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Encontro de crítica investiga estampidos do real

Espetáculo cubano Jacuzzi integra programação. Foto: Lázaro Wilson

Peça cubana Jacuzzi integra programa Crítica em Movimento, do Itaú Cultural, na Paulista. Foto: Lázaro Wilson

A Mulher Arrastada. foto: Regina Peduzzi Protskof

A Mulher Arrastada baseada em fato real ocorrido no Rio de Janeiro. Foto: Regina Peduzzi Protskof

A arte se alia ao presente para expandir forças de defesa da democracia e de combate à barbárie. Foi assim em outros tempos nublados no Brasil. Daquela época ficaram as obras e testemunhos de muita gente guerreira. A segunda edição do Crítica em Movimento traz as experiências de Augusto Boal e Plínio Marcos na pisada das ações das atrizes Walderez de Barros e Cecilia Boal.  Carrega os olhares de grupos e coletivos teatrais, a vivência do escritor Marcelino Freire, a atuação da crítica cubana Vivian Martínez Tabares. Durante nove dias o exercício da crítica ocupa o espaço do Itaú Cultural, na Avenida Paulista, com depoimentos, debates, peças, leitura dramática e um show cênico. A programação ocorre de 26 de setembro (quarta-feira) a 7 de outubro (domingo).

Em que medida o momento sociopolítico influencia as obras e os seus desdobramentos poéticos? é um disparador de uma reflexão que deseja congregar espectador comum, estudantes, profissionais das artes cênicas, da crítica, gestores culturais e pensadores de outras áreas.

O crítico de teatro Valmir Santos, que assina a curadoria destaca que  esta segunda edição absorve o ponto de vista crítico dos artistas. “As obras partem de temáticas urgentes (violências de classe, racismo, misoginia, homofobia, entre outas). E as mesas aprofundam como esse material rente à realidade pode ganhar potência poética. O momento sociopolítico brasileiro atravessa a maioria dos trabalhos”, ressalta.

A mesa Reflexos da vida real na arte e na cultura (26/09, 20h) inicia a programação com um debate do escritor Marcelino Freire e de Onisajé (Fernanda Julia), diretora fundadora do Núcleo Afro brasileiro de Teatro de Alagoinhas, na Bahia. Com mediação da encenadora, educadora e pesquisadora teatral Verônica Veloso, eles vão tratar da subjetividade que irrompe na manifestação artística carregada de realidades.

O crítico literário, professor e organizador da coleção Plínio Marcos: Obras Teatrais (Funarte, 2016) Alcir Pécora e a atriz Walderez de Barros conversam sobre A atualidade de Plínio Marcos, “repórter de um tempo mau”, na quinta-feira (27/09), às 16h. A mediação é de Valmir Santos. Apontado em algum momento como um autor maldito, Plínio Marcos (1935-1999), foi um dos primeiros a retratar homossexualidade, marginalidade, prostituição e violência com muita crueza em suas peças.

Uma versão de Navalha na Carne, peça de 1968 é apresentada ainda na quinta feira, às 20h. Em Navalha na Carne Negra, o diretor José Fernando Peixoto de Azevedo problematiza o corpo negro e os processos históricos de marginalização social, a partir dos três personagens da peça. A atriz Lucelia Sergio, da Cia Os Crespos (SP), e os atores Raphael Garcia, do Coletivo Negro (SP), e Rodrigo dos Santos, da Cia dos Comuns (RJ), se debatem em cena para questionar quem são esses “marginais” de Plínio Marcos, hoje?

Vivian, Stela e Cecilia participam da mesa

Vivian Martínez Tabares, Stela Fischer e Cecilia Boal participam da mesa sobre realidade latino-americana

A crítica e pesquisadora teatral, editora e professora cubana Vivian Martínez Tabares, que ministrou o curso Práticas e Tendências da Cena Latino-Americana Contemporânea semana passada na USP, a doutora em artes cênicas e coordenadora do Coletivo Rubro Obsceno Stela Fischer e a psicanalista e atriz que preside o Instituto Augusto Boal, Cecilia Boal integram a mesa O gesto artístico e a realidade latino-americana

Como conjugar a singularidade estilística e o pensamento crítico da produção artística da América Latina é o mote desse encontro na sexta-feira (28/09), às 16h , mediado por Ilana Goldstein, antropóloga e professora do Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp. Elas vão destacar que as criações artísticas nas mais variadas linguagens – literatura, música, cinema, teatro e artes visuais – têm destaque documental para esses países traumatizados por processos violentos de colonização europeia.

A montagem Jacuzzi, com o grupo cubano Trébol Teatro tem sessões agendadas para os dias dias 28 e 29 (sexta-feira e sábado). Dirigido por Yunior García Aguilera, o espetáculo expõe relatos contraditórios sobre Cuba. O casal Susy e Pepe faz uma festa para despedir-se de Roma e voltar a Havana. O único convidado é Alejandro, melhor amigo de Pepe e ex-namorado de Susy. Entre taças de vinho e a espuma da jacuzzi cada um defende suas posições políticas, sociais e emotivas.

Bixa Monstra Presidenta. Foto: Denise Eloy / Divulgação

Bixa Monstra Presidenta. Foto: Denise Eloy / Divulgação

A leitura dramática do 1º ato de Bixa Monstra presidenta, da Cia Humbalada de Teatro, ocorre também na sexta-feira, às 23h59. A peça tem influência do texto Gota Dágua, de Chico Buarque e Paulo Pontes. Mídia divulga que o presidente da república tem como amante uma “bicha” prostituta. Isso causa reboliço. O espetáculo, dirigido por Bru César, empreende uma uma crítica ácida, cômica e sentimental ao atual sistema político e ao que toca em questões de gênero e sexualidade. O elenco é formado por 10 atrizes e atores do Grajaú.

O ator, dramaturgo e diretor João Junior, do grupo Estopô Balaio, o diretor, ator e co-fundador da Trupe Olho da Rua, de Santos, Caio Pacheco e a coordenadora de pesquisa do Grupo Caixa de Imagens Mônica Simões vão analisar se projetos arrolados na comunidade criam pontes de cidadania. A mesa O desafio de concretizar arte no imaginário do espaço público/ comunitário ocorre no dia 29 (sábado), às 16h.

O diretor José Fernando Peixoto de Azevedo e o ator Rodrigo dos Santos são os convidados da 24ª edição do Encontro com o Espectador, ação em parceria do Teatrojornal – Leituras de Cena e o Itaú Cultural , no domingo (30/09), às 15h. O espetáculo Navalha na Carne Negra é tema do programa com  mediação do crítico Kil Abreu.

A Trupe Lona Preta apresenta O Circo Fubanguinho ainda no domingo, às 19h. Inspirado em charangas, farsas e bufonarias, o espetáculo dirigido por Sergio Carozzi e Joel Carozzi fala de dois palhaços demitidos e expulsos do picadeiro, mas que não medem esforços para voltar à ativa.

Segunda semana

A oficina de Teatro Aspectos Culturais/Religiosos de Matriz Africana para o Processo de Composição de Personagens (inscrições encerradas), ministrada por Hilton Cobra (interpretação), Ana Paula Bouzas (preparação corporal), Valéria Monã (dança afro) e Duda Fonseca (Capoeira) começa no dia 4 de outubro (quinta-feira), às 10h. A proposta é arquitetar com os participantes um repertório de possibilidades (gestuais, movimentos, sabores, paladares, cores, instintos, vestuários, sons, instrumentos etc), relacionados à cultura ancestral de matriz africana, que possam abastecer a criação e construção de personagens.

Dinho Lima Flor interpreta o bispo no espetáculo O avesso do Claustro. Foto: Alecio Cezar

Dinho Lima Flor interpreta o bispo no espetáculo O avesso do Claustro. Foto: Alecio Cezar / Divulgação

Também na quinta-feira (04/10), é exibido o show cênico O Avesso do Claustro, às 20h com a Cia. do Tijolo, inspirado na vida e obra de Dom Helder Camara. Os personagens de O Avesso do Claustro (interpretados por Lilian de Lima, Karen Menatti, Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante e Flávio Barollo, além dos músicos Aloísio Oliver, Maurício Damasceno, William Guedes e Leandro Goulart) ousam imaginar novos horizontes para esses tempos tenebrosos. No território profano, utópico e poético do teatro se cozinha o alimento da esperança e tonifica o espírito para a batalha. A peça leva ao palco as ideias revolucionárias, as históricas lutas de resistência política durante o regime militar de Dom Helder e ergue uma espécie de vigília coletiva para os dias de hoje. Na ocasião o grupo lança o CD do espetáculo, com os textos e as música apresentadas em cena.
Escrevemos sobre O Avesso do Claustro em:
https://mirada.sescsp.org.br/2016/critica/dom-da-liberdade/
http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/2016/12/18/peca-sobre-dom-helder-camara
http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/2017/02/01/no-palco-com-dom-helder/

Sexta-feira (05/10), às 16h, o ator Hilton Cobra, a atriz Naruna Costa e o diretor Rogério Tarifa debatem sobre a Poéticas da Cena Engajada, com mediação do crítico Kil Abreu. O encontro busca abordar a delicada questão dos danos provocados pela sociedade levados à cena, sem estrago da função estética. Os motes sociopolíticos executados no panorama brasileiro contemporâneo, como questões de identidade e de gênero, além dos movimentos antirracismo e em defesa de etnias e pelo feminismo são disparadores dessas reflexões.

A Mulher Arrastada, Foto: Regina Peduzzi Protskof ? Divulgação

A Mulher Arrastada, Foto: Regina Peduzzi Protskof ? Divulgação

Em março de 2014, no Rio de Janeiro, Cláudia Silva Ferreira, uma mulher negra, auxiliar de serviços gerais de 38 anos, mãe de quatro filhos biológicos e quatro adotivos foi assassinada pela Polícia Militar ao sair de casa. Seu corpo foi atirado às pressas no camburão da viatura e arrastado ainda com vida pelo tráfego. A peça A Mulher Arrastada é baseada nesse caso real. A dramaturgia é de Diones Camargo, dirigida por Adriane Mottola. O espetáculo convoca a uma repercussão sobre as barbáries cotidianas que a população periférica do país é submetida diariamente e ao apagamento na cobertura jornalística do nome de Cláudia, substituído pela alcunha de “mulher arrastada”. Apresentação no dia 5 de outubro, às 20h.

O sujeito periférico e a luta por políticas públicas é o tema da última mesa desta edição do Crítica em Movimento, que ocorre no dia 6 (sábado), às 16h. Participam da conversa Esther Solano, professora da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Tiaraju Pablo D’Andrea, cientista político e também professor da Unifesp, no Campus Zona Leste/Instituto das Cidades e Alfredo Manevy, gestor cultural e pesquisador em políticas públicas, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A mediação fica por conta de Carlos Gomes, ator e coordenador do Núcleo de Cênicas do Itaú Cultural.

Quando Quebra Queima é uma “dança-luta” coletiva, construída a partir das experiências de 14 estudantes que viveram o processo de ocupações e manifestações do movimento secundarista em São Paulo. É uma montagem da ColetivA Ocupação dirigida por Martha Kiss Perrone. Encerra o programa Crítica em Movimento: Presente com apresentações nos dias 6 e 7 (sábado, às 20h e domingo, às 19h).

PROGRAMAÇÃO

DIA 26 DE SETEMBRO (QUARTA-FEIRA),20h

Mesa Reflexos da vida real na arte e na cultura
Com Marcelino Freire e Onisajé. Mediação de Verônica Veloso.
Sala Itaú Cultural (200 lugares)
Duração: 120 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos

Dia 27 de setembro (quinta-feira),

16h
Mesa A atualidade de Plínio Marcos, “repórter de um tempo mau”
Com Alcir Pécora e Walderez de Barros. Mediação de Valmir Santos
Sala Vermelha (60 lugares)
Duração: 120 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos

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Navalha na Carne Negra. Foto: Sergio Fernandes / Divulgação

20h
Espetáculo Navalha na Carne Negra
Sala Itaú Cultural (200 lugares)
Duração: 50 minutos
Classificação Indicativa: 16 anos
FICHA TÉCNICA
Direção Geral e Dispositivo Cênico: José Fernando Peixoto de Azevedo
Atores: Lucelia Sergio, Raphael Garcia e Rodrigo dos Santos
Vídeo: Isabel Praxedes e Flávio Moraes
Iluminação: Denilson Marques
Direção de Arte: Criação Coletiva
Assessoria para o Trabalho Corporal: Tarina Quelho
Programação Visual: Rodrigo Kenan
Produção: corpo rastreado

DIA 28 DE SETEMBRO (SEXTA-FEIRA)

16h
Mesa O gesto artístico e a realidade latino-americana
Com Vivian Martínez Tabares, Stela Fischer e Cecilia Boal. Mediação de Ilana Goldstein
Sala Vermelha (60 lugares)
Duração: 120 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos

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Jacuzzi. Foto Lázaro Wilson / Divugação

20h
Espetáculo Jacuzzi
Com Trébol Teatro (Cuba)
Sala Itaú Cultural (200 lugares)
Duração: 60 minutos
Classificação Indicativa: 16 anos
FICHA TÉCNICA
Elenco: Yunior García Aguilera, Víctor Garcés Rodríguez e Yanitza Serrano Garrido / Heidy Torres Padilla
Direção: Yunior García Aguilera
Produção e assistência de direção: Dayana Prieto Espinosa

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Bixa Monstra Presidenta. Foto: Denise Eloy / Divulgação

23h59
Sessão maldita – Leitura dramática do 1º Ato: Bixa Monstra presidenta
Com Cia Humbalada de Teatro
Sala Multiúso (70 lugares)
Duração: 90 minutos
Classificação Indicativa: 18 anos
FICHA TÉCNICA
Direção e Dramaturgia: Bru César
Elenco: Tatiana Monte, Eliane Weinfurter, Rafael Cristiano, Onika Bibiana Soares, Bru César, Paulo Henrique Sant`Anna, Paulo Araújo, Dan Silva, Carlos Lourenço e Samuel Sasso
Figurino: Alene Alves
Assistente de Figurino: Deni Chagas
Cenário: Caio Marinho
Direção Musical: Luciano Antonio Carvalho
Iluminação: Piu Dominó
Produção: Janaína Soares
Assistente de Produção: Amanda Andrade

DIA 29 DE SETEMBRO (SÁBADO)

16h
Mesa O desafio de concretizar arte no imaginário do espaço público/comunitário
Com João Junior, Caio Pacheco e Mônica Simões
Sala Vermelha (60 lugares)
Duração: 120 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos

20h
Espetáculo Jacuzzi
Com Trébol Teatro (Cuba)
Sala Itaú Cultural (200 lugares)
Duração: 60 minutos
Classificação Indicativa: 16 anos

DIA 30 DE SETEMBRO (DOMINGO)

15h
Encontro com o Espectador
Com José Fernando Peixoto de Azevedo e Rodrigo dos Santos, sobre o espetáculo Navalha na Carne Negra. Mediação: Kil Abreu
Sala Vermelha (70 lugares)

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O Circo Fubanguinho. Foto: Lazerum / Easy-Resize.com / Divulgação

19h
Espetáculo O Circo Fubanguinho
Com Trupe Lona Preta
Sala Itaú cultural (200 lugares)
Duração: 60 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos
FICHA TÉCNICA
Direção: Sergio Carozzi e Joel Carozzi
Elenco: Alexandre Matos, Elias Costa, Henrique Alonso, Joel Carozzi, Sergio Carozzi e Wellington Bernado.
Produção: Henrique Alonso, Dona Méris e Xisté Marçal

DIA 4 DE OUTUBRO (QUINTA-FEIRA)

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O Avesso do Claustro. Foto: Alécio César / Divulgação

20h
Show-espetáculo O Avesso do Claustro
Com Cia. do Tijolo
Sala Itaú Cultural (200 lugares)
Duração: 120 minutos
Classificação Indicativa: Livre
FICHA TÉCNICA
Direção musical: William Guedes
Dramaturgia: Cia do Tijolo
Atores Cantores: Lilian de Lima, Karen Menatti, Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante, Flávio Barollo, Rogério Tarifa e Fabiana Vasconcelos Barbosa
Músicos: Maurício Damasceno, William Guedes, Clara Kok Martins, Eva Figueiredo, Leandro Goulart, Felipe Chacon e Jonathan Silva
Figurinista: Silvana Marcondes
Criação de luz: Laiza Menegassi
Operação de som: Leandro Simões
Fotos de Alécio César
Design gráfico: Fábio Viana

DIA 5 DE OUTUBRO (SEXTA-FEIRA)

16h
Mesa Poéticas da Cena Engajada
Com Hilton Cobra, Naruna Costa e Rogério Tarifa. Mediação de Kil Abreu.
Sala Vermelha (60 lugares)
Duração: 120 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos

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A Mulher Arrastada. Foto: Regina Peduzzi Protskof / Divulgação

20h
Espetáculo A Mulher Arrastada
Sala Multiúso (70 lugares)
Duração:  50 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos
FICHA TÉCNICA
Texto: Diones Camargo
Direção: Adriane Mottola
Elenco: Celina Alcântara e Pedro Nambuco
Trilha Sonora Original: Felipe Zancanaro
Iluminação: Ricardo Vivian
Cenografia: Isabel Ramil e Zoé Degani
Figurinos: criação coletiva
Fotos de Divulgação: Regina Peduzzi Protskof
Textos de divulgação / mídias digitais: Diones Camargo
Arte Gráfica: Jessica Barbosa
Produção estreia / temporadas: Diones Camargo e Regina Peduzzi Protskof
Produção circulação / festivais: Luísa Barros
Realização: Diones Camargo e LA PhOTO Galeria e Espaço Cultural
Apoio: Cia. Stravaganza e UTA – Usina do Trabalho do Ator

DIA 6 DE OUTUBRO (SÁBADO)

16h
Mesa O sujeito periférico e a luta por políticas públicas
Com Esther Solano, Tiaraju Pablo D’Andrea e Alfredo Manevy. Mediação de Carlos Gomes
Sala Vermelha (60 lugares)
Duração: 120 minutos
Classificação Indicativa: 12 anos

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Quando Quebra Queima. Foto: Mayra Azzi / Divulgação

20h
Espetáculo Quando Quebra Queima
Com ColetivA Ocupação
Sala Multiúso (70 lugares)
Duração:  100 minutos
Classificação Indicativa: Livre
FICHA TÉCNICA
Criação e Performance: Abraão Santos, Alicia Esteves, Alvim Silva, André Dias de Oliveira, Ariane Fachinetto, Beatriz Camelo, Gabriela Fernandes, Heitor de Andrade, Ícaro Pio, Letícia Karen, Marcela Jesus, Matheus Maciel, Mayara Baptista e Mel Oliveira
Direção: Martha Kiss Perrone
Dramaturgia: Coletiva Ocupação
Vídeo: Martha Kiss Perrone, Alicia Esteves e Fernando Coster
Fotos durante a peça: Alicia Esteves
Figurino: Coletiva Ocupação / Lu Mugayar
Iluminação: Alessandra Domingues
Preparação Corporal: Martha Kiss Perrone/ Natália Mendonça
Produção: ColetivA Ocupação/Otávio Bontempo

DIA 7 DE OUTUBRO (DOMINGO)

19h
Espetáculo Quando Quebra Queima
Com ColetivA Ocupação
Sala Multiúso (70 lugares)
Duração: 100 minutos
Classificação Indicativa: Livre

Toda a programação tem interpretação em Libras
Entrada gratuita
Distribuição de ingressos:
Público preferencial: 1 horas antes do espetáculo (com direito a um acompanhante)
Público não preferencial: 1 hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)
Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108
Se o visitante carimbar o tíquete na recepção do Itaú Cultural:
3 horas: R$ 7; 4 horas: R$ 9; 5 a 12 horas: R$ 10.
Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas.

Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Fones: 11. 2168-1776/1777
Acesso para pessoas com deficiência

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Cambio convida PE a dialogar com o mundo

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Paula de Renor é a diretora do Cambio festival, que visa a internacionalização da produção cênica pernambucana 

“Lo único que necesita una gran actriz, es una gran obra y las ganas de triunfar. Foto: Divulgação

Espetáculo Lo único que necesita una gran actriz, es una gran obra y las ganas de triunfar. Foto: Divulgação

O mundo é grande, mas às vezes esquecemos. Existem muitas possibilidades. É verdade que a situação é desafiadora. A realidade cultural no Brasil é asfixiante, com cortes de incentivos e o governo do golpe tentando demonizar os artistas. Nessas épocas é preciso expandir horizontes. A arte tem que ter ambição. E pode mover-se impulsionada por utopias realizáveis. O CAMBIO .FIT/PE – Festival Internacional de Teatro de PE nasce nesse cenário árido, mas como anúncio de chuvas para irrigar terrenos e futuros.

Idealizado e dirigido pela produtora e atriz Paula de Renor, o CAMBIO. FIT/PE traz instrumentos de mudança, com a perspectiva de internacionalizar a produção pernambucana. A primeira edição começa neste 4 de setembro e inclui palestras, seminários, oficinas, um espetáculo mexicano e uma leitura dramatizada.

Alô, Cambio. Quem é do métier conhece a produtora e atriz Paula de Renor, uma trabalhadora incansável da cultura. Ela não instiga essa bobagem de ser diva ou deusa da província dos Altos Coqueiros. É uma operária das artes da mais alta competência. Uma ativista que não foge à luta e se envolve com a democratização e mais justiça para o setor.

Por mais de 15 anos integrou a equipe de direção do Janeiro de Grandes Espetáculos. Saiu no ano passado e criou o CAMBIO .FIT/PE para movimentar estruturas e edificar outros focos para as artes cênicas pernambucanas, com reflexão, formação e difusão. Para levar essa produção para outros patamares. É uma lógica de quem está interessada no coletivo e na busca do bem-comum. Ação que guia os passos de Paula de Renor há anos, que bem poderia investir apenas no seu desenvolvimento como atriz. Mas ela quer somar, agregar, multiplicar forças e valores; incluir, compartilhar, quebrar barreira, humanizar. E isso não é apenas discurso frouxo, mas uma prática que está colada com sua trajetória.

Então, gente do teatro, da dança, da performance de Pernambuco, receba esse festival como um oásis no meio de um deserto. Foi preparado como todo o esmero e as parcerias possíveis nesse momento de desmonte da cultura no país.

Na 1ª edição estão na pauta de CAMBIO residências artísticas, oficinas e encontros para compartilhar experiências e saberes. A vivência de Paula como integrante do Núcleo dos Festivais Internacionais de Artes Cênicas do Brasil, participação e parcerias em muitos festivais internacionais faz dela uma boa conhecedora desse segmento. Sua intenção é estimular a produção pernambucana a se inserir no mercado internacional, mostrar o quadro de dificuldades e encontrar os caminhos de superar esses problemas.

A croata Iva Horvat, radicada na Espanha faz uma palestra nesta terça e ministra uma oficina. Na programação tem debates com a produtora iraniana Maryam Karroubi, residência artística com a polonesa Anna Karasinska. E a apresentação do espetáculo mexicano, Lo único que necesita una gran actriz, es una gran obra y las ganas de triunfar, no Casarão das Artes, espaço alternativo na Comunidade do Pilar.

“Estamos preparados com armaduras (força de trabalho), com armas em punho (nossas convicções) e alma de artista (esperança) para lutarmos juntos em 2019, para além da realização do festival, por políticas públicas para cultura e contra a intolerância , a homofobia e o fascismo que engolem este nosso país!”, assim os curadores Celso Curi e Paula de Renor no programa do festival.

Vivemos um momento em que é imprescindível refletir sobre a função da cultura na sociedade. E estar mais preparado para encarar os obstáculos que chegam com as alterações nos modos de gestão de investimentos na área, o trabalho articulado em redes, a obsolescência da mentalidade e mecanismos da gestão cultural pública no país. Muita coisa em movimento.

Se liga Pernambuco! Para falar com o mundo é preciso estar bem articulado.

Vida longa ao CAMBIO. FIT/PE – Festival Internacional de Teatro de PE!

PROGRAMAÇÃO

04/09, às 19h
Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa 505, Praça Marco Zero,Bairro do Recife. Fone: 3425-1906)
Palestra: Internacionalização das artes cênicas, com Iva Horvat/Espanha
(Abertura/lançamento CAMBIO. FIT/PE)

A professora, bailarina, coreógrafa e diretora de espetáculos de dança e teatro Iva Horvat é Croata e vive em Barcelona, na Espanha. Ela é especialista em distribuição e desenvolvimento de estratégias nas artes cênicas. Iva Horvat vai elencar os aspectos mais importantes efetivar um plano de internacionalização de projetos de artes cênicas, avaliação dos possíveis mercados e a participação em festivais e feiras internacionais.

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Iva Horvat mostra os “”caminhos das pedras da produção internacional. Foto: Reprodução do Facebook

De 05 a 09/09, Das 14h às 18h
Centro Cultural Benfica (Rua Benfica, 157 – Madalena – Fone: 2126-7387
Oficina: Como internacionalizar seu projeto – Mercados e estratégias de artes cênicas, Com Iva Horvat/Espanha

A oficina é é direcionada a artistas, produtores, gestores e curadores de artes cênicas. Tem por objetivo desenvolver um plano personalizado e estratégico para um projeto em relação à internacionalização e projeção em determinado mercado.
* Inscrição com seleção (Ficha de inscrição) ( 20 vagas)
* Valor da oficina: R$ 130,00

 

Mônica Lira participa da mesa. Foto: Reprodução do Facebook

Mônica Lira participa da mesa … a voz dos artistas e produtores. Foto: Reprodução do Facebook

Carlos Gil Zamora participa da mesa, Foto: Divulgação

Carlos Gil Zamora participa da mesa Políticas Púbicas para a internacionalição das artes cênicas, Foto: Divulgação

Dias 05 e 06/09, das 19h às 21h30
CAIXA CULTURAL RECIFE (Av. Alfredo Lisboa 505, Praça Marco Zero, Bairro do Recife. Fone: 3425-1906)
SEMINÁRIO: Internacionalização – Cooperação criativa nas artes cênicas
Dia 05/09 – Quarta-feira
MESA: Políticas públicas para a internacionalização das artes cênicas – a voz dos artistas e produtores
Carlos Gil Zamora-Diretor, dramaturgo e jornalista/Espanha
Márcia Dias – Produtora cultural, curadora e diretora do TEMPO_FESTIVAL – Festival Internacional de Artes Cênicas do Rio de Janeiro;
Damián Cervantes- Diretor da Cia Vaca 35/ México
Mônica Lira – Bailarina, coreógrafa e diretora do Grupo Experimental de Dança/PE;
Alaor Rosa –Ator,curador, produtor e diretor do Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília ;
Mediação: Celso Curi- Jornalista,curador, administrador Cultural, produtor e diretor /SP
Dia 06/09 – Quinta-feira
MESA : Rompendo fronteiras – Coorperação criativa
Maryam Karroubi – Produtora independente e consultora artística –Colaboradora do Dramatic Arts Center/Irã
Marcelo Allasino – Gestor cultural,diretor do Instituto Nacional de Teatro da Argentina e presidente do Programa Iberescena.
Celso Curi- Jornalista,curador, administrador Cultural, produtor e diretor /SP
Guilherme Marques- Ator, produtor e diretor da Mostra internacional de Teatro de São Paulo- MITsp
Mediação: Quiercles Santana- Ator, encenador, dramaturgo e professor de teatro, formado em Educação Artística com Habilitação em Artes Cênicas pela UFPE

 

Espetáculo Lo Único Que Necesita Una Gran Actriz, Es Una Gran Obra Y Las Ganas De Triunfar. Foto: Divulgação

Espetáculo Lo Único Que Necesita Una Gran Actriz, Es Una Gran Obra Y Las Ganas De Triunfar. Foto: Divulgação

Dias 07, 08 e 09/09, 19h
Casarão das Artes – Travessa Tiradentes 121 – Comunidade do Pilar, Bairro do Recife (Rua em frente ao Museu Cais do Sertão e ao lado da Receita federal) Informações: 3097-5268
APRESENTAÇÃO ARTÍSTICA
Espetáculo : LO ÚNICO QUE NECESITA UNA GRAN ACTRIZ, ES UNA GRAN OBRA Y LAS GANAS DE TRIUNFAR (MÉXICO)
Grupo: VACA 35 TEATRO EN GRUPO/México
Preço do Ingresso: pague quanto puder e achar que vale!
Indicação: 18 ANOS
Duração: 50 min
*Legendado em português
Ingressos no local/Vendidos 1h antes/Lotação limitada
Ficha Técnica:
Direção: Damián Cervantes
Elenco: Diana Magallón García e Mari Carmen Ruiz Benjumeda
Produção: José Rafael Flores
Direção técnica: Alejandro Paz
Adaptação, cenografia, iluminação e figurino: Vaca 35 Teatro
Livre adaptação da peça As Criadas, de Jean Genet, o espetáculo vai encontrar Claire e Solange na minúscula e degradante casa onde vivem e penetrar em sua intimidade, que mistura humor, violência e ternura. A encenação é inspirada nas palavras do próprio Genet: “A humildade só pode nascer de humilhação, senão, é falsa vaidade”. A peça propõe o diálogo entre o espaço e as atrizes, aprofundando temas universais e investigando as questões Genetianas, com base na performance, no teatro como única saída aparente. Uma espécie de conto de fadas, que questiona os estereótipos sociais, a marginalização e nenhuma possibilidade de expiação.

 

Anna Karasinska. Foto: Divulgação

Anna Karasinska. Foto: Divulgação

De 10 a 21/09/2018, das 14h às 18h
CENTRO Cultural Benfica/Teatro Joaquim Cardozo (Rua Benfica, 157 – Madalena. Fone: 2126-7387)
RESIDÊNCIA ARTÍSTICA (Gratuita)
Com: Anna Karasinska /Polônia
Dia 21/09 teremos uma demonstração pública no Teatro Joaquim Cardozo às 19h.
*Direcionada a atores, bailarinos e dançarinos profissionais
Anna Karasinska é formada em filosofia e cinema, Anna é diretora, cineasta e roteirista. Seus longas e curta-metragens foram exibidos em dezenas de festivais ao redor do mundo, recebendo vários prêmios.

 

O poste

Agri Melo, Naná Sodré e Samuel Santos, do Grupo O poste. Foto: Divulgação

Dia 08/09, 17h
Espaço O Poste (Rua da Aurora 529, Boa Vista.Fone: 98649-6713/98484-8421
LEITURA DRAMATIZADA
TEXTO: MEU FILHO APENAS CAMINHA UM POUCO MAIS LENTO
De Ivor Martinic/Croácia
Tradução: Nikolina Zidek e Celso Curi
Leitura com o Grupo de Teatro O Poste Soluções Luminosas e seus alunos

Dia 10/09, Das 19h às 21h30
SESC SANTO AMARO (Rua Treze de Maio 455, Santo Amaro. Fone: 3216-1728
CONVERSATÓRIO (CAMBIO de Vivências)
*Aberto ao público
Alunos do Curso de Interpretação para Teatro (CIT) de Santo Amaro e Piedade trocam idéias e compartilham conhecimentos e reflexões com VACA 35 Teatro en Grupo/México

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Dança investiga “a pele que habitamos”

Foto: Divulgação

Espetáculo pernambucano Segunda Pele questiona padrões que oprimem. Foto: Divulgação

Foto de Leandro Lima

Sobre fortalezas e delicadezas. Foto de Leandro Lima

Agre . Foto: Leandro Lima

Maria Agrelli em cena . Foto: Leandro Lima

Cena do espetáculo de dança contemporânea Segunda Pele. Foto: Divulgação

Cena do espetáculo de dança contemporânea do Coletivo Lugar Comum. Foto: Divulgação

Maria Clara Camarotti em cena. Foto: Divulgação

Maria Clara Camarotti em cena. Foto: Divulgação

O espetáculo pernambucano de dança contemporânea Segunda Pele é povoado de afetos. Desses que o mundo carece. De respeito pelas singularidades; de amorosidade nas relações, nos toques; de humor que valoriza. Para chegar a esse território, as atrizes-bailarinas expõem com coragem as feridas provocadas por intolerâncias sociais. É forte, é terno, é includente. Isso vem desde o nascedouro, da escolha do nome do grupo – Lugar Comum, inspirado num conceito do escritor Edouard Glissant, da criação de espaço que conectem realidades multiétnicas, plurivocais, não etnocêntrica, com vistas a forjar novos parâmetros para a arte e para a vida nos tempos que seguem. Não é pouco.

As peles que habitam o corpo, o corpo nu, o corpo social, o corpo casa – cidade, pelo, olhar, prazer, toques, cortes, pudor, memória. Troca de peles, desnudamentos, a peça de dança coloca no centro um debate sobre a diversidade dessas matérias que nos compõem. Traça um mapa emocional sobre infinitas possibilidades de estar no mundo e questiona os padrões que oprimem, ofendem, dilaceram.

Em desnudamentos, em transformações, as artistas Liana Gesteira, Maria Agrelli, Maria Clara Camarotti e Renata Muniz escamam suas cascas, compartilham experiências de suas vidas. Algumas bem dolorosas como traduz o depoimento de Maria Clara, de suas cirurgias e as facas mais afiadas dos olhares e julgamentos de parcela da sociedade.

Segunda Pele trafega por identidades, pertencimentos, intimidades e coletividades. Investiga a políticos dos corpos e os discursos avessos. A reação do contato com outros materiais humanos e de outras naturezas como elástico, velcro, plástico, arame, poliestireno. Cada uma das artistas tem seu momento de protagonismo e também de cumplicidade feminina, amparo, proteção, amizade.

O Coletivo Lugar comum foi instigado pelas ideias de Friedensreich Hundertwasser, o arquiteto ícone da Viena mais vanguardista, para montar esse trabalho. O pensamento do artista austríaco – que desenvolveu sua obra numa perspectiva mais humanizada e ecológica-, defende que o terráqueo tem cinco peles: a epiderme, o vestuário, a casa, o meio ambiente – social e cultural – onde vive e, a última, a pele planetária ou crosta terrestre ou a natureza ou o planeta Terra.

Também Segunda Pele vivencia transformações desde sua estreia, em 2012. Mutações que acompanham os debates de resistência e empoderamento da mulher que passam por vestimentas em sentido ampliado.

A peça combina a força expressiva dos corpos, em suas peculiaridades. Com entusiasmo reivindica o poder, de fala e de atuação, mas reparte com a plateia suas inquietas pulsões. Exercita idiomas de muitas gestualidades. Toma posição e responde ao mundo a partir de lugares do feminino com habilidade de quem está na luta política. Cada uma com seus registros de vida. Engajam espaço e tempo para fazer circular na cena questões urgentes. Chega como um breve manifesto pela liberdade plena.

Ficha técnica
Concepção: Liana Gesteira, Maria Agrelli, Maria Clara Camarotti, Renata Muniz e Silvia Góes
Interpretescriadoras: Liana Gesteira, Maria Agrelli, Maria Clara Camarotti e Renata Muniz
Preparação corporal: Silvia Góes
Concepção e Criação de figurino: Juliana Beltrão, Maria Agrelli e Maria Ribeiro
Execução de figurino: Xuxu e Fatima Magalhães
Colaboração na execução de figurino: Ilka Muniz e Maria Lima
Trilha sonora original: Rua (Caio Lima e Hugo Medeiros) + convidados (Cyro Morais e Paulo Arruda) + letra de Silvia Góes
Criação e execução de iluminação: Luciana Raposo
Operação de Luz: Luciana Raposo
Assistente de iluminação/ cenotécnico: Sueides Leal (Pipia)
Execução de cenário/estrutura: Gustavo Araújo e Marcos Antonio
Produção geral: Vi Laraia
Design gráfico: Thiago Liberdade
Fotos e vídeo: Ju Brainer e Tuca Soares
Realização: Coletivo Lugar Comum

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Como manter-se vivo, em São Paulo

Flávia Pinheiro em Como Manter-se Vivo. Foto: Danilo Galvão / Divulgação PMPA

Flávia Pinheiro desafia os limites do corpo em Como Manter-se Vivo. Foto: Danilo Galvão / Divulgação PMPA

O capitalismo tenta transformar tudo em mercadoria. As pessoas, seus sentimentos, suas relações. É uma luta medonha investir contra esse gigante que procura transtornar em matéria gasosa os afetos, ideologias, mentalidades. Seus agentes manipulam tudo para normatizar essas ações. Flávia Pinheiro usa sua arte como arma de guerra para assinalar as pulsões de vida e combater a inércia diante das tecnologias no espetáculo Como Manter-se Vivo?

O trabalho circula com o programa Palco Giratório, do Sesc, e nesta quinta-feira, às 21h faz a segunda apresentação no Sesc Belenzinho (São Paulo), seguido do Pensamente Giratório, uma roda de conversa sobre a relação do corpo em movimento com a Arte e Tecnologia.

Coreógrafa, dançarina e professora, Flavia Pinheiro é uma criadora de muita força física e ousadia intelectual. Ela se arrisca e expõe seu corpo ao limite do esgotamento, do colapso. Suas pesquisas e experimentos envolvem Arte e Tecnologia e investigam em várias plataformas maneiras de hackear o corpo; explora as gambiarras e práticas distópicas de sobrevivência na vida e na prática artística. Como também perscruta a resistência como um dos mecanismos de aprendizagem, que desafia a vertigem e a queda. Seu último trabalho Utopyas to everyday life, junto com a artista Carolina Bianchi (SP), vai ao limite da capacidade física humana, beirando o colapso em horas e horas de movimentos ininterruptos.

Como manter-se vivo aponta que prosseguir em movimento é um processo urgente de sobrevivência. Há alguns anos, Flávia esquadrinha a urgência de seguir em ação como ato de sobrevivência. Questiona como nos pautamos diante da imaterialidade da proposta pela interface dos dispositivos e a certeza da nossa impermanência. Como continuar em movimento? Como resistir ao desequilíbrio e à instabilidade da existência? Como persistir no tempo? Uma prática circular calcada na insistência e na certeza do limite da matéria.

Dança/Performance Como manter-se vivo
Classificação: livre
50 minutos
Quando: 9 de agosto, às 21h
Onde:Sala de Espetáculos II, Sesc Belenzinho

Ficha técnica:
Criação e Performance: Flavia Pinheiro 
Direção de arte: Flavia Pinheiro 
Coaching: Peter Michael Dietz 
Desenho sonoro: Leandro Olivan 
Desenho de luz: Natalie Revoredo 
Designer gráfico: Guilherme Luigi 
Produção: Flavia Pinheiro e Maria Santana 

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Cadengue deixa um vazio imenso no teatro

Encenador pernambuco estava remontando espetáculo Em Nome do Desejo. Foto: Reprodução do Facebook

Encenador pernambuco estava remontando espetáculo Em Nome do Desejo. Foto: Reprodução do Facebook

Que é a vida? Um frenesi.
Que é a vida? Uma ilusão,
uma sombra, uma ficção;
o maior bem é tristonho,
porque toda a vida é sonho
e os sonhos, sonhos são.
                                                 Calderón de La Barca

Antonio Edson Cadengue, um dos mais intensos encenadores brasileiros, morreu na madrugada desta quarta-feira (1). De forma súbita. Assim, de repente, como a morte chega e arrebata quem está muito ocupado com sua arte. O diretor, escritor e professor Cadengue preparava a nova montagem de Em Nome do Desejo, a partir da obra de João Silvério Trevisan. No fim de semana exibiu o primeiro ensaio aberto para o dramaturgo e passearam pelas praias de Pernambuco. Parecia feliz em levar de volta aos palcos seu maior sucesso, da década de 1990.

O que é a vida?, pergunta Calderón. Sabemos pouco. Antonio Edson deixa um vazio imenso e isso não é força de expressão. É real. A paixão pelo teatro exalava por seus poros; os olhos brilhavam. E como todo amante defendia sua arte com toda a força. Discordava, brigava. Nunca foi uma unanimidade. Colecionou afetos e alguns desafetos. Viveu profundamente as emoções, que articulava para os palcos.

Cadengue faleceu às 3h30, aos 64 anos. Levou uma queda em casa. Coisa que pode acontecer a qualquer um. Um acidente doméstico. Foi internado na unidade médica do Hospital Hapvida, no Recife. Complicou e chegou a óbito. “Infarto agudo secundário a uma arteriosclerose coronariana, que levou a um edema agudo do pulmão” é o que diz o laudo oficial como causa da morte.

O Teatro Valdemar de Oliveira será o palco para as despedidas, a partir das 8h de quinta (2). É uma merecida homenagem, já que o pesquisador escreveu sua tese de doutorado sobre o Teatro de Amadores de Pernambuco – TAP, do qual o Teatro Valdemar de Oliveira é sede. No livro ele avalia cinco décadas da história do longevo grupo teatral recifense. O trabalho foi publicado em dois volumes pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).

O sepultamento será no Cemitério de Santo Amaro, às 15h desta quinta-feira.

Antônio Cadengue nasceu em Lajedo, no Agreste de Pernambuco. Foi um dos fundadores da Companhia Práxis Dramática, nos anos 1970, e criou no início da década de 1990 a Companhia Teatro de Seraphim.

Montou clássicos, como Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare, muitas peças de Nelson Rodrigues – Toda Nudez Será Castigada, Senhora dos Afogados, Viúva, Porém Honesta e Doroteia e textos contemporâneos como os de Luís Reis: A filha do teatro, A morte do artista popular e Puro lixo, o espetáculo mais vibrante da cidade e de Aimar Labaki: Vestígios.

Mas qualquer palavra, essas palavras, tudo isso é muito pouco para falar de um artista tão brilhante, quer se goste ou não da arte que ele fazia. Ele deixa um vazio imenso. O teatro pernambucano está de luto.

Abaixo, um vídeo com um trecho da peça A Morte do Artista Popular, o merengue do Cadengue. Siga na luz.

 

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