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Casa Maravilhas exibe “teatro live” Vulvas de Quem?

Cira Ramos, a diretora; Márcia Cruz, a atriz e Ezter Liu, a escritora. Projeto Teatro de Quinta, da Casa Maravilhas apresenta Vulvas de quem?, na página do espaço cultural no Instagram (@casamaravilhas).

O título Vulvas de Quem?, já diz tudo, anota a diretora Cira Ramos. Sim, sim. Sinaliza amplitude e profundidade da temática. Ser mulher é bem complexo, uma força que se expande e multiplica exponencialmente. A atriz Márcia Cruz gradua o feminino numa narrativa urgente, para contar com o fôlego possível as dores de milhares de úteros dentro do seu útero. É dizer o que precisa ser dito. E repetir. “A peça fala de sororidade, de empatia, de dores e dificuldades, da necessidade de estarmos unidas, e de termos visibilidade. É sobre tudo isso” comenta Cira Ramos.

O texto é extraído de dois contos da escritora pernambucana Ezter Liu, Vulvas Brancas e Quem?, do livro Das tripas coração, vencedor do Prêmio Pernambuco de Literatura de 2017.

O “teatro live” integra a temporada do Teatro de Quinta da Casa Maravilhas em tempos de pandemia Covid-19. Os ensaios, leituras e reuniões são tocados há meses de forma remota. São três quintas-feiras, três autores, três atores e três diretores.

Começou na quinta-feira passada, dia 11, com Inflamável, de Alexsandro Souto Maior, com direção de Quiercles Santana e atuação de Paulo de Pontes. A apresentação, com centenas de visualizações, ainda está disponível no Instagram da Casa Maravilhas.

Na próxima semana é a vez de Brabeza Nata, que trata das memórias de um homem que nasceu “na periferia do interior do interior, sua relação com a mãe que o renega desde o parto e com a avó que sempre o acolheu. Alexandre Sampaio investiga como estará esse homem hoje, no que ele se transformou, no trabalho com texto de Luiz Felipe Botelho, dirigido por Cláudio Lira.

A live é livre mas a contribuição espontânea será muito bem-vinda por razões conhecidas por todos. Os depósitos realizados em qualquer data serão rateados entre os envolvidos e a Casa Maravilhas ao final da temporada.

SERVIÇO
VULVAS DE QUEM?
De Ezter Liu.
Direção: Cira Ramos.
Atuação: Márcia Cruz.
Onde: Instagram da Casa Maravilhas (@casamaravilhas).
Quando: 18/junho, 20h 

BRABEZA NATA,
de Luiz Felipe Botelho.
Direção: Cláudio Lira.
Atuação: Alexandre Sampaio.
Onde: Instagram da Casa Maravilhas (@casamaravilhas).
Quando: 25/junho, 20h 

Dados para contribuições:
Banco do Brasil
Agência: 1833-3
Conta corrente: 48.359-1
CNPJ: 16.931.050/0001-22
Márcia Sousa e Cruz

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Itaú Cultural lança edital de emergência para cênicas

          O primeiro edital do Itaú Cultural dessa leva “Arte como respiro” é direcionado aos trabalhadores das artes cênicas (circo, dança e teatro) e está com inscrições abertas desta segunda-feira (06/04) até sexta-feira (10/04).            Na foto, o ator Paulo de Pontes, da Casa Maravilhas no Recife, apresenta programa, sem remuneração, para crianças  no Youtube durante a quarentena. Foto: Reprodução

Cerca de cinco milhões de pessoas atuam no setor cultural no Brasil, segundo dados apresentados pelo IBGE em 2018. Todas foram atingidas pela pandemia do novo coronavírus, de uma forma ou de outra. Acontece que neste país tropical de imensas desigualdades sociais e econômicas, e mais, há trabalhadores da cultura que se garantem por dois, três meses de quarentena, e aqueles que foram nocauteados com essa nova realidade brasileira e mundial. Alguns artistas estão na cota dos mais vulneráveis com essa avalanche que atinge toda a cadeia de produção.

Os artistas independentes, autônomos, que vivem de bilheteria ou de projetos foram surpreendidos. Com conta bancária no vermelho, boletos pra pagar e tarefa de garantir a alimentação da temporada. Situação complexa. Diante da crise, a cultura pede socorro. De que forma os governos federal, estaduais e municipais estão colaborando com a cultura? Assunto para alimentar muitos debates nas redes sociais e grupos de zap.

Muitos artistas expõem seus trabalhos nas redes e plataformas, sem remuneração, nessa temporada de isolamento social. O ator Paulo de Pontes, da Casa Maravilhas, do Recife, é um deles. Todo os dias, Paulinho lê um livro infantil, da Biblioteca Moura Torta, para os miúdos. O ator não está sendo remunerado por essa ação, paralisou as produções e precisa pagar as contas. São milhares na mesma situação.

O desempenho de criação online do meio artístico chamou a atenção dos dirigentes do Itaú Cultural, que resolveram criar e lançar com presteza o Arte como respiro: múltiplos editais de emergência. As inscrições estão abertas no site do instituto, desta segunda-feira, 6 de abril, até sexta-feira, 10 de abril. Interessados devem se apressar.

Com essa iniciativa, o Itaú Cultural vai apoiar os artistas que foram compelidos a atuar isoladamente e sem remuneração, devido ao isolamento social solicitado pelos organismo de saúde devido à pandemia da COVID-19. No intuito de gerar recursos na economia criativa, essa primeira etapa irá selecionar os projetos de artes cênicas – circo, dança e teatro –, em dois eixos.

O primeiro vai considerar os materiais elaborados no período da quarentena – proposta de apresentação em tempo real ou envio de programa já gravado em vídeo, com a exigência de que seja produzido nesta condição de recolhimento. O outro é direcionado a espetáculo cênico completo gravado anteriormente, mas com algum ajuste ao momento de recolhimento, “com uma intervenção gerada no momento de suspensão social”.

As inscrições devem ser realizadas pelo link https://itaucultural.formstack.com/forms/artecomorespiro .

120 projetos – até 90 no eixo “trabalhos produzidos na quarentena” e até 30 no eixo “espetáculo cênico completo já gravado” – serão selecionados pela equipe de programadores do Núcleo de Artes Cênicas da organização. O grupo avisa que serão levados em consideração critérios poéticos, apuro técnico, capacidade de realização e maior possibilidade de recepção de públicos.

A remuneração financeira será de até R$ 10 mil para todos os selecionados, como pagamento pelo licenciamento dos direitos autorais do trabalho.

Os contemplados serão informados por e-mail no dia 25 de abril. O material selecionado será exibido ao público de acordo com a agenda organizada pela equipe de artes cênicas dentro do prazo de até dois meses, com possibilidade de alteração diante do quadro social da pandemia ou de adequação do Itaú Cultural.

“Acreditamos que as instituições que têm condições semelhantes a nós, possam desenvolver programas e ações para oferecer mais imaginação, criatividade e oxigênio afetivo, em circunstâncias tão difíceis para a população, e, ao mesmo tempo, garantir algum apoio para a economia da cultura”, incentiva Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural.

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