Espetáculo Domínio Público avança no debate sobre liberdade de expressão, censura e limites na arte

Maikon K, Elisabete Finger, Wagner Schwartaz e Renata Carvalho em Domínio Público. Foto: Annelize Tozetto_Divulgação / FTC.

Maikon K, Elisabete Finger, Wagner Schwartaz e Renata Carvalho em Domínio Público. Foto: Annelize Tozetto / Divulgação 

Desde 2017 que casos de perseguição a artistas recrudesceram, descortinando facetas de um Brasil sombrio e cada vez mais covarde. Para exercer as práticas do proibir, tropas hi-tech e presenciais agem como abutres confiscadores da liberdade de pensamento e expressão. Triste realidade com perspectivas de mais repressão no horizonte.

Mas a arte prefere os que têm coragem. A vida também, como já nos ensinou “seu” Rosa.

Quatro artistas que foram alvos de ódio, censuras e proibições nos últimos tempos estão juntos no espetáculo Domínio Público, que tem apresentação única no Galpão Casa 1 nesta quarta-feira (06/02), como parte da programação da 2ª Semana de Visibilidade Trans da Casa 1. Maikon K foi detido em Brasília durante a performance DNA de DAN; Wagner Schwartz foi agredido psicológica e virtualmente após a performance La Bête, no MAM São Paulo; Elisabete Finger estava com a filha na performance de Schwartz e Renata Carvalho atriz censurada várias vezes por protagonizar o espetáculo O Evangelho Segundo Jesus Rainha do Céu. A partir desses linchamentos públicos eles dão uma aula de história da arte, tendo por base o famoso quadro de Leonardo Da Vinci, Monalisa.

Se esses tempos destaparam uma porção de Brasil com sentimentos saídos das ruínas da alma, para aniquilar o diferente, também reforçou a necessidade de resistir, reinventar, re-existir. Foram muitos episódios de pusilanimidade para amordaçar a arte. Enxurrada de palavras e atos para metralhar criações.

Um rápido retrospecto dos três que tiveram maior repercussão: O coreógrafo Wagner Schwartz foi acusado de pedofilia pela performance em que podia ter seu corpo nu tocado e manipulado pelo público, no trabalho La Bête,inspirado nas esculturas Bichos, de Lygia Clark. Numa sessão no Museu de Arte Moderna de São Paulo, Wagner foi tocado nos pés por uma criança, que estava acompanhada por sua mãe. Um vídeo editado desse episódio foi usado por grupos conservadores na rede social causando uma histeria coletiva. A mãe da criança que tocou Schwartz na performance, a coreógrafa Elisabete Finger foi vítima de acusações e ameaças, inquéritos policiais e interrogatórios políticos.

Numa apresentação em frente ao Museu Nacional da República, em Brasília, Maikon K foi detido teve seu cenário violado pela polícia militar. Foi tachado de cometer ato obsceno, por ficar nu e imóvel dentro de uma bolha transparente, na performance DNA de DAN.

Renata Carvalho foi censurada várias vezes e proibida de interpretar Cristo na peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, apontada de “vilipendiar artigos religiosos”.

Foto: Humberto Araújo / Divulgação

Foto: Humberto Araújo / Divulgação

A peça Domínio Público foi feita sob “encomenda” pelos curadores do Festival de Teatro de Curitiba, Guilherme Weber e Marcio Abreu, em 2018, para meditar sobre a intolerância e manifestações de ódio desses tempos.

Cada um faz sua interpretação do quadro da Mona Lisa, de Da Vinci. Cada qual com sua “peça-palestra”. E falam de polêmicas que cercaram o famoso quadro. De que a obra só ganhou reconhecimento depois que foi roubada do Museu do Louvre, por um italiano. Ou de teorias de que a Mona Lisa poderia ter sido um homem (ou uma trans), ou que a modelo estaria grávida.

O título Domínio Público diz do processo massacrante que os artistas passaram. Mas a encenação não leva à cena esses acontecimentos. Não respondem diretamente às violências sofridas. De terem suas obras editadas e divulgadas na internet sem a chancela dos autores.

Na definição de domínio público não existe restrição de uso de uma obra, por qualquer um e em qualquer situação. Isso foi feito com as performances em que pessoas que não viram, não conhecem, inventam o que querem, interpretam e deformam criando outras peças, por mais absurdo que isso possa parecer.

Com espetáculo Domínio Público, o quarteto busca avançar no debate em torno da liberdade de expressão, censura e limites na arte. Conversar por meio de corpos (todos bem-vestidos) com pessoas reais, numa espaço real.

DOMÍNIO PÚBLICO
Criação, texto e performance: Elisabete Finger, Maikon K, Renata Carvalho,Wagner Schwartz
Colaboração artística: Ana Teixeira
Figurino: Karlla Girotto
Produção: Corpo Rastreado / Gabi Gonçalves

Classificação indicativa: Livre
Duração: 50 min
Onde: Galpão Casa 1 (Rua Adoniran Barbosa, 151, Bela Vista,São Paulo, SP)
Quando: Quarta-feira (06/02), às 20h
Entrada: Grátis

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O Evangelho faz sessão no Teatro Oficina

Renata Carvalho em O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu. Foto: Reprodução do Facebook

Renata Carvalho em O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu. Foto: Reprodução do Facebook

Por quê os conservadores têm tanto medo da peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu? Será o exercício de liberdade? Porque o espetáculo com a atriz trans Renata Carvalho fala do amor cristão, que muitos deturpam como escudo para rejeitar ou excluir o espetáculo.

Em Pernambuco, a montagem foi censurada duas vezes: no Festival de Inverno de Garanhuns em 2018 e no Janeiro de Grandes Espetáculos deste ano. São violências que atingem o corpo da atriz e toca nos nervos de quem luta e se posiciona por um mundo mais digno para todos. No Janeiro, cerca de 20 encenações abandonaram o festival em solidariedade à produção da Rainha do Céu.

Nesta terça-feira a peça-potência faz uma apresentação histórica na fortaleza do Teatro Oficina Uzyna Uzona, um espaço de re-existência por dignidade, de Zé Celso e sua trupe.

Com texto da escocesa Jo Clifford, com direção, tradução e adaptação de Natalia Mallo, a atriz Renata Carvalho dá vida a Jesus reencarnado nos dias atuais, no corpo de uma travesti.

A sessão faz parte da segunda semana da visibilidade trans da Casa 1.

Os ingressos online estão esgotados, mas haverá cota disponível na bilheteria do teatro 1h antes da apresentação.

SERVIÇO

Quando: 05/02 às 20h
Onde: Teatro Oficina Uzyna Uzona, São Paulo 
Quanto: R$10 a R$20 (venda de ingresso 1h antes do espetáculo na bilheteria do teatro)

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Os delatores e o bafo azedo do Estado

Por Sidney Rocha *

No dia 2 de fevereiro, no Teatro Arraial, reestreia uma peça de Bertolt Brecht: Terror e miséria do III Reich – O Delator (1938), na adaptação de José Francisco Filho. No elenco: Germano Haiut e Stella Maris Saldanha. Assisti à peça, antes, com os dois, e irei ver de novo.

O título original é simplesmente Terror e miséria do Terceiro Reich (em alemão Furcht und Elend des Dritten Reiches, ou A vida privada da Raça Superior). A Delação é um dos 24 quadros.

Outra peça em cartaz é a de Arthur Miller Um panorama visto da ponte (A View from the Bridge, no original), de 1955/56. Com direção de Zé Henrique de Paula. E elenco composto por
Rodrigo Lombardi, Sergio Mamberti, Antonio Salvador, Bernardo Bibancos, Gabriel Mello, Gabriella Potye, Patricia Pichamone e William Amaral. No Teatro Riomar.

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Um panorama visto da ponte, com Rodrigo Lombardi e Sergio Mamberti. Foto: Alan Catan / Divulgação

Germano Haiut e Stela Maris Saldanha em O Delator. Foto: Wallace Fontenelle / Divulgação

Germano Haiut e Stela Maris Saldanha em O Delator. Foto: Wallace Fontenelle / Divulgação

Os dois textos têm muitos pontos em comum: um é a declaração de guerra (a meu ver mais melancólica que libertadora) contra o poder. Outro ponto tem a ver com a atmosfera: seja na residência dos Carbone, sob a bruma das docas de Um panorama, ou na sala de estar do casal classe média, sob a chuva lá fora, de O delator, há sempre o bafo azedo do Estado contra o indivíduo impotente. Um só mundo claustrofóbico, de terror. E a sombra sempre nauseabunda de alguém à espreita, um acusador.

Caberia um estudo sobre a figura do dedo-duro no teatro, e no teatro da política, em dias de hoje, com um sistema dividido em procuradoria, defensoria e delatoria:

“Eu não respeito delator, até porque estive presa na ditadura militar e sei o que é. Tentaram me transformar numa delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas presas e garanto a vocês que resisti bravamente”, disse a presidente Dilma Rousseff, recentemente, no teatro econômico de Nova Iorque.

O desejo de Brecht e Miller era realmente discutir o tema da delação, nos tempos da Juventude Hitlerista, dos anos 30, na Alemanha, de um; e na época do Macarthismo (o nome vem do senador americano Joseph McCarthy), nos anos 50, nos EUA, de outro, onde inimigos eram perseguidos sem trégua. Tempos bem parecidos com os atuais no Brasil, quando um governo fascista e com ânsias macarthistas monta sua rede de informações, como nos piores serviços de inteligência das ditaduras, criando um asqueroso voluntarismo antidemocrático, com uso maciço de mentiras, tão inspiradas nos métodos de Hitler. “A orientação que dou a toda a garotada do Brasil: vamos filmar o que acontece nas salas de aula e divulgar”, na fala da marionete Bolsonaro.

Na verdade, tanto Brecht quanto Miller sofreram pressões do macarthismo. Para quem não sabe, Arthur Miller foi intimado pela Comissão de Atividades Antiamericanas (HUAC – House Un American Activities Committee) e incentivado a entregar colegas, mas se recusou ao papel de delator. Foi por isso processado por “atividades comunistas”. Ele conta a atmosfera daqueles tempos, na introdução de Collected Plays (The Theatre Essays Of Arthur Miller. Introdução de Robert A. Martin e Steven R. Centola. Ed. Viking Penguin, 1996):

“Foi o fato de que uma campanha política, objetiva, e bem conhecida da extrema Direita ter sido capaz de criar não só o terror, mas uma nova realidade subjetiva, uma verdadeira mística que foi gradualmente assumindo até uma aura de santidade. (…) Era como se o todo o país tivesse nascido outra vez, sem uma memória sequer de alguma decência elementar que, há um ou dois anos antes, ninguém fosse capaz de imaginar que pudesse ser alterada, afastada, esquecida.(…) Eu vi homens passarem por mim sem sequer acenarem mais, os mesmos, entretanto, que eu conhecia bem há anos. (…) O terror nessas pessoas estava sendo conscientemente planejado e maquinado, e mesmo assim tudo o que eles conheciam era terror.”

Caro Arthur Miller, o senhor está falando mais do nosso tempo que do seu.

***

Não sei o quanto a política pode estar ligada ao entretenimento, como temia Walter Benjamim, mas aconselho que você passe no teatro, assista às peças, se divirta e encontre pontos críticos que certamente deixei escapar. Eu irei também, principalmente para reencontrar Germano Haiut, a quem dedico esta crônica-resenha.

* Sidney Rocha é escritor e editor, autor de A Estética da Indiferença (romance, 2018), Guerra de Ninguém (contos, 2016) Fernanflor (romance, 2015), Sofia (romance, 2014), O destino das metáforas (contos, 2011, Prêmio Jabuti), Matriuska, contos 2009, todos publicados pela Iluminuras.

Serviço:

Um panorama visto da ponte
2 e 3 de fevereiro. [sábado e domingo], às 21h.
Teatro Riomar.
Classificação 14 anos.
Duração: 100 minutos aproximadamente.
Direção de Zé Henrique de Paula
Elenco: Rodrigo Lombardi, Sergio Mamberti, Antonio Salvador, Bernardo Bibancos, Gabriel Mello, Gabriella Potye, Patricia Pichamone e William Amaral

Terror e Miséria no Terceiro Reich -O Delator
3 de fevereiro. [domingo], às 18h e 19h30.
Teatro Arraial Ariano Suassuna (R. da Aurora, 457).
Classificação 16 anos.
Duração: 30 minutos aproximadamente.
Direção de José Francisco Filho
Elenco: Germano Haiut e Stella Maris Saldanha

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Intercâmbio internacional para dramaturgxs e diretorxs com menos de 35 anos, com inscrição até 28 de janeiro

espetáculo Sei voci per Emily. do Teatro Koreja. Foto: Reprodução do Facebook

PeçaSei voci per Emily. do Teatro Koreja, um dos coletivos do consórcio proponente do projeto Foto: Facebook

Se você é dramaturgx ou diretorx, tem menos de 35 anos e almeja uma carreira internacional, BeyondtheSUD (BETSUD) é uma possibilidade. O workshop gratuito para dramaturgxs e diretorxs de pesquisa e interlocução vai ocorrer no Rio de janeiro e na Argentina, com artistas italianos ou da UE, brasileiros e argentinos. BeyondtheSUD (BETSUD) é um projeto proposto por um consórcio formado pelos coletivos Teatro della Città srl – Centro de produção teatral (Catania – proponente do projeto), Teatro Libero Palermo – Centro de produção teatral (parceiro), Scena Verticale (Castrovillari), Teatro Koreja (Lecce) e Nuovo Teatro Sanità (Nápoples). O programa ganhou o edital Boarding pass plus promovido pelo MIBAC – Ministério para assuntos e atividades culturais (Itália).

Entre xs brasileirxs, serão selecionados 3 (três) dramaturgxs e 3 (três) diretorxs, que se juntarão aos selecionadxs italianxs. Os escolhidos dos dois países para a imersão artística no Rio de Janeiro (e simultaneamente em Buenos Aires), vão se encontrar de 26 a 30 de março deste ano. As inscrições estão abertas até o dia 28 de janeiro (segunda-feira) e quem tiver interesse pode obter mais informações no Complexo Sul blog

A organização do encontro avisa que os participantes brasileiros devem morar no Rio de Janeiro ou ter como custear passagem e hospedagem por conta própria. Só nas etapas seguintes é que o projeto vai bancar os eventuais deslocamentos para a Itália.

O BETSUD pretende articular uma interlocução constante entre produtorxs / organizadorxs, dramaturgxs e diretorxs, agentes fundamentais do processo criativo. E com isso realizar duas produções teatrais e de um arquivo on-line de nova dramaturgia italiana e latino-americana.

Neste primeiro ano, o projeto conta com os parceiros internacionais: Centro Cultural San Martín (Buenos Aires, Argentina), Panorama Sur (Buenos Aires, Argentina), Associação para o Teatro Latino-Americano (Buenos Aires, Argentina), Complexo Duplo e Complexo Sul (Rio de Janeiro, Brasil) e o Festival Cena Brasil Internacional (Rio de Janeiro, Brasil).

Esses encontros miram aprofundar o estudo e o compartilhamento de modelos de produção internacionais, com especial atenção para novas formas de produção e novos modelos econômicos, a fim de estimular o trânsito dos artistas e a circulação de obras.

É desejável que os participantes tenham interesse na dramaturgia contemporânea internacional e atenção aos modelos de escritura que propõem formas alternativas (teatro participativo, teatro verbatim, etc.)

  • ATIVIDADES DE DRAMATURGIA:

    • Nova dramaturgia em relação à política e aos processos de integração democrática. Nova Dramaturgia: Europa e América Latina, em comparação. O lugar dxs dramaturgxs, diretorxs e produtorxs no mercado internacional: estratégias, responsabilidades, temas e interesses coletivos.

    • O lugar dos dramaturgoxs nas estratégias de produção.

    • Teatro de dramaturgox ou teatro de diretorx? Quais estratégias são necessárias hoje? Escrevendo para a cena: temas de interesse coletivo e competitivo no mercado internacional Exercícios práticos de escrita.

    Alguns participantes serão selecionados a próxima fase do projeto, escrevendo uma peça baseada em um dos seguintes tópicos: 

  • Os selecionados serão convidados a escrever um rascunho de texto inspirado em pelo menos um dos temas indicados (máx. 3000 caracteres), com um número máximo de 3 ou 4 personagens, a ser entregue durante o workshop e que será objeto de discussão e trabalho.

  •  O material produzido durante o workshop será colocado em um arquivo online, que será criado com a finalidade de promover e divulgar estas criações.

  •  Duas peças serão selecionadas e produzidas durante o ano, com estreia prevista para outubro ou novembro de 2019.

    • Tema 1: “BAMER (Black, Asian, Minority Ethnic, Refugee) [Negr@s, asiátic@s, minorias étnicas, refugiad@s], uma nova pólis: um novo modelo social inter-étnico que substitui o atual modelo monocultural”.

    • Tema 2: “Veja-me agora, meu papel: transgênero, gay, queer, masculino, feminino, jovem e adolescente, LGBTQI+, uma sociedade que busca ser cada vez mais inclusiva”;

    • Tema 3: “A família, o último posto avançado antes da derrota. Novos influenciadores, mídias sociais, públicos e privados, mundo global e praça virtual “.

ATIVIDADES DE DIREÇÃO:
• A direção teatral: pontos de vista para um teatro em renovação.
• O papel do(a) diretor(a) no processo criativo: autoralidade ou simplesmente direção?
• A função do(a) diretor(a): escrita cênica / improvisação.
• Os métodos de escrever o contemporâneo através dos olhos do(a) diretor(a).
• Igualdade de oportunidades: direção masculina / direção feminina. Gêneros e tendências.
• Reflexões sobre um projeto baseado na mobilidade sustentável.
• Do texto para cena: métodos comparados.
• Prática.

 Os candidatos precisam dos seguintes requisitos:
• Formulário de inscrição (Anexo A) preenchido;
• Passaporte válido;
• Idade inferior a 35 anos no momento da inscrição;
• Para cidadãos estrangeiros, estar com visto regularizado ou residência permitida;
• Bom conhecimento, tanto escrito quanto falado, de inglês ou italiano, e espanhol ou português;
• Familiaridade com os tópicos abordados e experiência comprovada em dramaturgia.

Como participar
Para ser selecionado para o workshop, o formulário de inscrição deve ser enviado até o dia 28 de janeiro de 2019 somente por e-mail, para o endereço complexoduplo@gmail.com com cópia para beyondthesud@gmail.com (assunto do e-mail: WORKSHOP DE DRAMATURGIA – BETSUD) ou  (assunto do e-mail: WORKSHOP DE DIREÇÃO – BETSUD).

Documentos a anexar:
• Cópia de um documento válido de identidade;
• Currículo, com a experiência de trabalho mais significativa, relevante aos temas do workshop;
• Breve carta de intenção;
• Um texto representativo do seu trabalho (para dramaturgos);
• Link para o vídeo de de uma (ou mais) peça(s) de sua autoria (OPCIONAL para dramaturgos).
• Formulário preenchido
A comissão se reserva o direito de solicitar uma entrevista aprofundada com os candidatos, por Skype.

Os candidatos selecionados serão contatados por e-mail até 5 de fevereiro de 2019
Para mais informações escreva para complexoduplo@gmail.com
ANEXO A (FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO)

 

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Peças com entrada franca na Oficina Oswald de Andrade, em São Paulo

Espetáculos Senhora X, Senhorita Y, Coisas boas acontecem por acaso, Homem-bomba e Hotel Mariana e

Espetáculos Senhora X, Senhorita Y; Coisas boas acontecem de repente, Homem-Bomba e Hotel Mariana

Mais de 10 espetáculos, com entrada gratuita, podem ser vistos na Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo). São trabalhos que pulsam com temas relevantes como crime ambiental, em Hotel Mariana, outras agressões contra a natureza e pessoas mais vulneráveis em Dezuó, Breviário das Águas, autoritarismo político, masculinidade tóxica.

São boas opções. Mas é bom se ligar que as salas tem disponibilidade de 30 a 60 lugares e as senhas são distribuídas uma hora antes. Com apenas uma sessão, lotada, foi exibida na segunda-feira, como Como (des)construir um macho?, com debate após a apresentação. Faltou lugar para tanta gente. 

No final do mês tem a versão de Dezembro, do Isso Não É Um Grupo e Corpo Rastreado Isso Não É Um Grupo e Corpo Rastreado para o texto do premiado dramaturgo chileno Guillermo Calderón. Ja Neva, também de Calderón com direção de Diego Moschkovich, explora a necessidade de prosseguir com o teatro, mesmo com o luto, – como o da primeira atriz do Teatro de Arte de Moscou, que sofre pela morte de seu marido Anton Tchekhov – ou o mundo que desmorona lá fora.

Luiz Arthur no solo Homem-Bomba

Luiz Arthur no solo Homem-Bomba

Os mineiros da Companhia Teatro Adulto vieram com Homem-Bomba e Coisas Boas Acontecem de Repente. As peças com Luis Arthur e Cynthia Paulino, respectivamente, estão inseridas na questão do autoconhecimento. Eles atacam os monstros adultos que habitam em cada um de nós. São figuras estranhas, vista pelo senso comum. O espaço diminuto de atuação, de até 2m², também faz parte da pesquisa do impacto da restrição de espaço.

Várias figuras se digladiam no solo Homem-bomba. Os vários eus. Com uma profusão de imagens e citações, o intérprete que se autodirigiu, problematiza “a sombra”, investigada pelo psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Jung (1895- 1961). O monólogo tem como inspiração O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson (1850- 1894) para questionar essa ideia de tirar a parte ruim e ficar só com a boa. Além de Stevenson, a montagem tem citações de vários escritores, poetas e pensadores, como Aldous Huxley, William Shakespeare, Carl Jung, Franz Kafka, HP Lovecraft, Tadeusz Kantor, Augusto dos Anjos, Samuel Beckett, William Blake e Osho.

Em Coisas Boas Acontecem De Repente, a anti-diva MamaCy mistura influências, pinça entrevistas, músicas e textos da cantora Karine Alexandrino, a Mulher Tombada, faz adaptações. A personagem fala sem parar com a parede (que é o público) injeta power à força do feminino, se insurge contra o patronato. Diz coisas engraçadas e no final lê um manifesto que vale mais do que muitas terapias para as mulheres se valorizarem.

PROGRAMAÇÃO

HOMEM-BOMBA
Companhia Teatro Adulto

22 e 23/1 – terça-feira e quarta-feira – 20h
maiores de 12 anos
30 lugares – Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 50 minutos.

Em um mundo desigual, cada vez mais parecido com um grande abatedouro, um homem quer compreender os vários eus que o habitam. Livremente inspirado no clássico O médico e o monstro, título original O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson. O espetáculo integra o projeto ADULTOS EM CENA.

FICHA TÉCNICA:
Direção, trilha sonora e atuação: Luiz Arthur
Cenário: Cynthia Paulino e Luiz Arthur
Coordenação técnica e Iluminação: Marina Arthuzzi
Figurino: Cynthia Paulino
Adereços: Mauro Gelmini
Maquiagem: Linda Paulino
Assistente de produção e designer gráfico: Samara Martuchelli
Fotos: Catarina Paulino
Realização: Companhia Teatro Adulto.

COISAS BOAS ACONTECEM DE REPENTE
Companhia Teatro Adulto
22 e 23/1 – terça-feira e quarta-feira – 21h
maiores de 12 anos
30 lugares – Retirar ingressos com 1h de antecedência
Duração: 1h15

A anti-diva MamaCy diz tudo o que lhe vem à cabeça, antes do início de seu show de volta aos palcos. Texto de Cynthia Paulino + livre adaptação de manifestos, entrevistas, músicas e textos da anti-diva Karine Alexandrino, a Mulher Tombada.

FICHA TÉCNICA:
Dramaturgia, direção, cenário, trilha sonora e atuação: Cynthia Paulino
Iluminação: Luiz Arthur e Marina Arthuzzi
Coordenação técnica: Marina Arthuzzi
Figurino: Ananda Sette Camara, Cynthia Paulino e Jonnatha Horta Fortes
Maquiagem: Linda Paulino
Assistente de produção e designer gráfico: Samara Martuchelli
Fotos: Catarina Paulino
Realização: Companhia Teatro Adulto

FUENTE OVEJUNA
17 a 25/1 – quintas e sextas-feiras às 20h
maiores de 14 anos
30 lugares – Retirar ingressos com 1h de antecedência
Duração: 110 minutos

Cidadãos do pacato vilarejo Fuente Ovejuna (fonte das ovelhas, em português), sofrem com a tirania e as injustiças de um militar. O abuso de poder e as desonras desse tirano provocam a revolta dos moradores da vila, que clamam por vingança. 

FICHA TÉCNICA:
texto: Lope de Vega
tradução e adaptação: Marcos Daud
direção geral: Juliano Barone
direção musical: Wagner Passos
Elenco: Dudu Oliveira, Pipo Belloni, Lucas Lentini, Juliane Arguello, Lisi Andrade, Luiz Amorim, Marieli Goergen, Marcos Veríssimo, Pedro Casali, Lino Colantone, Priscilla Dieminger e Thiago Azevedo

HOTEL MARIANA
idealização e pesquisa: Munir Pedrosa
21/1 a 12/2– segundas-feiras e terças-feiras – 20h
maiores de 14 anos
50 lugares| Retirar ingressos com 1h de antecedência
Duração: 70 minutos

Depoimentos perturbadores e surpreendentes são colocados no palco e evidenciam a simplicidade de pessoas que perderam tudo ou quase tudo o que tinham no desastre no Vale do Rio Doce, em Mariana- MG.. Da criança do grupo escolar ao velho da folia de reis, do ativista de direitos humanos à aposentada que escreve poemas, somos convidados a escutar os sobreviventes que, com suas histórias, traçam um panorama político, histórico e cultural do nosso país.

FICHA TÉCNICA:
Idealização e Pesquisa: Munir Pedrosa
Dramaturgia: Munir Pedrosa E Herbert Bianchi
Direção: Herbert Bianchi
Designer De Luz: Rodrigo Caetano
Cenário: Marcelo Maffei
Figurinos: Bia Pieratti e Carol Reissman
Assistente De Direção: Letícia Rocha
Direção De Produção: Munir Pedrosa
Operador De Luz: Ricardo Bretones
Assessoria De Imprensa: Vanessa Fontes
Elenco: Anna Toledo, Bruno Feldman, Clarissa Drebtchinsky, Fani Feldman, Isabel Setti, Letícia Rocha, Marcelo Zorzeto, Munir Pedrosa, Rita Batata E Rodrigo Caetano.

VALSA Nº 6
Direção: Bernadeth Alves
14/1 a 12/3 – segundas e terças – 20h (não haverá apresentações nos dias 4 e 5/3 – Carnaval)
maiores de 16 anos
35 lugares | Retirar ingressos com 1h de antecedência
Duração: 50 minutos

Sônia, após ser apunhalada entra em um estado de confusão mental e interroga o público na tentativa de reconstruir o quebra cabeça de sua vida, apoiando-se em breves encontros com os personagens que povoam seu subconsciente.

Ficha Técnica:
Texto: Nelson Rodrigues
Direção: Bernadeth Alves
Assistência de Direção: Vanessa Reimberg
Atuação: Pâmy Rodrigues
Guitarrista: Viney Lourenço
Espaço Cênico: O Grupo
Figurino: Pâmy Rodrigues
Designer Gráfico: Rodrigo Florentino
Produção: O Grupo

Ator Edgar Castro em Dezuó, Breviário das Águas. Foto: Reprodução do Facebook

Ator . Foto: Reprodução do Facebook

DEZUÓ, BREVIÁRIO DAS ÁGUAS
Núcleo Macabéa
24/1 a 16/2 – quintas e sextas às 20h e sábados às 18h. (Excepcionalmente dia 25/1 – sexta-feira – às 18h).
maiores de 14 anos
30 lugares – Retirar ingressos com 1h de antecedência
Duração: 75 minutos

Trajetória de um menino da Amazônia que, após a expulsão de sua vila natal – devido à construção de uma usina hidrelétrica –, cresce e se transforma em um andarilho das grandes cidades, por onde passa a perambular desenraizado,mas ciente de seu passado ancestral.

FICHA TÉCNICA:
Texto e Idealização: Rudinei Borges
Direção: Patricia Gifford
Elenco: Edgar Castro
Direção musical/músico em cena: Juh Vieira
Instalação cenográfica e figurinos: Telumi Hellen
Diretor de palco: Andreas Guimarães
Apoio à cenotecnia: Leandro Lago
Adereços: Clau Carmo
Iluminação: Felipe Boquimpani
Fotografia: Cacá Bernardes
Preparação corporal e vocal: Antonio Salvador
Direção de produção: Paula Borges
Realização: Núcleo Macabéa/Cooperativa Paulista de Teatro/Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo/Secretaria Municipal de Cultura – SP

DEZEMBRO
Isso Não É Um Grupo e Corpo Rastreado
31/1 a 2/2 – quinta-feira, sexta-feira às 20h e sábado
maiores de 16 anos
30 lugares – Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 75 minutos

Uma ceia de Natal de 2020 durante uma guerra fictícia na América Latina. O irmão mais novo e recém-chegado do front é recebido de forma tragicômica pelas gêmeas Paula e Trinidad, que divergem em seus posicionamentos ideológicos. Lá fora há uma guerra, enquanto questões íntimas afloram da dramaturgia do chileno Guillermo Calderón.

FICHA TÉCNICA:
Texto: Guillermo Calderón
Direção: Diego Moschkovich
Elenco: Carolina Fabri, Ernani Sanchez e Michelle Gonçalves
Cenário e iluminação: Rafael Souza
Figurinos: Diogo Costa
Realização: Isso Não É Um Grupo e Corpo Rastreado

NEVA
Isso Não é Um Grupo e Celso Curi
7/2 a 9/2 – quinta-feira, sexta-feira às 20h e sábado às 18h
maiores de 16 anos
30 lugares – Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 75 minutos

No inverno de 1905, em São Petesburgo, a atriz Olga Knipper, primeira atriz do Teatro de Arte de Moscou, fundado por Stanislavski, vive o luto da morte de seu marido, o dramaturgo Anton Tchekhov, e com os atores Masha e Aleko tenta prosseguir o ensaio da peça O Jardim das Cerejeiras, último texto escrito pelo esposo. Eles aguardam a chegada dos outros atores da companhia, mas enquanto o ensaio ocorre na sala de um teatro, do lado de fora está acontecendo o Domingo Sangrento, massacre em que boa parte dos manifestantes foi cruelmente assassinada pela guarda do Czar. Talvez os outros atores não cheguem, podem ter sido mortos, mas os três permanecem ali.

FICHA TÉCNICA:
Texto: Guillermo Calderón
Tradução: Celso Curi
Direção: Diego Moschkovich
Elenco: Ernani Sanchez, Flávia Melman e Michelle Gonçalves
Concepção estética, cenografia e Iluminação: Rafael Souza
Figurinos Diogo Costa
Coordenação de Produção: Corpo Rastreado
Idealização: Isso Não é Um Grupo e Celso Curi

MÚSICA PARA VER
E² Cia de Teatro e Dança

20/2 a 1/3 – quartas, quintas-feiras e sextas-feiras às 20h
maiores de 14 anos
30 lugares – Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 50 minutos

Deste ato simples e primordial, surge o movimento, e a partir dele, estados corporais e poesia cênica. As canções, delicadamente selecionadas a partir do vasto repertório da música popular brasileira, reafirmam o interesse pela literatura (e pela palavra), presente em vários trabalhos anteriores da E² Cia de Teatro e Dança. Partindo da escrita musicada, poemas se reinventam e se refazem no corpo da intérprete e na cena.

Ficha técnica:
Direção e interpretação: Eliana De Santana |
Direção de arte, espaço cênico e iluminação: Hernandes de Oliveira |
Seleção musical e figurinos: Eliana de Santana |

LEITURA DRAMÁTICA
GUERRA À LA CARTE
Grupo Durame
8/3 – sexta-feira – 20h
maiores de 14 anos
30 lugares – Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 55 minutos

Pessoas que se relacionam na ambivalência da gentileza à crueldade em plena guerra. Entre destroços e bombardeios, eles conversam animadamente incitando o ódio à diferença, a cordialidade exagerada de forma acrítica e intelectualmente passiva. A partir da obra original Piquenique no Front de Fernando Arrabal.

FICHA TÉCNICA:
Dramaturgia coletiva a partir da obra original Piquenique no Front de Fernando Arrabal
Roteiro e Direção: Carlla Juliano
Elenco: Bruno Henrique, Douglas Soares, Raul Negreiros e Samara Pereira
Iluminação: Carmine D’Amore
Fotografia: Gustavo Falqueiro
Revisão e Arte gráfica: Breno Manfredini

A MÁQUINA DA AMNÉSIA
Plataforma Shop Sui
14 a 16/3– quinta-feira e sexta-feira às 20h e sábado às 18h
maiores de 16 anos
30 lugares – Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 50 minutos

A encenação trafega por uma atmosfera repleta de esquecimentos e interrompimentos, onde cada indivíduo propõe seu mergulho e compartilha seu momento de compreensão da pesquisa. O espetáculo integra o projeto Brain Diving- procedimento para cena contemplado pela 24ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança/2018.

FICHA TÉCNICA:
Diretor/Coreógrafo e Pesquisador: Fernando Martins
Intérpretes Colaboradores: Dalilla Leon e Fernando Martins
Cenografia: Leo Ceolin – Estudioscópio
Figurino: João Pimenta
Designer de Luz: Rodrigo Silbat
Artista audiovisual e programador: Caleb Mascarenhas
Produção Musical e Trilha Sonora: Fernando Martins
Captação e Edição de Vídeo: Osmar Zampieri
Fotografia: Silvia Machado

Ana Paula Lopez e Sol Faganello em Senhorita X, Senhora Y. Foto: Manu / Divulgação

Ana Paula e Sol Faganello em Senhorita X, Senhora Y. Foto: Manu Costa / Divulgação

SENHORA X, SENHORITA Y
Damas & Cia.
13 a 30/3 – quintas e sextas-feiras às 20h e sábados às 18h.
Maiores de 18 anos
Duração: 1h 15m

Baseada na peça A Mais Forte 1889, escrita pelo dramaturgo sueco August Strindberg, a peça discute o papel da mulher na sociedade contemporânea. A direção de Silvana Garcia investe na repetição do confronto das duas mulheres do título, mas em outros tempos e com outras circunstâncias. Com escalas de humor e grotesco.

FICHA TÉCNICA:
Direção: Silvana Garcia
Direção de Movimento: Kenia Dias |
Elenco: Ana Paula Lopez e Sol Faganello
Luz: Sarah Salgado | Figurino: Damas & Cia.
Trilha: Camila Couto | Assessoria de imprensa: Arteplural
Direção de produção: Damas & Cia
Fotografia: Manu Costa

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