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Outubro ou Nada chega à segunda edição

Alguém para fugir comigo. Foto: Kleber Santana/Divulgação

Alguém para fugir comigo. Foto: Kleber Santana/ Divulgação

A constatação é geral. Esse período é de grave crise política, econômica, social, existencial. Os artistas estão na mira do conservadorismo. Retração de incentivos para a área cultural e medidas para embaralhar ideologias. Tempos difíceis. Mas o quadro não pode paralisar os sonhos. A mostra Outubro ou Nada junta a força de grupos teatrais independentes de Pernambuco e realiza sua segunda versão. Durante 10 dez dias, de 5 a 14 de outubro, com 30 apresentações. O programa homenageia o ator, diretor e dramaturgo pernambucano Henrique Celibi, que morreu em maio deste ano.

Sem uma seleção de exclusão, a programação foi montada, aceitando os grupos que se prontificaram a participar. Três estreias estão agendadas: Solo de Guerra com Cleyton Cabral, Descomeço, do Coletivo Ocaso e As lebres são maiores que os ursos, do Coletivo Despudorado.

Entre os destaques estão Alguém pra fugir comigo, do Coletivo Resta 1 de Teatro, vencedor de cinco prêmios Apacepe no Janeiro de Grandes Espetáculos deste ano, a montagem de teatro de objetos O mascate, a pé-rapada e os forasteiros, de Diógenes D. Lima e a leitura dramatizada Electra no Circo, de Hermilo Borba Filho, com as Violetas da Aurora.

Neste ano, a mostra chega a três espaços culturais de Olinda (Casa Azul, Com Domínio.Art e
Solar da Marquesa). E também vai mais longe no Recife, com apresentações no Galpão CITTA na Várzea, Centro de Capoeira São Salomão, também na Várzea, Recife e Escola Pernambucana de Circo (EPC) na Macaxeira.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Dia 5 – ABERTURA RECIFE (19h)
19h – Haverá um maldito aqui dentro – Coletivo Loucura Roubada, no Espaço O Poste

Dia 5 – ABERTURA OLINDA: Solar da Marquesa
21h – Performance A chegada de Godot – Coletivo Caverna
21h30 – Risoflora – A história de uma Drag Queen – Emanuel David D’ Lúcard (será cobrado ingresso para ter acesso a este espetáculo)
22h30 – Exibição do documentário Henrique, o que faz Celibi – Luis Bringel, Brunna Martins e Sandri Rodrigues
23h – Festa de lançamento da 2ª Mostra Outubro ou Nada

Dia
19h – Descomeço – Coletivo Ocaso, no Com Domínio.Art (Estreia)
20h – Morreu! Antes ela do que eu – Álcio Lins, no Espaço O Poste (Terá intérprete de Libras)
19h – Senhora de Engenho – Entre a Cruz e a Torá – Cia. Popular de Teatro de Camaragibe, no Solar da Marquesa

Dia 7
10h – Territoré – Totem, no Parque 13 de Maio
18h – Alguém para fugir comigo – Resta 1 Coletivo de Teatro, na Casa Azul
18h – As Violetas de Aurora – Violetas da Aurora, no Com Domínio.Art
18h – (In)Cômodos – Coletivo 4 no Ato, no Espaço Fiandeiros
20h – A podridão que há em mim – Grupo São Gens de Teatro, no Espaço Cênicas
20h – Assombros – Vivaz Cia. De Artes, no Solar da Marquesa

Ana Nogueira e Fbiana Pirro estão na leitura dramatizada de Electra no Circo

Ana Nogueira e Fabiana Pirro estão na leitura dramatizada de Electra no Circo

Dia 8
16h – Domingo Alegre no Circo – Escola Pernambucana de Circo, na Escola Pernambucana de Circo
17h – Electra no Circo – Violetas da Aurora, na Casa Azul
17h – As lebres são maiores que os ursos – Coletivo Despudorado, no Espaço Fiandeiros (Estreia)
18h – A Partida – Claudia Soares, no Espaço O Poste
18h – Café – Cia. de Teatro Pós-Contemporânea d’Improvizzo Gang (DIG), no Espaço Cênicas
19h – Viva La vida – Multus coletivo, no Espaço São Salomão

Dia 9 
Mostra pedagógica // 20h – O casamento do pequeno burguês – Escola de Teatro Fiandeiros, no Espaço Fiandeiros

Dia 10
Mostra pedagógica // 19h – Seres – O Poste Soluções Luminosas, no Espaço O Poste

Dia 11
Mostra pedagógica // 20h – Pequenos Grandes Trabalhos – Cênicas Cia. de Repertório, no Espaço Cênicas

19h – Caravana de Palhaços – Caravana de Palhaços, no Com Domínio.Art (Estreia)
20h – O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros – AGM Produções, no Solar da Marquesa
20h – Flúvio e o Mar – Vivaz Cia. De Artes, no Espaço O Poste (Leitura Dramatizada)

Dia 12
20h – Triz – Nínive Caldas, Lili Rocha e Eric Valença, no Espaço O Poste (Experimento Cênico)

Dia 13 
20h – Assombros – Vivaz Cia. De Artes, no Solar da Marquesa

Dia 14
20h – Solo de Guerra – Cleyton Cabral, no Espaço O Poste (Estreia)
20h – O velho diário da insônia – Grupo Independente de Teatro Alternativo (GITA), no Solar da Marquesa
20h – Que muito amou – Cênicas Cia. de Repertório, no Espaço Cênicas
21h – O que acontece – Eric Valença e Tati Azevedo, no Com Domínio.Art (Experimento Cênico)
22h – Festa de encerramento, no Com Domínio.Art

SERVIÇO
2° Outubro ou Nada – Mostra de Teatro Alternativo do Recife
De 5 a 14 de outubro de 2017
Ingressos: De entrada franca até R$ 40 (inteira)
Informações: www.facebook.com/mostraoutubroounada

Endereços
Casa Azul – Rua 13 de maio, 121, Carmo, Olinda
Com Domínio.Art – Rua do Sol, 82, Carmo, Olinda
Solar da Marquesa – Rua Joaquim Nabuco, 5, Varadouro, Olinda
Espaço  O  Poste – Rua da Aurora, 529, Boa Vista
Galpão CITTA/Centro de Investigação Teatral Trupe Artemanha – Rua João Francisco Lisboa, 37, Várzea, Recife-PE
Espaço  Fiandeiros  – Rua da Matriz, 46, Boa Vista
Pátio Criativo – Rua das Águas Verdes, Casarão 52, Pátio de São Pedro – Santo Antônio
Espaço  Cênicas – Av. Marquês de Olinda, 199, Bairro do Recife (Entrada pela rua Vigário Tenório)
Centro de Capoeira São Salomão – Rua Dr. Corrêa da Silva, 267 – Várzea, Recife – PE
Escola Pernambucana de Circo (EPC) –  Avenida José Américo de Almeida, 5, Macaxeira

Ingressos:
De entrada franca até R$ 40 (inteira)

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Saga de Bernarda Soledade

Fabiana Pirro e Sílvia Góes nos papéis de Beranrda e Inês. Foto: Roberta Guimarães

Fabiana Pirro e Sílvia Góes nos papéis de Bernarda e Inês. Foto: Roberta Guimarães / Divulgação

Conflito por terras e pelos corpos femininos. Ato sexual enquanto relação de poder e conquista. Dupla moral: honra da mulher conectada à virgindade e a do homem à virilidade. A história de Bernarda Soledade – A Tigre do Sertão, de Raimundo Carrero, trafega por essas áreas de disputas. No espaço de predomínio patriarcal, o discurso e as ações são machistas e até os subjugados usam, para pensar a dominação, as ferramentas dos dominadores. Nesse cenário, a mulher será enquadrada a uma moral masculina que desvaloriza àquelas que transgridem essa norma.

Primeiro romance de Carrero, publicado em 1975, Bernarda Soledade, a Tigre do Sertão, tem nova leitura dramática neste sábado (27), às 18h, em Olinda, no sebo Casa Azul, do escritor Samarone Lima, recém-inaugurado na rua 13 de Maio (vizinho ao MAC e Casa do Cachorro Preto). A trama da família Soledade, ganha dramatização com os atores Fabiana Pirro (Bernarda), Sílvia Góes (Inês), Ana Nogueira (Gabriela), Cláudio Ferrario (Narrador e Coronel Pedro Militão), Diógenes D. Lima (Anrique Soledade) e Edjalma Freitas (Pedro Lucas), e percussão de Luca Teixeira.

Essa ação faz parte do Circuito de Leituras Teatrais Dramatizadas da Literatura Pernambucana do Centro Cultural Raimundo Carrero. Depois da apresentação está marcada uma conversa entre o autor de Somos Pedras Que Se Consomem,  O Amor Não Tem Bons Sentimentos e A Minha Alma É Irmã de Deus e o escritor Samarone Lima. Literatura, concepção, inspiração, teatro e vida, estão na pauta desse bate-papo de criadores, que terá como eixo propulsor Bernarda Soledade, publicado há mais de quarenta anos.

faz . Foto: Nina Xará França

Cláudio Ferrario faz o Narrador e o Coronel Pedro Militão. Foto: Nina Xará França / Divulgação

Bernarda Soledade está no centro dessa história de lutas reais e simbólicas no Sertão nordestino. A filha primogênita do Coronel Pedro Militão executa sua gana de expansão territorial da fazenda Puxinãnã . Para isso confisca terras circunvizinhas, expulsa seus proprietários e semeia inimigos.

Mas a domadora de cavalos imponente nutre a vontade de gerar em seu ventre o herdeiro de Puxinãnã. E para isso escolhe o Tio Anrique. Mas nesse encontro, cada um tinha uma meta. Ele almejava se vingar da sobrinha que usurpou suas terras. Ela ansiava por um filho que herdasse a bravura do tio.

Pedro Lucas, um ex-namorado de Inês, a filha caçula do Coronel Pedro Militão, também é motivado pela revanche por ter sido expulso junto com sua família e pela morte do pai. Seu objetivo é “desonrar” Inês publicamente. 

Anrique e Pedro Lucas enxergam a relação sexual como um ato de posse do corpo feminino e de desforra. Gabriela Soledade, a mãe de Bernarda e Inês, é apresentada como uma viúva perturbada emocionalmente. 

Bernarda Soledade – A Tigre do Sertão é uma ótima provocação para debater identidade, poder, quebra de papeis e internalização do discurso dominante.

Ana Nogueira como . Foto: Roberta Guimarães

Ana Nogueira como Gabriela . Foto: Roberta Guimarães / Divulgação

Ficha Técnica
Direção: Coletiva (o grupo)
Produção: Fabiana Pirro e Ana Nogueira
Adaptação: Raimundo Carrero, Fabiana Pirro, Ana Nogueira e Sílvia Góes
Percussão: Luca Teixeira
Patrocínio: Copergás.

Serviço
Onde: Sebo Casa Azul (Rua 13 de Maio, 121 – Carmo/Olinda)
Quando: Sábado (27), às 18h
Entrada franca

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Expedição de palhaços

Ana Nogueira é convidada especial no Cabaré de Quinta. Foto: Sayonara Freire.

Ana Nogueira é convidada especial no Cabaré de Quinta. Foto: Daniela Nader / Divulgação

Sabemos que esses tempos estão difíceis. A política no Brasil, o Fora Temer que ainda não se concretizou, a ameaça Trump constante. Mas precisamos de combustível para seguir em frente. Um dos melhores e mais eficientes é a alegria. Uma boa gargalhada tem efeitos milagrosos sobre desarranjos gerais em qualquer pessoa. Duvida? Então o desafio está feito. Hoje (18/05), Caravana de Palhaços apresenta o seu Cabaré de Quinta, no Bar do Mamulengo. A noite de Palhaçaria voltada para o público adulto reúne um bando de figuras engraçadas, perspicazes, provocadoras. Gambiarra (Dú Yândi), Gertrudes (Márcia Cruz), Boris Trindade Júnior (Tapioca), Marimbondo (Johann Brehmer), Meia (Anaíra Mahin), Silpatia (Silvia Rangel), Uruba (Fabiana Pirro), Vareta (Natália Lua) e a convidada Dona Pequena (Ana Nogueira). A palhaça Gertrudes assume a função de mestre de cerimônias. A noite segue depois dos números com o comando da DJ Suca (Suenne Sotero).

Nesta noite destinada para o riso, a política não poderia estar de fora. “A gente não é palhaço partidário; mas num dia como hoje, tudo se volta para a política. Esse povo quer fazer a gente de bobo”, pontua Fabiana Pirro. “Tudo deságua na política. Nossa indignação, a vontade gritar… Cabaré de Quinta é um ato político, pois nosso trabalho é na força e na vontade”, acredita. “Mas também tem uma picardia, tem um fogo de cabaré adulto dentro de um bar”, acrescenta Pirro.

Cada palhaço vai apresentar seus números, pois como afirmam os organizadores, não se trata de um espetáculo, mas cenas de palhaço em constante experimentação, números inacabados e reconstruídos a cada nova apresentação com púbico.

Participantes da primeira versão do Cabaré de Quinta. Montagem sobre fotos de Lana Pinho e Sayonara Freire

Participantes da primeira versão do Cabaré de Quinta. Montagem sobre fotos de Lana Pinho e Sayonara Freire

Esse conglomerado de palhaçaria começou com a Caravana de Palhaços (SP/PE) – projeto da Cia. Circo Caravana Tapioca de Giulia Cooper e Anderson Machado, com apoio do Funcultura/Fundarpe  – direcionada para o aperfeiçoamento de circenses e atores com experiência na área. Dividido em módulos, o programa trouxe no ano passado artistas tarimbados do setor para as oficinas. Muitas coisas ficaram desse programa, inclusive a instigação para o intercâmbio, compartilhamento. E principalmente a criação de números circenses voltados para o mercado, o que garante a sustentabilidade de cada artista – para passar o chapéu e saber que suas criações são verdadeiros tesouros.

O coletivo de 15 palhaços faz apresentações em praças, eventos fechados, salas de teatro e espaços culturais. Nessa peleja com o público, os repertórios dos mais diversos naipes são enriquecidos e aplicados nas diversas dramaturgias e espaços. Borica e Márcia Cruz têm várias criações. Dú Yândi leva a experiência do trabalho em sinais de trânsito. Cada um tem a sua característica.

Fabiana Pirro, por exemplo, conta que sua Uruba é selvagem em todos sentidos. “Ela é o que eu queria ser: ingênua e braba e doce. E vai fazer um número com seu bichinho de estimação, mas é surpresa”.

Dona Pequena, a palhaça de Ana Nogueira, exibe o solo Rolamentos, que ela inventou em 2010 e a cada sessão exibe um dado novo. “Estou investigando as possibilidades desse número. Depende da plateia. Espero que hoje, com essa euforia que estamos vivendo desde ontem, tenhamos novidades com os rolamentos de Dona Pequena”

Ficha Técnica

Cabaré de Quinta, com a Caravana de Palhaços
Elenco:
Anaíra Mahin (Meia)
Boris Trindade Jr° (Tapioca)
Dú Yând (Gambiarra)
Fabiana Pirro (Uruba)
Johann Brehmen (Maribondo)
Márcia Cruz (Gertrudes)
Silvia Rangel (Silpatia)
Wagner Montenegro (apoio)
Suenne Sotero (som)

Convidadas:
Ana Nogueira (Dona Pequena)
DJ Suca (Suenne Sotero)

Serviço

Cabaré de Quinta, com a DJ SUCA
Onde: Bar do Mamulengo – (Praça do Arsenal)
Quando: Quinta, 18 maio, 20h
Quanto: R$ 20 e R$ 10

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