Arquivo do autor:Ivana Moura

Revirando o Angu de Teatro

Fábio Caio e Hermila Guedes em Angu de Sangue, peça que movimenta a maratona do coletivo

Fábio Caio e Hermila Guedes em Angu de Sangue, peça que integra a maratona do coletivo

O Coletivo Angu de Teatro é admirável pela concentração de talentos e por sua força de realização. A trupe junta no mesmo caldeirão artístico Marcondes Lima, Fábio Faio, Arilson Lopes, Hermila Guedes, Gheuza Sena, Ivo Barreto e André Brasileiro, só para ficar nos componentes que atuam desde o início. Sabemos que não é fácil concretizar ideias e desejos neste estado de Pernambuco que, os fatos provam, dá pouca importância à cultura. Há outros grupos admiráveis na terrinha, graças aos deuses do teatro, à fórmula indestrutível de paixão pela arte e uma tenacidade que mobiliza os artistas.

Em 14 anos o Angu ergueu cinco espetáculos. Três deles – Angu de Sangue, Ossos e Ópera – estão na Maratona Angu de Teatro, que o coletivo apresenta de 29 de junho a 15 de julho na CAIXA Cultural Recife.

Os processos criativos do Angu também são abertos com as oficinas gratuitas sobre técnica e pensamento teatrais: Mexendo com O Pós-Dramático, O Pensamento dos Elementos Visuais na Cena “Operando” sobre a Arte da Trucagem no Teatro. O encenador e cenógrafo do grupo, Marcondes Lima e o ator Ivo Barreto são os responsáveis pelas atividades do Mexendo com o  Pós-Dramático, que ocorre no dia 1º de julho, das 9h às 13h.

Marcondes Lima também ministra o minicurso O Pensamento dos Elementos Visuais na Cena, sobre concepção de cenário, caracterização visual de personagens e iluminação nos espetáculos do Coletivo. O programa ocorre no dia 8 de julho, das 9h às 13h.

Exercícios práticos e estudos reflexivos sobre técnicas da arte transformista são focos de “Operando” sobre a Arte da Trucagem no Teatro, marcado para o dia 15 de julho, das 9h às 13h, oficina facilitada por Marcondes Lima e pelo ator Arilson Lopes.

As inscrições para Mexendo com O Pós-Dramático estão abertas até o dia 27 de junho. Para O Pensamento Dos Elementos Visuais Na Cena vão até 4 de julho e “Operando” Sobre A Arte Da Trucagem No Teatro seguem até 11 de julho. Interessados devem enviar breve currículo e carta de intenção para o e-mail infos.angu@gmail.com

Gheuza Sena no papel da manicure. Foto: Alex Ribeiro

Gheuza Sena no papel da manicure, na peça Angu de Sangue. Foto: Alex Ribeiro

Angu de Sangue marca a estreia do coletivo. A peça leva ao palco textos curtos do escritor pernambucano Marcelino Freire. São dez histórias que problematizam temas da solidão, desigualdade social, descaso e preconceito, da miséria material e existencial, violência, exclusão, dor no cotidiano das grandes cidades. Angu de Sangue é baseada em contos do livro homônimo e de Balé Ralé, ambos de  Freire. A direção é de Marcondes Lima.

A montagem está dividida em quadros. Que inclui histórias como a de Socorrinho, uma menina sequestrada e violentada por um pedófilo, numa narrativa cantado por Hermila Guedes e com uma boneca manipulada por Fábio Caio. Tem a manicure expansiva, interpretada por Gheuza Sena, que faz sua crítica ao Brasil a partir de fatos cotidiano. A catadora de lixo, que defende o lixão que vai ser desativado, no quadro Muribeca, com Fábio Caio. E a homenagem ao artista Pernalonga, símbolo do grupo Vivencial, que sangrou na rua até morrer sem socorro. As cenas estão carregadas de crítica e humor.

O espetáculo faz sobreposição de imagens da cena com outras projetadas em telão e a música traça muitas conexões entre os episódios.

O diretor Marcondes Lima interpreta Estrela no espetáculo. Foto: Divulgação

O diretor Marcondes Lima interpreta Estrela no espetáculo. Foto: Divulgação

André Brasileiro e Daniel Barros numa cena de Ossos. Foto: Divulgação

André Brasileiro e Daniel Barros numa cena de Ossos. Foto: Divulgação

Ossos é o quinto espetáculo do Coletivo pernambucano, o terceiro com texto de Marcelino Freire. É uma história de amor, autoexílio, morte e dignidades possíveis. O espetáculo traça um arco, não-linear, da trajetória do dramaturgo Heleno de Gusmão das brincadeiras de teatro no sertão de Pernambuco à consagração como escritor em São Paulo. No meio disso tudo a solidão, o abandono, a sobrevivência emocional entre garotos de programa.

Heleno de Gusmão sob o pretexto de entregar os restos mortais de seu amante aos familiares, percorre um caminho tortuoso de lembranças e reencontro com suas origens.

Um coro de Urubus comenta os acontecimentos da peça, que se esenvolve em vários cenários; nos guetos paulistanos, nas esquinas dos michês, nos bastidores de um teatro amador, no interior de Pernambuco onde os ossinhos de bois são material para nutrir a imaginação do futuro escritor, na estrada de volta para à terra natal.

São fragmentos de memória do escritor aparecem como sonho ou um estado hiper-real. A iluminação de Jathyles Miranda instaura um clima de traços expressionistas, com sombras e deformidades visuais. E tem ainda a trilha sonora incrível do músico pernambucano Juliano Holanda.

Ópera é a segunda montagem do Coletivo Angu de Teatro, que faz apresentações no Santa Isabel

Tatto Medini, ao centro, em Ópera é a segunda montagem do Coletivo Angu de Teatro

Ópera é o espetáculo mais querido do Coletivo Angu de Teatro. A temática LGBT vai ao palco nem como herói nem como vilã. Sem ser nem vilanizada nem vitimizada, Ópera expõe quatro histórias divertidas, com criticidade aguda e até com doses de crueldade que vem do texto ácido de Newton Moreno e da direção criativa de Marcondes Lima. As cenas são apresentadas como radionovela dos anos 1950, fotonovela, telenovela e, por último, uma ópera.

O cão, a radionovela, expõe o ocorre com uma família quando descobre que seu cachorrinho Surpresa é gay. O drama de de Pedro (ou Petra), que não se sente adequado em seu corpo masculino é explorado como uma fotonovela dos anos 1960, no episódio O troféu. Com muito humor e inspirado nas telenovelas da década de 1980, o quadro Culpa, mostra um personagem soropositivo que tenta encontrar um novo parceiro para o namorado. O último quadro explora os ridículos atos de uma criatura apaixonada, no caso um barítono que se submete a situações bem estranhas por um michê. A peça tem a participação de  Andréa Valois.

FICHA TÉCNICA
Autores: Marcelino Freire (Angu de Sangue e Ossos) e Newton Moreno (Ópera)
Encenador: Marcondes Lima
Elenco Angu de Sangue: André Brasileiro, Fábio Caio, Gheuza Sena, Hermila Guedes e Ivo Barreto
Elenco Ossos: André Brasileiro, Arilson Lopes, Daniel Barros, Ivo Barreto, Marcondes Lima e Robério Lucado
Elenco Ópera: André Brasileiro, Arilson Lopes, Fábio Caio, Ivo Barreto, Robério Lucado e Tatto Medini
Participação especial em Ópera: Andréa Valois
Trilha sonora original – Angu de Sangue: Henrique Macedo e Carla Denise
Trilha sonora original – Ópera: Henrique Macedo
Trilha sonora original – Ossos: Juliano Holanda
Light designer: Jathyles Miranda
Direção de arte: Marcondes Lima
Direção de produção: Tadeu Gondim
Produção executiva: André Brasileiro, Arquimedes Amaro e Nínive Caldas
Assessoria de imprensa: Moinho Conteúdos Criativos (André Brasileiro e Tiago Montenegro)
Designer gráfico: Thiago Liberdade
Operação de luz: Sávio Uchôa e Jathyles Miranda
Operação de som: Tadeu Gondim/Fausto Paiva
Fotógrafo: Diego Melo / Flávio Ferreira (Moinho Conteúdos Criativos)
Captação de imagens em vídeo/edição: Diego Melo / Flávio Ferreira (Moinho Conteúdos Criativos)
Realização: Atos Produções Artísticas e Coletivo Angu de Teatro

SERVIÇO
MARATONA ANGU – MOSTRA DE REPERTÓRIO DO COLETIVO ANGU DE TEATRO
Onde: CAIXA Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife, Recife/PE)
Fone: (8)1 3425-1915
Quando: 29 de junho a 15 de julho de 2017
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia para estudantes, professores, funcionários e clientes CAIXA e pessoas acima de 60 anos)
Classificação Indicativa: Angu de Sangue – 14 anos / Ossos e Ópera – 16 anos

ANGU DE SANGUE
Dias 29 e 30 de junho, às 20h – 1º de julho, às 17h (com tradução em LIBRAS) e às 20h
OSSOS
Dias 06 e 07 de julho, às 20h – 8 de julho, às 17h (com tradução em LIBRAS) e às 20h
ÓPERA
Dias 13 e 14 de julho, às 20h – 15 de julho, às 17h (com tradução em LIBRAS) e às 20h

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Mundo povoado de seres e narrativas

Manoel Carlos e Andre Filho no elenco de Histórias por um Fio. Foto: Rogério Alves

Manuel Carlos e Andre Filho no elenco de Histórias por um Fio. Foto: Rogério Alves / Divulgação

A concepção do mundo e a invenção dos universos subjetivos, trançados e narrativas conduzem o espetáculo Histórias por um fio, da Cia. Fiandeiros de Teatro. A dramaturgia da peça foi inspirada nos contos da tradição oral ibérica, indígena e africana.  A tarefa do personagem Mavutsinim, o deus indígena, é povoar a Terra de seres e histórias.

A montagem tem direção de João Denys, produção de Daniela Travassos, dramaturgia de André Filho e direção de arte de Manuel Carlos. Histórias por um fio faz apresentações nos dias 17 e 18 de junho, no Espaço Fiandeiros, na Boa Vista.

A peça faz parte do projeto Dramaturgia – Teatro Para Infância e Juventude e conta com incentivo do Funcultura. Histórias por um fio tem marcada uma exibição especial para escolas convidadas no dia 16, em sessão com tradução para Libras (Linguagem Brasileira de Sinais).

FICHA TÉCNICA
Dramaturgia: André Filho
Direção: João Denys
Direção de Arte: Manuel Carlos
Direção de Produção: Daniela Travassos
Direção Musical: Samuel Lira
Elenco: André Filho, Charly Jadson, Daniela Travassos, Manuel Carlos
Músicas: André Filho
Desenho de Luz: André Filho
Operação de Luz: Rodrigo Oliveira
Execução de Sonoplastia: Marcelo Dias
Percussão: Charly Jadson
Registros de imagens: Sobrado 423
Costureira: Irani Galdino
Equipe de Cenotécnica e pintura: Manuel Carlos, Jerônimo Barbosa, Charly Jadson, Robério Oliveira e Júlio Richardson
Produção Executiva: Renata Teles e Jefferson Figueirêdo
Realização: Companhia Fiandeiros de Teatro
Incentivo: Funcultura

SERVIÇO
Histórias por um fio
Quando: Dias 17 (sábado) e 18 (domingo) de junho, às 16h
Onde: Espaço Cultural Fiandeiros: Rua da Matriz, 46, 1º andar, Boa Vista, Recife
Ingressos: R$ 5, à venda na bilheteria do Espaço
Informações: (81) 4141.2431

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Partilhas de afeto

Silvinha Góes em Diário corporal . Foto de Daniela Nader

Silvinha Góes em Diário corporal . Foto: Daniela Nader

Estar vivo a cada dia é um novo milagre, contata Silvinha Góes, depois de muitas andanças em que pedaços seus ficaram pelos caminhos. Mas também o reencontro com seus antepassados, com as raízes indígenas da tribo Fulni-ô , abasteceu seu coração, fortificou as pernas para outras danças.

Seu corpo-história está marcado de fluxos de vida, entre dores profundas e necessárias, e alegrias abençoadas por toda a beleza concedida pelo universo.

Nesta segunda-feira a artista expõe sua esperança no encontro verdadeiro, humano, embalado por afetos de pessoas que insistem em acreditar que não é preciso ferir o outro para ser feliz.

A mostra Diário corporal – um caminho de retorno é encarado como uma possibilidade de troca, mais do que um espetáculo. É a pulsão Vital de Silvinha Goes que acolhemos, acalentamos, num movimento mútuo de alegria e gratidão pela existência.

Neste 12 de junho, às 19h, no Coletivo Lugar Comum (Rua Capitão Lima, 210 – Santo Amaro).

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A arte da Escola João Pernambuco

Peça inspirada na obra de Charles Bukowski na programação de A Porta Aberta

Peça inspirada na obra de Charles Bukowski está na programação da 18ª edição de A Porta Aberta

Há um lugar na Várzea, bairro da zona oeste do Recife, que funciona como espaço de resistência, de exercício de cidadania, de laboratório artístico há anos. Lá, jovens são provocados nas artes cênicas para saírem instigando no mundo. A Escola Municipal de Arte João Pernambuco, da PCR, já foi ameaçada de fechar e já sofreu outros atentados contra sua existência. Sobrevive graças a garra, determinação, empenho de alguns artistas pedagogos, liderados por Fred Nascimento.

De 12 a 16 de junho – de hoje a sexta-feira, a EMAJP promove a 18º A Porta Aberta– Mostra de Artes Cênicas, para exibir a produção da escola e também de alguns grupos convidados. O programa deste semestre faz homenagem à jornalista Ivana Moura e ao Grupo Risadinha.

A exposição Vazio de jovens artistas em diferentes suportes marca a abertura do evento às 16h desta segunda-feira. Instalações de Aussuba e Douglas Trajano, fotografias de Carol Alexandre e gravuras de Dante Olivier e Victor Hugo Borges.  O contexto político, a política-arte e a utilização de tecnologias orientam os trabalhos.

As Curtas Cenas da Oficina de Teatro, com direção de Tatiana Pedrosa, estão agendadas para às 17h seguido de As Interferências de Maria Clara Machado, com direção de Patrícia Barreto. O último escritor “maldito” da literatura norte-americana, referido como autor beat honorário, Charles Bukowski, o velho Buk, dá inspiração à peça Haverá um Maldito Aqui Dentro, com atuação de Ronaldo Pereira, Joselito Veríssimo, Pablo Silva e Hugo Peixoto.

As Curtas Cenas da Oficina de Teatro prosseguem no segundo dia, a partir das 17h30. E na sequência o pocket espetáculo Quem sou Eu?, criação e atuação de George Miranda. Ele, com dramaturgia de Rafael Paixão e atuação dele junto com Dave Schiavo e a criação coletiva, sob a direção de Maysa Dias, Dos Desejos e Incertezas serão apresentadas á noite. Os Flashes Poéticos Performáticos baseados nos poemas dos pernambucanos Marco Polo Guimarães, Miró da Muribeca e Zé de Lara encerram a segunda noite, uma livre adaptação experimental performática coordenada por Fred Nascimento.
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As Curtas Cenas da oficina de teatro também movimentam o terceiro dia da mostra, a partir das 17h. E nesta quarta-feira a programação conta com a 5ª Mostra IP de Vídeos Intervenções e Performances, que tem a coordenação nacional do Coletivo Camaradas do Ceará, e curadoria local do Grupo Totem, com direito a roda de conversa.

Ragnok, com a DIG Cia de Dança-teatro, na atuação de Pollyana Monteiro. Foto Paulo Michelloto

Ragnok, com a DIG Cia de Dança-teatro, na atuação de Pollyana Monteiro. Foto Paulo Michelloto

Baseado no conto homônimo de Jorge Luiz Borges, com tradução de Paulo Michelotto e performance de Pollyanna Monteiro, o D’improvizzo Gang (DIG), exibie Ragnork, seu mais novo trabalho de dança- teatro. E Meu Negro de Estimação, adaptação do conto de Marcelino Freire, com Roberto Limah e Amor em Pedaços, um texto clássico de Strindberg sob a direção de Patrícia Barreto fecham a noite de quarta.

A arte-educadora e arte terapeuta Rafaella de Méllo ministra a oficina Os jogos teatrais: Um jogo da Psique, das 14h às 17h da quinta-feira com inscrições no local. Às 16:30 ocorre a apresentação do Grupo de Flautas Doce da EMAJPE, coordenado pelo prof. Rogério Wanderley. Outras atrações da quinta são o espetáculo Par Tu, sob direção de Carlos Lima e Exercícios de Interpretação sob o comando de Givaldo Tenório, Amontoados um Trajeto Entre Corpo e Vídeo, com coreografia de Adelmo do Vale. Contos Negreiros / Navio Negreiro, que reúne contos adaptados de Marcelino Freire ao clássico poema de Castro Alves, com encenação de Fred Nascimento encerra a noite.

Na sexta-feira 16 serão feitas as homenagens à jornalista e crítica teatral Ivana Moura e ao Grupo Teatral Risadinha de Camaragibe. E as exibições das produções desse último dia incluem os trabalhos Sim Estou Ciente e Quero Continuar, com direção de Mayza Dias e Luta, criado a partir de Hai Kais de diversos autores, com direção de Carlos Lima. Todas as atividades são gratuitas.

18º A Porta Aberta 2017.1 – Mostra de Artes Cênicas

De 12 a 16 de junho de 2017
Escola Municipal de Arte João Pernambuco/PCR

SEGUNDA 12/12

16h – Abertura da Exposição VAZIO – instalações de Aussuba e Douglas Trajano, fotografias de Carol Alexandre e gravuras de Dante Olivier e Victor Hugo Borges.

17h – Cenas Curtas
Oficina de Teatro
Dir. Tatiana Pedrosa

17h30 – As Interferências
Texto: Maria Clara Machado
Básico de Teatro – 1º per. EMAJPE
Dir. Patrícia Barreto

20h – Haverá um Maldito Aqui Dentro
A partir da obra poética de Charles Bukowski.
Lab.de Aprof. Cênico (LAC) – EMAJPE
Dramaturgia e encenação Fred Nascimento

TERÇA 13/12

17h – Curtas Cenas
Of. Teatro Adulto
Dir. Tatiana Pedrosa

17h30 – Quem sou Eu?
Criação e atuação George Miranda

19h – Ele
Dramaturgia Rafael Paixão
Atuação Rafael Paixão e Dave Schiavo

19h30 – Dos Desejos e Incertezas
Básico de Teatro – 2º período EMAJPE.
Dir. Mayza Dias

20h – Flashes Poéticos Performáticos.
A partir de poemas de Marco Polo Guimarães, Miró e Zé de Lara, Básico de Teatro – 3º per. EMAJPE
Dir. Fred Nascimento

QUARTA 14/12

16h30 – Curtas Cenas
Of. Teatro Adulto
Dir. Tatiana Pedrosa

17h – MOSTRA IP DE Vídeos Intervenções e Performances. Seguida de Roda de conversa com o grupo Totem

19h –Ragnorok
d’Improvizzo Gang
Texto: Jorge Luis Borges
Criação e execução: Paulo Michelotto e Pollyanna Monteiro

19h30 – Meu Negro de Estimação
Texto: Marcelino Freire
Adaptação e atuação Roberto Limah

20h – Amor em Pedaços
Texto: Strindberg
Básico de Teatro- 1º per. EMAJPE
Dir. Patrícia Barreto

QUINTA 15/12

14h às 17h – Oficina “Um Jogo da Psiquê”
Facilitadora Rafaella De Mello

16h30Grupo de Flauta Doce da EMAJPE
Regente prof. Rogério Cavalcanti

17h – Curtas Cenas
Of. Teatro Adulto
Dir. Tatiana Pedrosa

17h30Par Tu
Criação coletiva
Curso Básico – 3º Per. EMAJPE
Dir. Carlos Lima

19hExercícios de Interpretação
Curso Básico – 1º Per. EMAJPE
Dir. Givaldo Tenório

19h30Amontoados – Um Trajeto Entre Corpo e Vídeo
Oficina de Dança Contemporânea
Coreografia Adelmo do Vale

20hContos Negreiros / Navio Negreiro
Texto: Marcelino Freire e Castro Alves
Curso Profissional – 3º per. EMAJPE
Dir. Fred Nascimento

SEXTA 16/06

19h – Homenagem a jornalista Ivana Moura e ao Grupo Teatral Risadinha

19hSim Estou Ciente e Quero Continuar
Curso Básico – 4º per. EMAJPE
Dir. Mayza Dias

20h – Luta
Criação coletiva
Texto: hai kais de diversos autores
Básico de Teatro – 4º per. EMAJPE
Dir. Carlos Lima

18º A Porta Aberta – Mostra de Artes Cênicas 2017.1 –De 13 a 17 de junho de 2017
Escola Municipal de Arte João Pernambuco/PCR.
Av. Barão de Muribeca, 216 – Várzea – Recife – fone: 3355-4092 / 93 / 94.

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Cuidado com a barbárie!

José Neto Barbosa em A Mulher Monstro Foto: Annelize Tozetto

José Neto Barbosa em A Mulher Monstro Foto: Annelize Tozetto

Definitivamente, não vivemos tempos de delicadeza. A intolerância predomina e quem tiver mais poder de convencimento pode até passar por cima da razão, da lei, do bom-senso. Isso ocorre no campo da política ou das relações mais estreitas. Ferir o outro que pensa diferente pode até ser um forma de exibir um pequeno troféu. Se os demônios de cada um eram domados para o convívio social, agora os monstros estão soltos.

 Um recorte da realidade político-social do Brasil é explorado no espetáculo A Mulher Monstro, que expõe a conduta de uma burguesinha perseguida pela visão intransigente de seus pares, ou seja do reflexo dela mesma. A mulher tenta domar a solidão e derrama-se em ódio que alimenta dentro de si contra o diferente, num cenário explosivo de corrupção, golpe de estado e cinismo generalizado.

Com atuação do ator José Neto Barbosa, A Mulher Monstro faz mais uma temporada no Recife, desta vez de 9 a 18 de junho (sextas, sábados e domingos) no Teatro Hermilo Borba Filho, no Recife Antigo.

A montagem estreou em 2016, motivada pelas barbáries que passou a circular nas redes sociais e na rua. O artista fez uma colagem de falas reais de figuras públicas e de anônimos, com o conto Creme de Alface de Caio Fernando Abreu. Entram também na dramaturgia suas memórias da “Mulher Monga” dos parques e circos nordestinos, e principalmente fatos e discursos impositivos na sua vida, desde infância, fruto da discriminação sentida no convívio social. 

O conto de Caio F. foi escrito em plena ditadura militar, mas só publicado em 1995: “O que me aterroriza neste conto de 1975 é a sua atualidade. Com a censura da época, seria impossível publicá-lo. Depois, cada vez que o relia, acabava por rejeitá-lo com um arrepio de repulsa pela sua absoluta violência. Assim, durante vinte anos, escondi até de mim mesmo a personagem dessa mulher monstro fabricada pelas grandes cidades. Não é exatamente uma boa sensação, hoje, perceber que as cidades ficaram ainda piores, e pessoas assim ainda mais comuns”, disse o escritor dois anos antes de sua morte.

“Se de 1975 para 1995 Caio percebeu que a sociedade estava mais intolerante, hoje, vemos que pouco avançamos com relação à intolerância e ao preconceito. E eu resolvi fazer da minha arte militância”, conta José Neto, que também dirige a peça.

SERVIÇO

A Mulher Monstro
Quando:
De  9 a 18 de junho de 2017, Sextas e sábados às 19h. Domingo às 18h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Rua do Apolo, 121, Recife Antigo)
Ingressos: R$ 30,00 inteira / R$ 15,00 meia (vendidos também duas horas antes do espetáculo, na Bilheteria do Teatro) 
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: pouco mais de 60 minutos.
Informações: 81 33553321 ou facebook.com/semciadeteatro

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