros dividem a cena em Amar é crime. Geraldo Monteiro (Divulgação).

Micheli Arante, Natali Assunção e Marcos Medeiros dividem a cena em Amar é crime. Foto: Geraldo Monteiro.

A peça Amar é crime, inspirada no livro homônimo de Marcelino Freire, prossegue em temporada no Espaço O Poste. A montagem marca a estreia de Isabelle Barros na direção e coletivo AMARÉ Grupo de Teatro, formado em 2014 por ex-alunos do curso de interpretação para teatro do Sesc Santo Amaro. Nos quatro contos que compõe a peça – Acompanhante, Crime, Mariângela e Vestido longo – o amor aparece de mãos dadas com a violência.

As facetas distorcidas desse sentimento apontam para uma cuidadora de idosos que enfrenta uma situação constrangedora, em Acompanhante; ou da menina que sofre humilhações da própria mãe pelo fato de ser obesa, em Mariângela. A encenação investe no despojamento da cena e no trabalho do ator.

SERVIÇO
AMAR É CRIME
Onde:: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista).
Quando: de 20 de fevereiro a 20 de março. Sábados e domingos, às 20h.
Ingresso: R$ 20 e R$ 10 (meia).
Informações: 97914-4306.

 Cláudio Ferrário Olga Ferrário em A invenção da palavra. Foto: Divulgação

Olga Ferrário e Cláudio Ferrário em A invenção da palavra. Foto: Divulgação

No princípio era o Verbo; está nas escrituras bíblicas. No espetáculo A Invenção da palavra a disputa fica em torno de quem é o autor dessa façanha, Deus ou o Capeta? Com a montagem, o ator pernambucano Cláudio Ferrário comemora 40 anos de carreira e divide a cena com sua filha, Olga Ferrário.

Fruto de um intercâmbio artístico com o diretor espanhol Moncho Rodriguez, o trabalho faz uma viagem pela história da humanidade e a necessidade de criar histórias.

SERVIÇO
INVENÇÃO DA PALAVRA
Onde:: Caixa Cultural (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
Quando: 3, 4, 5, 10, 11, 12, 17, 18, 19 de março.  20h.
Ingresso: R$ 10 e R$ 5 (meia)
Informações: 3425-1915.

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